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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Recife sedia simpósio para discutir os avanços na cirurgia bariátrica


Relatório da FAO e OPAS aponta que mais da metade dos brasileiros estão com sobrepeso
Os principais nomes da cirurgia bariátrica do País estão reunidos hoje (05/10), no Recife, para o I Simpósio de Cirurgia Bariátrica Robótica do Hospital Esperança, no Hotel Luzeiros. A primeira palestra será ministrada pelo cirurgião Carlos Domene (SP), que irá falar sobre "Cirurgia do Futuro 4.0", onde o robô estará apto a comandar uma cirurgia, com menos participação do médico. Duas cirurgias também serão mostradas e comentadas, para que sejam debatidos os principais métodos utilizados na bariátrica. Além de Carlos Domene, participam ainda os cirurgiões Alexandre Elias (SP), Carlos Saboya (RJ), Walter França (PE), Álvaro Ferraz (PE).
A primeira será apresentada pelo cirurgião Carlos Saboya, com o método Sleeve, ou Gastrectomia Vertical. Nesse procedimento, o estômago do paciente é grampeado, ganhando um formato de tubo, que vai do esôfago ao duodeno. O tamanho do órgão é reduzido em cerca de 80%. A redução do apetite se dá pela retirada de uma parte do estômago que produz um hormônio chamado grelina, responsável pela sensação de fome. Assim, o paciente tem o apetite reduzido. O Sleeve é indicado para pacientes com obesidade 3 que possuem problemas intestinais e anemia.
A segunda cirurgia será a do método Bypass, pelo cirurgião Alexandre Elias. Esse método consiste num desvio do intestino delgado, levando o paciente a absorver menos gordura. O intestino continua funcionando normalmente, preservando a absorção de vitaminas e minerais. Esse tipo de cirurgia é mais indicado para os pacientes diabéticos. A perda de peso varia, em média, de 40%.
"Nossa ideia é que a plateia possa opinar a partir dos pontos que forem apresentados. Será bastante interativo", informa o cirurgião bariátrico do Hospital Esperança Recife, Walter França. O evento, que é realizado em parceria com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, também é aberto a outros profissionais da equipe multidisciplinar que acompanham pacientes antes e após a cirurgia bariátrica, como psicólogos, nutricionistas e endocrinologistas.
Obesidade
Dados de um relatório conjunto da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), divulgado em janeiro de 2017, apontam que mais da metade da população brasileira está com sobrepeso. O sobrepeso em adultos subiu de 51,1% em 2010 para 54,1% em 2014. Em 2010, 17,8% da população era obesa e em 2014 o índice chegou a 20%. A prevalência é maior entre as mulheres, com 22,7%. 
Entre as principais doenças ligadas à obesidade, estão problemas cardíacos, diabetes, colesterol alto, depressão, câncer e dermatites, além de incontinência urinária, apneia do sono e disfunção hormonal e erétil (nos homens), refluxo gástrico e doenças articulares.  
Cirurgia robótica
A cirurgia robótica permite intervenções menos invasivas, com menor risco de hemorragias e infecções, menor dor pós-operatória, uma recuperação mais rápida e o retorno mais cedo às atividades cotidianas e ao trabalho. O procedimento garante ao cirurgião a execução dos movimentos de forma precisa, através da manipulação de um console, enquanto os braços do robô fazem movimentos que simulam as mãos do cirurgião. Os braços contêm câmeras que mostram imagens em 3D dos órgãos, garantindo maior precisão dos movimentos aos médicos.
Em julho deste ano, o Hospital Esperança alcançou a marca de 500 cirurgias robóticas realizadas, sendo líder nesse tipo de procedimento nas regiões Norte e Nordeste. No hospital, são realizadas cirurgias robóticas urológicas, bariátricas, colorretais, torácicas e ginecológicas.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Brasil pode perder certificado de eliminação do sarampo, alerta Opas


Risco existe se surto da doença permanecer por mais de 12 meses
O Brasil tem até fevereiro de 2019 para reverter os surtos de sarampo registrados em diversas áreas do país – sob pena de perder o certificado de eliminação da doença, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) em 2016. O alerta foi feito pela assessora regional de Imunizações da entidade, Lúcia Helena de Oliveira, durante a 20ª Jornada Nacional de Imunizações, no Rio de Janeiro.
Dados do Ministério da Saúde mostram que, até 24 de setembro, foram confirmados 1.766 casos de sarampo, dos quais 1.367 no Amazonas e 325 em Roraima.
Há ainda, segundo a pasta, quase 8 mil casos em investigação em ambos os estados, além de casos isolados em São Paulo (3), no Rio de Janeiro (18), no Rio Grande do Sul (29), em Rondônia (2), em Pernambuco (4), no Pará (14) e em Sergipe (4).
Lúcia Helena de Oliveira lembrou que a Venezuela, de onde veio a cepa de sarampo identificada no Brasil, perdeu seu certificado de eliminação em junho deste ano.
Contra o tempo
O critério adotado pela Opas para conferir transmissão sustentada é que o surto se mantenha por um período superior a 12 meses. As autoridades sanitárias brasileiras, portanto, correm contra o tempo, já que os primeiros casos da doença no Norte do país foram identificados no início do ano.
“Sabemos que os casos no Brasil são de importação, lamentavelmente, pelas condições de saúde em que vive a Venezuela. Mas só estamos tendo casos de sarampo no Brasil porque não tínhamos cobertura de vacinação adequada. Se tivéssemos, esses casos viriam até aqui e não produziriam nenhum tipo de surto”, destacou a assessora da Opas.
Atualmente cerca de 4,4 mil municípios atingiram a meta de vacinação estipulada por meio de campanha, o que representa que aproximadamente 1,3 mil cidades permanecem com coberturas vacinais que deixam a desejar.
“As importações continuarão sendo uma ameaça permanente. A única forma de evitar a disseminação do vírus é obtendo coberturas vacinais acima de 95% em todos os municípios – não somente em nível de país”, ressaltou Lúcia Helena Oliveira.
Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Fiocruz faz pesquisa de casos de dengue, zika e chikungunya no Recife



A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deu início a um levantamento para identificar o número de casos – novos e antigos – de zika, dengue e chikungunya em diferentes níveis socioeconômicos e faixas etárias no Recife. Nas visitas a domicílios escolhidos por sorteio, será aplicado um questionário para reunir dados sociodemográficos e de história anterior de adoecimento por arboviroses. As equipes também vão coletar amostras de sangue para exames sorológicos e moleculares.
No caso de pessoas com sintomas de alguma das doenças na ocasião da visita da equipe ou que apresentaram sintomas nos últimos 30 dias, serão coletadas também amostras de urina, saliva e fio de cabelo para serem submetidas a testes mais específicos. “A finalidade é tentar esclarecer se fatores ambientais podem ter interagido com o vírus Zika e ter aumentado os casos de microcefalia”, informou a Fiocruz. Todo o material coletado será encaminhado ao departamento de Virologia e Terapia Experimental em Pernambuco.
As visitas aos domicílios, de acordo com a fundação, serão feitas das 17h às 21h, de segunda a quinta-feira, e das 9h às 12h, aos sábados, horários em que a maioria dos membros das famílias está em casa. Todos os participantes vão receber os resultados dos testes e orientações sobre eles. Os pacientes que estiverem sintomáticos serão encaminhados para atendimento na rede de saúde municipal.
Devem ser visitadas, ao todo, 990 casas e coletadas amostras de aproximadamente 3.105 pessoas com idade entre 5 e 65 anos.
“Com esse estudo, será possível conhecer a dimensão das epidemias de zika e chikungunya e avaliar a situação atual da dengue, no Recife. Zika e chikungunya são confundidas com dengue por terem sintomas semelhantes e há muitos casos assintomáticos, o que leva à subnotificação”, explicou a coordenadora do inquérito, a pesquisadora Cynthia Braga.
Uma das propostas da pesquisa, segundo ela, é ajudar a identificar a população mais vulnerável ao Zika e a quantidade de mulheres em idade fértil que ainda não têm imunidade contra o vírus. Serão conhecidos ainda fatores de risco associados às três arboviroses e as áreas mais afetadas.
O estudo será desenvolvido com aporte financeiro do Ministério da Saúde, da Organização Pan-Americana de Saúde e do consórcio internacional Zikalliance.
Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Artigo: Saúde em Roraima em tempos de migração venezuelana e as consequências para o país

Por Altamiro Vilhena
Pediatra e diretor clínico do Hospital da Criança Santo Antônio, Boa Vista, RR
Quando nós, brasileiros, vemos os problemas ligados às migrações de refugiados em países árabes e africanos, nunca nos damos conta que este tipo de problema pode estar bem perto de nós. E é isto que acontece com a migração de venezuelanos em busca de refúgio humanitário que vem para o Brasil, especialmente para o menos populoso estado da federação: Roraima. 
A chegada de cerca de 45 mil venezuelanos em um período de cerca de dois anos afeta todo Estado, especialmente a capital Boa Vista, que possui população estimada em cerca de 350 mil pessoas. A conta é fácil. Imagine você, que está lendo este texto, que em um período de cerca de dois anos, a cidade onde você mora receba mais de 10% do total atual de moradores de pessoas novas. Todos fugindo de um país onde passam dificuldades econômicas severas e muitos em situações de vulnerabilidade extrema. Para complicar ainda mais esta situação, como Roraima tem uma industrialização quase inexistente, a oferta de empregos é bastante limitada e, com certeza, não atende aos anseios dos que chegam, que acabam se dedicando a atividades informais pouco remuneradas. 
Dá para entender porque os serviços de saúde, que se planejam com base na população e nos atendimentos dos anos anteriores, não estejam conseguindo dar conta de forma ágil a todas as novas situações que surgem. Segundo dados da Secretaria de Saúde de Roraima, entre 2014 e 2017, o atendimento a pessoas oriundas do país vizinho saltaram de 760 pessoas para 15.055. No Hospital Materno-Infantil Nossa Senhora de Nazareth, única maternidade do Estado, somente no primeiro semestre de 2018 foram realizados 571 partos de venezuelanas, mais de dez por centro do total de partos.
Além do impacto direto nos serviços, há impacto nas finanças. Dados do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde mostram que, somente em 2017, foram gastos mais de 70 milhões com imigrantes venezuelanos nas unidade de atendimento roraimenses. Em 2016, o total não chegou a 9 milhões.
Alguns dos que vêm, tem como objetivo principal garantir a saúde de um ente querido. Carmen viajou quase 800km para chegar a Boa Vista grávida de mais de oito meses de gestação. Todo este sacrifício tem uma justificativa clara: Dannelys, sua filha de oito anos teve diagnosticado recentemente um tipo raro de sarcoma na mandíbula. Com a crise no país vizinho, não há opção de tratamento, então mesmo tendo recursos, tiveram que deixar seu país. Já Pinar conta que não tinha opção. Estava passando fome com sua família, e nas semanas que demorou até chegar ao país seus filhos ficaram muito desnutridos. O menor está internado na UTI pediátrica do Hospital da Criança Santo Antônio, único hospital infantil do Estado, gerido pela prefeitura municipal de Boa Vista. 
A situação das crianças que chegam, em muitos casos, é bastante precária. Além das dificuldades em seu país de origem, muitas famílias contam apenas com a ajuda do governo e da sociedade para obter alimentação no Brasil, itens de higiene e outras necessidades básicas. Isso faz com que o índice de desnutrição seja bastante elevado entre as crianças, com presença de doenças consideradas pouco frequentes em crianças brasileiras da mesma idade. 
Dentre as crianças atendidas foram dezenas de casos de sarampo, uma criança com difteria e vários pacientes com tuberculose, além dos muitos desnutridos graves. Todas doenças relacionadas diretamente com a falta de imunização e com condições sociais precárias. Soma-se a isso o fato da vacinação não ser obrigatória no país vizinho e os índices de cobertura serem bastante baixos, o que favorece o surgimento de muitas doenças. Somente o sarampo, considerado erradicado no Brasil a partir de 2001, desde fevereiro deste ano já teve mais de 200 casos confirmados, tendo ocorrido dois óbitos em crianças. 
A maior parte dos que chegam permanecem em abrigos superlotados, o que é agravado pelo fato do Estado, localizado no hemisfério norte, estar no período de inverno, e, como é característico na Região Norte, com chuvas torrenciais diariamente há cerca de dois meses. Assim, somam-se aos problemas já existentes, as epidemias de diarreia e o aumento do número de doenças respiratórias, como pneumonia, asma, sinusite e gripe.
Embora existam algumas ações das forças armadas, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa  - e até mesmo da Organização Pan-Americana de Saúde, todas as iniciativas até agora foram pouco efetivas para conter o avanço das doenças e para melhorar o estado de saúde, especialmente das crianças. Sozinhos, o Estado de Roraima e o município de Boa Vista não têm condições de enfrentar as dificuldades que se impõem diante desta crise. 
Como não há perspectiva de mudanças econômicas a curto prazo no país vizinho, a tendência é que o fluxo migratório se mantenha, com migrantes em condições de saúde cada vez piores, o que coloca em risco toda a população. É importante que as autoridades tracem planos viáveis, articulados e efetivos para a assistência à saúde desta população. No mundo de hoje, onde as fronteiras são pouco mais do que linhas em mapas, onde o fluxo de viajantes é sempre intenso e veículos e cargas são transportados para todos os lados, não há mais doença local, os agentes infecciosos têm capacidade de se deslocar tão rapidamente quanto nós. Ajudar quem necessita já não é apenas opção de caridade ou altruísmo, mas questão de saúde pública e proteção. 
*Os artigos publicados no Blog Saúde e Bem Estar são escritos por especialistas convidados pelo domínio notável na área de saúde. As publicações são de inteira responsabilidade dos autores, assim como todos os comentários feitos pelos leitores/internautas.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Relatório da OMS/UNICEF aponta que 3 em cada 5 bebês não são amamentados na primeira hora de vida


Os recém-nascidos que começaram a amamentar entre duas e 23 horas após o nascimento tiveram um risco 33% maior de morrer do que os que mamaram na primeira hora

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) recomenda que a amamentação inicie na primeira hora de vida do bebê, continue de maneira exclusiva até os seis meses e, de maneira completar, até os dois anos. No entanto, segundo um relatório lançado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 78 milhões de recém-nascidos (3 em cada 5) não são amamentados em sua primeira hora de vida. Fato que aumenta o risco de morte e doença, tornando-os menos predispostos a continuar amamentando. 
De acordo com o documento, os bebês que mamam na primeira hora de vida são significativamente mais propensos a sobreviver. Mesmo um atraso de algumas horas após o nascimento pode representar consequências com risco de vida. O contato “pele a pele” e a amamentação estimulam a produção do leite materno, inclusive o “colostro”, também chamado de "primeira vacina" do bebê, que é extremamente rico em nutrientes e anticorpos.
“Quando se trata do início da amamentação, o timing é tudo. Em muitos países, pode até ser uma questão de vida ou morte”, diz Henrietta H. Fore, diretora executiva do UNICEF. “No entanto, todos os anos, milhões de recém-nascidos perdem os benefícios da amamentação precoce e as razões – com demasiada frequência – são coisas que podemos mudar. As mães simplesmente não recebem apoio suficiente para amamentar dentro daqueles minutos cruciais após o nascimento, mesmo do pessoal médico das unidades de saúde.”
Estudos anteriores, citados no relatório, mostram que os recém-nascidos que começaram a amamentar entre duas e 23 horas após o nascimento tiveram um risco 33% maior de morrer do que aqueles que começaram a amamentar dentro de uma hora após o nascimento. Entre os recém-nascidos que começaram a amamentar depois de um dia ou mais, o risco mais do que dobrou.
A iniciativa Global Breastfeeding Collective, da OMS e do UNICEF, também lançou o Global Breastfeeding Scorecard 2018, que acompanha o progresso das políticas e programas de amamentação. A publicação incentiva os países a promoverem políticas e programas que ajudem todas as mães a iniciar a amamentação na primeira hora da vida de seus filhos e a continuar pelo tempo que quiserem.
O relatório “Capture the Moment”, que analisa dados de 76 países, descobre que, apesar da importância do início precoce da amamentação, muitos recém-nascidos ficam esperando por muito tempo e por diferentes razões, incluindo:  
Alimentos e bebidas para recém-nascidos, incluindo fórmula: Práticas comuns, como descartar o colostro, dar mel ao bebê e profissionais de saúde que dão ao recém-nascido um líquido específico, como água com açúcar ou fórmula infantil, atrasam o primeiro contato essencial do bebê com sua mãe.  
O aumento das cesarianas eletivas: no Egito, as taxas de cesáreas mais que dobraram entre 2005 e 2014, aumentando de 20% para 52%. Durante o mesmo período, as taxas de início precoce da amamentação diminuíram de 40% para 27%. Um estudo realizado em 51 países observa que as taxas de início precoce do aleitamento são significativamente menores entre os recém-nascidos nascidos por cesariana. No Egito, apenas 19% dos bebês nascidos por cesariana foram amamentados na primeira hora após o nascimento, em comparação com 39% dos bebês nascidos por parto natural.  
Lacunas na qualidade dos cuidados prestados às mães e aos recém-nascidos: de acordo com o relatório, a presença de uma parteira qualificada não parece afetar as taxas de amamentação precoce. Em 58 países, entre 2005 e 2017, os partos nas instituições de saúde cresceram 18% pontos percentuais, enquanto as taxas de início precoce aumentaram 6 pontos percentuais. Em muitos casos, os bebês são separados de suas mães imediatamente após o nascimento e a orientação dos profissionais de saúde é limitada. Na Sérvia, as taxas aumentaram 43 pontos percentuais de 2010 a 2014, devido aos esforços para melhorar os cuidados recebidos pelas mães no nascimento do bebê.
Fonte: OMS

domingo, 29 de julho de 2018

Amamentação: atriz Sheron Menezzes é madrinha da campanha do Ministério da Saúde


A atriz Sheron Menezzes e seu marido Saulo Bernard são os padrinhos da campanha
Para celebrar a  Semana Mundial da Amamentação (01 a 07/08), o Ministério da Saúde lança campanha com o tema Amamentação é a Base da Vida. A campanha tem o objetivo de reforçar a importância do leite materno para o desenvolvimento das crianças até dois anos e exclusivo até os seis meses de vida, orientação preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Nos seis primeiros meses de vida, o bebê que mama no peito não precisa de nenhum outro alimento e nem de líquidos, já que o leite materno é completo, sacia a sede, a fome e possui todos os nutrientes necessários para que ele cresça e se desenvolva de maneira saudável. O aleitamento materno reduz em 13% a mortalidade por causas evitáveis em crianças menores de cinco anos, além de minimizar casos de diarreia, infecções respiratórias, hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade. 
A amamentação também traz inúmeros benefícios para a mãe. Nesta fase, a mulher perde mais rápido o peso que ganhou durante a gestação, reduz o sangramento do útero (que ocorre por um período após o parto), prevenindo anemia, reduzindo as chances de desenvolver osteoporose, câncer de mama, útero e ovário. Além disso, amamentar aproxima e cria um vínculo especial com o filho.
O ministro da Saúde, Gilberto Occhi, falou sobre a necessidade de incentivar a amamentação e a doação de leite materno. “Quanto mais tempo as crianças são amamentadas, mais elas adquirem resistência às doenças. A mulher que amamenta tem benefícios para sua saúde. Peço que as mães além de amamentar, que também doe leite, que é fundamental para crianças que necessitam de leite materno. Estamos trabalhando para ampliar o número de salas de amamentação nas empresas e dentro dos nossos serviços de saúde”, destacou o ministro. 
Este ano, a atriz Sheron Menezzes e o seu marido Saulo Bernard são os padrinhos da campanha. A atriz relatou um pouco da sua experiência e opinião sobre o assunto. “Amamentação é um assunto que precisa ser levado muito a sério. Eu amamentei até o sexto mês de forma exclusiva e pretendo continuar até os dois anos. A mulher não precisa ter vergonha de amamentar, pois além de ser importante para a formação do bebê é um ato de amor”, reforçou Sheron Menezzes.
Segundo OMS e UNICEF, cerca de 6 milhões de crianças são salvas a cada ano com o aumento de taxas da amamentação exclusiva até o sexto mês de vida. O representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil, Joaquín Molina, ressaltou a importância dos países envolvidos na Semana Mundial de Amamentação incentivarem o aleitamento materno. 
“O leite materno é um recurso natural capaz de preservar e melhorar a saúde, combater a pobreza e as desigualdades, melhorar a produtividade no trabalho, empoderar as mulheres e proteger a biodiversidade. Funciona como a primeira vacina de um bebê e dá a ele todo o alimento que precisa. A OPAS reafirma o seu apoio ao Brasil no enfrentamento das barreiras que dificultam o livre acesso às medidas de proteção e garantia ao aleitamento materno adequado”, enfatizou.
Os principais fatores que dificultam a amamentação exclusiva são o posicionamento incorreto do bebê no peito, insegurança quanto à quantidade de leite produzido, introdução de chupetas e mamadeiras, falta de apoio da família e retorno ao trabalho da mãe. Por isso, a campanha também pretende orientar às mães sobre como superar esses obstáculos.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Surto de sarampo no Amazonas preocupa autoridades


O Ministério da Saúde confirmou que o estado do Amazonas está com surto de sarampo. Até o dia 20 de junho, foram confirmados 263 casos, outros 1.368 permanecem em investigação e 125 foram descartados. Ao todo, foram notificados 1.756 casos no estado, sendo 82,1% (1.441) em Manaus. O Ministério afirma que a situação é preocupante e reforça a importância da vacinação contra a doença, 487 mil doses da vacina foram encaminadas ao estado. Em Roraima foram notificados 412 casos, sendo 200 confirmados, 177 ainda sob investigação e 35 descartados. Desses, apenas dois evoluíram para óbito associado a comorbidades. 
A pasta antecipou a campanha de vacinação contra sarampo nesses estados para os meses de março e abril deste ano, a ação estava prevista apenas para agosto em todo território nacional. De janeiro a junho deste ano, foram enviadas 711,4 mil doses da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) para atender a demanda de rotina e para a realização de campanhas, ações de controle e prevenção nesses estados. 
Além da imunização, o governo está adotando medidas para impedir que o vírus volte a circular de forma sustentada no Brasil, por meio de treinamentos de equipes técnicas nos dois estados. Além disso, o governo tem capacitado os profissionais de saúde sobre a doença e ações de vigilância epidemiológica. O objetivo é orientar as ações para o enfrentamento da situação, bem como torná-los aptos a atuarem em casos suspeitos.
Entre 2013 e 2015, foram registrados 1.310 casos da enfermidade no Brasil, decorrentes de pacientes vindos de outros países, a maioria deles nos estados de Pernambuco e Ceará. Em 2016, o país recebeu o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). O governo brasileiro vem atuando de maneira enérgica através do fortalecimento da vigilância epidemiológica, da rede laboratorial e de estratégias de imunização para manter o certificado.
Sarampo
O sarampo é uma doença infecciosa aguda, transmitida por vírus e extremamente contagiosa. O paciente com a enfermidade pode apresentar os seguintes sintomas: febre, tosse, irritação ocular, corrimento do nariz, manchas avermelhadas no rosto, que avançam em direção aos pés. Também pode causar infecção nos ouvidos, pneumonia, ataques (convulsões e olhar fixo), lesão cerebral e morte. Além disso, o vírus pode atingir as vias respiratórias, causar diarreias e até infecções no encéfalo. Mais comum na infância, o sarampo pode se desenvolver de maneira mais grave em recém-nascidos, desnutridos, gestantes e pessoas portadoras de imunodeficiências.
A transmissão se dá por meio do contato direto através de tosse, espirros, fala, secreções respiratórias ou da boca. O contágio ocorre na fase em que o doente apresenta febre alta, mal-estar, coriza, irritação ocular, tosse e falta de apetite e dura até quatro dias após o aparecimento das manchas vermelhas. 
A única forma de prevenção é a vacina e os principais grupos de risco são pessoas de seis meses a 39 anos de idade. Na fase adulta, os mais sucetíveis são trabalhadores de portos e aeroportos, hotelaria e profissionais do sexo, devido à maior exposição a indivíduos de outros países. As crianças devem tomar duas doses da vacina combinada contra rubéola, sarampo e caxumba, conhecida como tríplice viral, a primeira dose com um ano e a segunda entre quatro e seis anos.


quarta-feira, 4 de julho de 2018

Brasil em alerta com o baixo índice de vacinação contra a poliomielite


312 municípios têm cobertura vacinal abaixo dos 50%
A baixa cobertura vacinal contra a poliomielite nas cidades brasileiras foi tema de discussão entre o Ministério da Saúde e representantes de estados e municípios, durante a reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), na última quinta-feira (28/06). A doença foi erradicada no país desde 1990 e o risco da volta da doença é um retrocesso que tem preocupado as autoridades. Em 1994, o Brasil recebeu a certificação de área livre de circulação do poliovírus selvagem da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

De acordo com o Ministério da Saúde, 312 municípios estão com o índice de imunização abaixo de 50% para a doença, sobretudo entre as crianças menores de cinco anos. Em Pernambuco, apenas 5 cidades integram a lista, Cortês, Palmares, Frei Miguelinho, Correntes e Jaboatão dos Guararapes.

Carla Domingues, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde (PNI), alerta para a importância de alcançar e manter cobertura vacinal contra poliomielite maior ou igual a 95% em todas as cidades.

"O risco existe para todos os municípios que estão com coberturas abaixo de 95%. Temos que ter em mente que a vacinação é a única forma de prevenção da Poliomielite e de outras doenças que não circulam mais no país. Todas as crianças menores de cinco anos de idade devem ser vacinadas, conforme esquema de vacinação de rotina e na campanha nacional anual. É uma questão de responsabilidade social”, reforça a coordenadora do PNI.

A orientação é para que os locais que estão abaixo da meta adotem políticas para facilitar o acesso, como  readequar horários mais compatíveis com a rotina da população, reforçar as parcerias com as creches e escolas, além de manterem os sistemas de informação devidamente atualizados. O Ministério reforça ainda que é responsabilidade dos pais a manutenção das cadernetas dos filhos em dia.

Carla Domingues ressalta que as vacinas são oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) durante o ano inteiro, a única exceção é a vacina da gripe que só é oferecida durante a campanha. "As vacinas ofertadas pelo SUS estão disponíveis durante todo o ano, exceto a da gripe que faz parte de uma campanha e exige um período específico de proteção, que é antes do inverno", enfatizou. 

O Ministério da Saúde enfatiza ainda que as vacinas que integram o calendário nacional de vacinação são seguras e eficazes. O esquema é composto por três doses da vacina inativada poliomielite (VIP), administradas aos dois, quatro e seis meses, além da vacina oral poliomielite (VOP) aos 15 meses e aos 4 anos. A próxima campanha nacional de vacinação contra a poliomielite acontecerá no período de 6 a 31 de agosto de 2018.

Recentemente, a Organização Pan Americana de Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmaram casos de paralisia flácida aguda (AFP) na Venezuela e emitiu alerta aos países membros para reforçarem a cobertura vacinal contra o poliovírus. De acordo com a OMS, três países ainda são considerados endêmicos, Paquistão, Nigéria e Afeganistão.

Poliomielite
A Poliomielite é uma doença viral altamente contagiosa que acomete, principalmente, crianças pequenas. O vírus é transmitido através de alimentos e água contaminados e se multiplica no intestino, podendo invadir o sistema nervoso. Muitas pessoas infectadas não apresentam sintomas, mas espalham o vírus através de suas fezes e, com isso, podem disseminar a infecção. 
Os sintomas iniciais da poliomielite incluem febre, fadiga, dor de cabeça, vômitos, rigidez do pescoço e dor nos membros. Em alguns casos, a doença causa paralisia, que geralmente é permanente e a única maneira de prevenir é através da imunização. A falta de saneamento, as más condições habitacionais e a higiene pessoal precária constituem fatores que favorecem a transmissão do poliovírus.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

OPAS/OMS confirmam caso de poliomielite na Venezuela



OPAS/OMS enviam alerta aos países para manter vigilância ativa e alta cobertura vacinal
Há quase 30 anos não se tinha registro de casos de poliomielite nas Américas. Porém, na última sexta-feira (08/06), a Organização Pan Americana de Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgaram um boletim atualizando a situação epidemiológica da poliomielite na Venezuela. No dia 7 de junho, as organizações receberam um relatório sobre a detecção de um possível caso do poliovírus, Sabin tipo 3, em uma amostra de um paciente venezuelano com paralisia flácida aguda (AFP). O caso foi confirmado no dia seguinte.
Trata-se de uma criança de 2 anos e 10 meses, sem histórico de vacinação, residente de uma comunidade indígena sub-imunizada no Delta Amacuro, na Venezuela. A informação é que a criança começou a paralisia em 29 de abril de 2018 e em 31 de maio a paralisia flácida de um membro inferior persiste. 
De acordo com a nota, um tipo de poliovírus Sabin tipo 3 foi identificado e isolado pelo laboratório nacional de referência National Institute of Hygiene "Rafael Rangel" (INHRR) em amostra recolhida no paciente em 30 de abril. As amostras serão enviadas ao laboratório de referência regional para sequenciamento e confirmação dos achados virológicos. 
A OMS relata ainda que outras crianças da mesma comunidade foram vacinadas em abril com a vacina oral antipólio bivalente. Segundo uma pesquisa de campo ainda em andamento, uma menina de 8 anos também foi identificada com presença de flacidez em um membro inferior. A menina é  residente da mesma região e com histórico vacinal de pelo menos uma dose de tOPV (vacina oral trivalente contra poliomielite). 
Em nota, a OPAS informa que está realizando uma busca ativa na região, mas até o momento não identificou novos casos. O organismo internacional informa ainda que a investigação está em andamento e que compartilhará atualizações na medida em que as informações estejam disponíveis.
O Ministério da Saúde está acompanhando as informações divulgadas pela OPAS com relação à vacinação e à vigilância da doença. Nesta segunda-feira (11/06), a instituição enviou nota de alerta para os estados e municípios sobre a importância de alcançar e manter cobertura vacinal contra poliomielite maior ou igual a 95% em cada município. Além disso, destacou a necessidade da notificação e investigação imediata de todo caso de paralisia flácida aguda (PFA), que apresente início súbito, em indivíduos menores de 15 anos.
O Brasil não registra casos de poliomielite desde 1990. Mesmo com a doença erradicada, o país mantém a vacina no calendário nacional. No entanto, o Ministério ressalta que a vacinação é de extrema importância para manter o país livre da circulação de poliovírus, tanto nas ações de rotina como na Campanha Nacional de Vacinação contra a doença, que acontecerá no período de 6 a 24 de agosto de 2018. Atualmente, a cobertura vacinal para poliomielite no país é de 77%. 
O Ministério da Saúde enfatiza ainda que as vacinas que integram o calendário nacional de vacinação são seguras e eficazes. O esquema é composto por três doses da vacina inativada poliomielite (VIP), administradas aos dois, quatro e seis meses, além da vacina oral poliomielite (VOP) aos 15 meses e aos 4 anos.
Poliomielite 
A Poliomielite é uma doença viral altamente contagiosa que acomete, principalmente, crianças pequenas. O vírus é transmitido através de alimentos e água contaminados e se multiplica no intestino, podendo invadir o sistema nervoso. Muitas pessoas infectadas não apresentam sintomas, mas espalham o vírus através de suas fezes e, com isso, podem disseminar a infecção. Os sintomas iniciais da poliomielite incluem febre, fadiga, dor de cabeça, vômitos, rigidez do pescoço e dor nos membros. Em alguns casos, a doença causa paralisia, que geralmente é permanente e a única maneira de prevenir é através da vacinação.


segunda-feira, 11 de junho de 2018

OMS orienta vacinação contra sarampo e rubéola antes de viajar para Copa



A Rússia registrou mais de 600 casos de sarampo no 1º trimestre deste ano
A Copa do Mundo 2018 acontecerá entre os dias 14 de junho e 15 de julho, na Rússia. Em virtude do torneio, as viagens internacionais se intensificam nesse período. Por isso, a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) recomenda a todos que viajarão a atualização de todas as vacinas, sobretudo a tríplice viral que protege contra sarampo, rubéola e caxumba.
Esse tipo de orientação é feita devido ao crescimento do fluxo de pessoas entre os países durante eventos de massa, como a Copa do Mundo, que aumentam o risco de transmissão de doenças. A OPAS orienta ainda que as pessoas devem se vacinar no mínimo 15 dias antes da viagem. A estimativa é que a Copa de 2018 receberá cerca de 1 milhão de pessoas de todo o mundo. A entidade alerta que dos 32 países participantes do evento, 28 registraram casos de sarampo este ano. 
Desde abril deste ano, por ocasião da Semana de Vacinação nas Américas, a OPAS vem ressaltando a necessidade de mais ações para ampliar a proteção da população contra doenças evitáveis por vacinação no contexto da Copa do Mundo de 2018. Na ocasião, 11 países confirmaram o reforço nos programas de imunização contra o sarampo, atendendo assim 6 milhões de pessoas.
A região das Américas foi declarada livre dos vírus endêmicos da rubéola em 2015 e do sarampo em 2016, graças a um esforço de 22 anos, com ações de vacinação em massa para 450 milhões de crianças, adolescentes e adultos com até 40 anos, entre 2003 e 2009. Contudo, No entanto, todo esse empenho e as conquistas são colocados em risco com a possibilidade de casos e surtos em outros países.
“Manter a eliminação do sarampo, da rubéola e da síndrome da rubéola congênita nas Américas requer uma taxa de cobertura de vacinação de ao menos 95%, bem como ações rápidas para detectar casos importados e quebrar a cadeia de transmissão”, afirmou Cuauhtémoc Ruiz Matus, chefe da Unidade de Imunização Integral da Família da OPAS.
De acordo com o organismo internacional, os casos de sarampo quadruplicaram na Europa em 2017, quando foram registrados 22,3 mil casos da doença e 36 mortes. No primeiro trimestre deste ano, o continente notificou mais de 18 mil casos de sarampo.  França, Grécia, Sérvia e Ucrânia são os países com o maior número de casos. A Rússia registrou mais de 600 casos da doença.
Em 2018, segundo o boletim semanal sobre sarampo/rubéola da OPAS publicado em 19 de maio, 11 países das Américas notificaram 1.194 casos confirmados de sarampo. O Brasil é o segundo país com maior número de casos (173), ficando atrás apenas da Venezuela com 904 casos. Antígua e Barbuda, Argentina, Canadá, Colômbia, Equador, Guatemala, México, Peru e Estados Unidos também registraram casos da doença.
Fonte: OPAS/OMS

OPAS apresenta os desafios para o Mais Médicos no país



A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) apresentou um panorama sobre o Programa Mais Médicos no Brasil, durante o 13º Congresso Internacional da Rede Unida, em Manaus (AM). A organização tem acordos com os governos brasileiro e cubano para o Mais Médicos, articulando uma cooperação que permite a atuação de médicos cubanos no setor de Atenção Básica do Brasil, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). 
Durante o evento, foram divulgadas publicações sobre a qualidade dos serviços de Atenção Primária à Saúde no país e em que medida o programa contribui, a implementação do Mais Médicos no contexto do sistema de saúde brasileiro, a cooperação entre Brasil e Cuba na área de saúde, produção e transferência de conhecimentos e práticas inovadoras.
Gabriel Vivas, coordenador do Mais Médicos na OPAS, ressaltou que a operacionalização do programa ainda é um grande desafio. “Desde 2013, 20 mil médicos passaram pelo programa, emitimos 40 mil passagens, viabilizamos 250 voos charter, capacitamos 25 mil médicos, analisamos 20 mil documentos, organizamos 40 mil movimentações de médicos e fizemos 300 reuniões técnicas para ajustes e melhorias”, destacou.
O organismo internacional divulgou também que há vários estudos em andamento sobre a colaboração do Mais Médicos para a saúde mental, saúde indígena, a troca de conhecimentos entre países, o empoderamento feminino, entre outros temas.
Sobre o programa 
Criado em 2013 pelo Governo Federal brasileiro, o Programa Mais Médicos tem como um dos objetivos suprir a carência desses profissionais nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) coopera tecnicamente com a iniciativa, articulando acordos entre Brasil e Cuba para a vinda de médicos estrangeiros para atuar em Unidades Básicas de Saúde do SUS brasileiro.
O programa é composto por 3 eixos, a melhoria da infraestrutura nos serviços de saúde; o fornecimento emergencial de médicos, tanto brasileiros (formados dentro ou fora do país) quanto estrangeiros; e, a ampliação de vagas nos cursos de medicina e nas residências médicas, com mudança nos currículos de formação para melhorar a qualidade da atenção à saúde.
Fonte: OPAS

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Artigo: A saúde indígena no Brasil - história e desafios













Por Ruben Schindler Maggi
Pediatra, consultor em saúde materno infantil do IMIP
S
upervisor técnico de saúde indígena em Pernambuco

Conforme o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE-2010), a população indígena brasileira corresponde a pouco menos de 0,5% da população, algo em torno de 890.000 habitantes. Considerando que alguns imaginaram a extinção dos nossos indígenas entre as décadas de 1950 e 1970, época em que as cifras oficiais estimavam em 120.000 os sobreviventes dos povos naturais encontrados pelos portugueses em 1500. Chama a atenção o aumento expressivo deste grupo nos últimos anos, o que parece corresponder mais a mudanças nos critérios de identificação, estimulado pelas políticas de inclusão de minorias, e não a fatores demográficos. 
Na história da colonização das Américas milhões de indígenas foram mortos, não apenas por guerras com os colonizadores espanhóis e portugueses, mas principalmente por doenças trazidas do velho mundo, especialmente infecções como gripe, sarampo e tuberculose. Há relatos inclusive de contágios propositais, como surtos de varíola quando as formas de contaminação já eram conhecidas. Estes fatos históricos mantêm vigência visto que, usualmente, por trás destas situações estavam os conflitos pela posse da terra, problema ainda latente em grande parte do nosso país, com indefinição na demarcação dos territórios indígenas, muitas vezes situados em regiões de elevado interesse agrícola, florestal e pecuário.
Sendo a maioria dos povos indígenas de comportamento extrativista para sua alimentação, o território vasto era fundamental para garantir a subsistência. Então os problemas nutricionais foram se agravando, na mesma medida em que as terras indígenas foram sendo ocupadas por colonos e fazendeiros, muitas vezes com apoio explícito de governos municipais, estaduais e federal. 
As políticas compensatórias recentes, através de diversos tipos de subsídios, vêm determinando mudanças radicais no comportamento alimentar dos indígenas, com aumento significativo da ingesta de alimentos industrializados, onde predominam excesso de calorias vindas de gorduras e carboidratos de má qualidade. Mudanças que têm facilitado a aquisição de doenças como síndromes metabólicas, obesidade, diabetes e hipertensão arterial, doenças pouco frequentes nestas comunidades há algumas décadas. Tudo isto piorado pelo crescente sedentarismo, que atinge a população brasileira quase sem distinção, incluindo crianças e adolescentes, com excesso de horas dedicadas aos divertimentos televisivos e digitais, que demandam pouco ou nenhum esforço físico.    
No Brasil colonial, as populações indígenas, assim como os negros trazidos da África, sempre foram tratadas de forma desigual e menosprezados pelas classes dominantes, sem grandes restrições morais. Influenciados pelos pensadores iluministas europeus dos séculos XVIII e XIX é que se fortalecem os conceitos de igualdade, fraternidade, liberdade em toda a América, incluindo o Brasil. Se iniciam então os processos de independência que muitas vezes já introduziam algumas políticas para os grupos menos privilegiados. 
No Brasil, apenas em 1910 surge o Serviço de Proteção aos Índios (SPI), mas sendo órgão vinculado ao Ministério de Agricultura, obviamente priorizava as questões de propriedade das terras. Só na década de 1950 surge o Serviço de Unidades Sanitárias Aéreas (SUSA) vinculado ao Ministério da Saúde (MS), destinado a prestar assistência em regiões de difícil acesso. 
Na história mais recente, se destaca a criação da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) em 1967, mas sempre com insatisfações generalizadas determinadas, em boa parte, pelas fortes ingerências políticas. Fato que levou os legisladores a definirem um modelo de atendimento específico para povos indígenas na constituição de 1988, com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), fazendo com que em 1991 a saúde indígena passe da FUNAI para o MS, que cria os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) como “base operacional para a política de atenção à saúde das populações indígenas no âmbito do SUS”, sob a coordenação da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA). 
A descaracterização técnica desta última, também pelas interferências políticas, continuou motivando conflitos com as comunidades indígenas e as organizações prestadoras de serviços de saúde, o que levou o MS a criar a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) em 2010. A SESAI adotou a política de transferir e compartilhar a gestão dos DSEIs para organizações sociais, momento em que o Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP) passou a fazer parte ativa deste processo. 
Desde 2011, nesta parceria com o MS, o IMIP criou a Coordenação de Saúde Indígena, iniciativa institucional que possui como principais objetivos desenvolver apoio gerencial, técnico e financeiro para a “Atenção Básica à Saúde Indígena” e a “Promoção do Saneamento Ambiental em Terras Indígenas”. Inicialmente, através da gestão dos DSEIs de Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Sergipe, estendendo posteriormente as ações para os estados da Bahia, Ceará e Maranhão, executando ações complementares na atenção integral à saúde dos povos indígenas destes estados.  
Esta iniciativa veio somar às colaborações que o MS e a Organização Panamericana de Saúde (OPAS) já desenvolviam em outras comunidades indígenas no Brasil desde 2005, com destaque para as etnias tikunas (Amazonas), xavantes (Mato Grosso), guaranis kaiowás (Mato Grosso do Sul) e ianomâmis (Roraima), estados que concentram a maior parte da população indígena brasileira.  
Em conjunto com estas atividades, o IMIP resolveu também desenvolver ações para que os estudantes de diversas áreas da saúde possam realizar práticas acadêmicas nas aldeias, orientados pelas equipes de saúde locais. Várias destas experiências pioneiras têm sido relatadas e apresentadas em congressos. Temos o objetivo de que isto possa se tornar rotina nas escolas formadoras de recursos humanos, como forma de contribuir não apenas com uma melhor assistência nas comunidades, mas também mostrar aos estudantes uma realidade que faz parte da população que deverão assistir. 
O trabalho assistencial e de ensino, quando possível, devem ser complementados com atividades de pesquisa, respeitando as especificidades que estas ações devem ter em populações vulneráveis. Estes conhecimentos devem ser comunicados, relatados e publicados, como uma forma de contribuição e demonstração de respeito, desde já imaginando que encontraremos realidades impensadas.
Embora as terras potencialmente indígenas no Brasil correspondam a 12% do território nacional, com algumas já demarcadas e muitas outras em conflito, nem todas estão aptas para garantir a sobrevida com qualidade. Já aquelas de melhor potencial produtivo estão em permanente litígio com posseiros, garimpeiros e outros produtores rurais, sem que as autoridades tenham conseguido definir políticas que garantam paz e produtividade de maneira harmônica. 
O impacto desta situação de conflito rebota na área da saúde de forma significativa, ao criar grandes dificuldades para encontrar recursos humanos que estejam dispostos a trabalhar nestas condições. Desta forma, os desafios permanecem vigentes na tentativa de encontrar modelos adequados para prestar assistência sanitária integral às comunidades indígenas, assim como a outras populações não indígenas isoladas e distantes de grandes centros. 
Uma das estratégias bem-sucedidas é a formação de agentes indígenas de saúde, que por serem indígenas, morando nas comunidades e tendo a aprovação dos próprios usuários, se tornam atores fundamentais para desenvolver ações especialmente preventivas, que seguramente são as que têm maior impacto nas pessoas e na população. Além disso, entendem melhor a cultura indígena e a medicina tradicional, facilitando o que deveria continuar a ser o exemplo de como temos que trabalhar com estas comunidades, respeitando as suas crenças sobre a origem dos problemas de saúde, quase sempre determinados por desequilíbrios entre o comportamento do homem em relação ao seu meio ambiente. 
É neste ambiente onde eles procuram a sua cura: na água, alimentos, chuva, ervas, plantas, fogo, fumaça, sol, lua, estrelas. É aí que os pajés, xamãs, curandeiros, benzedeiros, comadres, entre outros, são os verdadeiros e maiores especialistas. Quando levamos para eles a “nossa” medicina ocidental tradicional (biomédica, tecnológica, farmacológica, baseada em evidências), tentamos quase sempre impor o nosso conhecimento, aquilo que nós “sabemos” e acreditamos ser verdadeiro. Mas, seria interessante também estarmos dispostos a aprender deles, ou com eles, toda a sabedoria tradicional. Este respeito à natureza, ao meio ambiente, aos alimentos naturais, aos nossos semelhantes, seguramente nos levará a encontrar uma saúde plena, conforme a Organização Mundial de Saúde a define, não apenas como ausência de doença, mas sim como o estado de completo bem-estar físico, mental e social. Vamos trabalhar por isto.

*Os artigos publicados no Blog Saúde e Bem Estar são escritos por especialistas convidados pelo domínio notável na área de saúde. As publicações são de inteira responsabilidade dos autores, assim como todos os comentários feitos pelos leitores/internautas.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Semana Nacional pela Saúde das Mulheres será celebrada até 31 de maio



Com o tema Redução da Mortalidade Materna, o Ministério da Saúde lançou ontem a Semana Nacional de Mobilização pela Saúde das Mulheres no Sistema Único de Saúde (SUS). A semana marca o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna celebrado no dia 28 de maio. A portaria que institui a semana foi publicada no Diário Oficial da União do dia 30 de abril deste ano.
O objetivo é fortalecer a promoção de ações para a saúde da mulher na atenção básica à saúde, garantir mais acesso ao sistema de saúde e disseminar mais informações à respeito da temática. Em 28 de maio de 2017, a Organização Mundial de Saúde (OMS) apresentou dados que comprovam que a hipertensão e a hemorragia estão entre as principais causas da mortalidade materna no Brasil e no mundo, e ocorrem principalmente pela má qualidade da assistência no pré-natal e no parto.
Durante o lançamento da campanha, que aconteceu na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), foi divulgada a meta de redução da mortalidade materna para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável 2015/2030, compromisso internacional assumido pelo país. 
Entre as metas estão a redução de 17,5% para 15% da gravidez não planejada na adolescência até 2020, a ampliação de 20% da oferta do Dispositivo IntraUterino (DIU) de cobre na atenção básica, aumentar de 37% para 67% a participação dos homens no pré-natal, além de realizar a inclusão das mulheres idosas no planejamento das ações de saúde sexual e climatério.
Para estimular essas ações, o Ministério da Saúde vai liberar para os municípios R$ 14 milhões que devem ser investidos em saúde sexual e reprodutiva. O edital com a previsão de recursos está disponível no site da pasta desde o dia 16 de março com orientações aos gestores e metas a serem atingidas até 2022.
De acordo com Erika Regueira, ginecologista e obstetra da Salute clínica especializada em saúde da mulher, a semana é fundamental para a conscientização sobre a importância da assistência à saúde da mulher. “As doenças que levam à mortalidade materna são totalmente preveníveis e essa campanha é uma forma de conscientizar sobre a necessidade da assistência básica de saúde para as mulheres nessa fase, uma vez que a mortalidade materna está diretamente ligada à gestação, parto e puerpério”, ressaltou a Erika.
De acordo com dados do sistema de informação sobre mortalidade, em 2016, o Brasil registrou 1.463 casos de mortalidade materna, o que representou uma queda de 16% em relação ao ano anterior. Esses óbitos estão relacionados com problemas na gestação, no parto ou ocorridos até 42 dias pós-parto. 
Visando ampliar ainda mais essa redução, o Ministério da Saúde vem implementando políticas para fortalecer a humanização do atendimento das gestantes, melhorar a atenção no pré-natal, nascimento e pós-parto. Além de criar medidas de orientação e qualificação dos profissionais de saúde nas áreas da atenção básica, urgência e emergência.

domingo, 27 de maio de 2018

Comércio ilícito de tabaco na mira da OMS no Brasil



Com o intuito de combater o comércio ilícito de produtos provenientes do tabaco, especialistas da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) se reuniram para ajudar o Brasil a implementar um protocolo de eliminação do comércio clandestino. O encontro aconteceu nos dias 21 e 22 de maio, em Brasília, e contou com o apoio do Instituto Nacional do Câncer (INCA).
O Protocolo faz parte do artigo 15 da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT) da OMS e é a principal política para regular a oferta dos produtos oriundos do tabaco. Além disso, ele pretende reduzir as consequências para a saúde e para a economia. 
O Brasil tem evoluído muito na política de controle do tabaco, inclusive com uma redução significativa na prevalência de fumantes nos últimos dez anos. Medidas importantes foram adotadas como o aumento de impostos e de preços dos cigarros. Porém, um levantamento feito pelo INCA verificou o aumento do consumo de cigarros ilegais entre os fumantes.
Katia de Pinho Campos, coordenadora da Unidade de Determinantes da Saúde, Doenças Crônicas Não Transmissíveis e Saúde Mental da OPAS/OMS no Brasil, destacou que apesar do esforço para o controle do tabaco no país, o mercado ilegal desse tipo de produto ainda é uma grande barreira para a saúde pública e econômica.
“O Brasil tem avançado muito no controle do tabaco, principalmente nas medidas para reduzir a demanda de seu consumo. Porém, a indústria continua prejudicando as políticas públicas de demanda ao controle e à oferta desse produto, que todos os anos tira milhares de vidas”, enfatizou Katia. 
A estimativa é que 10% dos cigarros e produtos provenientes do tabaco consumidos no mundo é ilícito. Segundo a OPAS/OMS, esse mercado é apoiado por vários agentes, desde pequenos vendedores ambulantes até redes criminosas organizadas envolvidas com armas, tráfico de seres humanos e terrorismo. Já a indústria do tabaco argumenta que os altos impostos sobre os produtos levam à evasão fiscal.
No entanto, há evidências que comprovam que fatores como governança deficiente no combate ao crime organizado, altos níveis de corrupção, falta de comprometimento do governo no combate ao mercado ilegal de tabaco e ineficiência da alfândega têm tanta importância quanto o aumento dos impostos sobre cigarros.
No Brasil, a medida será fundamental para o controle do comércio ilegal de tabaco, beneficiará a saúde pública e trará muitos benefícios ao governo. Entre eles, destacam-se a diminuição do número de mortes prematuras pelo tabagismo e o aumento de receita tributária para o governo. O prazo para que o país faça sua adesão ao protocolo nas Nações Unidas se encerra no dia 2 de julho.
Em visita recente ao Brasil, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reforçou a importância de tornar o protocolo numa lei internacional. Ele afirmou que são necessários 40 países para que o protocolo se torne lei e 35 países já ratificaram o documento, entre eles Costa Rica, Equador, Nicarágua, Panamá e Uruguai. 
Fonte: OMS