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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Por que os casos de caxumba continuam crescendo no Brasil, apesar da vacina?



A chegada do inverno e a queda na cobertura vacinal em todo o Brasil acendem um alerta: além do risco da volta de doenças já erradicadas no país, como sarampo e poliomielite - pacientes com caxumba também voltam a elevar a procura por atendimento em emergências de hospitais e postos de saúde. 
O Ministério da Saúde não tem dados consolidados sobre a doença no Brasil, já que ela não é de notificação compulsória, ou seja, as unidades de saúde não são obrigadas a registrar quantos casos atendem.
No entanto, informações coletadas de veículos de comunicação e secretarias da saúde revelam que ao menos seis Estados - São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Sergipe e Amazonas - registram surtos cada vez maiores da doença desde 2016.
No Estado de São Paulo, foram observados dez surtos de caxumba em 2018, com 55 casos. Em 2017, foram 141 surtos com 739 casos, segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado. No Rio de Janeiro, só a capital registrou 19 surtos em 2017.
O surto ocorre quando há dois ou mais casos de uma doença em um mesmo local, como escola, creche, empresa, entre outros. Em todos os Estados, a ocorrência da infecção foi registrada principalmente em adolescentes e jovens.
O inverno é uma das estações mais propícias a surtos da caxumba, que causa inchaço das glândulas salivares e atinge principalmente crianças e adolescentes. A outra é a primavera.
As vacinas contra a doença são a tríplice viral (que imuniza contra sarampo, caxumba e rubéola) e a tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela), que estão no Calendário Nacional de Vacinação. Mas mesmo quem já tomou pode estar desprotegido contra a doença, de acordo com especialistas.
De acordo com especialistas, essa desproteção ocorre porque a vacina normalmente tem uma eficácia menor contra esta doença em comparação às outras doenças contra a qual é utilizada - e que tende a diminuir com o tempo.
"As duas doses da vacina tríplice viral protegem muito bem para o sarampo e muito bem para a rubéola, mas têm uma eficácia mais baixa para caxumba - cerca de 60% com uma dose só e 80% com duas doses. E essa eficácia se perde com os anos", disse à BBC News Brasil a pediatra Isabela Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
"Isso não quer dizer que todos os vacinados terão caxumba, mas acontece."
Quais os sintomas da caxumba?
A caxumba, ou parotidite infecciosa, costuma causar febre, dor e aumento de volume de uma ou mais glândulas salivares e, às vezes, das glândulas sublinguais ou submandibulares - o que causa inchaço na região do pescoço e da mandíbula.
No entanto, de acordo com o Ministério da Saúde, cerca de um terço dos casos pode não apresentar sintomas. 
Mesmo assim, a doença é contagiosa, e é transmitida por gotículas de saliva expelidas no ar ou pelo contato direto com a saliva de pessoas infectadas.
Caxumba mata?
Em nota à BBC News Brasil, o Ministério da Saúde afirmou que a caxumba "é uma doença com uma taxa de complicações muito baixa e quase nunca fatal". Em 2017, 56 casos da infecção levaram à morte.
Os casos de complicações maiores ocorrem quando a doença provoca pancreatite (inflamação no pâncreas) ou encefalite (no sistema nervoso).
O tratamento é voltado para aliviar os sintomas. 
A caxumba pode "descer"?
Sim. Em 20% a 30% dos casos, segundo o Ministério da Saúde, a caxumba pode afetar também as glândulas dos testículos, cerca de quatro a sete dias após o inchaço das glândulas no pescoço ou mandíbula. Esse tipo de inflamação se chama orquite.
No caso das mulheres acima de 15 anos de idade, pode acontecer também a mastite (inflamação no tecido da mama), em cerca de 15% das ocorrências. 
E em 5% das vezes, a doença causa ooforite, inflamação nos ovários. Os sintomas incluem febre e dor na parte inferior da barriga.
A caxumba já foi erradicada alguma vez no Brasil?
Não. É uma doença sazonal, o que significa que ela ocorre periodicamente. 
"A incidência dela diminuiu bastante após a vacina no Brasil - antigamente toda criança tinha. Mas é difícil erradicá-la, especialmente porque a única vacina disponível tem uma eficácia menor para ela", diz Ballalai.
O país não tem dados consolidados sobre a doença, mas alguns Estados costumam registrar a quantidade de surtos que ocorrem a cada ano. Nos últimos anos, segundo Isabela Ballalai, os surtos têm ocorrido principalmente em adolescentes e jovens. 
"O que observamos nesses surtos é que muitos dos jovens não foram vacinados adequadamente com a segunda dose, e isso é um problema. Só uma minoria tinha a vacina correta", diz Ballalai
Por que os casos vêm aumentando?
A prevenção da caxumba é feita pela vacina tríplice viral, administrada aos 12 meses de idade e, pela vacina tetra viral, aplicada aos 15 meses de idade.
No entanto, segundo dados divulgados esta semana pela Unicef, a agência da ONU para a infância, a quantidade de crianças que recebeu a segunda dose de proteção caiu de 77% em 2016 para 41% em 2017.
"Acho que a queda nessa cobertura vacinal tem a parte do governo e da população. O Programa Nacional de Imunização, que é modelo para o mundo inteiro, é espetacular, mas não basta ter vacinas, postos de saúde e equipes bem estruturados. É preciso fazer uma busca ativa das famílias", disse à BBC News Brasil a pediatra Cristina Duarte, diretora da Clínica Neovacinas. 
"Se estava tendo uma diminuição da aplicação da segunda dose, as famílias tinham que ser buscadas. Isso provavelmente não foi feito."
Para Duarte, a influência de movimentos antivacina nas redes sociais também pode ter contribuído para que menos crianças de 15 meses tenham sido vacinadas com a tetra viral no último ano.
"Uma das avaliações da pasta sobre a queda nas coberturas vacinais no país é o próprio sucesso das ações de imunização - que teve como resultado a eliminação da poliomielite, do sarampo, da rubéola e síndrome da rubéola congênita - e que pode ter causado em parte da população a falsa sensação de que não há mais necessidade de se vacinar", disse o Ministério da Saúde.
"Outra ponderação é que no Brasil há um desconhecimento individual sobre a importância e benefícios das vacinas. (...) Por isso, é necessário ressaltar a importância da imunização e desmistificar a ideia de que a vacinação traz malefícios. As vacinas são seguras e passam por um rígido processo de validação."
Quem deve tomar a vacina?
O Ministério da Saúde recomenda que crianças de 12 meses a menores de 5 anos recebam uma dose de tríplice viral aos 12 meses e uma de tetra viral aos 15 meses.
Crianças de 5 a 9 anos que não foram corretamente vacinadas antes devem tomar duas doses de tríplice viral, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas.
Da mesma forma, pessoas dos 10 aos 29 anos que não foram vacinadas ou não têm certeza de que foram devem tomar duas doses da tríplice. 
Pessoas de 30 aos 49 anos podem tomar apenas uma dose desta vacina. A partir desta idade, deve ser avaliada a necessidade da imunização caso a caso.
No caso específico da caxumba, mesmo que você já tenha sido corretamente vacinado quando criança, os médicos podem recomendar uma terceira dose da vacina tríplice viral se a sua escola, universidade ou ambiente de trabalho tiver um surto de caxumba.
"Mas realmente só em situações de surto. Não é recomendado fazer à toa", afirma Isabella Ballalai.
Não sei se tomei a vacina quando criança, nem se fui vacinado(a) na idade correta. Devo tomar de novo?
Sim. Se você é adulto e tomou apenas uma dose da vacina ou recebeu a imunização antes de 12 meses de idade deve se imunizar novamente, segundo Isabella Ballalai, da SBIm.
"Na dúvida, é melhor vacinar. Além de prevenir a caxumba, não podemos deixar o sarampo e a rubéola, que são doenças mais graves, voltarem", diz. 
A vacina tríplice viral só passou a ser oficialmente recomendada em todo o país a partir dos 12 meses de idade em 2004. A segunda dose, com a proteção adicional contra a varicela (tetra viral) inicialmente, era administrada entre 4 e 6 anos de idade. Em 2014, passou a ser recomendada aos 15 meses.
Antes disso, havia campanhas específicas de vacinação e os Estados adotaram a vacina em seu calendário em diferentes momentos. Por isso, algumas pessoas podem ter tomado apenas uma dose quando crianças, e estarem menos protegidas.
Já tive caxumba. Devo me vacinar?
Quem já teve caxumba fica imunizado permanentemente contra a doença, esclarece Ballalai.
"Uma confusão pode acontecer porque há outros vírus que causam um quadro semelhante, então algumas pessoas acham que tiveram caxumba duas vezes. Mas isso não acontece."
Mesmo assim, ela ressalta a importância de levar em contra as outras doenças contempladas pela vacina - o sarampo e a rubéola.
"Independentemente de você ter tido caxumba, se você não teve as três doenças e ainda não foi vacinado corretamente, deve, sim, tomar a vacina", diz.
Onde tomar a vacina?
A vacina tríplice viral está disponível em toda a rede pública de saúde gratuitamente. Alguns planos de saúde também cobrem a vacina na rede privada.
Fonte: BBC Brasil

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Mudar padrões de produção e consumo pode ser antídoto contra obesidade, diz FAO



Temas como a demanda global de alimentos, a epidemia de obesidade e as novas tendências de mercado foram abordados pelo diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, durante a 56º edição do Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (SOBER), promovido pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).
Na ocasião, Graziano citou prognóstico lançado pela FAO em relatório conjunto com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em julho deste ano, em Paris, no qual se preveem desafios impostos pelo crescimento populacional em todos os níveis da segurança alimentar – não apenas aqueles relacionados à fome, mas também às outras formas de má nutrição.
“O maior problema do mundo já não é mais a fome, a fome hoje é algo bem equacionado, a gente sabe onde está, e sabe por que. Ela está basicamente nas regiões de conflito e seca”, declarou.
“Uma epidemia que afeta tantos países desenvolvidos, como os em desenvolvimento, é a obesidade, que é uma questão ainda não equacionada e que vai afetar o futuro da alimentação de uma maneira que nós ainda não conseguimos dizer. Hoje, projetar o consumo da demanda de commodities ao passo do crescimento da população parece um erro”, alertou.
Dentro desse contexto, o diretor-geral da FAO destacou a importância de se olhar para novas visões de logística, transporte e armazenamento que podem ter efeitos sobre a demanda por alimentos e o combate a má nutrição.
Ainda segundo Graziano, as tendências da “gourmetização” da alimentação caseira, com pessoas querendo cozinhar cada vez mais e melhor em casa, cultivando seus próprios temperos e atentos para a qualidade e para o preço do que consomem, devem mudar, cada vez mais, as formas de produção e a dinâmica do mercado.
Tais mudanças também podem trazer, aos poucos, impactos positivos na epidemia da obesidade. Nesse contexto, ele citou a popularização da quinoa. “O produto fresco, legumes, verduras, carnes, são fundamentais em uma dieta para prevenir a obesidade. Na Europa, ninguém come mais para matar a fome, come por prazer. É o gourmet que influencia”.
“A FAO atuou maciçamente para colocar a quinoa no mercado internacional. Hoje, é parte desse mercado gourmet. Quinoa que aqui você compra por menos de um dólar, na Europa não compra por menos de 10. Essa logística, essa transformação da marca, esse lado gourmet do prazer da alimentação, conectado à questão da obesidade, pode transformar completamente a forma da produção da alimentação do futuro”, concluiu.
Fonte: ONU Brasil

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Documento alerta para risco de descontrole do HIV no mundo por falta de investimento


Cientistas afirmam que a escassez de recursos é uma barreira para atingir a meta da ONU de controle da doença até 2020
Uma pesquisa publicada na revista científica The Lancet sobre o vírus HIV alerta para o risco de descontrole da Aids no mundo. O estudo, realizado por 47 especialistas no assunto, conclui que a carência de investimentos em pesquisas e campanhas está prejudicando os esforços para conter o avanço da doença.
No relatório, os especialistas afirmam que os recursos investidos no combate ao HIV estabilizou em aproximadamente R$ 74 bilhões nos últimos anos, R$ 27 bilhões a menos do que seria preciso para atingir a meta da UNAids de restringir as novas infecções anuais a 500 mil até 2020. "Apesar do progresso extraordinário na resposta ao HIV, a situação ficou estagnada na última década", disse Linda-Gail Bekker, presidente da Sociedade Internacional de Aids.
A comissão de pesquisadores reforça a necessidade de mudanças urgentes no tratamento e controle da doença, além de enfatizar a importância da colaboração entre profissionais de saúde. Eles defendem, por exemplo, que o teste de HIV seja incluído entre os testes para doenças não contagiosas como diabetes e hipertensão.
A publicação ressalta ainda que a infecção continua persistente em grupos marginalizados, como jovens, especialmente mulheres, e nos países em desenvolvimento. Esses públicos também encontram mais dificuldade de acesso ao tratamento. Segundo o Ministério da Saúde, os maiores registros de casos da doença estão entre os jovens homossexuais brasileiros.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 37 milhões de pessoas convivem com o vírus HIV/Aids em todo o mundo. Anualmente, surgem 1,8 milhões de novos casos da enfermidade. No Brasil, a doença já atinge mais de 880 mil pessoas e registra cerca de 40 mil novas ocorrências a cada ano, segundo dados do último Boletim Epidemiológico de HIV/Aids do Ministério da Saúde, publicado em dezembro de 2017. 

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Relatório da ONU indica um aumento do mercado de drogas ilícitas e medicamentos sem uso medicinal



A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou que uso não medicinal de medicamentos que precisam de prescrição vem crescendo e está se tornando grave problema para a saúde pública no mundo. A informação é proveniente do Relatório Mundial sobre Drogas publicado na última terça-feira (26/06) pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Ele constata ainda que o abuso desses opioides tem sido responsável por 76% das mortes envolvendo distúrbios relacionados ao uso de drogas.
De acordo com o relatório, em 2016, a apreensão de opioides farmacêuticos foi semelhante à de heroína, aproximadamente 87 toneladas, entre eles o tramadol e o fentanil. Normalmente, esses remédios são usados para o tratamento da dor crônica, mas os traficantes os fabricam e comercializam ilegalmente, causando assim danos consideráveis à saúde da população. Grande parte das apreensões foram identificadas em países da África, Ásia e América do Norte. Entre 2016 e 2017, a produção mundial de ópio aumentou 65%, atingindo 10.500 toneladas, a mais alta estimativa já registrada pelo UNODC desde o início do século 21. 
O documento mostra ainda o aumento do mercado de drogas ilícitas. Em 2016, a cocaína alcançou o índice mais alto, com uma produção de 1.410 toneladas. A maior parte é proveniente da Colômbia, mas o relatório também demonstra um crescimento do tráfico e consumo da droga na África e na Ásia. Já a cannabis foi a mais consumida por 192 milhões de pessoas, ao longo do último ano. Nos últimos 10 anos, o número de usuários da droga cresceu aproximadamente 16%.
Segundo Yury Fedotov, diretor-executivo do UNODC, o relatório aponta dados preocupantes em relação a ampliação e disseminação das drogas ilícitas e opioides. “As descobertas do Relatório Mundial sobre Drogas deste ano mostram uma expansão dos mercados de drogas ilícitas, com a produção de cocaína e de ópio atingindo recordes altíssimos, o que apresenta vários desafios em diversas frentes”, afirmou. 
Ele destacou ainda que o órgão está empenhado em trabalhar com os países membros para buscar soluções para o problema, bem como para atingir as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
A pesquisa mostra que o número de usuários de drogas foi de 275 milhões em 2016, o que representa cerca de 5,6% da população global entre 15 e 64 anos. O documento também indica que o público jovem é o mais vulnerável ao uso, principalmente na faixa etária entre 12 e 25 anos.
Outro dado alarmante é o aumento em 60% das mortes causadas pelo uso de drogas e opioides, entre 2000 e 2015. O Relatório Mundial sobre Drogas de 2018 apresenta uma visão global sobre a fabricação e o consumo de opioides, cocaína, cannabis, estimulantes do tipo anfetamina e novas substâncias psicoativas, bem como sobre seu impacto na saúde. 

terça-feira, 26 de junho de 2018

ONU divulga estudo sobre o contrabando de drogas por migrantes



No dia 13 de junho, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) divulgou um estudo que constata que 2,5 milhões de migrantes foram alvo do contrabando de drogas em 2016. Segundo a pesquisa, o tráfico ocorreu em todas as regiões do mundo e gerou renda de até 7 bilhões de dólares para os traficantes. O valor é equivalente ao que foi gasto em ajuda humanitária pelos Estados Unidos ou pelos países da União Europeia no mesmo ano.
Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), milhares de pessoas morrem decorrentes de atividades do contrabando de migrantes anualmente. Muitos morrem afogados, enquanto outros morrem devido a acidentes ou condições extremas. Segundo os registros, o Mediterrâneo parece ser a rota mais mortal, com cerca de 50% do total de mortes.
O estudo relata que existem 30 grandes rotas de tráfico em todo o mundo. Além disso, constata que os refugiados são alvo fácil dos criminosos por não conseguirem um meio legal para saírem de seus países de origem. Outro dado relevante é sobre o grande fluxo de crianças desacompanhadas que são mais suscetíveis ​​a fraudes e abusos por parte dos traficantes. De acordo com a pesquisa, em 2016, quase 34 mil crianças desacompanhadas e separadas chegaram à Europa (na Grécia, Itália, Bulgária e Espanha).
“Este crime transnacional ataca os mais vulneráveis ​​dos vulneráveis”, disse Jean-Luc Lemahieu, diretor de análise de políticas e assuntos públicos do UNODC. “É um crime global que requer ação global, incluindo melhor cooperação regional e internacional e respostas da justiça criminal nacional”, alerta.
De acordo com o departamento da ONU, combater o tráfico de migrantes requer uma abordagem que leve em conta não apenas a geografia do crime, mas também seus diferentes fatores. Entre eles o combate às redes de contrabando através de uma melhor cooperação regional e internacional. Bem como, tornar mais acessível a regularização dos refugiados, incluindo a expansão das agências de migração e asilo nas áreas de origem, o que reduziria as chances de ação dos criminosos.
Fonte: ONU/UNODC

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável podem ajudar no combate às drogas



O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) divulgou uma nota técnica sobre o problema mundial das drogas e os avanços recentes da política brasileira sobre drogas. De acordo com a nota, o problema do uso de drogas é global e interligado com todos os aspectos do desenvolvimento sustentável. Por isso, é essencial buscar atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS) como forma de apoio no combate às drogas. Confira os ODS e como atingi-los pode ajudar na batalha contra as drogas:
ODS 10 - Reduzir a desigualdade nos países e dentro deles
É importante ressaltar que a dificuldade em aceitar ou entender que a dependência química é uma condição de saúde alimenta o ciclo de marginalização que em geral afeta pessoas com transtornos relacionados ao uso de drogas, dificultando o seu tratamento e integração social.
A estigmatização em relação às pessoas que usam drogas pode representar uma grande barreira no acesso destas pessoas às ações de cuidado em saúde, como demonstrou o estudo do pesquisador brasileiro Telmo Ronzani citado no relatório.
O relatório cita a pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz que indicou um perfil de vulnerabilidade social entre usuários de crack que antecede o uso de crack, mas também pode ser agravado por ele. Essa pesquisa quantitativa foi recentemente aprofundada no Brasil com uma investigação sociológica que buscou reconstituir trajetórias de vida de usuários de crack (“Crack e Exclusão Social”- Organizador: Jessé Souza).
Dessa forma, além de políticas de prevenção voltadas à promoção da educação e do bem-estar e de cuidado no campo da saúde para ações tratamento, reabilitação e reintegração social, com base em evidência, essas políticas também demandam um robusto componente de enfrentamento ao estigma e de promoção da equidade de gênero e dos direitos humanos de uma forma mais ampla.
Dessa forma, o ODS 10 inclui duas metas que precisam ser consideradas nas políticas sobre drogas:
10.2 Até 2030, empoderar e promover a inclusão social, econômica e política de todos, independentemente da idade, gênero, deficiência, raça, etnia, origem, religião, condição econômica ou outra
10.3 Garantir a igualdade de oportunidades e reduzir as desigualdades de resultados, inclusive por meio da eliminação de leis, políticas e práticas discriminatórias e da promoção de legislação, políticas e ações adequadas a este respeito
ODS 3 - Assegurar vidas saudáveis e promover o bem-estar de todas as idades
Explicitamente inclui fortalecer a prevenção e tratamento de abuso de substâncias. Programas voltados à prevenção, ao tratamento, ao cuidado, à reabilitação e à reinserção social desempenham um papel fundamental e se baseados em evidência podem reduzir os impactos negativos para a saúde e sociais relacionados ao uso problemático de drogas.
Desde 2013, em parceria com o UNODC, o Ministério da Saúde (MS) identificou três programas que, na literatura científica internacional, mostraram resultados associados a adiar e evitar o primeiro uso de substâncias psicoativas, além de reduzir o grau de abuso de álcool, tabaco e outras drogas entre o público a que se dirigem. Atualmente a SENAD também vem apoiando a implementação dos três programas:
Além de problemas associados ao uso como o risco de overdose, suicídio, desenvolvimento de transtornos mentais, é preciso considerar que pessoas que fazem o uso injetável ou não são mais vulneráveis em relação à transmissão do HIV e das hepatites virais, bem como enfrentam maior dificuldade de acesso a serviços em função do estigma e do preconceito em relação ao uso de drogas.
No Brasil, estudo realizado pela Fiocruz revelou que pessoas que fazem uso de crack e/ou similares apresentam uma prevalência do HIV oito vezes mais alta do que a população em geral.
Portanto, para além da relação direta entre uso de drogas injetáveis de forma não segura e a transmissão do HIV ou da hepatite C, estudos tem demonstrado que é preciso considerar também a maior vulnerabilidade de pessoas que fazem o uso de estimulantes como a cocaína e anfetaminas e sua relação com o sexo desprotegido.
Três quartos da população global ainda não têm acesso a medicamentos contendo drogas narcóticas e tem tratamento inadequado para tratar dores moderas a fortes. A importância de disponibilização de medicamentos essenciais, que tipicamente incluem drogas controladas foi reconhecida na meta 3.b dos ODS.
ODS 5 - Alcançar igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas
Aponta para a necessidade de que políticas sobre drogas reconheçam que há diferenças importantes entre homens e mulheres que fazem uso de drogas em relação aos padrões de uso e também às vulnerabilidades associadas.
Pela predominância masculina no uso de certos tipos de drogas, há o risco de que a rede de cuidado possa não corresponder às especificidades das demandas de mulheres que fazem uso de drogas, representando barreiras no acesso aos serviços.
Mulheres com quadro de dependência de drogas e que vivem com HIV em geral são mais vulneráveis e estigmatizadas do que homens. Essas mulheres tem mais chance de terem sido vítimas de violência e abuso, em especial de violência doméstica.
Neste sentido, vale ressaltar mais um dado da pesquisa realizada pela Fiocruz entre usuários de crack e/ou similares, na qual a proporção de mulheres que relataram ter sofrido violência sexual alguma vez na vida foi seis vezes maior que a relatada pelos homens (respectivamente, 46,63% e 7,49%). O que demonstra a necessidade e o desafio para os países, incluindo o Brasil, de desenvolver políticas e ações que incluam a perspectiva de gênero.
Mulheres infratoras, especialmente com algum transtorno relacionado ao uso de drogas, enfrentam várias barreiras no sistema de justiça criminal, visto que em geral esses sistemas não são devidamente equipados para atender suas especificidades.
ODS 1 - Acabar com a pobreza em todas as suas formas e em todos os lugares 
O uso de drogas geralmente afeta as pessoas durante seus anos mais produtivos, prejudicando o seu desenvolvimento e de suas comunidades. O problema das drogas afeta, ainda que de forma variada, países tanto desenvolvidos como em desenvolvimento. 
A relação entre desenvolvimento econômico e drogas é particularmente evidente no caso do cultivo ilícito de drogas. Em áreas rurais, elementos socioeconômicos, como pobreza e a falta de uma cultura de subsistência sustentável são fatores de risco que levam fazendeiros a se engajar na cultivação ilícita, que também é uma manifestação de escassos níveis de desenvolvimento ligados à segurança e governança.
ODS 16 - Promover sociedades pacífica e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar acesso à justiça para todos e construir instituições responsáveis e inclusivas em todos os níveis
Esse objetivo diz respeito principalmente aos esforços em fortalecer o Estado de Direito e o acesso à justiça e combater a corrupção e o crime organizado. O uso de drogas desencadeia diferentes níveis de violência, relacionados com o seu efeito psicoativo ou como meio de obter recursos para sua compra.
Em relação ao acesso à justiça, no Brasil é importante destacar o desafio do acesso à justiça em relação às mulheres, segundo o relatório do Ministério da Justiça sobre mulheres encarceradas, no período de 2000 a 2014 o aumento da população feminina foi de 567,4%, enquanto a média de crescimento masculino, no mesmo período, foi de 220,20%.
Isso reflete, assim, a curva ascendente do encarceramento em massa de mulheres. São mulheres jovens, têm filhos, são as responsáveis pela provisão do sustento familiar, possuem baixa escolaridade, são oriundas de extratos sociais desfavorecidos economicamente e exerciam atividades de trabalho informal em período anterior ao aprisionamento.
Em torno de 68% dessas mulheres possuem vinculação penal por envolvimento com o tráfico de drogas não relacionado às maiores redes de organizações criminosas.
Portanto, o desafio de que a política de drogas no Brasil e na região tenham uma perspectiva de gênero é fundamental.
Cabe aqui também destacar a recente decisão do STF, tirar o caráter hediondo da condenação de dois homens condenados por tráfico de drogas que eram réus primários, tinham bons antecedentes, não se dedicavam ao crime nem integravam uma organização criminosa.
Esta decisão certamente terá impacto futuro na questão da superlotação carcerária causada por penas que tem sido consideradas, inclusive por próprios ministros do STF como “desproporcionais” em relação a condutas de pequenos traficantes, sobretudo mulheres.
Dados de 2014 do Ministério da Justiça apontam no país uma população carcerária de 622.202 pessoas, das quais 174.216 (28%) foram condenadas por delitos relacionados às drogas.
ODS 17 - Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável
Esses objetivos têm uma relação forte com os princípios de cooperação internacional e responsabilidades compartilhadas, incorporados nas convenções de controle de drogas. Entretanto, assistência oficial para o desenvolvimento aumentou, enquanto assistência para setores relativos a drogas diminuiu significativamente desde 2008.
Esforços para eliminar cultivo ilícito podem impactar fonte de renda e oportunidades de emprego de camponeses. Pesquisas mostram que esses esforços só terão um impacto positivo se eles incluírem medidas de desenvolvimento que garantam alternativas de subsistência e restaurem a segurança e a força da lei.
Intervenções que visam a fortalecer a influência da lei, o alicerce do desenvolvimento sustentável, podem influenciar a disponibilidade de drogas no mercado ilícito ao reduzir o abastecimento através da interdição e aumentando o risco para os traficantes. Isso leva a um aumento de preço nos mercados consumidores.
Entretanto, isso pode gerar violência, especialmente quando afetam a estrutura interna e externa desses mercados ilegais. Esses esforços devem ser pensados a longo prazo e direcionados a todos os protagonistas e elementos do tráfico de drogas, pois, caso contrário, podem gerar um aumento de violência.
Prevenção, intervenção precoce, reabilitação, cuidados e medidas de integração social para usuários de drogas, baseados em evidências científicas, reduzem o uso de drogas e seus efeitos na saúde pública, um dos componentes mais importantes do bem-estar da sociedade. Esses benefícios afetam tanto os usuários quanto a sociedade em geral, mostrando-se eficazes na prevenção de HIV e hepatites virais.
Fonte: ONU/UNODC

Hoje é o dia internacional contra o abuso e tráfico ilícito de drogas



26 de junho é o Dia Internacional contra o Abuso e Tráfico Ilícito de Drogas. A data foi instituída por meio da resolução 42/112 de 7 de dezembro de 1987, durante uma assembleia geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo é realizar uma ação conjunta para que todos os países promovam ações e medidas de combate às drogas. A resolução apresenta medidas no que diz respeito ao relatório e conclusões da Conferência Internacional sobre o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas de 1987.
A ONU reconhece os esforços dos países, mas reforça que o problema das drogas ainda constitui uma ameaça grave para a saúde pública, a segurança e o bem-estar da humanidade, trazendo implicações para o desenvolvimento sustentável e para a estabilidade sócio-econômica e política dos Estados Membros. 
Segundo o relatório global do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) sobre o tema, cerca de 250 milhões de pessoas usavam drogas em 2015 no mundo. Desse total, cerca de 29,5 milhões usavam drogas de forma problemática e apresentam transtornos relacionados ao consumo, incluindo a dependência.
Os opioides (ópio, morfina, heroína e derivados sintéticos) apresentam os maiores riscos de danos à saúde, representando 70% do impacto negativo associado ao consumo de drogas no mundo (Confira detalhes do Relatório Mundial sobre Drogas clicando aqui).
O UNODC incentiva a população, organizações sem fins lucrativos, setor privado e Estados Membros a promoverem ações de sensibilização sobre o problema em todo o mundo, através da realização de eventos para marcar a data de 26 de junho, da divulgação da campanha através de suas redes e contatos, bem como por meio de doações para ONGs de apoio, prevenção e tratamento da toxicodependência.
Fonte: ONU/UNODC

segunda-feira, 7 de maio de 2018

ONU faz parceria com o Brasil para discutir sobre alimentação saudável


Brasil reúne nove países para discutir políticas voltadas à alimentação saudável
Em virtude da Década de Ação pela Nutrição (2016-2025) da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil, através do Ministério da Saúde, aceitou sediar o 1º Encontro Regional sobre Redes. O evento, que aconteceu nos dias 3 e 4 de maio, em Brasília, teve como objetivo discutir e melhorar as políticas voltadas à alimentação saudável e contou com a participação de mais 9 países.
Além do Brasil, participaram do encontro representantes dos Ministério da Saúde da Argentina, Canadá, Chile, Costa Rica, Colômbia, Equador, México, Peru e Uruguai. Todos são engajados na elaboração de políticas públicas para promover a alimentação saudável em seus respectivos países.
Alimentar-se bem é uma das melhores maneiras de prevenir doenças crônicas. Por isso, durante o evento, foram debatidas estratégias para redução do consumo de sal, prevenção e controle de doenças cardiovasculares, além da promoção de Guias Alimentares baseados em Alimentos para evitar a obesidade e reduzir a incidência de doenças crônicas. A obesidade acomete um em cada dois adultos e uma em cada três crianças brasileiras.
O Brasil foi um dos primeiros países a lançar um Guia Alimentar para a população. Mais de 100 países também já desenvolveram guias, mas o brasileiro foi reconhecido internacionalmente pela elaboração de suas recomendações, elucidando questões sobre os sistemas alimentares, formas de produção, circunstâncias que envolvem o ato de comer e valorização da alimentação tradicional brasileira.
Um dos temas do Guia trata da redução das quantidades de açúcar, gorduras e sódio nos alimentos processados. Desde 2007, o Ministério da Saúde firmou um acordo com a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) para melhorar o perfil nutricional dos alimentos industrializados. Na primeira avaliação desse processo, em 2010, verificou-se a redução estimada em 250 mil toneladas de gorduras trans nos produtos processados.
Renovado no ano passado, o acordo tem como meta reduzir 28,5 toneladas de sódio da alimentação dos brasileiros, que atualmente consome 12 gramas de sódio por dia, mais que o dobro do máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que são 5 gramas.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

ONU lança campanha sobre a saúde sexual e reprodutiva das mulheres no Brasil


Atriz Bella Piero é uma das representante da campanha da ONU
No dia 26 de abril, São Paulo sediará uma campanha pela saúde sexual e reprodutiva que colocará as mulheres e adolescentes no centro do debate sobre seus direitos. A iniciativa está sendo organizada pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em parceria com organizações do setor privado e instituições filantrópicas, e apoiada pela Embaixada dos Países Baixos. Será a primeira realizada pela Aliança pela Saúde e pelos Direitos Sexuais e Reprodutivos no Brasil, formada pelas instituições citadas.
Com o tema “Ela Decide Seu Presente e Seu Futuro”, o movimento realizará ações de empoderamento para que brasileiras possam tomar decisões autônomas sobre sua sexualidade – sobre engravidar ou não, sobre quando e quantos filhos ter e sobre como vivenciar a maternidade.
Os altos índices de gestações não planejadas, de mortes em decorrência de complicações durante a gravidez, o parto e o pós-parto para a mãe, o aumento de infecções por doenças sexualmente transmissíveis evidenciam a urgência da necessidade de se discutir essas questões.
De acordo com dados da pesquisa Nascer no Brasil, da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), cerca de 30% das mulheres que deram à luz nos hospitais pesquisados disseram que não desejaram a gestação. A pesquisa revela ainda que a cada 100 mil bebês nascidos vivos, 143 mães morriam antes de 1990. Esse número caiu consideravelmente entre 1990 e 2015, porém, ainda continua alto e preocupante, para o mesmo número de bebês nascidos vivos, 61 mulheres vieram a óbito em 2015.
Segundo Jaime Nadal, representante da UNFPA no Brasil, a questão central desse debate são as mulheres, “porque é sobre o corpo delas que os efeitos da desinformação e da discriminação de gênero recaem de forma muito mais impactante e com consequências para toda a sociedade. Por isso, é fundamental que as mulheres brasileiras decidam seu presente e seu futuro”. Ele afirmou ainda que o desenvolvimento do país é responsabilidade de vários setores, inclusive do privado, e não apenas do Estado, por isso, a ONU realiza essas parcerias.
A Aliança é uma iniciativa dos setores privado e filantrópico, em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e apoio da Embaixada dos Países Baixos, para a promoção da saúde e garantia dos direitos sexuais e reprodutivos. Também fazem parte da Aliança as empresas Bayer, MSD, Reckitt Benckiser, Semina e o Instituto Ethos.
Inspirada na ação global She Decides, a campanha busca ampliar e qualificar o debate público sobre o tema, além de arrecadar contribuições técnicas e financeiras dos apoiadores. O evento é gratuito, aberto ao público e com vagas limitadas, mediante inscrição prévia.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Brasil usará drones no combate ao Aedes aegypti



O Brasil ganhará um novo aliado na batalha contra o Aedes aegypti. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anunciou que drones serão usados em estratégias de controle dos mosquitos. A informação, que foi divulgada na última quinta-feira (19/04), é que os testes realizados com essa nova tecnologia foram concluídos com sucesso.
De acordo com a agência da Organização das Nações Unidas (ONU), os veículos aéreos transportam insetos tornados estéreis por meio de radiação e os liberam no meio ambiente para conter sua proliferação. A técnica, conhecida pela sigla SIT, em inglês, desenvolve em cativeiro a criação de machos do Aedes aegypti, que ficam incapacitados de se reproduzir ao serem expostos à radiação gama. Como eles são estéreis, o acasalamento não gerará novos mosquitos, o que reduzirá ao longo do tempo a presença da espécie.
Um dos obstáculos encontrados no uso dessa estratégia era a fragilidade do Aedes aegypti. Quando liberado em altitudes elevadas, o mosquito podia ter suas asas e pernas danificadas, o que inviabilizaria sua difusão. Além disso, os mosquitos também precisavam suportar temperaturas mais frias.
Durante todo o ano de 2017, a agência trabalhou conjuntamente com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e com o grupo suíço-americano WeRobotics para desenvolver um protótipo de aeronave capaz de transportar em segurança os Aedes modificados. 
De acordo com Jeremy Bouyer, entomologista médico da Divisão Conjunta da FAO e da AIEA de Técnicas Nucleares na Alimentação e Agricultura, o mecanismo de liberação dos mosquitos era a grande preocupação na aplicação da SIT. Contudo, o resultado dos testes realizados demonstraram uma mortalidade de menos de 10% dos insetos ao longo de todo o processo de resfriamento, transporte e liberação aérea.
Segundo o especialista, a vantagem do uso da nova técnica é a possibilidade de tratar 20 hectares em apenas cinco minutos. Além disso, essas aeronaves têm capacidade para carregar 50 mil mosquitos estéreis por voo. Com o resultado bem sucedido, o Brasil planeja usar os drones a partir de janeiro do próximo ano, tanto em zonas urbanas quanto rurais, durante o pico do verão e da estação dos mosquitos.
Atualmente, a AIEA está tentando reduzir o peso das aeronaves e aumentar sua capacidade, para transportar até 150 mil mosquitos por voo. O desenvolvimento do veículo aéreo teve o apoio financeiro da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). A SIT é uma tecnologia usada há mais de 50 anos no combate às pestes na produção agrícola, mas só recentemente conseguiu ser adaptada para o controle de mosquitos transmissores de doenças.
Fonte: ONU