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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Operação policial prende Paty Bumbum por suspeita de envolvimento na morte de modelo, após procedimento irregular com silicone industrial


Mayara dos Santos
Outras três mulheres suspeitas de envolvimento no caso estão foragidas 
A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou, na manhã desta segunda-feira (06/08), uma operação que prendeu a massoterapeuta Patrícia Silva dos Santos, conhecida como Paty Bumbum. Denominada Roleta Russa, a operação está sendo coordenada pelo delegado Eduardo Freitas, titular da 42ª Delegacia de Polícia, do bairro do Recreio dos Bandeirantes.
A massoterapeuta já havia sido presa por fazer procedimentos estéticos irregulares, por exercício ilegal da profissão, e respondia em liberdade. A nova prisão de 30 dias foi decretada para esclarecer se ela tem envolvimento com a morte da modelo Mayara dos Santos, no último dia 20 de julho, após realizar aplicações de silicone industrial nos glúteos, com sua sócia Valéria dos Santos Reis, em um hotel no Recreio.
Paty Bumbum vai responder por organização criminosa e homicídio qualificado. Valéria Reis não foi encontrada em casa, em Vargem Pequena, e até o momento encontra-se foragida. De acordo com a polícia, os depoimentos de duas testemunhas indicam que Paty e Valéria são sócias desde 2015. Mas elas negam que se conhecem.
Ohana Hindara de Lima Diniz, que acompanhou Mayara no procedimento, também foi presa na manhã de hoje. Segundo uma testemunha, ela recebia comissão por indicar pacientes para Valéria. 
Imagens de câmeras de segurança mostraram que a modelo chegou ao hotel bem, mas saiu passando mal. 
"Ohana levou a Mayara para a casa dela em vez do hospital. Ela tentou ocultar que ela estava passando mal e disse que ela foi para a casa dela comprar produtos de beleza", afirmou o delegado Eduardo Freitas. Ele acredita que pode ter sido uma tentativa de ocultar o crime.
Daniele Freitas, advogada de Ohana, disse que ela esteve no local apenas para fazer drenagem linfática e não teve participação no procedimento ao qual a modelo foi submetida. “A Ohana não teve participação no episódio, até pelo depoimento das testemunhas que têm no inquérito. Tem a filmagem dela chegando após o ocorrido com a Mayara. A Ohana foi até lá para passar por um procedimento de drenagem. Ela não sabia se a Mayara passou por algum tipo de procedimento. Ela simplesmente só ofereceu uma ajuda, porque a Mayara estava sentindo falta de ar”, afirmou a advogada. 
A polícia ainda está atrás de Marcia Pimentel Esteves e Thaiza Pimentel Esteves, mãe e filha. Thaiza era responsável pelas reservas dos hotéis onde os procedimentos ilegais eram feitos. Em depoimento à polícia, no dia 23 de julho, Valéria relatou que Thaiza era sua auxiliar, responsável pela agenda e avaliação das pacientes. Na casa de Márcia, foi apreendido um carimbo no nome dela como cirurgiã dentista. Para a polícia, existem duas hipóteses: ou o carimbo é falso; ou ela fazia a anestesia durante os procedimentos. 
Paty Bumbum já está respondendo a um inquérito da Delegacia do Consumidor por exercício ilegal da medicina, lesão corporal e estelionato. O delegado da 42ª DP ainda ouvirá o depoimento de algumas testemunhas e solicita que as vítimas da organização criminosa se apresentem para prestar depoimento e ajudar nas investigações.
Informações podem ser repassadas de forma anônima pelo Whatsapp ou Telegram do Portal dos Procurados, no telefone (21) 98849-6099; pela Central de Atendimento, no (21) 2253-1177; através do Facebook; e pelo aplicativo Disque Denúncia RJ. 

PMMA: cirurgião plástico explica o que é a substância utilizada pelo Dr. Bumbum nas Bioplastias


Especialista alerta para o uso de uma substância ainda pior que o PMMA, o silicone industrial
Por Rebeka Gonçalves
No mês passado, a bancária Lilian Calixto, de 46 anos, morreu após passar por um procedimento estético na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Parentes contaram que ela saiu de Cuiabá, no Mato Grosso, onde mora, para fazer uma bioplastia nos glúteos. A intervenção foi realizada no apartamento do médico Denis Cesar Barros Furtado, na Barra. 
Lilian passou por complicações e foi socorrida para o Hospital Barra D’or em estado extremamente grave, segundo a unidade de saúde. O hospital informou que foi usado polimetilmetacrilato durante o procedimento estético e que fez várias tentativas para reverter o quadro de saúde da bancária. De acordo com o Ministério da Saúde, a substância, também conhecida pela sigla PMMA ou por metacril, é um produto composto por microesferas de um material parecido com plástico.
“PMMA é o polimetilmetacrilato aquoso, é uma substância alo plástica injetável que foi utilizada há algum tempo, mas não foi muito bem aceita pelas complicações, inclusive ela não tem uma liberação ampla pela Anvisa, ela tem liberação classe três, que é uma substância parcialmente restrita.  Foi liberada para fazer preenchimento em face de aidéticos em pequenas quantidades. Ainda assim, muitas complicações de necrose, isquemia, inflamação posterior, abscedação podem surgir”, explica o cirurgião plástico, Fábio Nóbrega. 
Apesar das complicações, a injeção do produto para aumento de volume de regiões como o bumbum e a coxa – conhecida como bioplastia – é oferecida por vários estabelecimentos. A colocação do produto é feita com uma microcânula (uma agulha sem ponta) e com anestesia local. Mas, o especialista esclarece que o PMMA não é absorvido pelo corpo, portanto trata-se de um procedimento permanente.
“No Brasil, os sistemas de controle de utilização dessas substâncias também são muito falhos, de forma que temos milhares de doutores bumbuns, médicos, não-médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem, biomédicos e outras especialidades de saúde, e até gente que não tem nada a ver com a área da saúde fazendo aplicação não só de PMMA, mas principalmente de uma substância ainda pior que é o silicone industrial. O PMMA é importado livremente e utilizado sem restrições severas”, alerta o cirurgião plástico.   
Um estudo realizado pelo cirurgião plástico Claudio Cardoso de Castro, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e membro da Academia Nacional de Medicina (ANM), sobre os efeitos do uso do PMMA no organismo, em 2009, concluiu que o produto pode mudar de lugar, levando a deformações, além de provocar degeneração nas células do organismo.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) tem alertado a população sobre os riscos dos procedimentos com polimetilmetacrilato. Segundo pesquisa realizada pela Regional São Paulo (SBCP/SP), o PMMA já provocou deformidades e complicações em cerca de 17 mil pacientes em todo o país. A entidade orienta que os pacientes façam uma consulta em seu site para saber se o médico é ou não credenciado pela SBCP antes de realizar uma cirurgia plástica.
Para denunciar algum especialista ou estabelecimento:
Ministério Público de Pernambuco – MPPE
Rua Imperador Dom Pedro II, 473
Santo Antônio – Recife/PE
Fone: (81) 3182.7000

Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA

Praça Ministro Salgado Filho, Imbiribeira –Recife/PE

CEP: 51210 - 010

Fone: (81) 3322.4274/3301.3508/3301.3509