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terça-feira, 2 de outubro de 2018

Quedas são as principais causas de óbitos de idosos, aponta pesquisa


Por Rebeka Gonçalves
Cada vez mais a sociedade brasileira está envelhecendo. Em 1960, o Brasil tinha pouco mais de 3 milhões de idosos. Em 2010, já eram quase 20 milhões, de acordo com o IBGE. Nesses 50 anos, ao mesmo tempo em que a população se urbanizou, a taxa de fecundidade caiu. De mais de seis filhos, em média, por mulher, para menos de dois. 
“O envelhecimento populacional já ocorre no Brasil em um ritmo acelerado. Essa é a nossa grande característica própria dessa dinâmica demográfica no século 21”, afirma Jorge Félix, professor de Economia da Longevidade na Universidade de São Paulo. 
Entretanto, um dos maiores problemas nessa fase da vida são as quedas como explica a geriatra do Hospital dos Servidores do Estado de Pernambuco, Michele Batista: “Trata-se de um problema de saúde pública que, infelizmente, é pouco abordado pelos profissionais de saúde e, muitas vezes, negligenciado pelo paciente e/ou familiar. Tem alta prevalência com dados que são alarmantes como a identificação de que 30% dos indivíduos acima de 60 anos caem ao ano, metade desses indivíduos voltam a cair e 5 a 10% dessas quedas resultam em graves consequências”, destaca.  
Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), metade dos indivíduos com 80 anos apresentou pelo menos um caso de queda no último ano. Esses casos têm duas vezes maior prevalência no sexo feminino. Em relação à morte e internação de causa externa, as quedas ocupam o segundo lugar das estatísticas do Brasil, perdendo apenas para acidentes de transporte. 
“As quedas devem ser obrigatoriamente questionadas a todos indivíduos idosos na consulta médica periódica, pois podem ser marcadores de doença aguda como quadros infecciosos, hipotensão arterial, hipoglicemias, reação adversa de algumas medicações. Ademais, podem ser manifestações de doenças crônicas como a doença de parkinson e demências, além de muitas vezes funcionar como marcador de mudanças relacionadas ao envelhecimento da visão, da marcha e do equilíbrio”, acrescenta a especialista. 
Outro fator que pode aumentar o risco de quedas é o envelhecimento natural, devido à redução da velocidade de marcha e da amplitude do passo, flexão dos pés diminuída na fase de apoio, diminuição do balanço dos braços, do balanço do quadril e do apoio em um só pé ao levantar o outro. Quedas restringem em pelo menos 20% das atividades e, nos casos mais graves, podem resultar em fratura do fêmur. De acordo com a SBGG, 90% das fraturas de fêmur são consequências de quedas. 
Elas podem ocasionar restrição das atividades dos idosos, isolamento social, medo de cair, lesões leves ou até mesmo fraturas, hospitalização, transferência para um lar geriátrico ou até mesmo óbito. 
A prevenção para esse problema pode ser amenizada com a adaptação do ambiente, treino de equilíbrio, marcha e força, calçado apropriado mesmo em casa - fechado, antiderrapante. A prática de exercício físico com enfoques em equilíbrio, flexibilidade e resistência também contribui para a diminuição no número de acidentes. 
O estudo da SBCC aponta que cerca de 25% a 35% das quedas são atribuídas a fatores ambientais e que a maioria delas acontecem em casa. É necessário fazer uma identificação do ambiente com mudanças dos agentes que estão causando esses acidentes, veja abaixo: 
- Armários a altura média, portas leves e puxadores grandes fixos nas paredes. Evite subir em banquinhos para pegar objetos fora do seu alcance;
-  Tapete antiderrapante ou borracha fixo no box, nenhum tapete nos outros ambientes;
- Escada corrimão dos dois lados, os degraus devem ter fitas antiderrapantes e interruptores de luz tanto na parte inferior quanto na superior;
-  Poltronas, cadeiras e sofás mais altos;
- Ambientes iluminados e organizados;
- Não encerar o piso, sensibilização de paciente e cuidadores; 
- Iluminação adequada;
- Retirar fios soltos no chão; 
- Prender a manta no sofá; 
- Prestar atenção nos animais de estimação soltos pela casa.
Outros cuidados também são necessários como: 
- Sempre comunique ao médico se cair, um tropeção pode ser considerado queda;
- Mantenha acompanhamento regular e informe as medicações em uso;
- Utilize sempre seus óculos. Visite regularmente o oftalmologista. Evite o uso de óculos multifocais enquanto caminha;
- Cuidado com os pés: visite regularmente o podólogo;
- Use roupas de tamanhos adequados; evite calçados com saltos ou com solado liso; prefira sapatos com solado antiderrapante e nunca ande somente de meias;
- Cuidado com situações nas quais a pressão arterial pode cair. Sempre se levante da cadeira e da cama devagar. Mantenha sua pressão arterial controlada com acompanhamento médico regular;
- Pode ser necessário o uso de dispositivos de auxílio de marcha, como bengala e andadores. Pergunte ao seu médico;
- Podem ser indicados exercícios para prevenção de quedas. Pergunte ao seu médico qual treinamento é mais indicado para você.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Ministério da Saúde procura projetos voltados às pessoas idosas


Inscrições estão abertas até o dia 4 de setembro. O objetivo é identificar e revelar as boas práticas, além de incentivar os gestores a potencializar ações voltadas à pessoa idosa no SUS
Conhecer e dar visibilidade às boas práticas de municípios, estados e do Distrito Federal voltadas à saúde da pessoa idosa. Esses são os principais objetivos da 6ª Edição do Mapeamento de Experiências Exitosas sobre Envelhecimento, que está com as inscrições abertas até o dia 4 de setembro. A iniciativa é uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (Icict/Fiocruz).
A ação visa divulgar e compartilhar experiências com gestores, profissionais de saúde, interessados em geral, além de incentivar estratégias e ações que contribuam para qualificar o cuidado à pessoa idosa no Sistema Único de Saúde (SUS), em consonância com a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI) e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A inscrições podem ser feitas pelo link: http://saudedapessoaidosa.fiocruz.br.
A coordenadora de Saúde da Pessoa Idosa do Ministério da Saúde, Cristina Hoffmann, explica que “mapeamento vai permitir identificar as diferentes respostas que os gestores municipais e estaduais têm dado aos desafios que o processo de envelhecimento da população brasileira pode contribuir para o aprimoramento do SUS”.
Cristina Hoffmann ressalta que a partir das respostas será possível conhecer quais as ofertas de ações que poderão ser replicadas para pessoas no âmbito da saúde pública. “Os gestores irão trocar experiências. Um gestor da Região Norte pode conhecer as ações de um gestor da Região Sul. Com isso, teremos acesso a fórmulas e experiências que vão desde mobilização da comunidade no enfretamento da violência contra a pessoa idosa até a organização da rede de atenção à saúde”, explica Hoffmann. Ainda segundo a coordenadora, o mapeamento vai possibilitar qualificar e identificar a diversidade de respostas que os munícipios e estados têm dado e, com isso, poderemos divulgar a diversidade cultural existente.
As experiências mapeadas podem estar relacionadas aos diferentes níveis de cuidados, da Atenção Básica à Especializada, desenvolvidas, por exemplo, junto à Estratégia de Saúde da Família (ESF), Unidades Básicas de Saúde (UBS), Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), Atenção Domiciliar, Atenção Hospitalar, entre outras, assim como experiências ligadas aos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIS).

SERVIÇO

6ª Edição do Mapeamento de Experiências Exitosas sobre Envelhecimento
Inscrição
Até 04/09
Avaliação das experiências inscritas
10 a 28/09/2018
Divulgação dos resultados*
10/10/2018
Apresentação das 14 experiências selecionadas
28 a 30/11/2018
Edital

O resultado será enviado por e-mail para todos os participantes inscritos

Fonte: Ministério da Saúde