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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Recife capacita profissionais para trabalho de prevenção ao suicídio


Atividades ocorrem durante o Setembro Amarelo, mês de alusão a esse  problema
A Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria municipal de Saúde, promoverá uma série de ações em alusão ao Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio. O objetivo é, além de trazer o assunto para a discussão em sociedade, qualificar os profissionais da rede municipal sobre a gravidade do tema e as formas de evitá-lo. Nesta segunda-feira (10/09), Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, será realizado, às 14h, o Encontro Intersetorial com a Educação, com o tema “Prevenção ao Suicídio: Olhar Integrado para Promoção de Estratégias de Atenção e Cuidado”. O evento acontecerá no auditório do Banco Central, em Santo Amaro, e pretende reunir cerca de 200 profissionais da Rede de Atenção Básica, Saúde Mental e da Secretaria Municipal de Educação.
O Setembro Amarelo é lembrado no Brasil desde 2014 e foi trazido ao país pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera o suicídio uma prioridade de saúde pública.
De acordo com o Ministério da Saúde, a taxa mundial de suicídios, em 2015 (último ano contabilizado), foi de 10,7 casos por 100 mil habitantes. No último levantamento, foi a segunda principal causa de morte mundial entre jovens entre 15 e 29 anos. Cerca de 80% dos casos no mundo ocorreram em países de baixa e média renda. A ingestão de pesticidas, enforcamento e armas de fogo estão entre os métodos mais comuns em nível global. No Brasil, a taxa foi de 6,3 por 100 mil habitantes, e em Pernambuco, 3,3 para cada100 mil.
A taxa no Recife variou de 3,45 para 100.000 pessoas em 2010 para 3,71 para 100.000 em 2015. As tentativas de suicídio são captadas pela notificação decorrente de Intoxicação Exógena ou Violência Interpessoal. Entre 2010 e 2017, uma média anual de 469 casos foi notificada como tentativa de suicídio por esse sistema na Capital. A faixa etária predominante foi entre 20 e 39 anos, a maioria do sexo feminino (70%). As tentativas que terminaram em morte, entretanto, foram, na maioria, feitas por homens (67%).
Considerando o grupo etário de 5 a 19 anos, entre os anos de 2010 e 2018 foram notificados 1.100 tentativas de suicídio, sendo que 76% dos casos foram do sexo feminino. O uso de medicamentos foi o método mais usado por esse grupo (58%).
Entre as principais formas de a saúde pública observar o comportamento suicida e evitá-lo estão a escuta das pessoas (problemas financeiros, violência, abusos, dores crônicas, isolamento e outros), campanhas de divulgação, controle do acesso aos meios utilizados (como medicamentos e armas de fogo, por exemplo), políticas de redução do uso de álcool e outras drogas, identificação precoce de doenças mentais e acompanhamento das pessoas que já tentaram o suicídio, entre outras medidas.

Setembro Amarelo no Recife
10/09
Atividade: Encontro Intersetorial com a Secretaria da Educação do Recife, com o tema “Prevenção ao Suicídio: Olhar Integrado para Promoção de Estratégias de Atenção e Cuidado”.
Local: Auditório do Banco Central, na Rua da Aurora, 1259, Santo Amaro.
Horário: 14h às 17h.
Programação do evento
13h30 - Acolhimento e credenciamento
14h - Mesa de abertura (Jailson Correia, secretário de Saúde do Recife, representantes da DEAS e DEVS - Sesau - e representantes da Secretaria Municipal de Educação)
14h30 - “Vigilância das Tentativas de Suicídio no Município do Recife”
15h - “Suicídio: conhecer para prevenir”, com Simone Cantarelli, psiquiatra infantil da rede municipal.
15h40 - “Rede de Cuidado”, com Valdiza Soares, da Gerência de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Recife.
16h15 - Debate e encaminhamentos.
Atividade: Participação na capacitação do Serviço de Psicologia Aplicada (UFPE) junto aos Agentes de Saúde do Distrito Sanitário 4 sobre vigilância das violências interpessoais e autoprovocadas.
Local: Campus da UFPE.
Horário: 14h.

11/09
Atividade: Fórum de Saúde Mental do Distrito Sanitário 5: Promoção à vida e notificação de violência interpessoal e autoprovocada, com a participação de profissionais da Rede Psicossocial e da Atenção Básica do Recife.
Local: IPESU, na Rua São Miguel, 176, Afogados.
Horário: 14h.
Atividade: Fórum de Saúde Mental do Distrito Sanitário 2: Promoção à vida e notificação de violência interpessoal e autoprovocada, com a participação de profissionais da Rede Psicossocial e da Atenção Básica do Recife.
Local: Upinha Eduardo Campos, na Rua Itabira, s/n, na Bomba do Hemetério.
Horário: 14h.

20/09
Atividade: Sensibilização sobre o tema suicídio com profissionais da Escola Estadual Othon Bezerra de Melo.
Local: Rua Virgínia Heráclio, s/n, IPSEP.
Horário: 14h.

24/09
Atividade: Fórum de Saúde Mental dos distritos sanitários 6 e 8 sobre promoção à vida e notificação de violência interpessoal e autoprovocada, com a participação de profissionais da Rede Psicossocial e da Atenção Básica do Recife.
Local: A definir.
Horário: 14h.

27/09
Atividade: Sala de Espera com abordagem sobre o tema promoção à vida e notificação de violência interpessoal e autoprovocada.
Local: PSF Vila do Ipsep, na Rua Virgínia Heráclio, s/n, IPSEP.
Horário: 14h.
Atividade: Roda de conversa com o tema “Valorização da Vida e Prevenção ao Suicídio”, em parceira com o setor dos SIS e Cerest, tendo como público alvo os profissionais da DEVS. (Local e horário em aberto).

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Estudo mostra ligação entre álcool e suicídio na faixa de 25 a 44 anos


Campanha de prevenção com foco nos jovens será lançada em setembro
Um estudo feito pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) divulgado este ano em um jornal científico reforçou a ligação entre o consumo de álcool e o suicídio. Foram analisados 1,7 mil casos na cidade de São Paulo entre 2011 e 2015 a partir de exames toxicológicos e mais de 30% das vítimas apresentavam diferentes concentrações de teor alcoólico no sangue. Entre os homens essa porcentagem chegou a 34,7%. A maior parte dos analisados (49% corresponde a adultos jovens, com idade entre 25 e 44 anos. Dentro dessa faixa etária mais de 61% apresentavam álcool no sangue.
Desde 2012 a taxa de suicídio em brasileiros de 15 a 29 anos subiu quase 10% de acordo com a edição de 2010 do Mapa da Violência, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a segunda causa mundial de mortes entre pessoas dessa faixa etária - mais de 90% estão ligados a distúrbios mentais.
Segundo o psiquiatra Teng Chei Tung, coordenador dos Serviços de Pronto-Socorro e Interconsultas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, sob efeito do álcool as pessoas podem apresentar diminuição da capacidade de julgamento, do senso crítico e do autocontrole, assim como tendem a adotar comportamentos agressivos. Esse efeito pode ser ainda maior entre os adolescentes.
“O cérebro do adolescente ainda está em desenvolvimento e os efeitos do álcool são mais nocivos nessa idade, com impacto ainda maior sobre a tomada de decisões e o autocontrole. Estamos falando de uma faixa etária em que o imediatismo é mais evidente e a exposição ao álcool pode ser mais perigosa quando pensamos no risco para o suicídio”, explicou.
De acordo com Tung, é possível desenvolver programas educativos sobre o consumo de drogas e álcool entre os jovens, mas é preciso lembrar que há outros fatores que também merecem atenção como o bullying e transtornos psiquiátricos, como a depressão. “É importante lembrar que um transtorno mental como a depressão pode alterar a percepção que o indivíduo tem da realidade. Por isso, os casos de suicídio não devem ser encarados como expressão do livre-arbítrio.”
Campanha digital
No próximo mês será lançada a campanha digital #SAIADASOMBRA, para contribuir para as atividades educativas da campanha global Setembro Amarelo, que tem como foco o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, celebrado no próximo dia 10. A mensagem será lançada em forma de vídeo nas redes sociais com o objetivo de atingir os mais jovens. A campanha é feita em parceria com o Centro de Valorização à Vida (CVV) e o laboratório Pfizer.
"O objetivo desta vez é focar nos adolescentes e jovens que apresentam sinais de alerta em relação à depressão e à possibilidade de cometer suicídio num prazo próximo ou mediano. Nossa intenção é alertar, trazer informação e levar as pessoas a poder identificar esses sinais e, em seguida, ajudar, seja pessoalmente ou encaminhando para um profissional adequado", disse o diretor médico da Pfizer, Eurico Correia.
Segundo ele, as pessoas que têm sinais ou sintomas depressivos têm um sofrimento inerente à doença e à condição clínica pela qual estão passando. "É importante lembrar que as pessoas que têm depressão, de alguma maneira, estão sofrendo e, para algumas delas, a saída para esse sofrimento é o suicídio. Vamos ter isso em mente e reconhecer que há mitos que envolvem a doença".
Correia ressaltou que é necessário ainda eliminar a ideia de que suicídio é uma consequência natural de uma série de situações na vida da pessoa. "Mais de 90% das pessoas que se suicidaram ou tentaram tem alguma doença envolvida. Não é questão meramente comportamental. Essa é uma das mensagens mais importantes: é uma morte evitável. Essa pessoa que tentou ou cometeu suicídio não precisava ter feito isso se a gente ouvisse, visse e desse atenção", completou.
O presidente do CVV, Robert Paris, destacou que a entidade criou um serviço via chat com o intuito de atrair jovens. Segundo ele, a adesão desse público foi rápida. "Um dado que nos chamou muito a atenção é que no atendimento em geral cerca de 5% a 10% das pessoas manifestam intenção ou planejamento para o suicídio. Parece pouco, mas se pensarmos que temos 3 milhões de contatos por ano, isso significa um número de pessoas em alto risco e que, felizmente, estão pedindo ajuda de alguma maneira".
Paris disse ainda que entre aqueles de 15 a 29 anos, a taxa dos que mostram planejamento ou intenção para suicídio é de 50%. "O jovem fala abertamente sobre isso. Ele pede ajuda e demonstra seu desespero. O problema é grave, estamos cada vez mais buscando voluntários para atender em todos os nossos meios de apoio, mas especificamente nesse. E buscamos trazer voluntários mais jovens."
Mudanças bruscas de personalidade, alterações no desempenho escolar ou no trabalho podem ser sinais de que a pessoa sofre de algum transtorno que pode levar ao suicídio. Perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas, isolamento familiar ou social, pessimismo, perda ou ganho inesperado de peso, frequência de comentários autodepreciativos ou sobre morte, ou a doação de pertences que antes o indivíduo valorizava também são sinais que devem ser notados.
Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 7 de agosto de 2018

O impacto da série '13 Reasons Why' na visão de jovens brasileiros sobre suicídio e bullying, segundo estudo


Suicídio é uma das principais causas de morte de adolescentes no Brasil
Por Maurício Brum e Sílvia Lisboa/BBC
Imediatamente após ser lançada pelo serviço de streaming, em março de 2017, a série 13 Reasons Why provocou debates na imprensa e na área médica sobre os possíveis efeitos de uma representação ficcional do suicídio em uma audiência predominantemente jovem. 
Na série, a protagonista Hannah Baker grava fitas de áudio para seus antigos colegas explicando as razões para ter tirado a própria vida - indicando, principalmente, o bullying que havia sofrido.
Desde então, especialistas em saúde mental têm apontado para os prováveis riscos de a personagem principal ser imitada pelos jovens que viessem a assistir ao seriado, por conta de uma glamourização excessiva do ato. 
A possível imitação causada pela série da Netflix foi analisada pela primeira vez no Brasil no estudo recém-publicado por pesquisadores da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) no Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, um dos mais importantes do campo.
Os efeitos da série no Brasil
"O impacto social das obras de ficção ou do suicídio de celebridades sempre foi um debate na área, mas há poucos estudos recentes que tenham avaliado objetivamente a questão", explica o psiquiatra e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Christian Kieling, líder do estudo. 
O fenômeno de reprodução suicida é conhecido pelos médicos como "efeito Werther", e tem suas origens no século 18: o nome faz referência à obra Os sofrimentos do jovem Werther, do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, que teria provocado um aumento nos suicídios após sua publicação. 
Segundo relatos da época, os jovens eram encontrados sem vida vestindo roupas semelhantes às do personagem ou, ainda, com um exemplar do livro em mãos.
No caso da preocupação levantada por 13 Reasons Why, comenta Kieling, somam-se ainda questões atuais. Nas últimas décadas, o suicídio tem se firmado como uma das principais causas de morte entre adolescentes no Brasil, atrás apenas do trânsito e da violência interpessoal, categoria ampla que inclui assassinatos, agressão, brigas, bullying, violência entre parceiros sexuais e abuso emocional. 
No estudo feito por pesquisadores do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, foram analisadas as respostas de 21.062 adolescentes para entender até que ponto a série pode ter influenciado o pensamento e o comportamento dos consultados. 
Após a polêmica que se seguiu à primeira temporada, a própria Netflix havia financiado um estudo sobre 13 Reasons Why nos Estados Unidos, mas a pesquisa não abordou se a série aumentava ou não os pensamentos suicidas.
No levantamento feito pelos pesquisadores da UFRGS, adolescentes do Brasil e dos Estados Unidos, na faixa etária entre 12 e 19 anos, foram questionados sobre ideação suicida antes e depois de assistir aos episódios - e também sobre a forma como passaram a encarar o bullying após acompanhar a história de Hannah Baker.
Entre os adolescentes sem sintomas de depressão ou pensamentos suicidas antes de ver a série, 4,7% responderam ter passado a pensar mais em tirar a própria vida, um número considerado "preocupante" pelos autores do estudo. 
Naqueles mais vulneráveis – sofrendo com depressão e tendo cogitado o suicídio anteriormente – o aumento foi ainda mais expressivo: 21,6% tiveram mais ideação suicida após 13 Reasons Why. Por outro lado, nesse mesmo grupo, 49,5% disseram ter passado a conviver com menos pensamentos suicidas após ver a série.
Outro resultado que chamou atenção dos pesquisadores foi o impacto sobre o bullying. Dos mais de 21 mil adolescentes, 41,3% disseram já haver praticado bullying. Mas depois de ver 13 Reasons Why, 90,1% deles afirmaram ter passado a fazer menos bullying.
"O estudo indicou que os efeitos da série são múltiplos, o que demonstra a complexidade do fenômeno", admite Kieling. "O efeito foi predominantemente positivo, especialmente na questão do bullying. Mas os 4,7% das pessoas que não tinham histórico de depressão e que passaram a pensar em suicídio nos preocupou, pois é um número significativo dentro da maioria de crianças e adolescentes que não têm o transtorno".
Cuidados ao representar o suicídio
Para Alexandre Paim Diaz, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e um dos coordenadores da campanha Setembro Amarelo de prevenção ao suicídio, o estudo feito pelos pesquisadores da UFRGS reforça a necessidade de cuidados ao abordar a temática na mídia.
"Há estudos europeus e coreanos, que mostram um aumento do suicídio após se noticiar a morte de atrizes e pessoas mais célebres", destaca Diaz. 
"É claro que não se pode afirmar com certeza a existência de uma causa-efeito, mas os resultados sugerem uma associação, e levantam a questão para o cuidado com a maneira como se noticia o suicídio".
O psiquiatra, ligado à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), destaca que o suicídio também é uma das principais causas de morte da população jovem em nível mundial: a segunda na faixa etária entre 15 a 34 anos. 
"É importante que as pessoas que produzem um conteúdo artístico tenham consciência de que a maneira como elas representam um tema tem impacto na sociedade", argumenta. 
"Nada impede que se produza aquele conteúdo, mas com orientação, estimulando discussão com profissionais, pais e professores sobre fatores de risco, prevenção, sinais de alerta".
No caso de 13 Reasons Why, entende Diaz, os dados levantados pela pesquisa brasileira são significativos. "Quando pensamos que é 4,7% de milhares de jovens que não tinham um sintoma de depressão ou ideação suicida e aumentaram esse nível, é um número muito considerável. E o aumento é ainda mais importante quando se trata de um grupo já vulnerável", diz. 
"Quem produz esses conteúdos tem que ter clareza de que eles podem ser nocivos a uma parcela da população."
De acordo com Christian Kieling, é importante que os pais monitorem o que os filhos assistem. "Censurar não parece ser o caminho mais eficaz, mas é preciso que eles abordem o assunto com os filhos", indica o especialista. 
E também aponta onde 13 Reasons Why poderia ter feito melhor: "A série não mostra claramente que existem formas de buscar ajuda e, além disso, detalha como a menina se matou, o que não é recomendado", avalia. 
"Devemos falar sobre suicídio. Escondê-lo não vai fazer o problema desaparecer. Mas temos de ter cuidado ao retratá-lo, sem mostrar os meios", conclui.
Procurada para comentar os resultados do estudo brasileiro, a Netflix não havia se manifestado até a conclusão desta reportagem. 
Em junho, quando o serviço de streaming confirmou a terceira temporada de 13 Reasons Why em meio a controvérsias, o CEO Reed Hastings disse que ninguém era obrigado a assistir. 
"É controverso, mas ninguém é obrigado a assistir. Somos um serviço sob demanda e estamos felizes sobre a possibilidade da terceira temporada e ansiosos para dar apoio ao time da série", afirmou, na ocasião. 
Recentemente, a Netflix lançou um PIN que permite aos pais controlar o acesso a determinados conteúdos. 
Além disso, incluiu um vídeo antes de cada episódio da segunda temporada de 13 Reasons, no qual os próprios atores fazem alertas de como procurar ajuda para os telespectadores que se sentiram abalados pelo drama de Hannah e de outros personagens. 
A página da série também é voltada para dar apoio a telespectadores. Traz telefones úteis de centros de apoio emocional e prevenção de suicídio ao redor do mundo e vídeos extras que discutem as várias formas de bullying e violência sexual nas escolas. 
Na descrição, ao pé da página, emite mais um alerta: "Esta série é recomendada para maiores de 16 anos e aborda problemas como depressão, violência sexual e suicídio. Se você estiver passando por um momento difícil, ela pode não ser apropriada para você ou talvez seja melhor assistir na companhia de um adulto."
*O Centro de Valorização da Vida (CVV) dá apoio emocional e preventivo ao suicídio. Se você está em busca de ajuda, ligue para 188 (número gratuito) ou acesse www.cvv.org.br
Matéria original no site da BBC Brasil, disponível aqui.

terça-feira, 3 de julho de 2018

Centro de Valorização da Vida oferece atendimento gratuito para prevenir o suicídio



O Ministério da Saúde fechou um convênio com o Centro de Valorização da Vida (CVV) para passar a disponibilizar de maneira gratuita o acesso ao 188, telefone pelo qual oferece apoio aos cidadãos em momentos de crise para tentar evitar o suicídio. A gratuidade passa a valer a partir desse mês para todo o país. Com a parceria, o CVV receberá um repasse de R$ 500 mil do Governo Federal. 
As ligações sem cobranças já vinham sendo feitas desde o ano passado e os últimos estados que passaram a ter acesso ao serviço foram Bahia, Maranhão, Pará e Paraná. No ano passado, a linha recebeu 2 milhões de ligações em busca de ajuda, o dobro do registrado em 2016. O centro oferece ajuda por e-mail, chat e voip 24 horas, todos os dias, e também nos 87 postos de atendimento.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tem uma taxa média de suicídio de 5,5 para cada 100 mil habitantes, em todas as idades, ou seja, cerca de 11 mil pessoas tiram a própria vida por ano no Brasil. Os idosos são os que mais preocupam, com o índice de 8,9 mortes para cada 100 mil, nos últimos seis anos. Entre os principais meios estão o envenenamento e a intoxicação. Os homens são os que mais se suicidam e 60% são solteiros. As regiões com os índices mais altos são Sul e Sudeste, com 23% e 38% respectivamente.
Quirino Cordeiro, coordenador de Saúde Mental do Ministério,  fala sobre o perfil dos cidadãos que buscam ajuda no CVV. “Geralmente procuram o centro pessoas em sofrimento, seja por solidão, ou porque estão em desespero, ou porque não se identificam com o meio em que vivem”, explica.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) pretende atingir meta de reduzir em 10% os óbitos por suicídio até 2020. No Brasil, o Ministério da Saúde está investindo em estratégias como ampliação da assistência e ferramentas de comunicação. Os seis estados com maiores taxas de suicídio receberam o suporte extra de R$ 2 milhões para atuar com planos locais de prevenção, são eles: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Roraima, Piauí e Amazonas.
A pasta lançou uma série de folhetos informativos sobre o tema para que a população possa identificar sinais de alerta, como o que fazer e o que não fazer diante de uma pessoa em risco de suicídio. Os profissionais de saúde, contam com um documento que alerta a importância da notificação compulsória da tentativa de suicídio em até 24h e que traz informações técnicas sobre acolhimento na rede pública de saúde.
O CVV é uma associação civil sem fins lucrativos que trabalha com prevenção ao suicídio e conta com 2.400 voluntários que recebem uma capacitação de 40 horas para atuar no serviço. As chamadas acontecem em total sigilo, em um espaço de escuta acolhedor e seguro e que alivia a ansiedade e o desespero. 
Além desse serviço, as pessoas que precisam de ajuda podem recorrer aos 2.555 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que atendem questões como transtornos psíquicos, dependência de álcool e outras drogas, e se necessário, podem ser encaminhadas aos leitos de saúde mental dos hospitais gerais.