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quinta-feira, 16 de agosto de 2018

CFM lança código de ética para estudantes de medicina


André Dubeux ressalta que o documento não tem caráter punitivo. Sua função é ser um instrumento pedagógico para estimular a reflexão ética do estudante 
Na última terça-feira (14/08), o Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou a publicação do primeiro Código de Ética do Estudante de Medicina (CEEM) no Brasil. O documento foi lançado durante a III Conferência Nacional de Ética Médica, realizada em Brasília, e tem como objetivo disponibilizar para os alunos um conjunto de princípios para balizar as relações dentro e fora das salas de aula. Organização de trotes responsáveis, respeito ao sigilo, uso ético de cadáveres durante as atividades de ensino, prevenção ao assédio moral e às relações abusivas nas escolas são alguns dos temas abordados.
O Código de Ética busca preparar os acadêmicos para exercer a medicina de maneira ética e responsável. Ele servirá como orientação não somente aos alunos, mas também para os professores e responsáveis pelas instituições de ensino, encarregados da formação do profissional. “A formação dos futuros médicos na graduação deve proporcionar aos estudantes o incentivo ao aperfeiçoamento da capacidade de lidar com problemas nos campos da moral e da ética em sinergia com as atividades relacionadas ao ensino e à prática profissional”, afirmou Carlos Vital, presidente do CFM e coordenador da Comissão Nacional de Elaboração do CEEM.
De acordo com o CFM, o documento vem para preencher uma lacuna, em nível nacional, e é inspirado em experiências de códigos semelhantes editados em outros países, como Inglaterra, Estados Unidos e Canadá. Anteriormente, no Brasil, algumas instituições de ensino e Conselhos Regionais de Medicina haviam elaborado textos com o mesmo objetivo, mas com abrangência local.
André Dubeux, presidente do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), destaca que o código não tem o objetivo de penalizar o estudante, mas repassar princípios fundamentais para o exercício da profissão. A função do Código é ser um instrumento pedagógico para estimular a reflexão ética do estudante de medicina.
“O código dos estudantes não tem nenhum caráter punitivo, até porque nós não temos nenhuma abrangência sobre os estudantes de medicina. Os estudantes de medicina estão sob a égide, até sua formatura, da escola médica. Esse código de ética só tem princípios fundamentais, ou seja, seriam normas que os estudantes têm que verificar dentro do seu aprendizado. Um exemplo prático pode ser em relação ao cadáver. O estudante de medicina tem que ter todo o respeito com ele, lembrando que o cadáver foi, em algum momento, um indivíduo que tinha vida, que tinha dignidade. Quando a gente fala em dignidade, é manter o respeito para com aquele que algum dia foi um ser humano”, esclarece. 
O Código de Ética do Estudante de Medicina contém 45 artigos organizados em seis diferentes eixos, os quais ressaltam atitudes, práticas e princípios morais e éticos. O trabalho de elaboração desse texto teve início há dois anos e foi concluído durante fórum específico, organizado pelo CFM e que contou com a participação de representantes de várias entidades que mantém interface com o tema. Médicos, estudantes, academias e outras entidades da sociedade civil também puderam contribuir com a formulações, encaminhando suas sugestões por meio de uma plataforma eletrônica criada especificamente com esse objetivo.
O presidente do Cremepe pontua ainda sobre a expectativa dos Conselhos Regionais com a publicação desse conjunto de normas. “A expectativa que os conselhos regionais têm com o lançamento desse código é alertar, colocar na cabeça dos estudantes de medicina o princípio fundamental que norteia nossa profissão que é a ética. Ética não se ensina, se pratica. Isso é uma pedra angular do exercício profissional, o respeito à individualidade, o respeito à opção sexual, à crença religiosa, à opção política, tudo isso é importante. E nós estamos preocupados, principalmente com a proliferação das escolas médicas, que esses princípios que norteiam a nossa profissão médica precisam ser cada vez mais consolidados e ensinados aos futuros colegas médicos”, ressalta André. 
Segundo ele, o código de ética deve ser publicado no Diário Oficial até o final de setembro, uma vez que normalmente existem alguns tramites burocráticos para poder ser devidamente lançado. Após esse processo, o CEEM será encaminhado para as mais de 320 escolas em atividade no País. O documento ficará disponível para download no site do CFM e também deve ser distribuído numa versão impressa, em formato de bolso. 
“Nós entendemos que esse será o ponta-pé e talvez o marco decisivo para que os nossos futuros colegas tenham a possibilidade de ter, não só os ensinamentos técnicos, mas eminentemente humanistas”, conclui André Dubeux.
Além dos conselheiros do CFM, integraram a comissão representantes da Associação Médica Brasileira (AMB), da Associação dos Estudantes de Medicina do Brasil (AEMED-BR), da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (DENEM), da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM), da Associação Nacional de Médicos Residentes (ANMR), da Associação Brasileira de Ligas Acadêmicas em Medicina (ABLAM), além da seccional do International Federation of Medical Students Association (IFMSA-Brazil).

Principais pontos do Código de Ética Médica do Estudante 
Tema 
O que diz o texto 
Sigilo Médico 
Orienta o estudante a guardar sigilo a respeito das informações obtidas a partir da relação com os pacientes e com os serviços de saúde. E veda ao acadêmico a quebra do sigilo. 
Assédio moral 
  
Orienta o estudante a se posicionar contra qualquer tipo de assédio moral ou relação abusiva de poder entre internos, residentes e preceptores. 
Trotes 
Compreende como um direito o estudante participar da recepção dos ingressantes, mas em um ambiente saudável. Também destaca como dever a denúncia de qualquer prática de violência física, psíquica, sexual ou dano moral e patrimonial. 
Exercício ilegal 
  
Proíbe o acadêmico identificar-se como médico, podendo qualquer ato por ele praticado nessa situação ser caracterizado como exercício ilegal da medicina. 
Remuneração 
O estudante de medicina não pode receber honorários ou salário pelo exercício de sua atividade acadêmica institucional, com exceção de bolsas regulamentadas. 
Relação com cadáver 
Destaca o respeito com o cadáver, incluindo qualquer peça anatômica utilizados com finalidade de aprendizado. 
Supervisão obrigatória 
Instrui que a realização de atendimento por acadêmico deverá obrigatoriamente ter supervisão médica. 
Respeito pelo paciente 
Orienta o estudante a demonstrar empatia e respeito pelo paciente. 
Respeito no atendimento e aparelhos eletrônicos 
Destaca como dever do estudante dedicar sua atenção ao atendimento ministrado, evitando distrações com aparelhos eletrônicos e conversas alheias à atividade. 
Privacidade 
Garante o respeito a privacidade, que contempla, entre outros aspectos, a intimidade e o pudor dos pacientes. 
Mensagens whatsapp 
  
Permite o uso de plataformas de mensagens instantâneas para comunicação entre médicos e estudantes de medicina, em caráter privativo, para enviar dados ou tirar dúvidas sobre pacientes. 
Equipe multidisciplinar 
  
Orienta os estudantes a se relacionarem de maneira respeitosa e a respeitarem a atuação de cada profissional da saúde. 

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Presidente do Cremepe fala sobre os desafios para gestão da entidade no próximo mandato



No último sábado (11/08), o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) divulgou o resultado das eleições da entidade para a gestão 2018-2023. A chapa 1 “Ética em respeito ao médico” venceu o pleito com 55% dos votos válidos (5949 votos) contra a chapa 2 “Mudar e agir” que obteve 4610 votos. O mandato dos membros – 20 titulares e 20 suplentes – tem início no dia 1º de outubro deste ano. A eleição aconteceu nos dias 7 e 8 de agosto, com urnas na sede, delegacias e diversos hospitais da capital e interior do estado. 
De acordo com André Dubeux, presidente do Cremepe, a eleição desse ano foi muito acirrada e marcada por disputa judicial, sobretudo pela chapa 2. Em entrevista ao Blog Saúde e Bem Estar, ele falou sobre a expectativa para a gestão no próximo mandato. “As expectativas ou desafios são enormes. Educação continuada para os médicos; garantir melhores condições de trabalho; formação do médico e campo de prática; segurança dos colegas que hoje são alvo de violência verbal e até física por problemas de estrutura do serviço também será alvo desta gestão”, declarou.
O presidente do Cremepe pontuou ainda sobre o crescimento do número de profissionais em formação no Estado. “Os desafios são enormes, o aumento de profissionais formados sem vaga para todos de Residência Médica, vínculos precários, dificuldade em concursos públicos, saúde pública passando por problemas seríssimos de estrutura e financiamento, além da formação médica em xeque”, avaliou Dubeux.
Sobre o apoio da entidade à população, no que diz respeito a prestação de serviços médicos de qualidade, André Dubeux afirmou que o Cremepe já vem atuando há algum tempo tirando dúvidas dos pacientes através de sua ouvidoria. “Os órgãos de controle como o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) também vêm ajudando com seminários dirimindo dúvidas, bem como evitando a judicialização da medicina. Enfim, é um conjunto de fatores que juntos ajudam a melhor interlocução com a população”, conclui.
Justificativa de ausência 
Os médicos que não votaram devem encaminhar sua justificativa de ausência ao Conselho em até 60 dias. O documento deverá conter as seguintes informações: nome completo e número do CRM e a exposição dos motivos da não participação na eleição com os devidos comprovantes. Quem não justificar estará sujeito a multa no valor de R$ 79,00, conforme Art. 21 da Resolução CFM 2166/2017. O comprovante de votação dos votos por correspondência estará disponível nos próximos dias no site eleicoes.cremepe.org.br. 

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Cremepe aponta irregularidades em 125 unidades de saúde de PE



O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) divulgou o resultado de uma fiscalização realizada nas unidades básicas de saúde pública do Estado, entre 2014 e 2017. Foram realizadas 868 vistorias, com o registro de mais de 50 itens irregulares, em 125 unidades de saúde. 
De acordo com a entidade, a maioria dos problemas estão relacionados com a infraestrutura, como falta de acessibilidade, ausência de espaços para atendimento adequado e salas compartilhadas. Só em Recife, o Conselho identificou problemas em 32 unidades.
“Percebemos a precariedade em vários prédios, no Recife e interior. Falta de acessibilidade, ausência de espaços para atendimento adequado e salas compartilhadas são alguns dos pontos”, relata Sílvio Rodrigues, coordenador da fiscalização do Cremepe. 
Apesar de o foco da inspeção ser a parte física das unidades, o Cremepe também ouviu reclamações quanto à insegurança nos locais. “Na maioria delas não há guardas. As equipes ficam sem proteção, assim como os pacientes”, ressalta Sílvio Rodrigues.
Jailson Correia, secretário de Saúde do Recife, explica que dois terços dos serviços de atenção básica do município já passaram por melhorias de 2014 para cá. Segundo ele, o investimento soma R$ 211 milhões em obras e aquisição de material.
“É evidente que ainda há unidades que precisam melhorar. Nosso objetivo é que todas tenham um padrão mínimo de qualidade. Só este ano realizamos obras em 10 unidades”, esclarece Jailson.

Começa hoje a eleição para a nova gestão do Cremepe



Hoje e amanhã (07 e 08/08), o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) realiza votação para eleger os novos membros para gestão 2018-2023 da entidade. A eleição será mista, ou seja, os médicos poderão votar presencialmente ou por correspondência. Os votos via correios só serão válidos se forem recebidos até às 18h do dia 08 de agosto de 2018, na sede do Cremepe. Já a votação presencial pode ser feita nos dois dias, em um dos locais pré-estabelecidos (ver abaixo os locais), das 8h às 20h.
A eleição é regulamentada pela resolução nº 2161/17 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que determina as regras do pleito. Serão escolhidos 20 conselheiros titulares e 20 suplentes por voto direto e secreto. De acordo com a resolução, o voto é obrigatório para todos os médicos, que devem estar em dia com o pagamento do Conselho Regional. 
O médico que não votar e nem justificar a ausência do voto, até 60 dias após o encerramento da eleição, terá que arcar com uma multa eleitoral. Médicos exclusivamente militares não votam, já para os que têm mais de 70 anos o voto facultativo. Os profissionais podem verificar a situação eleitoral através do site eleicoes.cremepe.org.br
Confira os locais de votação:
Cremepe
Simepe
Associação Médica de Pernambuco
Hospital Agamenon Magalhães
Hospital Português - Boa Viagem
Hospital Português – Agamenon Magalhães
Hospital Barão de Lucena
Hospital das Clínicas
Hospital Getúlio Vargas
Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira - IMIP
Hospital dos Servidores – IPSEP
Hospital Universitário Oswaldo Cruz
Hospital Geral Otávio de Freitas
Hospital da Restauração
Hospital Miguel Arraes
Hospital Dom Helder
Hospital Esperança – Olinda
Hospital Fernandes Salsa – Limoeiro
Hospital Regional de Palmares Silvio Magalhães – Palmares
Hospital Regional Dom Moura – Garanhuns
Hospital Regional Rui de Barros Correia – Arcoverde
Hospital Regional Inácio de Sá – Salgueiro
Hospital Regional Fernando Bezerra – Ouricuri
Hospital Regional Emília Câmara – Afogados da Ingazeira
Hospital Belarmino Correia – Goiana
Caruaru - Delegacia do Cremepe
Serra Talhada - Delegacia do Cremepe
Petrolina - Delegacia do Cremepe

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Cremepe realiza eleição para a gestão 2018-2023



Nos dias 7 e 8 de agosto, o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) estará realizando a eleição para gestão 2018-2023 da entidade. A eleição será mista, ou seja, os médicos poderão votar presencialmente ou por correspondência. Os votos via correios só serão válidos se forem recebidos até às 18h do dia 08 de agosto de 2018, na sede do Cremepe. Já a votação presencial pode ser feita nos dois dias, em um dos locais pré-estabelecidos (ver abaixo os locais), das 8h às 20h.
A eleição é regulamentada pela resolução nº 2161/17 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que determina as regras do pleito. Serão escolhidos 20 conselheiros titulares e 20 suplentes por voto direto e secreto. De acordo com a resolução, o voto é obrigatório para todos os médicos, que devem estar adimplentes no Conselho Regional. 
Se o médico não votar e não justificar a ausência do voto até 60 dias após o encerramento da eleição, será aplicada multa eleitoral. Médicos exclusivamente militares não votam, já para os que têm mais de 70 anos o voto facultativo. Os profissionais podem verificar a situação eleitoral através do site eleicoes.cremepe.org.br

Locais de votação:
Cremepe
Simepe
Associação Médica de Pernambuco
Hospital Agamenon Magalhães
Hospital Português - Boa Viagem
Hospital Português – Agamenon Magalhães
Hospital Barão de Lucena
Hospital das Clínicas
Hospital Getúlio Vargas
Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira - IMIP
Hospital dos Servidores – IPSEP
Hospital Universitário Oswaldo Cruz
Hospital Geral Otávio de Freitas
Hospital da Restauração
Hospital Miguel Arraes
Hospital Dom Helder
Hospital Esperança – Olinda
Hospital Fernandes Salsa – Limoeiro
Hospital Regional de Palmares Silvio Magalhães – Palmares
Hospital Regional Dom Moura – Garanhuns
Hospital Regional Rui de Barros Correia – Arcoverde
Hospital Regional Inácio de Sá – Salgueiro
Hospital Regional Fernando Bezerra – Ouricuri
Hospital Regional Emília Câmara – Afogados da Ingazeira
Hospital Belarmino Correia – Goiana
Caruaru - Delegacia do Cremepe
Serra Talhada - Delegacia do Cremepe 
Petrolina - Delegacia do Cremepe

terça-feira, 5 de junho de 2018

CFM publica estudo que mostra ociosidade de 40% das vagas de residência



O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou o resultado de uma pesquisa que mostra que 40% das vagas autorizadas para programas de residência médica não foram ocupadas no país. O estudo Demografia Médica no Brasil 2018 foi desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o CFM e com o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).
De acordo com a publicação, foram autorizadas 58.077 vagas pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM). No entanto, apenas 35.178 foram preenchidas, a diferença corresponde a 39,4% de vagas não ocupadas. Segundo o Conselho, essa ociosidade representa a distância entre a capacidade potencial e o que é possível alcançar com as condições oferecidas. 
Carlos Vital, presidente do CFM, ressalta que a formação de especialistas tem muitos problemas que preocupam a entidade. “Sob o risco de sérios prejuízos ao processo de formação de médicos especialistas – essenciais ao sistema de saúde brasileiro –, é preciso compreender melhor e superar os vários obstáculos que impedem a qualificação e o pleno preenchimento de vagas de residência médica”, alerta. 
Atualmente, cerca de 40% dos residentes estão concentrados nas especialidades de clínica médica, pediatria, cirurgia geral e ginecologia e obstetrícia. Vale destacar que a clínica médica é pré-requisito para residência em outras 12 especialidades, e cirurgia geral, para 10. 
Além disso, os médicos residentes estão distribuídos de forma desigual no território nacional. A região Sudeste tem 58,5% dos residentes inscritos em 2017, ou seja, mais da metade de todo o País. Essa tendência também é característica da distribuição dos médicos especialistas já titulados e em atividade, assim como dos não especialistas. Por sua vez, a região Sul tem 16% do total nacional. O Nordeste possui 14,2%, o Centro-Oeste, 7,2%, e o Norte tem o menor grupo de residentes 4,1%. 
De acordo com Antônio Lopes Miranda, conselheiro do Cremepe, o principal motivo da falta de adesão às residências pode estar relacionado com a questão financeira. “Possivelmente os médicos recém formados querem ganhar dinheiro e a bolsa da residência é muito baixa. Além disso, com a situação atual do país, há um desestímulo em buscar a capacitação através de residência, mestrado e doutorado. Então, muitos médicos se questionam para que se capacitar tanto e receber o mesmo que um profissional que não fez nada disso”, pondera.
Lúcio Flávio Gonzaga, conselheiro e coordenador da Comissão de Ensino Médico do CFM, destaca que o estudo é essencial para avaliar as consequências que a desocupação das vagas pode ter na quantidade de médicos para assistir à população. “Trata-se de um trabalho de extrema importância, pois, pela primeira vez, permite à sociedade visualizar esse problema que pode ter consequências graves na oferta de médicos capacitados para atender à população em áreas específicas”, enfatiza. 
Segundo Mário Scheffer, professor da USP e coordenador do estudo, já existem algumas mudanças sendo realizadas na disponibilização das vagas com o intuito de ampliar futuramente o número de especialistas em algumas especialidades. Scheffer afirma que medicina de família e comunidade possui apenas 1,4% dos especialistas em atividade, e passou a representar 4,4% de todos os médicos residentes. Já a psiquiatria que reúne 2,7% dos especialistas, já conta com 4,1% das vagas de residência ocupadas. 
Para o professor, esse incremento é reflexo da destinação de bolsas e de políticas específicas do Ministério da Saúde, a exemplo do Programa Nacional de Apoio à Formação de Médicos Especialistas em Áreas Estratégicas (Pró-Residência), que prioriza a expansão de vagas em regiões e especialidades consideradas estratégicas para o SUS. 
Já se sabe que a oferta depende da regulamentação dessas residências, além do financiamento de bolsas, das políticas de incentivo, da capacidade das instituições e programas credenciados. Contudo, a Demografia Médica também buscou identificar os problemas que têm gerado a desocupação das vagas autorizadas pela CNRM, entre eles estão a desistência de candidatos selecionados, as falhas no registro de dados sobre a ocupação de vagas, o desinteresse dos egressos por programas de pouca tradição, as dificuldades ou atrasos de financiamento de bolsas, a menor demanda em relação à oferta em algumas especialidades, ou seja, mais vagas do que candidatos.
Para Lúcio Gonzaga, a falta de preparo adequado para acolher os alunos também interfere neste cenário. “O planejamento do programa, por vezes, se mostra incompatível com a real capacidade de implementar as vagas. É quando se percebe que não existem preceptores em quantidade suficiente ou que são inadequados os campos de prática”, alerta.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Cremepe anuncia que não contará com a garantia do Governo do Estado



O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) realizou plenária extraordinária nesta segunda-feira (28/05) para deliberar sobre a situação do país e as dificuldades enfrentadas pelas redes públicas e privadas de saúde, em decorrência da greve nacional dos caminhoneiros. A falta de combustíveis tem criado empecilhos para o acesso dos profissionais de saúde aos seus postos de trabalho. A entidade lamenta o risco de desabastecimento de gêneros alimentícios, farmacêuticos e hospitalares.
O Cremepe anuncia ainda que mesmo o governo do Estado assegurando que não há prejuízos nas unidades de saúde, e com o funcionamento de 100% dos hospitais de alta complexidade, hospitais metropolitanos e Upas, não irá contar com essa garantia. 
O órgão de classe decidiu ainda solicitar a inclusão da entidade no comitê de crise da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES/PE), com o objetivo de assegurar o acesso, insumos, alimentação e medicações nos serviços especializados do Estado. O Conselho espera uma solução consensual o mais breve possível por parte das autoridades, para a garantia dos atendimentos nas unidades de saúde de Pernambuco.
Por não haver previsão concreta de normalidade, é plenamente admissível e justificável em momento de agudização de uma crise na saúde a priorização do atendimento de urgências, emergência e serviços essenciais (hemodiálise, quimioterapia, hemoterapia entre outros), com  respeito à autonomia do profissional no ato médico.
O Cremepe destacou que estará funcionando de forma regular, durante o período de crise, e recebendo todas as demandas relacionadas à situação. A entidade informa ainda que o expediente será normal nesta terça-feira (29/05), das 8h às 17h, na sede e delegacias da entidade.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Cremepe suspende as atividades hoje (28/05)



O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) emitiu um comunicado informando a suspensão do expediente de hoje (28/05) em decorrência dos transtornos causados pela greve nacional dos caminhoneiros. A entidade orienta que quem estiver com alguma demanda agendada, deve aguardar um novo comunicado do Conselho.
O presidente do Cremepe, André Dubeux, afirma que a entidade está procurando caminhos que possam diminuir o sofrimento da população que precisa das redes públicas e privadas de saúde.
O Conselho informa ainda que a diretoria vai aproveitar a segunda-feira para se reunir e decidir os próximos passos a serem adotados. Na pauta da reunião serão discutidas questões como a situação dos médicos que estão tendo que dobrar os plantões porque a falta de combustível têm impedido a locomoção de alguns médicos, a falta de combustíveis, gás de cozinha e oxigênio nas unidades de saúde dos setores públicos e privados, além da situação dos funcionários que não conseguem chegar por causa da ausência de ônibus nas ruas.

domingo, 27 de maio de 2018

Governador afirma que a greve ainda não trouxe prejuízos na saúde em Pernambuco



O governador Paulo Câmara se reuniu, neste domingo (27/05), com representantes da sociedade civil e dos Poderes Constituintes para apresentar as estratégias de manutenção dos serviços essenciais à população no Estado. Entre os presentes na reunião, que ocorreu no Palácio do Campo das Princesas, o secretário de saúde de Pernambuco, Iran Costa, e o presidente do Cremepe, André Dubeux.
Paulo Câmara ressaltou que o desabastecimento ainda não trouxe prejuízos para os hospitais e unidades de saúde do Estado. “Evidentemente que o prejuízo que essa greve dos caminhoneiros tem causado ao País é enorme, mas a gente está tomando medidas efetivas para que esses efeitos sejam minimizados aqui em Pernambuco. Nós ainda não tivemos nenhum prejuízo nas nossas unidades de saúde, todas estão funcionando normalmente, 100% dos hospitais de alta complexidade, hospitais metropolitanos, Upas” garantiu o governador. 
O chefe do Executivo destacou ainda que os principais serviços tiveram pouco ou nenhum prejuízo no funcionamento ordinário. O encontro teve como objetivo ouvir as demandas dos setores e apresentar o que está sendo feito pelo Governo de Pernambuco para garantir o funcionamento dos serviços essenciais à população em todas as regiões do Estado. 
Na ocasião, foram debatidas estratégias para a volta do abastecimento de combustível e o desbloqueio dos pontos de interdição nas rodovias federais e estaduais em Pernambuco. O governador garantiu que o transporte público estadual funcionará em sua totalidade nesta segunda-feira (28/05).
Paulo Câmara assegurou também que o Governo do Estado está trabalhando efetivamente para o desbloqueio das rodovias. “Nós já solicitamos ao Exército Brasileiro que nos informe como eles vão operar. Mas, independente da ação do Exército, nós vamos agir. Não podemos esperar mais que haja o desbloqueio, porque isso pode afetar, na próxima semana, serviços essenciais, principalmente na área da Saúde. E nós não vamos permitir isso. O diálogo está mantido, como sempre esteve, e vamos continuar abertos. Mas não podemos penalizar os nove milhões de pernambucanos que vão sofrer com o desabastecimento de áreas vitais”, enfatizou.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Cremepe sedia curso de capacitação para disgnóstico de morte encefálica



Com o intuito de capacitar médicos para realizar o diagnóstico de morte encefálica, o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e a Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE) promoverão um curso de capacitação no dia 19 de maio, na sede do Conselho. O curso será voltado para médicos neurologistas, intensivistas e urgentistas que tenham pelo menos um ano de experiência em acompanhamento de pacientes em coma.
Ministrado pelas médicas Claudia Vilela, neurologista e Karina Monteiro, intensivista, o curso abordará o conceito de morte encefálica, metodologia de determinação desse tipo de óbito e discussão prática de casos. Além dos fundamentos éticos e legais na determinação da morte encefálica e as condutas adequadas para a comunicação de má notícia (comunicação voltada aos familiares e retirada do suporte vital).
De acordo com André Bezerra, coordenador médico da CT-PE, esse curso vem para atender uma exigência da nova resolução nº 2.173/17 que substitui a de nº 1.480/97 e atende o que determina a lei nº 9.434/97, que regulamenta o transplante de órgãos no Brasil. Ela estabelece que os procedimentos para a determinação da morte encefálica devem ser iniciados em todos os pacientes que apresentem coma não perceptivo, ausência de reatividade supra espinhal e apneia persistente.
“O curso tem o objetivo de capacitar o maior número possível de profissionais para a realização desse procedimento no estado. Segundo a nova resolução, publicada em dezembro do ano passado, os profissionais que podem fazer o diagnóstico são médicos neurologistas, intensivistas e urgentistas que preencham o critério de exigência de 1 ano de atuação no acompanhamento de pacientes em coma”, enfatizou André Bezerra.
Em 2017, cerca de 44% das famílias de potenciais doadores não autorizaram a doação dos órgãos em Pernambuco. Noemy Gomes, coordenadora da CT-PE, relatou que esse alto índice de negativa se deve, principalmente, à falta de acolhimento e do fornecimento de informações adequadas aos familiares no decorrer do internamento. Outra causa comum também está relacionada com questões culturais e religiosas das famílias.
Até o mês de julho, estão previstos mais dois cursos sendo um em Petrolina e outro em Caruaru. As inscrições estão sendo realizadas através do e-mail: edu.ctpe@gmail.com
CRITÉRIOS PARA O DIAGNÓSTICO
De acordo com Conselho Federal de Medicina (CFM), a nova resolução atualiza os critérios para a definição de morte encefálica. Um deles é que agora o diagnóstico pode ser dado por mais especialistas, além do neurologista. A captação de tecidos, órgãos ou partes do corpo humano destinados a transplante só deve ser realizada após constatado o diagnóstico de morte encefálica, verificado por dois médicos que não façam parte das equipes de remoção e de transplante, mediante a utilização de critérios clínicos e tecnológicos definidos por resolução do CFM.
O paciente deve apresentar quadro clínico com presença de lesão encefálica de causa conhecida e irreversível, ausência de fatores que possam ser tratados, temperatura corporal superior a 35 graus e saturação arterial de acordo com critérios estabelecidos. Além disso, ele deve ser tratado e observado por um período mínimo de seis horas e ser submetido a teste de apneia e a exames complementares, como angiografia cerebral, eletroencefalograma, doppler transcraniano e cintilografia. O exame clínico precisa ser feito por dois médicos diferentes, com um intervalo mínimo de uma hora entre o primeiro e o segundo.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Cremepe comemora 60 anos com lançamento de livro


Completando 60 anos de serviços prestados à sociedade pernambucana, o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) está lançando o livro “Cremepe, 60 anos – uma trajetória” para celebrar a data. O lançamento será no dia 18 de maio, às 19h30, no Museu do Estado.
Escrito por Cícero Belmar, os volumes foram doados ao Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), serão vendidos pelo valor simbólico de 50 reais e a renda será revertida para o Hospital.

SERVIÇO 
Cremepe, 60 anos – uma trajetória
Data: 18 de maio de 2018
Horário: 19h30
Local: Museu do Estado (Av. Rui Barbosa, 960, Graças)