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quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Pernambuco registra menor índice de mortalidade infantil da história



Pernambuco registra, atualmente, o menor índice de mortalidade infantil da história da saúde pública do Estado. O índice de 2017 (dados mais recentes) é de 13,7 óbitos infantis a cada mil nascidos vivos. Nos últimos dez anos, a taxa de mortalidade infantil teve uma queda acumulada de 35,1%, passando de 20,1 em 2007 para o patamar atual de 13,7.
Em números absolutos, em 2007 foram registrados 3.229 óbitos infantis em um total de 145.130 bebês nascidos vivos em Pernambuco. Já em 2017, foram 1.970 mortes dos 143.919 nascidos vivos.
“Os dados mais recentes da taxa de mortalidade infantil apontam que as políticas públicas implantadas em Pernambuco com o objetivo da melhoria da qualidade da assistência à saúde para a prevenção e redução da mortalidade infantil já mostram resultado. No ano passado, atingimos a marca de 13,7 óbitos infantis a cada mil nascidos vivos – a menor da nossa história”, comemora Iran Costa, secretário estadual de Saúde.
Entre as ações do Governo de Pernambuco que foram fundamentais para esta expressiva redução, está o Programa Mãe Coruja, presente em 105 municípios pernambucanos. Destaca-se também a qualificação da rede materno-infantil, com o estímulo ao parto normal, a ampliação de acesso aos métodos contraceptivos e a formação contínua dos profissionais da rede. Além da implantação do pré-natal de alto risco na rede própria, principalmente no Interior, nos hospitais regionais e nas Unidades Pernambucanas de Atenção Especializada (UPAEs).

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Relatório da OMS/UNICEF aponta que 3 em cada 5 bebês não são amamentados na primeira hora de vida


Os recém-nascidos que começaram a amamentar entre duas e 23 horas após o nascimento tiveram um risco 33% maior de morrer do que os que mamaram na primeira hora

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) recomenda que a amamentação inicie na primeira hora de vida do bebê, continue de maneira exclusiva até os seis meses e, de maneira completar, até os dois anos. No entanto, segundo um relatório lançado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 78 milhões de recém-nascidos (3 em cada 5) não são amamentados em sua primeira hora de vida. Fato que aumenta o risco de morte e doença, tornando-os menos predispostos a continuar amamentando. 
De acordo com o documento, os bebês que mamam na primeira hora de vida são significativamente mais propensos a sobreviver. Mesmo um atraso de algumas horas após o nascimento pode representar consequências com risco de vida. O contato “pele a pele” e a amamentação estimulam a produção do leite materno, inclusive o “colostro”, também chamado de "primeira vacina" do bebê, que é extremamente rico em nutrientes e anticorpos.
“Quando se trata do início da amamentação, o timing é tudo. Em muitos países, pode até ser uma questão de vida ou morte”, diz Henrietta H. Fore, diretora executiva do UNICEF. “No entanto, todos os anos, milhões de recém-nascidos perdem os benefícios da amamentação precoce e as razões – com demasiada frequência – são coisas que podemos mudar. As mães simplesmente não recebem apoio suficiente para amamentar dentro daqueles minutos cruciais após o nascimento, mesmo do pessoal médico das unidades de saúde.”
Estudos anteriores, citados no relatório, mostram que os recém-nascidos que começaram a amamentar entre duas e 23 horas após o nascimento tiveram um risco 33% maior de morrer do que aqueles que começaram a amamentar dentro de uma hora após o nascimento. Entre os recém-nascidos que começaram a amamentar depois de um dia ou mais, o risco mais do que dobrou.
A iniciativa Global Breastfeeding Collective, da OMS e do UNICEF, também lançou o Global Breastfeeding Scorecard 2018, que acompanha o progresso das políticas e programas de amamentação. A publicação incentiva os países a promoverem políticas e programas que ajudem todas as mães a iniciar a amamentação na primeira hora da vida de seus filhos e a continuar pelo tempo que quiserem.
O relatório “Capture the Moment”, que analisa dados de 76 países, descobre que, apesar da importância do início precoce da amamentação, muitos recém-nascidos ficam esperando por muito tempo e por diferentes razões, incluindo:  
Alimentos e bebidas para recém-nascidos, incluindo fórmula: Práticas comuns, como descartar o colostro, dar mel ao bebê e profissionais de saúde que dão ao recém-nascido um líquido específico, como água com açúcar ou fórmula infantil, atrasam o primeiro contato essencial do bebê com sua mãe.  
O aumento das cesarianas eletivas: no Egito, as taxas de cesáreas mais que dobraram entre 2005 e 2014, aumentando de 20% para 52%. Durante o mesmo período, as taxas de início precoce da amamentação diminuíram de 40% para 27%. Um estudo realizado em 51 países observa que as taxas de início precoce do aleitamento são significativamente menores entre os recém-nascidos nascidos por cesariana. No Egito, apenas 19% dos bebês nascidos por cesariana foram amamentados na primeira hora após o nascimento, em comparação com 39% dos bebês nascidos por parto natural.  
Lacunas na qualidade dos cuidados prestados às mães e aos recém-nascidos: de acordo com o relatório, a presença de uma parteira qualificada não parece afetar as taxas de amamentação precoce. Em 58 países, entre 2005 e 2017, os partos nas instituições de saúde cresceram 18% pontos percentuais, enquanto as taxas de início precoce aumentaram 6 pontos percentuais. Em muitos casos, os bebês são separados de suas mães imediatamente após o nascimento e a orientação dos profissionais de saúde é limitada. Na Sérvia, as taxas aumentaram 43 pontos percentuais de 2010 a 2014, devido aos esforços para melhorar os cuidados recebidos pelas mães no nascimento do bebê.
Fonte: OMS

terça-feira, 24 de julho de 2018

Diabetes gestacional pode trazer complicações para a mãe e o bebê


A amamentação ajuda a reduzir o risco de desenvolver a doença após o parto
A diabetes gestacional é uma condição temporária da doença, na qual a mulher não consegue manter o equilíbrio da produção da insulina no organismo, hormônio produzido pelo pâncreas que tem como função regular a quantidade de glicose no sangue. Pode ocorrer em cerca de 4% a 7% das gestantes e aumenta a chance do desenvolvimento posterior de diabetes para a mãe e o bebê.
A exposição do bebê a grandes quantidades de glicose ainda no útero aumenta o risco de crescimento excessivo (macrossomia fetal) e, consequentemente, partos traumáticos, hipoglicemia neonatal e até de obesidade e diabetes na vida adulta. A ginecologista e obstetra do Hospital Esperança Recife, Simone Carvalho, fala sobre os riscos associados à doença.
“O pior de todos os desfechos é o óbito fetal, quando a doença não é controlada. Durante o nascimento, esses fetos que tendem a ser maiores, com os ombros mais largos, podem ter distensões no parto. Quando eles nascem, também podem desenvolver distúrbios metabólicos e um maior risco de apresentar síndrome de desconforto respiratório”, esclarece a ginecologista. 
O paciente diabético não produz insulina adequadamente e, consequentemente, não consegue controlar o nível de açúcar, o que ocasiona o aumento da substância no corpo, a chamada hiperglicemia. Assim como os outros tipos da doença, a gestacional nem sempre apresenta sintomas. Por isso, o diagnóstico é feito através de exames de rotina do pré-natal. “O diagnóstico pode ser feito no início do pré-natal pela dosagem da glicemia de jejum ou entre a 24ª e a 28ª semana de gravidez com o teste oral de tolerância à glicose, se a glicemia de jejum foi normal no início”, explica Simone.
Os principais fatores de risco são idade materna avançada, ganho de peso excessivo na gravidez, sobrepeso ou obesidade, síndrome dos ovários policísticos, história prévia de bebês grandes (mais de 4 kg) ou de diabetes gestacional, história familiar de diabetes em parentes de 1º grau (pais e irmãos), hipertensão arterial e gravidez gemelar.
De acordo com a obstetra, o tratamento é realizado por meio do controle do nível de açúcar no organismo, através de alimentação adequada e prática de atividade física apropriada para a gestante. “O tratamento consiste inicialmente em dieta voltada para diabéticas e atividade física sob supervisão, podendo necessitar da associação de medicamentos, caso a dieta sozinha não consiga controlar os níveis de glicemia no sangue”, conclui.
Vale ressaltar que a diabetes gestacional é um fator de risco para desenvolvimento da diabetes tipo 2. Por isso, é necessário que a paciente acompanhe o nível de sua glicose após o parto. A boa notícia é que a amamentação pode reduzir o risco, assim como uma nutrição equilibrada e a prática regular de atividades físicas.

sábado, 21 de julho de 2018

Como a depressão na gravidez afeta a saúde e o comportamento dos bebês, segundo pesquisa inédita


Segundo pesquisa do King's College London, bebês de mulheres que tiveram depressão durante a gravidez são mais sensíveis ao estresse
Por Nathalia Passarinho/BBC 
A gravidez costuma ser associada, no imaginário social, a um período de felicidade. O mar de fotos da "doce espera" que costuma inundar as redes sociais reforça essa ideia. Mas a cobrança pelo estado de alegria pode acabar silenciando mulheres que, na verdade, estão lutando contra a depressão. E o sofrimento durante a gestação afeta tanto as mães quanto os bebês, fazendo com que nasçam mais sensíveis ao estresse. 
É o que mostra uma pesquisa inédita a que a BBC News Brasil teve acesso, do Instituto de Psiquiatria e Neurociência do King's College London, no Reino Unido. O estudo completo foi publicado nesta sexta (20) na revista científica Psychoneuroendocrinology. 
Os pesquisadores acompanharam 106 mulheres grávidas a partir da 25ª semana de gestação, sendo que 49 delas foram diagnosticadas com depressão e não tomaram medicamento para tratar a doença.
Elas tiveram amostras de sangue e saliva coletadas, para verificar se apresentavam sintomas clínicos da doença, como inflamações e maior produção de cortisol - hormônio associado à resposta ao estresse. 
Após os partos, os cientistas monitoraram tanto o comportamento dos bebês quanto a liberação de cortisol. Os testes foram feitos aos seis dias de vida, aos oito meses e aos 12 meses. 
A primeira descoberta foi que o período de gestação das mulheres com depressão é mais curto. Do grupo observado, as grávidas com depressão tiveram os filhos, em média, oito dias antes das que não tinham a doença. 
Mas o que mais impressionou foi o efeito do sofrimento neonatal nos bebês. 
Bebês mais sensíveis 
Os bebês de mães que tiveram depressão durante a gravidez se mostraram mais hiperativos, chorosos e produziram cortisol em circunstâncias que as demais crianças encararam com normalidade. 
Essa diferença no comportamento foi verificada até em bebês com menos de uma semana de vida. 
"Em termos de comportamento, no sexto dia após o nascimento, os bebês com mães que tinham depressão eram mais hiperativos e reativos a som, luz e frio. E era mais difícil consolá-los e acalmá-los", disse à BBC News Brasil o professor do King's College London Carmine Pariante, um dos autores da pesquisa. 
Aos dois meses, os bebês tiveram as salivas coletadas para medir o nível de cortisol. Quando eles completaram um ano e tomaram a primeira vacina, pesquisadores novamente coletaram saliva, para comparar com a amostra anterior. 
Descobriram que as crianças de mulheres que tiveram depressão neonatal liberaram muito mais cortisol que as demais após a vacina. Ou seja, esses bebês se estressaram muito mais que os outros diante da experiência da primeira injeção.
"Bebês nascidos de mães saudáveis não revelavam mudança no cortisol quando recebiam a injeção. Não era estressante para eles. Mas os bebês nascidos de mães com depressão produziam cortisol ao tomar a injeção, o que demonstra que aquela situação era estressante para eles e não para os outros", diz Pariante. 
O cortisol é um hormônio liberado em situações percebidas pelo corpo como de ameaça ou grande desconforto. 
"A liberação do cortisol em si não é ruim, porque ele é uma resposta do corpo ao estresse. Ele dá energia aos músculos e eleva a concentração do cérebro", explica o professor. 
"Mas o resultado da pesquisa mostra que os bebês de mães que tiveram depressão na gravidez são particularmente sensíveis ao estresse. Uma situação que seria normal para outros bebês pode ser difícil para esses bebês, e eles reagem ativando a resposta ao estresse."
Risco de desenvolver problemas psicológicos 
Segundo o professor, os sinais de estresse presentes no sangue da gestante, como a liberação de cortisol, cruzam a placenta e passam para o sangue do bebê, influenciando no sistema de resposta da criança a situações desconfortáveis. 
"O bebê identifica o ambiente de vida da mãe como estressante e organiza a sua própria resposta ao estresse com base nisso", afirma o pesquisador.
O que preocupa na sensibilidade maior ao estresse é o risco de essas crianças desenvolverem problemas psicológicos ou depressão no futuro, ao lidarem com problemas cotidianos ou situações de sofrimento, como perda de familiares, bullying, e frustrações acadêmicas e profissionais. 
"Se você imagina a situação daqui a 10 anos, esses bebês, quando forem crianças ou adolescentes, podem ser mais sensíveis ao ambiente externo", avalia Pariante. 
"E, se alguma circunstância trágica ocorrer ou se eles se tornarem alvo de bullying, pode ser que sejam mais sensíveis a essas mudanças no ambiente e desenvolvam um problema de saúde."
Tratamento
De acordo com o professor de psiquiatria, pelo menos uma em 10 mulheres grávidas sofrem de depressão. Ele afirma que a principal mensagem da pesquisa do King's College London, financiada pelo NIHR Maudsley Biomedical Research Centre, é que é importante que as gestantes busquem tratamento. 
Para o pesquisador, os tabus sobre depressão e a romantização da gravidez dificultam a procura por ajuda. 
"Existe uma pressão da sociedade de que a gravidez deve ser um momento de felicidade. Mas a verdade é que muitas gestantes estão deprimidas e acabam não buscando ajuda", diz. 
"Esse artigo mostra que a depressão deve ser reconhecida e tratada, não apenas pelo bem da mãe, mas também pela saúde do bebê, para que se torne uma criança e adulto mais saudável."
O pesquisador reconhece, porém, que faltam estudos que apontem com maior segurança qual o melhor tratamento contra a depressão durante a gestação. Algumas pesquisas indicam que antidepressivos podem alterar o comportamento dos bebês, mas Pariante ressalva que é difícil saber ao certo se o efeito é decorrente do remédio ou da depressão em si. 
"Muitas das consequências inicialmente associadas aos antidepressivos são hoje explicados pela depressão em si ou pelo fato de que as algumas mulheres deprimidas não fazem o pré-natal corretamente, podem estar bebendo, fumando, ou tomando mais medicamentos vendidos em farmácia sem prescrição médica", afirma. 
Ele destaca que tratamentos não medicamentosos também podem, dependendo do caso, ajudar no combate à depressão durante a gestação.
"Para casos mais graves, antidepressivos são indicados. Mas há tratamentos psicológicos e intervenções nutricionais que podem trazer benefícios, como suplemento de Ômega 3 para mulheres com depressão", menciona. 
"A decisão sobre o tratamento tem que ser bem informada, para que mãe e médico cheguem à alternativa considerada mais adequada."

Matéria original no site da BBC Brasil, disponível aqui.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Projeto Língua Solta promove capacitação para o Teste da Linguinha



No dia 20 de junho, das 9h às 17h30, o Projeto Língua Solta promoverá uma capacitação para a realização do Teste da Linguinha. O evento contará com aula ministrada pela autora do teste Dra. Roberta Martinelli, além de um minicurso prático. A aula acontecerá no auditório Jorge Lobo, no Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Já o minicurso será na Clínica C, no Departamento de Odontologia (Departamento de Prótese e Cirurgia Buco Facial), onde funciona o projeto. 

Desde 2014, o Teste da Linguinha passou a ser obrigatório nas maternidades brasileiras, com base na lei nº 13.002, sancionada pelo Governo Federal. O teste tem como objetivo examinar as alterações morfofisiológicas e evitar futuros problemas como má-formação, fonação, deglutição e dificuldades de ordem psicossocial para as crianças. Popularmente conhecida como língua presa, trata-se de uma alteração morfofisiológica que atinge cerca de 17% das crianças no país e está associada à genética familiar.

O Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua em Bebês serviu como base para a elaboração da Lei do Teste da Linguinha, que foi validada de acordo com as normas internacionais. O protocolo é utilizado por centros de pesquisas de vários países, incluindo a Academy of Applied Myofunctional Sciences (AAMS).

O Língua Solta avalia crianças na faixa etária de 0 a 10 anos de idade. No entanto, Ana Cláudia Araújo, coordenadora do projeto, enfatiza que quanto mais cedo a criança realizar o procedimento, melhor é a recuperação e o resultado. “O ideal é fazer nos primeiros dias de vida do bebê, logo após o diagnóstico através do teste da linguinha, na maternidade. Inclusive porque a língua presa, como é conhecida, atrapalha a amamentação e deglutição do bebê. Isso sem falar nos problemas futuros com relação à fala e até socialização da criança”, reforça a especialista.

Ana Cláudia afirma ainda que a questão financeira é um dos grandes problemas para a manutenção do projeto. “Hoje o grande entrave do funcionamento do projeto é o financiamento, uma vez que a universidade só contribui disponibilizando a estrutura física e de equipamentos. Toda a captação de materiais como luva, gaze, álcool, é obtida através de doação dos pacientes que são atendidos pelo programa e também por meio de cursos de capacitação”, relata.

Projeto Língua Solta

Tendo em vista a necessidade de tratar os pequenos pacientes com essas alterações, os departamentos de odontologia e fonoaudiologia da UFPE desenvolveram o Projeto Língua Solta. O programa segue o Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua do Bebê e garante o diagnóstico e, se preciso, a realização da intervenção cirúrgica, além de todo acompanhamento posterior com consultas e atendimento fonoaudiológico. 

Em 2017, foram realizados cerca de 700 atendimentos entre consultas avaliativas, procedimentos cirúrgicos e revisão pós-cirurgia. Atualmente, atende cerca de 30 pacientes por dia e já assistiu mais de 2.500 crianças. O atendimento é gratuito e realizado na clínica de pesquisa do departamento de Prótese e Cirurgia Buco-Maxilo-Facial da UFPE.

A idealização e coordenação do Língua Solta foi uma iniciativa dos professores-doutores Ana Cláudia Araújo Silva e Alfredo Justino Gaspar Junior, ambos docentes da UFPE. A iniciativa conta ainda com a contribuição do professor de fonoaudiologia Hilton Justino, além de uma equipe multiprofissional formada por cirurgiões-dentistas, odontopediatras, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e acadêmicos desses cursos. 

As inscrições para a capacitação estão abertas e podem ser feitas através do site


quinta-feira, 7 de junho de 2018

Teste do pezinho pode diagnosticar doenças nos primeiros dias de vida do bebê


O teste do pezinho é um exame realizado nos primeiros dias de vida do bebê com o intuito de diagnosticar precocemente doenças raras, possibilitando assim que o tratamento adequado seja iniciado o mais breve possível. O teste é realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e deve ser feito entre o 3º e 5º dia de vida do recém-nascido.
O exame é realizado no pé por ser uma região bastante irrigada, facilitando o acesso ao sangue do recém-nascido. A coleta é simples, apenas um furinho no calcanhar do bebê para recolher uma gotinha de sangue e o resultado leva de 1 a 2 semanas para ficar pronto. Entre as doenças contempladas no Programa Nacional de Triagem Neonatal estão fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme e outras hemoglobinopatias, fibrose cística, deficiência de biotinidase e hiperplasia adrenal congênita. 
O Brasil foi o primeiro país da América Latina a oferecer o Teste do Pezinho. A iniciativa partiu do pediatra paulista Benjamin Schmidt, em 1976. No entanto, só a partir de 1990, o exame passou a ser obrigatório no Brasil através de uma publicação no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei Federal 8.069, de 13 de julho de 1990).
De acordo com a lei, “os hospitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de gestantes públicos e particulares são obrigados a proceder a exames visando o diagnóstico e a terapêutica de anormalidades no metabolismo do recém-nascido, bem como prestar orientações aos pais”. 
Em 2001, o Ministério da Saúde instituiu o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) que não só garantiu o acesso ao teste, como também passou a ofertar  o atendimento necessário aos bebês portadores de alguma dessas doenças. A partir de então, todos os estados brasileiros passaram a ser habilitados no Programa.
Todas as doenças investigadas se não forem diagnosticadas e tratadas precocemente podem levar a quadros clínicos graves, como o atraso do desenvolvimento neuropsicomotor e até ao óbito.
TRATAMENTO
O tratamento pode ser realizado em um dos serviços de referência em triagem neonatal credenciados pelo Ministério da Saúde. Todos os estados da federação contam com esse tipo de serviço, que dispõe de médicos especialistas e equipe multidisciplinar para atender todas as crianças diagnosticadas com as doenças antes mesmo do aparecimento dos sintomas.
Em Pernambuco, o acompanhamento e tratamento dessas enfermidades pode ser feito no Hospital Barão de Lucena (fenilcetonúria e hipotireoidismo congênito), no Hemope (doença falciforme e outras hemoglobinopatias) e no Imip (fibrose cística).
Saiba mais sobre as doenças detectadas através do teste do pezinho:
Doença Falciforme – É uma doença genética e hereditária, ou seja, passada de pais para filhos. Teve sua origem na África e por isso está relacionada intimamente com a afrodescendência. Ela é causada por um defeito na cadeia beta da hemoglobina que está dentro das hemácias, que é responsável pela cor vermelha do sangue e pelo transporte do oxigênio por todo o corpo. Tal mutação leva as hemácias a assumirem uma forma parecida com uma foice ou meia lua impedindo o seu funcionamento normal. A doença provoca dores, anemias e atraso no crescimento.
Fenilcetonúria – É uma doença genética causada pela ausência ou diminuição da atividade de uma enzima que metaboliza o aminoácido fenilalanina presente no leite e em outros alimentos proteicos. Sem essa enzima, os níveis de fenilalanina aumentam no organismo, se acumulam e causam lesão cerebral, ocasionando retardo mental irreversível. A base do tratamento é o controle da quantidade de fenilalanina que pode ser ingerida para manter os níveis deste aminoácido dentro de valores não prejudiciais ao cérebro.
Hipotireoidismo Congênito – É causado pela incapacidade da glândula tireóide do recém-nascido produzir quantidades adequadas de hormônios tireoidianos, o que resulta numa redução generalizada dos processos metabólicos. As crianças que não realizam o teste do pezinho, e consequentemente, não são tradas precocemente, terão o crescimento e o desenvolvimento seriamente comprometidos.
Fibrose Cística – Doença hereditária que afeta especialmente os pulmões e o pâncreas, num processo obstrutivo causado pelo aumento da viscosidade do muco. Nos pulmões, esse aumento na viscosidade bloqueia as vias aéreas propiciando a proliferação bacteriana, o que leva infecção crônica, à lesão pulmonar e ao óbito por disfunção respiratória. No pâncreas, quando os ductos estão obstruídos pela secreção espessa, há uma perda de enzimas digestivas, levando à má nutrição.
Deficiência de biotinidase - Causada por erro inato do metabolismo que leva a um defeito na produção da enzima biotina.
Hiperplasia adrenal congênita - Engloba um conjunto de alterações genéticas que são caracterizadas por diferentes deficiências enzimáticas na produção de hormônios nas glândulas suprarrenais, localizadas logo acima dos rins.
Fonte: Ministério da Saúde e SES/PE

sábado, 19 de maio de 2018

Gilberto Occhi lança campanha de doação de leite materno


Ontem (18/05), o ministro da saúde Gilberto Occhi lançou a campanha nacional “Doe Leite Materno, Ajude Quem Espera Por Você”, que tem como objetivo destacar a importância da amamentação e incentivar a doação de leite materno. A iniciativa é do Ministério da Saúde, em parceria com a Rede Global de Bancos de Leite Humano e o Programa Iberoamericano de Bancos de Leite Humano.
O lançamento da campanha aconteceu em São Paulo e, na ocasião, Gilberto Occhi ressaltou a necessidade da doação. “Precisamos continuar incentivando a doação de leite materno para que outras mães possam ver seus filhos crescerem fortes e saudáveis. Tenho orgulho de sermos referência na estratégia de Bancos de Leite para outros países. É importante lembrar que doações de leite salvam vidas, qualquer quantidade é importante para bebês prematuros”, ressaltou o ministro.
Em 2017, a Região Nordeste contou com a colaboração de 36.461 doadoras que, juntas, coletaram 48.899 litros de leite, beneficiando 44.460 bebês prematuros. A região possui 50 Bancos de Leite Humano e 62 Postos de Coleta. A campanha vem para reforçar a importância do leite materno para prematuros de baixo peso e enfatizar que qualquer quantidade do alimento é precioso para esses bebês, pois, dependendo do peso do prematuro, 1 ml de leite humano já é suficiente para nutri-lo cada vez que for alimentado.
Os Bancos de Leite Humano são casas de apoio à amamentação que surgiram como uma estratégia de qualificação da assistência neonatal em termos de segurança alimentar e nutricional, com foco em ações que ajudam a reduzir a mortalidade infantil em instituições hospitalares. O trabalho é voltado a bebês prematuros que demandam cuidados especiais em unidades neonatais. Com o leite humano, o bebê fica protegido de infecções e diarreias, além de contribuir para um melhor desenvolvimento, diminuindo o tempo médio de internação. Por isso é importante o incentivo a doação.
A criação dos Bancos de Leite Humano foi desenvolvida há 32 anos, pelo Ministério da Saúde, e já beneficiou, entre os anos de 2009 e 2017, cerca de dois milhões de recém-nascidos. Também contou com o apoio de mais de 1,5 milhão de mulheres doadoras e aproximadamente, 1,6 milhão de litros de leite coletados. Em 2017, o volume de leite humano coletado em todo o Brasil foi de 212 mil litros. Desses, foram distribuídos 155 mil litros. No total, 198 mil bebês prematuros foram beneficiados nesse período com a doação de 183 mil mulheres.
Conheça o passo a passo para a doação de leite materno
https://www.youtube.com/watch?v=X_Ar6jdVK_I&feature=youtu.be

Fonte: Ministério da Saúde

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Justiça autoriza transfusão de sangue em paciente Testemunha de Jeová



A justiça de São José do Rio Preto (SP) concedeu autorização, na última terça-feira, para a Santa Casa do município realizar uma transfusão de sangue em um recém-nascido cuja família professa a religião Testemunha de Jeová. O bebê encontra-se internado no hospital em estado grave e os pais haviam negado o procedimento. De acordo com a Santa Casa, a criança tinha hemorragia no estômago e  um quadro grave de anemia.
O hospital informou que a mãe redigiu uma carta proibindo a realização da transfusão e assumindo os riscos da não realização, afirmando, inclusive, que havia sido orientada pela equipe médica sobre a gravidade do quadro de saúde do bebê e que estava ciente de que ele poderia morrer se não fosse feito o procedimento. Diante da negativa, a Santa Casa entrou com um pedido de tutela antecipada alegando que a criança poderia morrer se não fizesse o procedimento.
Contudo, o Conselho Federal de Medicina (CFM) determina que o médico só deve praticará a transfusão de sangue se houver iminente risco de vida, caso contrário, o profissional deve respeitar a vontade do paciente ou de seus responsáveis. Sob o aspecto jurídico, existe a proteção e o direito à liberdade de crenças, porém, na área penal, se o médico não realizar a transfusão de sangue ele pode ser acusado até de homicídio, se a falta da transfusão resultar na morte do paciente, por conduta omissiva.
O juiz Lavínio Donizetti Paschoalão acatou o pedido da Santa Casa e ressaltou que a demora natural dos trâmites do processo poderia trazer dano irreversível ou de difícil reparação para o bebê. “Preservada a garantia constitucional do direito à crença e culto religioso, o direito à vida é de ser tutelado em primeiro lugar pelo Estado, dada ordem de grandeza que envolve um e outro direito, evidenciando a presença do fumus boni juris”, relatou o juiz.
Os Testemunhas de Jeová não aceitam tratamentos médicos que envolvam a transfusão de sangue porque a religião professa que devem se abster de sangue. Para os seguidores, tanto no Velho como no Novo Testamento há um ordenamento claro sobre essa questão, por isso, eles não aceitam tomar sangue por qualquer via por obediência a Deus. A recusa tem como base a interpretação das seguintes passagens bíblicas: Gênesis (9: 3-4), Levítico (17: 10) e Atos dos Apóstolos (15: 19-21).


segunda-feira, 23 de abril de 2018

UNICEF faz alerta sobre os riscos da falta de iodo para os bebês




O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgou, na última sexta-feira, o relatório de uma pesquisa constatando que a falta de iodo na alimentação pode causar danos cerebrais nos bebês. Segundo o relatório, realizado em parceria com a Aliança Global de Melhor Nutrição (GAIN), a falta do elemento químico na gestação e durante à infância causa déficits neurológicos e psicológicos, diminuindo o “QI” de uma criança em 8 a 10 pontos. 
De acordo com o documento, em todo o mundo, cerca de 19 milhões de bebês correm o risco de sofrer reduções da função cognitiva e danos cerebrais, que são permanentes, mas que podem ser evitados. O estudo aponta que 14% de todos os recém-nascidos não possuem as quantidades adequadas da substância na alimentação. 
O relatório “Futuros mais brilhantes: protegendo o desenvolvimento inicial do cérebro através da iodização do sal” também indica que mais 25% das crianças afetadas por esse tipo de deficiência (cerca de 4,3 milhões) vivem no sul da Ásia. No entanto, essa é a segunda região com maior taxa de iodação salina do mundo, 87% da população do sul asiático tem acesso ao sal iodado.
A UNICEF estima ainda que para cada três reais gastos em iodação salina, há um retorno médio de cem reais em ganhos associados ao aumento da capacidade cognitiva. Os primeiros dois anos de vida são determinantes para o desenvolvimento de uma criança.  A alimentação, o aprendizado precoce e o estímulo a atividades como brincadeiras e jogos são decisivos para o desenvolvimento do cérebro para toda a vida.