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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Acidente de moto: Luiz Roberto faz parte das estatísticas e teve a perna esmagada


“Todos os anos, temos até 2,5 mil mutilados”, afirma o secretário de Saúde de Pernambuco.
Por Rebeka Gonçalves
No primeiro semestre deste ano, a Seguradora Líder, responsável pelo pagamento do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT), demonstrou que 88% das indenizações por morte em acidentes com motocicletas foram para vítimas do sexo masculino, na faixa etária entre 18 e 34 anos, 79% das vítimas sofreram sequelas permanentes.
O montador automotivo, Luiz Roberto Dornelas relata como foi vítima de um acidente de moto, aos 28 anos: “Estava conduzindo a moto até outro bairro para levar meu irmão, na metade do percurso me deparei com três ladrões, em um retorno, eu seguiria em linha reta e eles iriam entrar na pista, eles esperaram eu me aproximar e jogaram a Kombi em cima de mim, não tive como desviar e eles bateram em minha lateral esmagando a minha perna. E os três ainda saíram sorrindo e foram embora”, relembra. 
Luiz Roberto sofreu uma fratura exposta, seguida de infecção, perda de parte da pele e músculos, além de 19 cm do osso medial da perna esquerda – conhecido como Tíbia ou osso da canela.
O ortopedista do Hospital Miguel Arraes, Fagner Athayde revelou que esses casos são comuns na unidade de saúde: “Com relação a realidade do hospital onde trabalho, 70,5% dos acidentes de trânsito envolvem motocicleta. E o volume desses dados se concentram mais nas fraturas de dedos do pé por falta do uso de calçados. Mas os traumas vão desde os de cabeça, tornozelo, perna, coxa até abdômen”, afirma. 
Já se passaram mais de seis anos do acidente, mas Luiz Roberto ainda continua no tratamento com o fixador ilizarov – conhecido como gaiola, sem previsão de retirada. “Os fixadores externos são usados em cirurgias corretivas ou para tratamento de traumas, mantendo a redução de ossos fraturados e estabilizando estruturas ósseas ou adjacentes, a fim de proporcionar a fusão óssea ou correção da mesma, sendo retirados após o cumprimento dos objetivos. Os componentes dos fixadores são fabricados em aço inoxidável e alumínio”, explica o ortopedista. 
Luiz Roberto segue tentando superar o trauma. “Eu deixo levar um dia após o outro e estou superando isso tudo muito bem, nunca me deixei abalar totalmente, tiveram dias de olhar e ver todas as coisas que eu fazia, e não consigo fazer mais e ficava muito amargurado e triste. Na maioria das vezes, sempre estive com a autoestima elevada e o pensamento que isso é só um momento e nunca vou desistir, tenho na minha vida pessoas que sofreram e me ajudaram a superar tudo isso”, relata. 
Pernambuco tem alto índice de acidentes 
A região Nordeste concentrou 36% das indenizações por morte e invalidez permanente por acidentes com motocicletas no último semestre. As motos representam 44% da frota de veículos da região, enquanto que no Brasil representam 27%, de acordo com a seguradora. 
Por ano, Pernambuco gasta R$ 600 milhões de reais com isso, quase quatro vezes mais do que a verba destinada a todo o gasto com câncer. “Esse é com certeza o maior problema de saúde pública do Brasil. Para além das mortes, há a questão das mutilações. Todos os anos, temos até 2,5 mil mutilados”, afirma o secretário de Saúde de Pernambuco, Iran Costa.
Uma possível solução de acordo com o pesquisador do Observatório das Metrópoles, Juciano Rodrigues seria: “Um planejamento de transporte que priorizasse os meios coletivos em detrimento dos meios individuais de transporte. Além de uma política de redução de limites de velocidade é um dos principais mecanismos para a diminuição de acidentes. Nesse sentido, qualquer solução tem que ser sistêmica, com um olhar para o sistema de mobilidade urbana como um todo”, expõe. 
Prevenção
“Sempre falei para meus amigos, moto é um veículo bom, mas temos que andar sempre muito atentos e nunca deixar de ser prudente, pois você mesmo andando certo pode ter uma pessoa ao seu lado mal-intencionada, ou bêbada, ou até mesmo um acidente. Sempre alertei para os riscos que correm quando se está em cima de uma moto, porque é tudo muito rápido e dificilmente você sairá ileso de um acidente”, alerta. 
Outras precauções também foram dadas pelo ortopedista Fagner como uma atitude defensiva no trânsito: “isso vale para todos os veículos obviamente. Mas, em especial ao motociclista por sua condição mais vulnerável que a dos ocupantes de automóveis. Vemos no dia-a-dia das emergências uma fração muito importante dos acidentes envolvendo pessoas sob efeito de bebida alcoólica e outras tantas atitudes imprudentes como excesso de velocidade, pilotar no acostamento, ciclofaixas”, orienta o médico. 
A segunda forma de prevenção para o profissional de saúde seria o uso não só do capacete como também de sapatos fechados: “o uso de equipamento individual de proteção, refiro-me a mais do que apenas o uso do capacete - equipamento imprescindível e salvador de vidas - mas também coisas que não damos importância mas alteram sobremaneira a gravidade das lesões e o tempo de internamento como o uso de sapatos fechados. A experiência mostra que, mesmo que não seja capaz de impedir uma fratura em colisões mais graves, o uso de sapatos resistentes, “joelheiras” e “cotoveleiras” podem reduzir em muito as ditas “lesões de partes moles” e consequentemente diminuindo o tempo de internamento e complicações do trauma inicial”, recomenda. 

sábado, 30 de junho de 2018

Dor lombar é a principal causa de afastamento do trabalho no Brasil


Por Rebeka Gonçalves
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a dor lombar é a segunda maior causa de visita de pacientes aos médicos, só perde para a dor de cabeça. O problema atinge mais de 80% da população mundial e é a maior causa de afastamento do trabalho em pessoas com menos de 45 anos. 
A lombalgia pode chegar com uma dor intensa. De acordo com o Ministério da Saúde, as razões para os problemas nessa região podem estar ligadas a diversas doenças, mas as mais comuns entre os brasileiros são a escoliose, a hérnia de disco e a artrose na coluna. 
O médico Luciano Temporal, especialista em Ortopedia e Traumatologia, explica sobre as causas dessas dores e os possíveis tratamentos. “As causas dessas dores são as mais variadas possíveis, desde dor muscular até hérnia de disco. Os tratamentos para essas dores variam desde medicação, analgésico, relaxante muscular ou anti-inflamatório, até fisioterapia”.  
Uma pesquisa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) revelou que as dores nas costas são o principal motivo de afastamento de trabalhadores brasileiros por um período superior a duas semanas, confirmando o impacto que elas têm na qualidade de vida da população. 
Mas a dor nas costas também pode ser influenciada pela má postura no dia a dia, além do uso excessivo do celular e até travesseiros inadequados, como ressalta o ortopedista Luciano Temporal. “O uso do celular pode contribuir de uma forma negativa para essas dores, principalmente porque a pessoa passa muito tempo com uma postura de forma inadequada. Já o travesseiro é muito de adequação para cada pessoa, dependendo da posição que ela dorme. Se ela dorme de lado é indicado um travesseiro mais alto. E se for de barriga para cima um mais baixo”, esclarece.
O advogado Bruno Soares descobriu através de uma forte crise na coluna que tinha duas hérnias de disco: “tenho duas hérnias e espondilite anquilosante. Ainda estou em tratamento, faço pilates e fisioterapia”, relata. 
“A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica. Ela ainda não tem cura e afeta as articulações do esqueleto axial, especialmente as da coluna, quadris, joelhos e ombros. Ainda não se conhece a causa e acomete mais homens, a partir do final da adolescência até os 40 anos. E, se não tratada, pode tornar-se incapacitante”, explica o ortopedista.  
Outro hábito ruim mencionado pelo especialista é ficar horas sentado em frente ao computador. Essa prática pode causar problemas no desenvolvimento de atividades que, caso não sejam corrigidos a tempo, podem se tornar sérios e, consequentemente, crônicos. Por isso, o ortopedista recomenda “o conselho mais importante que as pessoas têm que seguir é praticar atividade física de forma regular”, conclui. 
Hospitais especializados em ortopedia no Recife:
Hospital de Fraturas
Rua João Fernandes Vieira, 644
Boa Vista, Recife – PE
Tel:. (81) 3423.2399

Hospital de Ortopedia
Avenida Rui Barbosa, 1541
Graças, Recife – PE
Tel:. (81) 3092.977

Hospital Maria Lucinda – SPA Ortopedia
Av. Parnamirim, 95
Parnamirim, Recife – PE
Tel:. (81) 3267.4200

Hospital Getúlio Vargas
Av. General San Martin, S/N
Cordeiro, Recife – PE
Tel:. (81) 3184.5600
Marcação de consulta: Segunda a sexta, das 7 às 17 horas, presencial.