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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Outubro Rosa: conheça a história de superação de Sandra Basílio que descobriu o câncer de mama aos 32 anos

Cristiana Tavares é oncologista e acompanhou Sandra durante seu tratamento

Por Rebeka Gonçalves
A descoberta de um nódulo é bastante aterrorizante, mas o câncer de mama é ainda pior para as mulheres. Uma doença que vem tomando proporções cada vez maiores no mundo, mas que ainda é cercada por mitos e relacionada imediatamente com a morte, o que nem sempre acontece. O Blog Saúde e Bem Estar conversou com a estudante Sandra Basílio que descobriu que tinha câncer de mama aos 32 anos de idade. 
“No final de 2016, ao acordar, eu senti um nódulo na minha mama, nossa, me desesperei, então comecei a correr atrás. Primeiro fui em uma clínica popular e pedi para fazer uma ultra, o médico me apalpou e disse que eu não me preocupasse, pois na opinião dele era benigno. Fiquei mais tranquila. Em janeiro de 2017, fui a uma consulta em uma clínica particular e levei esse exame que tinha feito na clínica popular. Ela disse a mesma coisa, que era benigno e que eu não me preocupasse. E decidimos fazer a cirurgia para tirar o nódulo porque eu tenho um histórico familiar muito grande - minha bisavó teve, mas não lembro onde foi, minha avó foi nos ovários, minha mãe e minha tia também foram câncer de mama. Então, por questão de segurança resolvemos tirar o nódulo, a médica dispensou até a punção, disse que eu não precisaria fazer. Fiz logo a cirurgia em um hospital particular. Mandamos o nódulo para a biopsia e o resultado deu que eu tinha que fazer uma imunohistoquímica. A partir daí já comecei a ficar nervosa porque se fosse benigno, já teria informado no próprio exame”, lembra Sandra. 
O câncer de mama é um tumor maligno que se desenvolve na mama como consequência de alterações genéticas em algum conjunto de células, que passam a se dividir descontroladamente. Ocorre o crescimento anormal das células mamárias, tanto do ducto mamário quanto dos glóbulos mamários. Esse é o tipo de câncer que mais acomete as mulheres em todo o mundo, sendo 1,38 milhões de novos casos e 458 mil mortes pela doença por ano, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Segundo a oncologista do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, Cristiana Tavares, a melhor forma de prevenção é o diagnóstico precoce: “O câncer de mama não é uma doença que se pode prevenir, mas sim diagnosticar precocemente. O diagnóstico é realizado através de mamografia. E a ultrassom e a ressonância magnética das mamas são exames complementares. Se você não tem casos na família, a mamografia deve ser feita a partir dos 40 anos, a cada dois anos, e a partir dos 50 anos, anualmente. Mas, pacientes que tem fatores de risco alto devem fazer a mamografia a partir dos 30 anos. Entretanto, caso a mulher perceba qualquer anormalidade na mama, pode ser um nódulo na mama ou nas axilas, secreção pelo mamilo, uma mama maior do que a outra, mudança de coloração da mama, afundamento, pele casca de laranja e/ou vermelhidão em uma das mamas. Então, nessas situações, a mulher pode fazer a mamografia ou ultrassom em qualquer faixa etária”, elucida. 
Sandra também lembra como foi a reação quando descobriu que tinha câncer de mama. “Quando peguei o resultado tinha dado o carcinoma ductal invasivo. Nossa!! Me lembro como hoje, foi terrível esse dia, chorei bastante e pensei que iria morrer. Fiquei muito mal, não dormia direito e só fazia chorar. Mas graças a Deus consegui uma consulta com a Dra. Cristiana lá no Osvaldo Cruz, e ela foi muito atenciosa comigo, conversamos bastante e ela me pediu para que eu fizesse alguns exames, entre eles o BRCA 1 E BRCA 2 - que é o exame que a Angelina Jolie fez. Nesse exame, detectou que eu tinha mutação para ter o câncer de mama e ovários - 80% mama 40% ovários. Dra. Cristiana me encaminhou para a Dra. Vidiana que é mastologista. Levei os meus exames para ela e por eu ser uma paciente de alto risco devido ao meu histórico familiar, ela me aconselhou a tirar as duas mamas e colocar silicone. Marcamos a cirurgia para maio de 2017. Graças a Deus deu tudo certo. Depois de ter me recuperado, voltei para a Dra. Cristiana, e ela ao me ver ficou muito emocionada e feliz. Confesso que me segurei para não chorar... A primeira batalha eu tinha vencido, faltava agora o tratamento que até então eu não sabia se iria precisar fazer ou não”, conta.
A parte mais dolorosa: o tratamento 
“Atualmente, o tratamento do câncer de mama é multifatorial e individualizado, pois existem vários tipos de câncer de mama, que vão do mais simples até o mais agressivo. E de acordo com essa classificação molecular, é que o tratamento pode ser projetado, para saber se a paciente fará apenas a cirurgia ou cirurgia e radioterapia ou só hormônio terapia ou a quimioterapia. Então, isso depende muito do subtipo molecular, depende também do estadiamento da paciente, da idade. Assim, tumores menores com menor tamanho, até dois centímetros, a paciente pode fazer uma assinatura genética, uma assinatura molecular, chamada de oncotaipe ou mama print.  Essas assinaturas podem dizer com mais precisão qual o tratamento ideal para cada paciente. É uma técnica bem interessante, porque cada vez mais o tratamento do câncer de mama está sendo individualizado, caso a caso”, explica a oncologista.
Entretanto, no caso de Sandra foi necessário à quimioterapia devido ao histórico familiar dela: “Mas em reunião com sua equipe, Dra. Cristiana concluiu que eu teria que fazer a quimioterapia por causa do histórico familiar que eu tenho e por segurança. Confesso que fiquei muito triste, pois a primeira coisa que eu pensei foi na queda do meu cabelo, mas eu tinha que enfrentar mais essa barra! Foram 4 sessões da vermelha e 12 da branca. A vermelha é mais severa, pois dar muito enjoo, fadiga e fastio. Comecei a tomar um suco que era com couve, cenoura e beterraba para ajudar na minha imunidade e ajudou muito. No primeiro mês meu cabelo começou a cair, era uma angústia tão grande, toda vez que eu acordava e ia ajeitar meu cabelo, ele caía de bolo mesmo, dava para fazer uma peruca. Então, pedi para o meu irmão passar a máquina no meu cabelo. No início ele não queria, mas aí eu falei que se ele não raspasse a minha cabeça eu iria fazer só mesmo, mas ele raspou. Fiz todas as sessões e não tive nenhuma reação, graças a Deus”, relata a paciente. 
Fatores que podem aumentar o risco 
Os tumores de mama são os mais prevalentes entre as mulheres, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Cerca de 20% dos tumores de mama são hereditários, ou seja, são herdados através de mutação genética passando de mãe para filha, sendo considerados de alto risco. “Então, é necessário identificar a herança familiar para que essas mulheres possam começar os exames de rastreamento mais cedo, a partir dos 30 anos de idade. Por isso, a importância de fazer os exames para que o diagnóstico seja cada vez mais precoce e com isso melhore a chance de cura”, orienta a oncologista. 
Segundo a especialista, outros fatores de risco que aumentam em 20% o risco de câncer de mama podem ser a obesidade e o sedentarismo. E são fatores que qualquer pessoa pode modificar ao longo da vida. Entretanto, existem fatores que não são modificáveis como os relacionados a vida reprodutiva da mulher, ou seja, a primeira menstruação antes dos 10 anos, a última menstruação após os 52 anos, mulheres que só tiveram um filho, mulheres que amamentaram muito pouco ou não amamentaram, mulheres que não tiveram filhos. 
“Outro possível fator de risco é o uso de terapia de reposição hormonal após a menopausa, mas isso não aumenta a mortalidade e essas pacientes têm o prognóstico igual ao de mulheres que nunca fizeram terapia de reposição hormonal. O uso de anticoncepcional também pode dar um pequeno, muito pequeno, aumento no risco de câncer. A obesidade e o sedentarismo são riscos muito maiores, inclusive do que o próprio uso do contraceptivo. E, principalmente, quando se tem o risco de uma gravidez indesejada, então as mulheres devem continuar tomando o anticoncepcional”, esclarece.  
A Recuperação e uma lição 
“Agora estou bem, curada e siliconada (risos)... Meu cabelo ainda tá crescendo. No começo eu usava touca para poder sair na rua, mas agora não mais, meu cabelo está crescendo e eu estou crescendo junto com eles!!! Estou tomando tamoxifeno e tomarei por 10 anos. E deixo para as mulheres que foram recém-diagnosticadas com a doença é que nunca desistam, o senhor Jesus é maravilhoso e da mesma forma que eu fui curada elas também serão, basta acreditar, ter fé e enfrentar dia após dia, porque a vitória, da mesma forma que chegou para mim, também chegará para elas. Agradeço a Deus todos os dias por permitir que eu continuasse a viver. E agradeço também às minhas lindas doutoras: Cristiana e Vidiana, pois elas foram maravilhosas comigo”, conclui Sandra Basílio, mais uma mulher que superou o câncer de mama. 

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Medo do câncer de mama tem aumentado a procura por mastectomia preventiva



O câncer de mama é o que mais acomete as mulheres no Brasil e no mundo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a doença é responsável por cerca de 28% de novos casos a cada ano. Para 2018, o Instituto estima 59.700 novas ocorrências no país. Em geral, atinge mais as mulheres acima dos 40 anos e a incidência vai crescendo progressivamente com o aumento da faixa etária, sobretudo após os 50 anos.
Além de ser o tipo de tumor que mais mata as mulheres, o câncer de mama traz também uma insegurança em relação à questão física, sexual e mental. O receio de receber o diagnóstico tem feito com que muitas pacientes busquem a matectomia preventiva (procedimento de retirada da mama) como forma de evitar a doença. Sobretudo, após a atriz norte-americana Angelina Jolie ter realizado a intervenção nas duas mamas.
No entanto, a cirurgia não é indicada para todas com história familiar da enfermidade, como explica Márcia Pedrosa, mastologista da Salute, clínica especializada em saúde da mulher. “Muitas vezes elas vêm achando que é um procedimento estético, porque a Angelina Jolie fez e fica bonito, mas a gente tenta explicar que não é estético e tem muito risco. A paciente pode ter necrose de mamilo, pode ter necrose de pele, tem que fazer uma mastectomia total. Se a paciente tem BRCA positivo, existe indicação para esse procedimento, porque vai reduzir de 90% a 95% a chance dela ter câncer de mama”, esclarece a especialista.
BRCA são genes responsáveis por prevenir o crescimento descontrolado de células, protegendo o indivíduo contra o aparecimento de tumores. Quando a pessoa possui alguma mutação nesses genes, aumenta a probabilidade dela desenvolver o câncer. Hoje, já é possível fazer um estudo genético para detectar se o BRCA é defeituoso ou não e qual o risco de desenvolver a doença. No caso de Angelina Jolie, ela fez o estudo genético porque sua mãe morreu aos 56 anos vítima de câncer de mama. O resultado indicou que a atriz tinha 87% de risco de desenvolver a enfermidade, fato que a encorajou a realizar o procedimento. 
De acordo com Márcia Pedrosa, a indicação é para pacientes com BRCA positivo, mas muitas mulheres com resultado negativo também têm procurado fazer a retirada das mamas. “Tem pacientes que têm história familiar, mas não têm BRCA positivo e mesmo assim querem fazer a mastectomia profilática, mas não há indicação por que é uma mutilação. Nesse caso, o recomendado é o acompanhamento semestral, mas têm pacientes que só sossegam quando fazem o procedimento. O que a gente pode fazer é alertar para os riscos associados. A paciente tem que estar bem consciente dos riscos que está assumindo ao optar por esse tipo de tratamento”, reforça a mastologista. 
Há 6 anos, a paciente Rosana Gondim de Oliveira fez a mastectomia preventiva após o tratamento de um câncer. Ela não tinha história familiar e também não fez nenhum estudo genético, mas havia a indicação por já ter tido a doença. “Na época, eu tinha uma filha de menos de 2 anos e eu procurei imaginar qual o procedimento que faria com que eu ficasse com a cabeça melhor depois de todo tratamento. Que eu não ficasse achando que a qualquer momento eu ia ter outro câncer, que eu não ficasse meio numa neura. Eu precisava ter saúde mental pra criar minha filha”, relembra. Hoje, aos 49 anos, ela afirma que ficou satisfeita com o resultado e não se arrepende de sua escolha. “Não me arrependo em nenhum momento, foi a melhor coisa que eu fiz, me deu uma tranquilidade até hoje”, garante Rosana.
Embora a cirurgia já esteja bem sedimentada, ela não é a única maneira de reduzir os riscos de desenvolver a doença. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda que todas as mulheres acima de 40 anos façam anualmente os exames de ultrasonografia e mamografia. Já para as mulheres com alto risco, o acompanhamento é diferente. Pacientes que têm histórico familiar, BRCA positivo, que receberam muita radiação no tórax devem iniciar os exames preventivos antes mesmo de completar 40 anos e realizá-los com maior frequência. 
Não tem como prevenir o câncer, mas é possível fazer um diagnóstico inicial e, com isso, até obter a cura. Além disso, é essencial adotar hábitos saudáveis e fazer os exames regularmente. “Se a gente consegue diagnosticar precocemente, as chances de tratar e curar são maiores. Nos casos avançados, a paciente vai ter um controle, mas não vai ter cura”, conclui Márcia Pedrosa.