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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Instituto do Fígado realiza campanha para consertar equipamento de ressonância magnética

Por Rebeka Gonçalves
O aparelho de Ressonância Magnética do Instituto do Fígado e Transplantes de Pernambuco (IFP) quebrou há pouco mais de um ano e, desde então, já deixou de realizar mais de cinco mil exames. Devido à falta de recursos, e diante da necessidade emergencial do equipamento, a instituição decidiu realizar uma ‘vakinha’ online com o objetivo de arrecadar 600 mil reais, que é o valor da máquina. 
A campanha foi criada na internet em 20 de agosto e já arrecadou 1.950 reais. De acordo com a presidente do IFP, Leila Beltrão, o aparelho é de extrema importância para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). “Essa campanha tem o objetivo de voltarmos a realizar o exame de ressonância magnética, pois são poucos os locais públicos ou organizações privadas sem fins lucrativos que realizam a nível de ambulatório um exame dessa complexidade”, ressalta. 
O IFP é uma instituição sem fins lucrativos, que atende a pacientes com problemas hepáticos do SUS, do Recife e interior de Pernambuco, além das pessoas que vem da região Norte e Nordeste do país. Além de realizar exames que auxiliam no diagnóstico precoce do câncer de fígado, da cirrose hepática, e outras enfermidades.
A arrecadação encerra no dia 31 de janeiro de 2019 e a presidente faz um apelo ao cidadão que possa colaborar: “Então, mediante o valor e a necessidade, é de fundamental importância nos engajarmos numa campanha plural para que essa máquina possa ser consertada, isso beneficiará toda uma população carente do SUS, pois se forem fazer um exame desse privado o valor é muito alto e muitas pessoas não tem esse acesso”, postula.
Acesse aqui para doar. 
Instituto do Fígado de Pernambuco – IFP 
Endereço: Rua Arnóbio Marques, 282, Santo Amaro – Recife/PE
Tel.: (81) 3035.2050

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Brasil pode economizar R$ 1 bilhão com genérico contra hepatite C


A utilização de medicamento genérico para o tratamento da hepatite C no Brasil poderia gerar uma economia de cerca de R$ 1 bilhão aos cofres púbicos, segundo informações da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF). De acordo com a entidade, o país tem capacidade para produzir o genérico do sofosbuvir, já analisado e registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O início efetivo do fornecimento ao governo, entretanto, depende da conclusão de uma análise de pedido de patente a cargo do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi).
Segundo o MSF, quando o sofosbuvir foi lançado no mercado, em 2013, o custo por tratamento chegou a US$147 mil. Atualmente, a entidade garante realizar tratamentos para hepatite C com genéricos ao custo de US$120. A economia de R$1 bilhão, portanto, se refere à diferença entre o preço atual do tratamento com medicamentos de marca e o custo do tratamento com a utilização de genérico nacional, considerando-se a oferta de tratamento para 50 mil pessoas via sistema público de saúde, conforme planejamento divulgado pelo Ministério da Saúde.
A entidade trabalha em projetos que atendem pessoas infectadas pelo vírus da hepatite C em 11 países e, desde 2015, ofereceu tratamento a mais de 6 mil pacientes afetados pela doença. Entre os que concluíram a terapia até o momento utilizando genéricos do sofosbuvir e do daclatasvir, também indicado para o tratamento, a taxa geral de cura foi de 94,9%.
Carta pública
No mês passado, o MSF encaminhou ao Inpi uma carta pública sobre o uso de genéricos para o tratamento da hepatite C no Brasil. No documento, a organização humanitária pede uma análise rigorosa e ágil dos pedidos de patente em questão, levando em consideração o impacto que a decisão pode ter sobre a vida de centenas de milhares de pessoas no país que ainda não têm acesso ao tratamento para a doença.
Por meio de nota, o Inpi informou que o pedido de patente está sendo examinado e que, por este motivo, o órgão ainda não pode se posicionar sobre o assunto. Em abril, o instituto divulgou parecer técnico em que faz exigências ao depositante do pedido de patente, cobrando informações complementares. Uma possível aprovação do pedido de patente de genérico para tratamento da hepatite C, entretanto, segue sem previsão para sair.
Ainda de acordo com o MSF, os países que estão obtendo bons resultados na cobertura do tratamento contra a hepatite C são exatamente aqueles nos quais há genéricos disponíveis. O Egito, por exemplo, ofereceu tratamento a mais de 1 milhão de pessoas via sistema público com o sofosbuvir devido à rejeição de patentes-chave e à introdução de versões genéricas de baixo custo. Índia e Bangladesh são outros exemplos de países que vêm tendo bons resultados com a produção e uso dos genéricos.
“A ampliação do acesso a este tratamento para o vírus da hepatite C é crucial para alcançar a meta de eliminação da doença até 2030, assumida internacionalmente pelo Brasil no âmbito da Organização Mundial da Saúde (OMS) e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Esse acesso só será possível com a entrada dos genéricos, garantindo competitividade e baixo preço, conforme ressaltado na própria Estratégia Global Setorial em Hepatite C da OMS”, destacou o MSF.
Procurado pela equipe de reportagem, o Ministério da Saúde informou que, desde 2015, foram investidos R$ 2,02 bilhões na compra de medicamentos para o tratamento da hepatite C e que a pasta está em processo de aquisição de 50 mil tratamentos.
Doença
A hepatite C é considerada uma doença silenciosa. O vírus contraído pode se manifestar ou ocasionar doenças anos depois. Ela é transmitida por sangue contaminado (em transfusões, por exemplo), ao fazer sexo sem proteção ou pelo compartilhamento de objetos cortantes. O público mais vulnerável são os adultos acima de 40 anos. Quem contrai o vírus pode ter cirrose, câncer e morrer em decorrência dessas enfermidades.
Dados do ministério revelam que existem, no Brasil, mais de 1 milhão de pessoas que já tiveram contato com o vírus da hepatite C e cerca de 650 mil que são afetadas pela doença e poderiam ser beneficiadas pelo tratamento imediatamente.
Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Ingestão de ervas e chás pode causar danos ao fígado



Muitas receitas usam ervas como tratamento para diversos problemas que afetam a saúde das pessoas, como constipação intestinal, gastrite, redução da retenção de líquidos, entre outros. No entanto, o consumo dessas ervas pode causar sérios danos ao fígado, como hepatite crônica e cirrose.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem estimulado os países a adotarem políticas de uso de medicamentos fitoterápicos e plantas medicinais com finalidade de tratamento, cura e prevenção de diversas enfermidades. Em geral, são comercializadas como alternativas menos tóxicas que os convencionais. O uso das ervas como terapêutica de doenças já é uma prática antiga e pode trazer alguns benefícios, no entanto, deve ser usado com orientação médica para evitar efeitos prejudiciais à saúde, pois nem todas trazem resultados positivos.
“Alguns usuários acham que as ervas só têm efeitos favoráveis, mas o fato é que algumas delas podem causar doenças hepáticas graves”, explica Fábio Moura, cirurgião do aparelho digestivo e transplante de fígado do Real Instituto de Cirurgia Oncológica.
Estudos já evidenciaram que algumas ervas medicinais contêm alcaloides de pirrolizidina, substâncias químicas hidrossolúveis derivadas de determinasdas ervas, que podem lesionar o fígado. Algumas ervas usadas para o preparo de chás contêm esses alcaloides e, às vezes, o leite, o mel e os cereais também podem estar contaminados com a substância. Eles podem agredir o fígado gradualmente se pequenas quantidades forem consumidas por um período de tempo prolongado. 
O fígado é o alvo principal para lesões, porque tem o papel de metabolizar os alimentos absorvidos pelo organismo. Entre as ervas que podem trazer consequências danosas estão sacaca (Croton cajucara benth), kava-kava (Piper methysticum) e erva-de-São-João (Hypericum perforatum). Além de algumas de origem chinesa como zi cao (Radix arnabiae), kuan dong hua (tussilago), qian li guang (raiz da vida) e pei lan (Eupatorium).
Outras ervas maléficas ao órgão são atractylis gummifera, camellia sinensis (usada para fazer chá preto e chá verde), celandina ("major"), chaparral, teucrium, jin bu huan, ma huang (éfedra), visgo, óleo de poejo (usado para fazer chás) e syo-saiko-to (uma mistura de ervas). As pessoas afetadas apresentam dor abdominal e podem vomitar. Em geral, o líquido se acumula no abdômen e nas pernas, podendo levar à cirrose e insuficiência hepática.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Hospital Português atinge sucesso em 95% dos transplantes de fígado

O procedimento é realizado de maneira gratuita através do Sistema Único de Saúde
A equipe de transplante de fígado do Real Hospital Português (RHP) celebra o resultado positivo de 95% de sucesso na execução dos procedimentos no último ano. O serviço de transplante de fígado do RHP iniciou suas atividades em dezembro de 2015, já realizou 55 transplantes e o atendimento é todo realizado de maneira gratuita através do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo César Lyra, cirurgião e coordenador do serviço, o resultado é fruto da capacitação da equipe, juntamente com a estrutura e o apoio fornecidos pelo hospital. “Temos um serviço que, apesar de jovem, tem conseguido excelentes resultados, pela expertise da equipe que foi buscar técnicas cirúrgicas modernas e pela estrutura que nos é fornecida pelo hospital, que hoje tem a melhor estrutura do Norte/Nordeste. Que tem dado todo apoio para o desenvolvimento do transplante, mesmo o procedimento sendo 100% coberto pelo SUS”, destaca.
“Conseguimos fazer transplante de fígado no Hospital Português com nível de excelência de primeiro mundo, isso tudo realizado pelo SUS”, comemora Fábio Moura, cirurgião do aparelho digestivo e transplante de fígado do Real Instituto de Cirurgia Oncológica.
O transplante de fígado é um procedimento muito complexo e delicado, mas sem ele o paciente não tem chance nenhuma de vida. “O paciente que tem indicação de um transplante de fígado tem uma doença terminal. Se o órgão não for substituído, o paciente terá apenas alguns meses, ou em casos mais extremos, apenas alguns dias de vida. Mas, se ele fizer o transplante, sua vida voltará à normalidade”, afirma Fábio Moura.
João Carlos Locio, de 71 anos, realizou o transplante no início desse ano e disse que ficou impressionado com a qualidade do atendimento e a estrutura do serviço ofertado pelo SUS. “O atendimento é de primeiro mundo aqui, eu fiquei impressionado com um atendimento desse pelo SUS, a assistência, a alimentação, o atendimento do paciente lá é número 1. Apartamento com ar condicionado, todo dia tudo era esterilizado. Coisa de primeiro mundo, em termos de médicos, aparelhagem. Os médicos são craques e dão muita assistência. Eu disse a eles, vocês são abençoados, são salvadores de vidas, se não fosse vocês eu estava morto”, elogia o paciente.
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de fígado tem maior prevalência em homens do que em mulheres e o risco é de cerca de 1 caso em 81 homens, enquanto nas mulheres esse risco é de cerca de 1 em 196. Em média, cerca de 95% das pessoas diagnosticadas com câncer de fígado tem mais de 45 anos, 3% tem entre 35 e 44 anos e por volta de 2% tem menos de 35 anos. As principais doenças que podem levar à necessidade de um transplante são hepatite C, cirrose e câncer de fígado.
Na maioria dos casos, o câncer de fígado só pode ser tratado através de um transplante, que é um procedimento extremamente complexo, mas sem ele o paciente não tem chance de vida. Segundo dados do INCA, em 2008, o câncer de fígado foi responsável pela morte de 6.995 pessoas no Brasil. 
Os médicos destacam ainda que o paciente que não faz acompanhamento médico com certa frequência tem grandes chances de só descobrir o câncer de fígado num estágio avançado, já que, muitas vezes, a doença não apresenta sintomas relevantes. A equipe de transplante de fígado do RHP trata as doenças hepáticas desde o diagnóstico clínico até o transplante e conta com 2 cirurgiões, 3 hepatologistas, anestesistas, patologista, intensivista, enfermeiro e auxiliares. O atendimento é feito no Real Instituto de Cirurgia Oncológica.
Saiba mais
O que é o Transplante de Fígado?
É uma cirurgia que consiste na retirada do fígado de um paciente portador de uma doença hepática crônica ou aguda para colocar, no mesmo lugar, um fígado doado pela família de alguém com morte encefálica, ou parte do fígado de um doador vivo (doado por um familiar).
Quando é necessário um Transplante de Fígado?
Qualquer pessoa, criança ou adulto, que tem a vida comprometida por uma doença hepática grave e irreversível pode ser candidato ao transplante de fígado.
Doenças podem levar a necessidade de um transplante
Hepatite B
Hepatite C
Cirrose
Doença Hepática Alcoólica
Doenças autoimunes
Câncer de fígado
Esteatohepatite (hepatite causada pela gordura no fígado)
Grupos de risco
Profissionais de saúde
Usuários de drogas
Pessoas que fazem sexo sem preservativo
Pessoas que receberam transfusão de sangue antes de 1990
Pessoas que já utilizaram piercing ou fizeram tatuagem
Pessoas que utilizam alicates de unha não esterilizados adequadamente

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Doenças do Fígado atingem milhões de pessoas no mundo



Boletim epidemiológico do Ministério da Saúde aponta dados alarmantes
Com uma função extremamente importante, o fígado é um órgão que pode apresentar doenças silenciosas, que podem provocar consequências muitas vezes irreversíveis, levando até a necessidade de um transplante. O órgão tem o papel de metabolizar os alimentos absorvidos pelo organismo, produz substâncias capazes de digerir a gordura, além servir como barreira imunológica para o nosso corpo.
As doenças hepáticas (do fígado) atingem milhões de pessoas em todo o mundo. Algumas das doenças mais frequentes que acometem o órgão são Esteatose, Cirrose, Hepatites e Câncer de fígado.
A esteatose é uma doença causada pelo excesso de gordura no fígado das pessoas. De acordo com a Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), cerca de 20% da população brasileira sofre com a doença, que pode acarretar uma série de outras complicações, como hepatite, cirrose e até o câncer de fígado. 
Um dos fatores que influencia este índice é o crescimento do número de pessoas obesas no país. Devido às crescentes taxas de obesidade, a esteatose tem se tornado cada vez mais frequente em todas as populações e grupos etários, muitas vezes está relacionada ao estilo de vida das pessoas, caracterizado pelo consumo em excesso de calorias e carência de atividade física.
Entre as principais doenças que podem atacar o fígado está a hepatite. Pode ser viral, autoimune ou causada pela reação ao álcool ou a medicamentos. Há vários tipos de hepatite viral, designadas pelas letras A, B, C, D e E. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), um terço da população mundial sofre de algum tipo de hepatite. 
Segundo o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde (2017), as hepatites virais são um enorme desafio à saúde pública em todo mundo. Elas são responsáveis por cerca de 1,4 milhão de óbitos anualmente. No caso da hepatite B, apenas 30% dos portadores do vírus podem apresentar pele e mucosa amarelada, urina escura e fezes embranquecidas. Já a C é muito mais silenciosa levando as pessoas a descobrir a doença apenas quando ela está no estágio mais avançado. 
Entre 2000 e 2015, somente a hepatite C foi responsável por mais de 46 mil óbitos no país. Os dados sobre hepatite B também são alarmantes. De 1999 a 2016, foram confirmados mais de 200 mil casos. Além disso, o estudo do Ministério da Saúde mostrou que a transmissão sexual da hepatite B é 10 vezes maior na população jovem, entre 20 e 39 anos. Já a hepatite A tem um caráter benigno, menos de 1% dos casos pode evoluir para casos mais graves.
Segundo o cirurgião do aparelho digestivo e transplante de fígado do Real Instituto de Cirurgia Oncológica, Fábio Moura, a transmissão do vírus da hepatite B se dá principalmente por fluídos corporais (sêmen, sangue, feridas contaminadas, entre outros). A transmissão vertical (mãe passa para o filho durante a gestação) também é causa frequente de disseminação. O especialista afirmou ainda que o vírus da hepatite C é transmitido principalmente pela corrente sanguínea. “É importante destacar que o vírus da Hepatite C já é o maior responsável por cirrose e transplante hepático no Mundo Ocidental”, relatou o médico.
São consideradas populações de risco indivíduos que receberam transfusão de sangue e/ou hemoderivados, usuários de drogas intravenosas ou usuários de cocaína inalada que compartilham os equipamentos de uso, pessoas com tatuagem, piercings ou que apresentem outras formas de exposição percutânea (consultórios odontológicos, podólogos, manicures, etc., que não obedecem às normas de biossegurança).

domingo, 17 de junho de 2018

Hepatite C: sintomas, transmissão, diagnóstico, tratamento e prevenção



A hepatite C é uma doença causada pelo vírus C das hepatites virais, que pode evoluir para cirrose ou câncer. Trata-se da forma mais severa entre as hepatites virais, tem 80% de chance de ser tornar crônica e causar cicatrizes no fígado, incapacitando a função do órgão.
Segundo dados do Ministério da Saúde, existem 135 mil pessoas diagnosticados com hepatite C no País. As estatísticas registradas nos últimos anos indicam o surgimento de 13 casos para cada 100 mil habitantes por ano no Brasil.
SINTOMAS
A hepatite C é uma doença silenciosa que só apresenta sintomas na fase avançada, como cansaço, tontura, enjoo, vômito, febre, dor abdominal, pele e olhos amarelados, além da urina escura e fezes claras.
TRANSMISSÃO
A principal causa de transmissão da doença se dá pelo contato direto com o sangue de uma pessoa contaminada (transfusão de sangue e hemoderivados, sexo desprotegido e compartilhamento e objetos de uso pessoal como agulhas de tatuagem, alicates e tesouras). O contágio também pode ocorrer através do sexo desprotegido e compartilhamento de objetos pessoais como escovas de dente.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico é feito através da realização de testes rápidos ou exames de sangue que são disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é recomendado, principalmente, para pessoas com mais de 40 anos, usuários de drogas injetáveis, portadores de HIV, pessoas que fizeram hemodiálise de longo prazo, pessoas que receberam transfusão de sangue ou transplante de órgão antes de 1992.
TRATAMENTO
Não existe vacina para a doença, mas o SUS disponibiliza o tratamento através de medicamentos desde 2002. Contudo, só com os avanços recentes passou-se a se falar em cura total para a Hepatite C. 
Após a confirmação da doença, podem ser realizados testes para verificar a função do órgão e identificar se existe algum dano. O tratamento dependerá da condição do fígado, mas, em geral, as pessoas só descobrem o vírus quando a doença já se tornou crônica e com danos ao órgão.
PREVENÇÃO
  1. Não utilize drogas injetáveis;
  2. Não compartilhe objetos de higiene pessoal (escova de dente, lâminas de barbear), de manicure (alicates, lixas, espátulas) ou outros instrumentos que possam conter sangue;
  3. Ao realizar exames, verifique se agulhas ou qualquer outro objeto cortante são descartáveis ou estão devidamente esterilizados;
  4. Use preservativos; 
  5. Antes de engravidar, faça o teste para saber se tem o vírus da hepatite C;
  6. Se for portador do vírus, não consuma bebidas alcoólicas. O consumo do álcool aumenta o risco de desenvolver as complicações da doença.


segunda-feira, 4 de junho de 2018

75% dos portadores de hepatite autoimune são mulheres



A hepatite autoimune é uma doença na qual o sistema de defesa do indivíduo ataca as células do próprio fígado, levando à sua inflamação. Trata-se de uma reação do organismo que entende que o órgão não é seu. Funciona como uma rejeição crônica, como se o fígado fosse de outra pessoa, como se tivesse sido transplantado. Assim como nas hepatites virais, ela também é assintomática e só apresenta sintomas nos quadros avançados, normalmente cansaço e icterícia (olhos amarelados). 
A hepatite autoimune acomete, principalmente, mulheres em duas fases, na adolescência (até os 20 anos) e na mulher após os 50 anos. A incidência é relativamente baixa, 1,9 casos para cada 100 mil habitantes e 75% são mulheres. Existem evidências que associam a enfermidade com fatores genéticos e com a presença de doenças autoimunes de uma forma geral, como doença de tireoide, de articulações, artrite reumatoide e lúpus.
De acordo com Fábio Marinho, hepatologista do Real Hepato, normalmente ela é diagnosticada a partir da descoberta de alterações nas enzimas hepáticas (do fígado) e, em alguns casos, há a necessidade de fazer biópsia para confirmar.
No início do ano, a enfermeira R.M.C., de 50 anos, foi diagnosticada com hepatite autoimune. Em abril de 2017, ela havia sido diagnosticada com mielite por vírus. O neurologista que a acompanhava identificou, através de exames laboratoriais, alteração das enzimas hepáticas. Inicialmente, achou-se que era um quadro de hepatite medicamentosa, decorrente dos remédios que estavam sendo utilizados. 
“Em janeiro de 2018 procurei Dr. Fábio Marinho para começar a investigação, rastreamento de exames laboratoriais específicos para doença autoimune e marcadores hepáticos (...) e ele solicitou uma biópsia”, relembra a paciente.
Com o diagnóstico de hepatite autoimune confirmado, R.M.C. passou a fazer acompanhamento através de consultas e exames regulares e já vê respostas positivas ao tratamento. “Estou ainda no início (do tratamento) mas já vejo respostas positivas, tomo diariamente imunossupressores e corticoide para meu organismo reagir diante do quadro de agressão das células ao meu fígado”, relata a enfermeira.
Não existe cura, mas o controle da doença é possível através do uso de remédios para reduzir a reação inflamatória. Normalmente, o tratamento é feito baseado em corticóides e imunosupressores, que resolvem cerca de 70% a 80% da inflamação. O paciente com hepatite autoimune pode levar uma vida normal, mas obviamente deve seguir a orientação de beber pouco ou não beber, devido ao risco de agravar o quadro. 
O hepatologista ressalta ainda que, se disgnosticada tardiamente, ela pode evoluir para quadros mais avançados como cirrose e até insuficiência do fígado, podendo levar o doente à necessidade de um transplante. “Quando você tem uma descoberta mais avançada, você pode ter um paciente com cirrose e as vezes até necessidade de transplantar o fígado”, adverte.
“No início me desesperei. Sou profissional da área de saúde e já vi pacientes evoluírem  ao  quadro grave da doença tendo que se submeter a transplante hepático ou então nem conseguirem fazer o transplante porque evoluíram muito rápido chegando ao óbito”, recorda a paciente.  
Hoje, já se consegue identificar através de estudo genético se o paciente tem predisposição para ter a doença. Contudo, mesmo sendo identificada a predisposição, não é possível tratar se a hepatite não estiver ativa, o que pode ser feito é o acompanhamento e rastreamento da enfermidade no organismo.
O especialista explica que o grande desafio está no uso da tecnologia para a edição do gene. “A gente está vivendo um momento agora da medicina completamente diferente, a hepatite autoimune é um exemplo do que vai mudar na medicina. Hoje, a gente trata a consequência da mutação genética, daqui há alguns anos a gente vai tratar o gene. Já tem algumas doenças que você atua no gene. Tem uma tecnologia chamada crispr, que você vai e edita o gene, então isso vai acontecer também para a hepatite autoimune, eu não tenho dúvida, mas não agora”, conclui Fábio Marinho.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Novos tratamentos promovem cura da Hepatite C


A hepatite C é uma doença silenciosa, causada pelo vírus C das hepatites virais, que só apresenta sintomas na fase avançada. Trata-se de uma inflamação no fígado que pode evoluir para cirrose ou câncer. Segundo dados do Ministério da Saúde, existem 135 mil pessoas diagnosticados com hepatite C no País. As estatísticas registradas nos últimos anos indicam o surgimento de 13 casos para cada 100 mil habitantes por ano no Brasil.
Forma mais severa entre as hepatites virais, a hepatite C tem 80% de chance de ser tornar crônica após ser contraída e causar cicatrizes no fígado, incapacitando a função adequada do órgão. Na fase avançada podem aparecer sintomas como cansaço, tontura, enjoo, vômito, febre, dor abdominal, pele e olhos amarelados, além da urina escura e fezes claras.
Não existe vacina para a doença e, até pouco tempo, não havia cura total para a hepatite C. No entanto, nos últimos 5 anos, novos tratamentos vêm trazendo nova esperança para os portadores da enfermidade.
“Uma das novidades apresentadas durante o Hepato Pernambuco 2018 foi o tratamento da hepatite C. Com os novos tratamentos, que surgiram nos últimos 5 anos, os pacientes com a doença hoje tem uma alta chance de cura, então isso é uma revolução que aconteceu, porque a hepatite C era a maior causa de indicação dos transplantes, a principal causa de doença crônica junto com a doença alcoólica”, destacou Fábio Moura, cirurgião do aparelho digestivo e transplante de fígado do Real Instituto de Cirurgia Oncológica.
O SUS disponibiliza o tratamento através de medicamentos desde 2002, contudo, só com os avanços recentes passou-se a se falar em cura total para a Hepatite C. Após a confirmação da doença, podem ser realizados testes para verificar a função do órgão e identificar se existe algum dano. O tratamento dependerá da condição do fígado, mas, em geral, as pessoas só descobrem o vírus quando a doença já se tornou crônica e com danos ao órgão.
A principal causa de transmissão da doença se dá pelo contato direto com o sangue de uma pessoa contaminada (transfusão de sangue e hemoderivados, sexo desprotegido e compartilhamento e objetos de uso pessoal como agulhas de tatuagem, alicates e tesouras). O contágio também pode ocorrer através do sexo desprotegido e compartilhamento de objetos pessoais como escovas de dente.