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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Governo quer fechar acordo para reduzir níveis de açúcar em alimentos



O ministro da Saúde, Gilberto Occhi, anunciou hoje (1º), em Brasília, que ainda este mês será finalizado um acordo com a indústria de alimentos processados para a redução do nível de açúcar em vários produtos.
Segundo ele, nesse primeiro momento, a proposta vai incluir iogurtes, achocolatados, sucos em caixinha, refrigerantes, bolos e biscoitos.
“Cada um terá um nível de redução de açúcar, que será estabelecido até 2021, quando sentaremos novamente com a indústria para definir um novo patamar”, disse Occhi, durante o lançamento de uma pesquisa sobre perfil da população idosa brasileira.
O ministro disse que o acordo com a indústria é uma das ações preventivas contra problemas de saúde que poderão contribuir para a melhoria da qualidade de vida população em crescente envelhecimento no país.
Atualmente, os idosos representam 14,3% dos brasileiros, ou seja, 29,3 milhões de pessoas.
Vivendo mais
A expectativa de vida do brasileiro aumentou 30 anos nas últimas sete décadas, passando de pouco mais de 45 anos de idade para 75 anos.
“Temos que cuidar desde a infância para que nossa população tenha uma vida cada vez mais saudável. As pessoas com mais de 60 anos precisam ter práticas físicas e diagnósticos cada vez mais precoces sobre possíveis doenças crônicas”, disse o ministro da Saúde.
De acordo com o estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), 75,3% das 9,4 mil pessoas com 50 anos ou mais, entrevistadas em 70 municípios brasileiros, dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa aponta que, por este cenário, os investimentos no sistema são fundamentais para reduzir as desigualdades sociais em saúde.
Um dos pontos de alerta feito pelos pesquisadores é o de que o envelhecimento da população é uma realidade irreversível que ainda ocorre de forma “profundamente desigual”. As diferenças econômicas, segundo eles, refletem diretamente na qualidade de vida dessas pessoas.
Hipertensão lidera doenças
O leque de doenças que mais afetam esse público é liderado pela hipertensão (mais da metade dos entrevistados), seguida por dores na coluna, artrite e depressão.
O levantamento mostrou que quase 30% dos idosos sofrem com duas ou mais doenças crônicas e que, nos últimos 12 meses, 10,2% dos entrevistados relataram que foram hospitalizados pelo menos uma vez.
A insegurança nas áreas urbanas também foi destacada no diagnóstico apresentado pela Fiocruz e UFMG, que mostrou que 85% dos idosos com 50 anos ou mais vivem em cidades.
Mais de 40% dos ouvidos disseram ter medo de cair nas ruas em função do estado de calçadas e passeios. Outros 36% declararam o temor em atravessar ruas.
“Saúde é uma responsabilidade de todos. Estamos falando de educação, de saneamento, de mobilidade urbana. Todos nós, como governo de maneira global, temos que adotar medidas”, defendeu o ministro da Saúde.
Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Inpi aceita patente de remédio para hepatite C


Com decisão, versão genérica mais barata será barrada
A empresa farmacêutica norte-americana Gilead obteve decisão favorável relacionada a um pedido de patente do medicamento Sofosbuvir no Brasil. A solicitação foi deferida ontem (18) pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi). O remédio vem revolucionando o tratamento da hepatite C, contribuindo para a cura de muitos pacientes e reduzindo a demanda pelo transplante de fígado.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), através do Instituto Farmanguinhos, anunciou em abril ter firmado parcerias para fabricar uma versão genérica nacional do remédio que seria adotada no Sistema Único de Saúde (SUS). Na ocasião, a expectativa era de que ela estivesse disponível até o final deste ano, ajudando assim a erradicação a hepatite C no país. Porém, com a decisão do Inpi, a Gilead terá exclusividade para a produção do mediamento e monopólio da sua comercialização no Brasil.
Em nota, a Fiocruz afirmou que recebeu com surpresa a notícia do deferimento do pedido de patente e que não houve exposição das justificativas técnicas. A fundação avalia que o pedido não apresenta os requisitos de novidade e atividade inventiva. Também não teria sido apresentada a descrição de invenção de modo que um técnico consiga reproduzir o medicamento reivindicado. Tal descrição é um dos critérios que devem ser observados para a concessão de patente.
Repercussão
O Ministério da Saúde informou que, oficialmente, ainda não teve ciência da decisão do Inpi. Pelos cálculos da pasta, o preço de cada tratamento de hepatite C, que dura 84 dias, ficaria em pouco mais de R$ 5 mil usando o medicamento nacional. Comprando o remédio dos laboratórios privados, o custo por paciente já chegou ao patamar de US$ 84 mil.
A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras também emitiu nota lamentando a decisão do Inpi e avaliou que ela limita o acesso à cura da hepatite C. Segundo a entidade, há quase 700 mil pessoas com a doença no Brasil e havia argumentos sólidos, baseados no interesse público, para negar a concessão da patente. "Atualmente, a Gilead cobra cerca de US$ 4,2 mil por tratamento contra a doença. Em contraste, nos projetos em 13 países onde trata a doença, a Médicos Sem Fronteiras adquire medicamentos genéricos da mesma qualidade dos remédios de marca ao preço de US$ 120", registra o texto.
Nos cálculos realizados pela organização humanitária, a adoção da versão nacional do remédio pelo SUS levaria a uma economia superior a R$1 bilhão por ano. Ela defende que o governo federal avance no licenciamento compulsório do Sofosbuvir, permitindo a produção por outras empresas e barateando o remédio.
A Rede Brasileira Pela Integração dos Povos, através do seu Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual, anunciou que vai entrar com recursos contra a patente. A rede é composta por diversas organizações, entre elas a Médicos Sem Fronteiras e a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (Abia).
"Esse é um medicamento que salva vidas e não deve haver um monopólio sobre ele. Não podemos ficar nas mãos da ganância de uma transnacional que irá fixar altos preços. O Inpe fez uma escolha e colocou em risco um projeto de eliminação da hepatite C no Brasil", disse Pedro Villardi, coordenador do grupo de trabalho.
Em nota, o Inpi informou que deferiu a patente para uma molécula intermediária para a síntese do Sofosbuvir e afirmou que se baseou nos critérios técnicos previstos na Lei da Propriedade Industrial, assim como em todos os demais exames que realiza. O órgão esclarece ainda que cada país tem independência para atender ou não os pedidos e decisões semelhantes em favor da Gilead ocorreram na África do Sul, Colômbia, Estados Unidos, Índia, Japão e Rússia, e ainda no Escritório Europeu de Patentes.
"A Lei prevê que a invenção, para ser patenteada, deve ter novidade (ser nova no mundo todo), atividade inventiva (não ser óbvia para um técnico no assunto) e aplicação industrial (ser passível de fabricação). O parecer definitivo publicado nesta terça-feira foi elaborado após as manifestações de terceiros (13 no total, incluindo empresas, órgãos de governo e entidades da sociedade civil), dois pareceres do Inpi, contra-argumentações e ajustes do solicitante. O processo seguiu todas as etapas e prazos previstos na Lei", acrescenta a nota. A Agência Brasil também tentou, sem sucesso, contato com a Gilead.
Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Ministério da Saúde procura projetos voltados às pessoas idosas


Inscrições estão abertas até o dia 4 de setembro. O objetivo é identificar e revelar as boas práticas, além de incentivar os gestores a potencializar ações voltadas à pessoa idosa no SUS
Conhecer e dar visibilidade às boas práticas de municípios, estados e do Distrito Federal voltadas à saúde da pessoa idosa. Esses são os principais objetivos da 6ª Edição do Mapeamento de Experiências Exitosas sobre Envelhecimento, que está com as inscrições abertas até o dia 4 de setembro. A iniciativa é uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (Icict/Fiocruz).
A ação visa divulgar e compartilhar experiências com gestores, profissionais de saúde, interessados em geral, além de incentivar estratégias e ações que contribuam para qualificar o cuidado à pessoa idosa no Sistema Único de Saúde (SUS), em consonância com a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI) e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A inscrições podem ser feitas pelo link: http://saudedapessoaidosa.fiocruz.br.
A coordenadora de Saúde da Pessoa Idosa do Ministério da Saúde, Cristina Hoffmann, explica que “mapeamento vai permitir identificar as diferentes respostas que os gestores municipais e estaduais têm dado aos desafios que o processo de envelhecimento da população brasileira pode contribuir para o aprimoramento do SUS”.
Cristina Hoffmann ressalta que a partir das respostas será possível conhecer quais as ofertas de ações que poderão ser replicadas para pessoas no âmbito da saúde pública. “Os gestores irão trocar experiências. Um gestor da Região Norte pode conhecer as ações de um gestor da Região Sul. Com isso, teremos acesso a fórmulas e experiências que vão desde mobilização da comunidade no enfretamento da violência contra a pessoa idosa até a organização da rede de atenção à saúde”, explica Hoffmann. Ainda segundo a coordenadora, o mapeamento vai possibilitar qualificar e identificar a diversidade de respostas que os munícipios e estados têm dado e, com isso, poderemos divulgar a diversidade cultural existente.
As experiências mapeadas podem estar relacionadas aos diferentes níveis de cuidados, da Atenção Básica à Especializada, desenvolvidas, por exemplo, junto à Estratégia de Saúde da Família (ESF), Unidades Básicas de Saúde (UBS), Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), Atenção Domiciliar, Atenção Hospitalar, entre outras, assim como experiências ligadas aos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIS).

SERVIÇO

6ª Edição do Mapeamento de Experiências Exitosas sobre Envelhecimento
Inscrição
Até 04/09
Avaliação das experiências inscritas
10 a 28/09/2018
Divulgação dos resultados*
10/10/2018
Apresentação das 14 experiências selecionadas
28 a 30/11/2018
Edital

O resultado será enviado por e-mail para todos os participantes inscritos

Fonte: Ministério da Saúde

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Fiocruz faz pesquisa de casos de dengue, zika e chikungunya no Recife



A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deu início a um levantamento para identificar o número de casos – novos e antigos – de zika, dengue e chikungunya em diferentes níveis socioeconômicos e faixas etárias no Recife. Nas visitas a domicílios escolhidos por sorteio, será aplicado um questionário para reunir dados sociodemográficos e de história anterior de adoecimento por arboviroses. As equipes também vão coletar amostras de sangue para exames sorológicos e moleculares.
No caso de pessoas com sintomas de alguma das doenças na ocasião da visita da equipe ou que apresentaram sintomas nos últimos 30 dias, serão coletadas também amostras de urina, saliva e fio de cabelo para serem submetidas a testes mais específicos. “A finalidade é tentar esclarecer se fatores ambientais podem ter interagido com o vírus Zika e ter aumentado os casos de microcefalia”, informou a Fiocruz. Todo o material coletado será encaminhado ao departamento de Virologia e Terapia Experimental em Pernambuco.
As visitas aos domicílios, de acordo com a fundação, serão feitas das 17h às 21h, de segunda a quinta-feira, e das 9h às 12h, aos sábados, horários em que a maioria dos membros das famílias está em casa. Todos os participantes vão receber os resultados dos testes e orientações sobre eles. Os pacientes que estiverem sintomáticos serão encaminhados para atendimento na rede de saúde municipal.
Devem ser visitadas, ao todo, 990 casas e coletadas amostras de aproximadamente 3.105 pessoas com idade entre 5 e 65 anos.
“Com esse estudo, será possível conhecer a dimensão das epidemias de zika e chikungunya e avaliar a situação atual da dengue, no Recife. Zika e chikungunya são confundidas com dengue por terem sintomas semelhantes e há muitos casos assintomáticos, o que leva à subnotificação”, explicou a coordenadora do inquérito, a pesquisadora Cynthia Braga.
Uma das propostas da pesquisa, segundo ela, é ajudar a identificar a população mais vulnerável ao Zika e a quantidade de mulheres em idade fértil que ainda não têm imunidade contra o vírus. Serão conhecidos ainda fatores de risco associados às três arboviroses e as áreas mais afetadas.
O estudo será desenvolvido com aporte financeiro do Ministério da Saúde, da Organização Pan-Americana de Saúde e do consórcio internacional Zikalliance.
Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

2 casos de sarampo confirmados em Pernambuco


A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES/PE) e a Secretaria de Saúde do Recife confirmam dois casos de sarampo no Estado. Trata-se de um homem de 27 anos com histórico de viagem no início de julho para Manaus, área onde está circulando o vírus. Em Manaus, ele teve contato com um caso suspeito. A segunda ocorrência é de uma menina de 2 anos, sobrinha do homem e que mora com ele no Recife. Os dois não comprovaram vacinação para tríplice viral. Após resultado laboratorial preliminar do Laboratório Central de Pernambuco (Lacen/PE), não conclusivo, mas sugestivo para doença, as amostras de sangue dos pacientes foram encaminhadas para a Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro (Fiocruz/RJ), laboratório de referência nacional que confirmou a doença.
De acordo com a Fiocruz, a menina de 2 anos teve resultado positivo por meio das técnicas de PCR e sorologia, enquanto o homem teve sorologia positiva. Os outros três casos relacionados a esses pacientes (dois familiares e uma funcionária) continuam em análise. É importante ressaltar que, logo após a notificação dos casos, as medidas de vigilância e controle foram executadas pelas secretarias de Saúde do Recife (de origem dos pacientes) e de Jaboatão dos Guararapes (onde o homem trabalha), com o apoio da Secretaria Estadual de Saúde. Entre as ações, bloqueio vacinal de contatos com os casos confirmados, como é preconizado pelo Ministério da Saúde. Todos os órgãos continuam vigilantes para a situação. 
“A Vigilância em Saúde do Estado está atenta para analisar os casos notificados e desencadear as ações para evitar a propagação de casos. Precisamos reforçar com os serviços de saúde e os municípios pernambucanos a necessidade de estar vigilante e para comunicar de imediato qualquer suspeita. Uma resposta rápida é essencial para quebrar a cadeia de transmissão e, consequentemente, o surgimento de um surto da doença”, afirma George Dimech, diretor geral de Controle de Doenças Transmissíveis da SES.
A  SES/PE ressalta que a confirmação desses casos no Estado só reforça a importância da população manter a caderneta de vacinação corretamente atualizada. Atualmente, está ocorrendo uma campanha nacional de vacinação contra a poliomielite e o sarampo, que segue até 31 de agosto. A campanha de vacinação é voltada para crianças de 1 ano a menores de 5 (4 anos, 11 meses e 29 dias), independente da situação vacinal. No Estado, o objetivo é imunizar, no mínimo, 95% dos 544.180 meninos e meninas inclusos na estratégia.
Em 2018, Pernambuco notificou 102 casos suspeitos de sarampo (30 notificações dessas são do Recife). Desse total, 48 foram descartados (16 do Recife), 2 confirmados (ambas as confirmações são da capital pernambucana) e os demais estão em investigação. “Diante da ocorrência de sarampo no Brasil e da constante comunicação da situação epidemiológica feita pela SES, os profissionais de saúde estão sensibilizados para identificação e notificação de casos suspeitos da doença. Esse fato é importante pois é a partir dessas notificações que as secretarias municipais de Saúde e o Estado podem realizar ações de prevenção e controle”, destaca George Dimech.
PREVENÇÃO
A prevenção pode ser feita através da vacina tríplice viral, que protege também contra rubéola e caxumba. Ela deve ser aplicada em crianças com 12 meses, com um reforço aos 15 meses com a tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela). Crianças acima de 2 anos, jovens e adultos até os 29 anos e profissionais de saúde não vacinados anteriormente ou que não lembram se foram imunizados, devem tomar duas doses da tríplice viral, com intervalo de 30 dias entre elas. Já os adultos entre 30 e 49 anos, na mesma situação, devem tomar uma dose da tríplice.
SARAMPO
O sarampo é uma doença infecciosa aguda, transmitida por vírus e extremamente contagiosa. O paciente com a enfermidade pode apresentar os seguintes sintomas: febre, tosse, irritação ocular, corrimento do nariz, manchas avermelhadas no rosto, que avançam em direção aos pés. Também pode causar infecção nos ouvidos, pneumonia, ataques (convulsões e olhar fixo), lesão cerebral e morte. Além disso, o vírus pode atingir as vias respiratórias, causar diarreias e até infecções no encéfalo. Mais comum na infância, o sarampo pode se desenvolver de maneira mais grave em recém-nascidos, desnutridos, gestantes e pessoas portadoras de imunodeficiências.
A transmissão se dá por meio do contato direto através de tosse, espirros, fala, secreções respiratórias ou da boca. O contágio ocorre na fase em que o doente apresenta febre alta, mal-estar, coriza, irritação ocular, tosse e falta de apetite e dura até quatro dias após o aparecimento das manchas vermelhas. 

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Estudo mostra que Zika chegou ao Brasil proveniente do Haiti



Estudo desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco revela que o vírus Zika chegou ao Brasil proveniente do Haiti. De acordo com pesquisadores, imigrantes ilegais e militares brasileiros que participaram da missão de paz no país caribenho podem ter trazido a doença.
Entre as hipóteses consideradas até então estava a de que o vírus teria entrado no Brasil durante a Copa do Mundo de 2014, trazido por turistas africanos. Outra teoria era de que a introdução teria ocorrido durante o Campeonato Mundial de Canoagem, realizado em agosto de 2014 no Rio de Janeiro, que recebeu competidores de vários países do Pacífico afetados pelo vírus.
Segundo a Fiocruz, o vírus Zika, originário da Polinésia Francesa, não veio de lá diretamente para o Brasil. Antes, migrou para a Oceania, depois para a Ilha de Páscoa, de onde foi para a América Central e o Caribe e só então chegou ao Brasil, no final de 2013. O trajeto coincide com o caminho percorrido por outras arboviroses, como dengue e chikungunya.
“Esse resultado aponta para o fato de que a América Central e Caribe são importantes rotas de entrada para arbovírus na América do Sul. Uma informação estratégica para a vigilância epidemiológica e para adoção de medidas de controle e monitoramento dessas doenças, especialmente em regiões de fronteira com outros países, portos e aeroportos”, destacou a fundação.
Ainda de acordo com a Fiocruz, em todos os casos brasileiros estudados, o ancestral em comum desse tipo de vírus é uma cepa do Haiti, país afetado por uma espécie de tripla epidemia de zika, dengue e chikungunya.
Outra conclusão do estudo é que houve múltiplas introduções, independentes entre si, do vírus Zika no Brasil. Isso muda a crença anterior de que um único paciente poderia ter trazido a doença, que depois teria se espalhado pelo país.
Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Pernambuco investiga casos suspeitos de sarampo


Em 2017, apenas 69% das crianças de 1 ano tomaram a segunda dose da vacina no Estado
A Secretaria Estadual de Saúde (SES/PE) está investigando 5 possíveis casos de sarampo no Estado. Dois deles já foram notificados e têm quadro clínico compatível com a doença. Um deles é um homem de 27 anos, residente no Recife, com histórico de viagem para Manaus, região já considerada com epidemia da enfermidade. Segundo relato do paciente, ele teve contato com um caso suspeito durante a estada na capital do Amazonas. O outro caso é sua sobrinha de 2 anos, com quem teve contato ao voltar para a capital pernambucana. A menina não tem histórico vacinal da tríplice viral. Ambos apresentaram sintomas da doença e estão sendo investigados pelo município do Recife com o apoio do Estado. As outras três pessoas sob suspeita são relacionadas aos dois pacientes e também estão sendo acompanhadas.
Após a notificação dos dois casos, foi realizada a coleta de sangue de ambos, entre os dias 01 e 02 de agosto, e encaminhadas para o Laboratório Central de Pernambuco (Lacen-PE). Os resultados, preliminares e não conclusivos, foram sugestivos para a doença. Contudo, de acordo com as normas do Ministério da Saúde, para confirmar os casos é necessário o envio das amostras para realização de novas análises no laboratório nacional de referência, localizado na Fiocruz/RJ. O envio será realizado já nesta segunda-feira (06/08). Todas as ações de vigilância e controle estão sendo realizadas, independente do resultado laboratorial.
A SES/PE, em parceria com os municípios do Recife, de residência dos pacientes, e Jaboatão dos Guararapes, onde o homem de 27 anos trabalha, está realizando todas as ações de investigação, vigilância e bloqueio para evitar novos casos. As ações buscam identificar e monitorar todas as pessoas que tiveram contato com esses pacientes, imunizando aqueles sem histórico vacinal ou que não estão adequadamente vacinados, além de verificar a possibilidade da existência de novos casos. Durante a averiguação, foram identificados, no mesmo grupo familiar, três outros casos suspeitos, sendo um adolescente de 13 anos, uma jovem de 19 e uma mulher de 42 anos. 
“O trânsito de pessoas entre Estados e países intensifica o risco da reintrodução desses vírus em Pernambuco. Além disso, estamos vivenciando um período de baixa cobertura vacinal em todo o Brasil. Precisamos chamar a atenção do público para a vacinação, que é a melhor maneira de proteger nossa população contra essas e outras enfermidades, muitas delas potencialmente graves. Essa campanha é importante para ampliarmos nossas coberturas e continuarmos sem a circulação do sarampo e da poliomielite em nossas cidades”, afirma Ana Catarina de Melo, coordenadora do Programa Estadual de Imunização.  
A notificação desses casos em Pernambuco só reforça a importância da população manter a caderneta de vacinação corretamente atualizada. No caso do sarampo, a prevenção pode ser feita através da vacina tríplice viral, que previne também contra rubéola e caxumba. Ela deve ser aplicada em crianças com 12 meses, com um reforço aos 15 meses com a tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela). Crianças acima de 2 anos, jovens e adultos até os 29 anos e profissionais de saúde não vacinados anteriormente ou que não lembram se foram imunizados, devem tomar duas doses da tríplice viral, com intervalo de 30 dias entre elas. Já os adultos entre 30 e 49 anos, na mesma situação, devem tomar uma dose da tríplice.
Em 2017, 99% das crianças de 1 ano tomaram a primeira dose da vacina tríplice viral em Pernambuco. Contudo, apenas 69% fizeram a segunda dose, completando o esquema. A meta mínima para prevenir a circulação da doença é de 95%. No Estado, foram confirmados 199 casos de sarampo em 2013 e 27 em 2014, além de 1 caso importado em 2012. Anteriormente, o último registro tinha sido em 1999, com 240 casos. 
SARAMPO
O sarampo é uma doença infecciosa aguda, transmitida por vírus e extremamente contagiosa. O paciente com a enfermidade pode apresentar os seguintes sintomas: febre, tosse, irritação ocular, corrimento do nariz, manchas avermelhadas no rosto, que avançam em direção aos pés. Também pode causar infecção nos ouvidos, pneumonia, ataques (convulsões e olhar fixo), lesão cerebral e morte. Além disso, o vírus pode atingir as vias respiratórias, causar diarreias e até infecções no encéfalo. Mais comum na infância, o sarampo pode se desenvolver de maneira mais grave em recém-nascidos, desnutridos, gestantes e pessoas portadoras de imunodeficiências.
A transmissão se dá por meio do contato direto através de tosse, espirros, fala, secreções respiratórias ou da boca. O contágio ocorre na fase em que o doente apresenta febre alta, mal-estar, coriza, irritação ocular, tosse e falta de apetite e dura até quatro dias após o aparecimento das manchas vermelhas. 

quarta-feira, 25 de abril de 2018

ONU lança campanha sobre a saúde sexual e reprodutiva das mulheres no Brasil


Atriz Bella Piero é uma das representante da campanha da ONU
No dia 26 de abril, São Paulo sediará uma campanha pela saúde sexual e reprodutiva que colocará as mulheres e adolescentes no centro do debate sobre seus direitos. A iniciativa está sendo organizada pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em parceria com organizações do setor privado e instituições filantrópicas, e apoiada pela Embaixada dos Países Baixos. Será a primeira realizada pela Aliança pela Saúde e pelos Direitos Sexuais e Reprodutivos no Brasil, formada pelas instituições citadas.
Com o tema “Ela Decide Seu Presente e Seu Futuro”, o movimento realizará ações de empoderamento para que brasileiras possam tomar decisões autônomas sobre sua sexualidade – sobre engravidar ou não, sobre quando e quantos filhos ter e sobre como vivenciar a maternidade.
Os altos índices de gestações não planejadas, de mortes em decorrência de complicações durante a gravidez, o parto e o pós-parto para a mãe, o aumento de infecções por doenças sexualmente transmissíveis evidenciam a urgência da necessidade de se discutir essas questões.
De acordo com dados da pesquisa Nascer no Brasil, da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), cerca de 30% das mulheres que deram à luz nos hospitais pesquisados disseram que não desejaram a gestação. A pesquisa revela ainda que a cada 100 mil bebês nascidos vivos, 143 mães morriam antes de 1990. Esse número caiu consideravelmente entre 1990 e 2015, porém, ainda continua alto e preocupante, para o mesmo número de bebês nascidos vivos, 61 mulheres vieram a óbito em 2015.
Segundo Jaime Nadal, representante da UNFPA no Brasil, a questão central desse debate são as mulheres, “porque é sobre o corpo delas que os efeitos da desinformação e da discriminação de gênero recaem de forma muito mais impactante e com consequências para toda a sociedade. Por isso, é fundamental que as mulheres brasileiras decidam seu presente e seu futuro”. Ele afirmou ainda que o desenvolvimento do país é responsabilidade de vários setores, inclusive do privado, e não apenas do Estado, por isso, a ONU realiza essas parcerias.
A Aliança é uma iniciativa dos setores privado e filantrópico, em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e apoio da Embaixada dos Países Baixos, para a promoção da saúde e garantia dos direitos sexuais e reprodutivos. Também fazem parte da Aliança as empresas Bayer, MSD, Reckitt Benckiser, Semina e o Instituto Ethos.
Inspirada na ação global She Decides, a campanha busca ampliar e qualificar o debate público sobre o tema, além de arrecadar contribuições técnicas e financeiras dos apoiadores. O evento é gratuito, aberto ao público e com vagas limitadas, mediante inscrição prévia.