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terça-feira, 31 de julho de 2018

'Viagra do Himalaia': o fungo parasita 'afrodisíaco' mais caro que ouro



Para alguns, não passaria da carcaça de uma lagarta. Mas, para muitas outras pessoas, trata-se de um produto extremamente valioso - e cada vez mais escasso. O yakasumba é um fungo que cresce em altitudes de 3 mil a 5 mil metros e só é encontrado na região dos Himalaias - em regiões como Nepal, Índia, Butão e no Tibete. Ele se forma quando o fungo, na terra, ataca e disseca uma lagarta. Especialistas em medicina tradicional dizem que ele é eficaz contra impotência, asma e câncer.
Esse efeito torna o Yarsagumba, também conhecido como o 'Viagra do Himalaia', mais valioso do que ouro. Um quilo do fungo pode custar US$ 100 mil (R$ 386,3 mil), mais do que o dobro dos US$ 40 mil cobrado pelo quilo de ouro. Isso faz com que, entre maio e junho, vilarejos nos Himalaias fiquem desertos - seus moradores foram para as montanhas coletá-los.
Mas trabalhar a essas altitudes é perigoso. “É muito frio aqui. Às vezes, somos pegos pela chuva. Já enfrentamos avalanches algumas vezes”, conta Sita Gurung, que coleta o fungo. “Se a avalanche é muito grande, pode carregar todos nós. É assustador.”
Cada um rende de US$ 3,50 a US$ 4,50 para os moradores dos vilarejos. Depois, o fungo é exportado para países como China, Cingapura, Estados Unidos, Reino Unido, Coreia, Japão, Mianmar e Tailândia, onde um grama do yakasumba pode custar até US$ 100. 
O yakasumba responde por 56% da renda anual dos moradores desses vilarejos. “Graça ao yakasumba, posso comprar roupas novas. Tenho dinheiro para visitar Katmandu e não dependo de ninguém financeiramente”, diz Sita Gurung.
Mas especialistas alertam que o yakasumba está cada vez mais escasso por causa do excesso de colheita e do aquecimento global. “Antes, a gente achava muitos yakasumbas, às vezes, cem por dia. Agora, achamos de 2 a 20 - às vezes, voltamos para casa de mãos vazias.”
Matéria original no site da BBC Brasil, disponível aqui.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Asma: Ministério da Saúde estima que 6,4 milhões de brasileiros têm a doença


A asma é mais prevalente em crianças, adolescentes e adultos jovens
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas e é uma das doenças respiratórias mais prevalentes na população. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca que 235 milhões de pessoas são portadores da enfermidade. Em termos de Brasil, uma pesquisa do Ministério da Saúde/IBGE indica que 6,4 milhões de brasileiros acima de 18 anos têm asma. Já de acordo com o estudo ISAAC (International Study of Asthma and Allergies in Childhood), a estimativa é que a prevalência em crianças e adolescentes seja em torno de 20% no país.
Também conhecida como bronquite ou bronquite asmática, a asma tem como principal característica a dificuldade de respirar quando a pessoa é exposta a agentes alergênicos. De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), ela é responsável po 2 mil mortes de adultos e crianças anualmente. Pode ser desencadeada pelo esforço físico e um dos fatores que contribuem para os óbitos é a falta de informação.
A asma acomete, principalmente, crianças e adultos jovens e está associada a fatores genéticos e ambientais. Os principais sintomas são tosse, cansaço, falta de ar e chiado no peito, eles podem aparecer juntos ou isoladamente. A tosse crônica ou a falta de ar durante a prática de exercícios físicos também podem ser sintomas da doença. O tabagismo ou a exposição à fumaça do cigarro também irrita as vias aéreas e deixa pequenas cicatrizes, sendo responsável por muitas inflamações. 
Alguns fatores ambientais que podem desencadear a asma são a exposição à poeira, aos ácaros e fungos, às variações climáticas e infecções virais (especialmente o vírus sincicial respiratório e rinovírus, principais agentes causadores de pneumonia e resfriado, respectivamente).
De acordo com Luiz Alexandre Ribeiro, alergologista e imunologista da Alergoimuno, o tratamento é realizado através do uso de bombinhas, corticóides e, nos casos mais graves, através de terapia imunobiológica. “O maior avanço no tratamento da asma hoje é a terapia imunobiológica porque ela vai na base do problema. Essa terapia é feita a partir de anticorpos monoclonais. São remédios feitos através de engenharia genética que são utilizados para bloquear alguns genes defeituosos que estão relacionados com a doença”, destaca.
Esse tratamento já existe no Brasil, porém o grande problema é o alto custo e a dificuldade de acesso através do Sistema Único de Saúde (SUS). Luiz Alexandre afirma que a maioria dos pacientes com asma não precisa desse tipo de tratamento, porque eles têm asma leve ou moderada, apenas cerca de 3 a 5% dos asmáticos mais graves precisam de tratamento com imunobiológico.
O especialista relata que a medicina personalizada é um grande avanço no tratamento da asma. “Antigamente, se tratava os pacientes de forma igual de acordo com os sintomas. Então, tosse, cansaço, chiado é asma e todo mundo tratava igual, só que ao longo do tempo a gente começou a ver que alguns pacientes respondiam bem a bombinha e outros não, uns respondiam bem ao corticoide e outros não. Então, passou-se a estudar o fenótipo da doença, ou seja, apesar de todos apresentarem o fenótipo de tossir, cansar e chiar, nem todo mundo vai desenvolver a doença de maneira igual. Esse tipo de estudo permite a gente tratar com mais precisão a gênese da doença de cada paciente especificamente”, ressalta Luiz Alexandre Ribeiro. 
O alergologista enfatiza ainda a importância da modificação do estilo de vida para ajudar no processo terapêutico, como manter uma alimentação saudável, dormir bem, frequentar locais abertos como parques e praias, diminuir a exposição ao tabaco e moderar a ingestão de bebida alcoólica. Os esportes aeróbicos como correr, nadar, andar de bicicleta também auxiliam na prevenção.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Alergia: Entrevista com especialista esclarece sobre a doença e a prevenção



A chegada do inverno e o aumento da poluição nos grandes centros urbanos propiciam uma maior incidência das manifestações alérgicas. É também nesse período que celebra-se, anualmente, o Dia Nacional de Prevenção da Alergia (07/05). A data foi criada com o intuito de alertar a população para a importância da prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.
Segundo dados da World Allergy Organization (WAO), as doenças alérgicas atingem de 30% a 40% da população mundial, sendo a rinite e a asma as mais comuns. Estes dois tipos acometem entre 10% a 20% da população, sendo que 80% dos indivíduos com asma também têm rinite alérgica. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 35% da população brasileira tem alergia, doença considerada a 5ª maior causa de internações no SUS.
A diretora científica da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) da regional Pernambuco, Ana Caroline Dela Bianca, explicou que a entidade local acompanha a campanha nacional da associação que, esse ano, enfatizará a dermatite atópica através de publicidade em outdoors. Dela Bianca lembrou que esse mês haverá também uma ação em virtude da Semana da Imuno Deficiência.
Para marcar o Dia Nacional de Prevenção da Alergia, o Blog Saúde e Bem Estar entrevistou a alergologista e imunologista Ana Carla Moura, para esclarecer à população sobre a doença e quais os cuidados necessários para prevenção. Confira a entrevista completa:

SBE - O que é Alergia?
Ana Carla Moura - A alergia é uma reação exagerada do sistema imune aos alérgenos em indivíduos predispostos geneticamente, conhecida como reação de hipersensibilidade.
SBE - Quais os tipos de reação?
Ana Carla Moura - As reações alérgicas podem ser classificadas em reações IgE mediadas, não IgE mediada ou mediadas por células.
SBE - Quais alergias são mais comuns?
Ana Carla Moura - Alergia Alimentar, Rinite Alérgica, Asma Brônquica, Dermatite Atópica, Reação a Medicamentos, Alergia a picada de insetos e Anafilaxia (reação alérgica grave que atinge vários sistemas do corpo).
SBE - O que pode causar?
Ana Carla Moura - Predisposição genética juntamente com fatores epigenéticos (modificações do genoma, mas que não envolvem uma mudança na sequência do DNA) e sensibilização a alérgenos - alimentares ou ambientais.
SBE - Qual o índice de pessoas portadoras de algum tipo de alergia?
Ana Carla Moura - Cerca de um terço da população mundial apresenta doenças alérgicas. Nas últimas décadas, houve um aumento significativo da prevalência de alergias, o que as tornam, definitivamente, um problema de saúde pública e relevante impacto na qualidade de vida de crianças e adultos.
SBE - Existe um grupo de risco acometido com mais frequência?
Ana Carla Moura - Principalmente, crianças e adultos jovens, podendo ocorrer em qualquer faixa etária, inclusive idosos. O termo marcha atópica é um conceito da evolução das doenças alérgicas, que podem ocorrer de forma sequencial, a partir dos primeiros anos de vida. Em geral, a Dermatite Atópica é a primeira manifestação clínica da marcha alérgica, seguida de Asma e/ou Rinite Alérgica demonstrando o caráter de frequente de persistência ou progressão de sintomas através das várias fases da vida.
SBE - Quais são os sintomas?
Ana Carla Moura - Os sintomas podem ser cutâneos - urticária, dermatite; respiratórios - coriza, espirros, coceira nasal como na rinite alérgica ou tosse crônica ou crises de sibilância (ruído semelhante a um assobio); gastrintestinais - vômitos, diarreia, dor abdominal; ou sistêmicos como na anafilaxia - reação alérgica grave onde vários sistemas podem estar envolvidos, inclusive sistemas cardiovascular (pressão baixa) e nervoso central (síncope ou perda dos sentidos devido à deficiência de irrigação sanguínea no cérebro).
SBE - Como é feito o diagnóstico?
Ana Carla Moura - O diagnóstico é realizado através da anamnese (história clínica + exame físico) aliado a testes cutâneos que avaliam a sensibilização aos diversos alérgenos. Outras ferramentas diagnósticas podem ser utilizadas conforme a doença alérgica, como o Patch teste (teste de contato) para a dermatite de contato ou reação adversa a medicamento, ou ainda o teste de provocação para confirmar o diagnóstico de alergia alimentar e medicamentos. No entanto, devem ser realizados pelo especialista após avaliação clínica criteriosa.
SBE - Quais são as possibilidades de tratamento?
Ana Carla Moura - Há várias possibilidades terapêuticas – tratamento com corticoides tópicos e inalatórios, Imunoterapia alérgeno-específico (tratamento de doenças através da produção de tolerância imunológica) e, nos últimos anos, o uso de imunobiológicos para tratamento da Asma, Urticária Crônica e mais recentemente para Dermatite Atópica.
SBE - Como prevenir as reações alérgicas?
Ana Carla Moura - A prevenção pode ser iniciada em vários períodos da vida, inclusive já na gravidez. Atuar na modificação do curso da doença atópica significa estabelecer uma prevenção primária (impedir a sensibilização precoce), secundária (deter a expressão da alergia em indivíduos já sensibilizados) e a terciária (redução da morbidade da doença já instalada). As medidas preventivas variam de acordo com as doenças alérgicas como  evitar exposição ao tabagismo para Asma, hidratação cutânea precoce para Dermatite Atópica, são alguns exemplos. Nos indivíduos sensibilizados, a  educação dos pacientes e familiares é fundamental, como evitar exposição ao alérgeno desencadeante, uso correto e regular da medicação, e manejo terapêutico adequado nas crises. Em pacientes com história de reações graves, casos de anafilaxia, o reconhecimento de sinais e sintomas são essenciais, bem como a prescrição de adrenalina auto injetável.
SBE - Há cura para a doença?
Ana Carla Moura - Até o momento, não podemos falar em cura, mas em controle de sintomas. Idealmente, seria a prevenção primária (impedir a sensibilização alérgica e a quebra da tolerância imunológica), que tem sido objeto de estudo e pesquisa na literatura recente.
SBE - Que orientações poderiam ser dadas à população sobre os cuidados e prevenção?
Ana Carla Moura - Aleitamento materno exclusivo principalmente nos primeiros 4 meses de vida; Evitar tabagismo durante a gestação e após; Diminuir estresse; Praticar atividade física regularmente; Atividades ao ar livre; Diminuir a ingestão de alimentos processados e industrializados;  Evitar exposição ao alérgeno desencadeante (a exemplo do ácaro); Consultar um especialista logo no início dos sintomas de doenças alérgicas. 


Ana Carla Moura
Alergologia e Imunologia, Especialização pelo Instituto da Criança no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC/FMUSP), Título de Especialista pela Associação Brasileira de Alergologia e Imunologia (ASBAI).

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Reajuste no Farmácia Popular favorece entrega de medicamentos gratuitos



Desde segunda-feira (30/04), as drogarias credenciadas ao Farmácia Popular passaram a receber um reajuste no reembolso de 20 medicamentos entregues gratuitamente à população. O Ministério da Saúde acompanhará o abastecimento nas unidades credenciadas para garantir o atendimento à população. Atualmente, mais de 31 mil farmácias fazem parte da iniciativa, em 4.342 municípios, estando presente em 78% do território brasileiro.
O reajuste nos repasses às drogarias elimina as distorções de valores pagos pelo Governo Federal que, em alguns casos, chegavam a custar mais de 200% acima do mercado. A medida é resultado de um estudo do Sistema de Acompanhamento de Mercado de Medicamentos (Sammed), que aponta que os valores pagos pela pasta em 20 medicamentos estavam defasados ou acima do praticado pelo mercado. Com base nos valores de referência, nove produtos terão aumento, sete terão redução e quatro devem variar de acordo com os impostos de cada estado.
O programa distribui, principalmente, remédios para hipertensão, diabetes e asma. Ao todo, são disponibilizados 42 produtos, sendo que 26 deles gratuitamente e o restante com descontos que chegam a 90%. Desde a sua criação, o Farmácia Popular já atendeu mais de 43 milhões de brasileiros, o equivalente a cerca de 20% da população do país.
Para retirar os remédios, o cidadão deve apresentar o documento de identidade, CPF e receita médica dentro do prazo de validade. A receita pode ser emitida tanto por profissionais da rede pública quanto da rede privada. Irregularidades sobre o programa podem ser informadas por qualquer cidadão pelo telefone 136.
Com informações do Ministério da Saúde