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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Governo quer fechar acordo para reduzir níveis de açúcar em alimentos



O ministro da Saúde, Gilberto Occhi, anunciou hoje (1º), em Brasília, que ainda este mês será finalizado um acordo com a indústria de alimentos processados para a redução do nível de açúcar em vários produtos.
Segundo ele, nesse primeiro momento, a proposta vai incluir iogurtes, achocolatados, sucos em caixinha, refrigerantes, bolos e biscoitos.
“Cada um terá um nível de redução de açúcar, que será estabelecido até 2021, quando sentaremos novamente com a indústria para definir um novo patamar”, disse Occhi, durante o lançamento de uma pesquisa sobre perfil da população idosa brasileira.
O ministro disse que o acordo com a indústria é uma das ações preventivas contra problemas de saúde que poderão contribuir para a melhoria da qualidade de vida população em crescente envelhecimento no país.
Atualmente, os idosos representam 14,3% dos brasileiros, ou seja, 29,3 milhões de pessoas.
Vivendo mais
A expectativa de vida do brasileiro aumentou 30 anos nas últimas sete décadas, passando de pouco mais de 45 anos de idade para 75 anos.
“Temos que cuidar desde a infância para que nossa população tenha uma vida cada vez mais saudável. As pessoas com mais de 60 anos precisam ter práticas físicas e diagnósticos cada vez mais precoces sobre possíveis doenças crônicas”, disse o ministro da Saúde.
De acordo com o estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), 75,3% das 9,4 mil pessoas com 50 anos ou mais, entrevistadas em 70 municípios brasileiros, dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa aponta que, por este cenário, os investimentos no sistema são fundamentais para reduzir as desigualdades sociais em saúde.
Um dos pontos de alerta feito pelos pesquisadores é o de que o envelhecimento da população é uma realidade irreversível que ainda ocorre de forma “profundamente desigual”. As diferenças econômicas, segundo eles, refletem diretamente na qualidade de vida dessas pessoas.
Hipertensão lidera doenças
O leque de doenças que mais afetam esse público é liderado pela hipertensão (mais da metade dos entrevistados), seguida por dores na coluna, artrite e depressão.
O levantamento mostrou que quase 30% dos idosos sofrem com duas ou mais doenças crônicas e que, nos últimos 12 meses, 10,2% dos entrevistados relataram que foram hospitalizados pelo menos uma vez.
A insegurança nas áreas urbanas também foi destacada no diagnóstico apresentado pela Fiocruz e UFMG, que mostrou que 85% dos idosos com 50 anos ou mais vivem em cidades.
Mais de 40% dos ouvidos disseram ter medo de cair nas ruas em função do estado de calçadas e passeios. Outros 36% declararam o temor em atravessar ruas.
“Saúde é uma responsabilidade de todos. Estamos falando de educação, de saneamento, de mobilidade urbana. Todos nós, como governo de maneira global, temos que adotar medidas”, defendeu o ministro da Saúde.
Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

SES reforça importância do enfrentamento da sífilis em PE


Além da programação científica, haverá treinamento em testagem rápida de sífilis, HIV e hepatites
Nesta segunda-feira (01/10), a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES/PE), promove um seminário para o enfrentamento da sífilis. O evento acontece no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), das 9h às 17h, e é voltado para profissionais de saúde bucal que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo é fortalecer e difundir um olhar multidisciplinar no enfrentamento da doença - infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum. O encontro será transmitido ao vivo para as 12 Gerências Regionais de Saúde (Geres), distribuídas em todo o Estado de Pernambuco, por  meio de videoconferência.
"Um dos objetivos desse evento é proporcionar uma resposta rápida à sífilis nas variadas redes de atenção. Por isso, a importância de fortalecer o entendimento desta infecção a dentistas e auxiliares de saúde bucal que estão inseridos na rede de assistência básica municipais. É preciso mobilizar e alertar os profissionais sobre os cuidados", comenta o coordenador de Saúde Bucal da SES, Paulo César de Oliveira. 
O seminário reúne profissionais da atenção primária, laboratórios regionais de prótese, rede de urgência e emergência em Odontologia e Centros de Especialidades Odontológicas dos municípios de Igarassu, Olinda, Paulista, Recife, Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho e Petrolina, no sertão do São Francisco - cidades consideradas prioritárias no combate à doença. Haverá, além da programação científica, treinamento em testagem rápida de sífilis, HIV e hepatites.
Pela manhã, haverá o painel Um olhar multidisciplinar no enfrentamento da sífilis. A palestra sobre a importância do diagnóstico e prevenção da sífilis congênita será realizada por meio da gerência da Saúde da Mulher, apresentada pela obstetra Letícia Katz. Ainda haverá o tema Desafios do cuidar do homem e serviços de atendimento e assistência para este público, com Valéria Pastor, gerente da Saúde do Homem e Idoso da SES. A população LGBT também terá um olhar específico, por meio da coordenação da Saúde LGBT, com palestra do coordenador Luiz Valério. Ao final da manhã, ocorrerá a apresentação do cenário epidemiológico da sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis em Pernambuco, com a gerente do setor, Camila Dantas. 
No período da tarde, haverá o painel intitulado A saúde bucal no diagnóstico e tratamento da sífilis, com o tema Saúde Bucal e as manifestações orais das IST's, com Paulo Santos; e o estudo da estomatologia com a cirurgiã-dentista, Fabiana Mota. Também haverá experiências das gestões públicas municipais para enfrentamento da sífilis das cidades do Recife, Cabo de Santo Agostinho e Jaboatão dos Guararapes.
A SES tem reforçado com os municípios a importância do diagnóstico precoce da doença, que tem registrado um aumento no número de casos em todo o país, atuando com o projeto Quero Fazer, que, semanalmente, oferta testes rápidos de sífilis e HIV de forma itinerante. Importante frisar, ainda, que o teste rápido de sífilis pode ser feito em postos de saúde, Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e algumas ONGs, além das unidades que realizam pré-natal.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Brasileiras triplicam busca por congelamento de óvulos para adiar maternidade



Desde criança a publicitária Camila Alvarenga de Paula Pinto, hoje com 37 anos, alimenta uma certeza na vida: quer ser mãe. Ela tem como referência a sua própria mãe, Denise, que teve três filhos e ao mesmo tempo construiu uma carreira sólida e de sucesso. A diferença é que a mãe de Camila deu à luz aos 30 anos de idade, no auge da fertilidade, e a publicitária já está com 37 anos e ainda não pretende engravidar. 
A alternativa para Camila adiar mais um pouco o sonho da maternidade foi congelar seus óvulos - técnica existente há mais de dez anos e cada vez mais comum diante das mudanças sociais e comportamentais das mulheres.
Influenciada por uma amiga, Camila passou pelo procedimento no início do ano e disse que o incômodo maior foi receber as doses de hormônio durante 12 dias. "Ao final do período, nos últimos três dias, nem eu me suportava", brinca ela, que está num relacionamento estável, mas ainda não sabe quando será mãe. 
"Meu namorado entendeu e apoiou a minha decisão. Nós sempre conversamos sobre ter filhos, só não sabemos a hora ainda", diz ela. Camila conseguiu coletar 24 óvulos e 18, por terem qualidade, foram congelados. 
Quem fiscaliza as clínicas de reprodução assistida no Brasil é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas a agência não possui números oficiais de óvulos congelados no país com o objetivo de prolongar a "janela de oportunidade" das mulheres para a maternidade. 
A Anvisa tabula e monitora apenas a quantidade de embriões - segundo o Sistema Nacional de Produção de Embriões, o SisEmbrio, em 2017, 75.557 embriões foram congelados no Brasil, um aumento de 13% em relação ao ano de 2016, quando 66.597 embriões foram congelados.
Levantamento feito pela BBC News Brasil em seis clínicas de reprodução assistida em São Paulo e no Rio de Janeiro confirma essa tendência de aumento de casos de congelamento para preservar a fertilidade. 
A Clínica Huntington, por exemplo, uma das maiores de São Paulo, praticamente triplicou o número de pacientes que congelaram seus óvulos em cinco anos: em 2012, 122 mulheres passaram pelo procedimento; em 2017 foram 353 - um salto de 189%.
O mesmo aumento foi verificado na clínica Fertility, também em São Paulo. Em 2013, 65 mulheres congelaram seus óvulos na unidade, contra 180 no ano passado, o que representa um aumento de 176% na procura pelo serviço. 
"Em 2013, 5,5% dos procedimentos da clínica eram congelamento de óvulos. Em 2015, eles já representavam 9,4%. Em 2018, 1 em cada 5 procedimentos realizados na Fertility são de criopreservação de óvulos. Isso mostra claramente uma mudança de conduta da mulher", afirma Edson Borges. 
Nas Clínicas Mãe e Engravida, o salto foi de quase cinco vezes: saiu de 32 casos em 2012 para 188 casos cinco anos depois.

Idade certa
Os especialistas em reprodução assistida recomendam que a mulher que pretende adiar a gravidez congele seus óvulos até os 35 anos, enquanto eles são mais novos e possuem mais qualidade. 
Apesar disso, a idade média das mulheres que têm procurado o serviço gira em torno de 37,7 anos. "O ideal mesmo seria congelar esses óvulos antes dos 30 anos, mas nessa idade ninguém está pensando nisso ainda", afirma a médica Thaís Sanches Domingues Cury, da Clínica Huntington. 
O principal problema de procurar a técnica mais tarde, explica Thaís, é ter de submeter a paciente a mais de um ciclo de coleta e o risco de os óvulos não terem mais a qualidade necessária. Os médicos sugerem congelar pelo menos 15 óvulos. 
"A mulher de 40 anos tem menos estoque ovariano, então é possível que ela tenha de se submeter ao procedimento mais de uma vez para conseguirmos coletar uma quantidade mínima e segura de óvulos", diz a especialista.
Foi o que aconteceu com a administradora de empresas Magda Barrinuevo Bertochi, de 43 anos, que congelou seus óvulos aos 38 anos depois de passar por dois ciclos de estimulação. Ela conta que tomou a decisão graças a um "empurrão" do irmão, que estava passando por tratamento de reprodução assistida com a esposa. 
"Na época eu estava solteira e super focada na carreira, cursando um MBA e sem tempo para pensar em filhos. Quando meu irmão comentou sobre o congelamento, passei a amadurecer a ideia até decidir procurar ajuda", conta.
Após uma série de exames, Magda constatou que havia pouca reserva ovariana e, por isso, foi submetida a dois ciclos de coleta. Conseguiu recolher 18 óvulos, 9 em cada procedimento. 
"Graças a Deus isso me tirou um peso das costas e me deu uma sensação de alívio. Sei que tenho meus óvulos congelados e que posso decidir ser mãe no momento em que eu achar ideal", afirma a administradora, que ainda está solteira e diz que agora está começando a cogitar a possibilidade de ser mãe independente, com ajuda do banco de sêmen. 
"Eu tenho muita vontade de ser mãe e acho que a mulher vai passando por várias fases até chegar nesse momento. Hoje estou na fase de me perguntar se quero ser mãe solteira ou se quero esperar achar um companheiro", afirmou.
Produção independente
A estatística Rafaela*, de 40 anos, já tomou a decisão de ser mãe independentemente de ter um companheiro ao seu lado. Ela congelou seus óvulos em 2016, aos 38 anos, e mesmo depois de se submeter ao procedimento duas vezes, conseguiu coletar apenas quatro unidades de qualidade. 
"Eu estava solteira e a idade biológica falou mais alto. Ou eu congelava naquele momento, ou não conseguiria ser mãe usando meu próprio material biológico", afirma. 
Dois anos depois do congelamento, Rafaela percebeu que era hora de engravidar. Na ausência de um parceiro, recorreu à doação de sêmen. 
Recebeu da clínica uma lista com uma série de características do doador (raça, cor dos olhos, cor dos cabelos, religião, peso, altura, signo, formação, tipo sanguíneo, hobbies, se era fumante ou não etc.) para escolher alguém que fosse parecido com ela. "Eu adoro esportes, então escolhi um doador que declarou que pratica surf e ama a praia", revelou.
Após a fertilização em laboratório, três embriões se tornaram viáveis para serem transferidos para o útero de Rafaela, mas ela optou por transferir dois e manter um congelado. Um dos embriões vingou e Rafaela está grávida de 12 semanas do seu primeiro filho - graças às técnicas de reprodução assistida. 
"Estou absolutamente realizada e recomendo para todas as mulheres. Depois dos 38 anos, a quantidade de óvulos cai drasticamente."
'Congelamento social'
Os especialistas chamam a tendência de "congelamento social de óvulos", que distinguem, por exemplo, do congelamento em casos de doença - quando a mulher está em tratamento de câncer, por exemplo, e decide congelar seus óvulos para preservar a fertilidade. 
Uma pesquisa realizada pela Universidade de Yale e divulgada no começo do mês passado durante o congresso da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, em Barcelona, confirmou que a falta de um parceiro ou um relacionamento estável são os principais motivos para as mulheres buscarem ajuda em uma clínica de reprodução. 
Os pesquisadores ouviram 150 mulheres e o resultado mostra que 85% delas estavam solteiras quando tomaram a decisão e 15% tinham um relacionamento com um parceiro que não se considerava disposto a ter filhos.
"Há dez anos, a técnica de congelamento era outra e os resultados não eram tão satisfatórios, havia muitas perdas no processo de descongelamento. Com a vitrificação (técnica atual), a gente consegue ótimos resultados e por prazo indeterminado. Isso acabou se popularizando, e a mulher já chega ao consultório sabendo o que quer", afirmou o médico José Geraldo Alves Caldeira, do Centro de Reprodução Humana do Hospital Santa Joana.
Efeitos colaterais e riscos
Segundo Caldeira, os efeitos colaterais do período em que a mulher recebe hormônio para superestimular a ovulação são irritação, ansiedade e em alguns casos um pouco de inchaço. 
Ainda segundo ele, os hormônios que a mulher vai receber nesse período são o FSH e LH - que já circulam normalmente no organismo. Esses hormônios são diferentes dos hormônios usado em pílulas anticoncepcionais (estrógeno e progesterona), que têm como objetivo justamente impedir a ovulação.
"O que acontece é que ela vai receber uma dose maior de FSH e LH e, em vez de ovular um único óvulo, vai ovular vários", explica o médico, ressaltando que, nessa fase do tratamento, não há riscos de trombose ou embolia, por exemplo. 
No caso de mulheres com histórico de câncer de mama na família, Caldeira explicou que a estimulação ovariana é feita com outro hormônio, o letrozol.
De acordo com Caldeira, quando a mulher for preparar o endométrio para receber o embrião, aí sim o risco de trombose aumenta - caso a paciente tenha pré-disposição ou antecedentes. 
Para evitar o problema, todas as mulheres passam por exames que avaliam esse risco e, se ele existir, recebem junto um medicamento anticoagulante diariamente.
Investimento
O Sistema Único de Saúde não paga pelo processo de congelamento de óvulos para adiar a maternidade. 
Hoje há apenas 11 hospitais públicos no Brasil que trabalham com reprodução assistida - todos com filas imensas e já para fazer o tratamento em si. 
Assim, a mulher que deseja ser mãe mais velha precisa investir cerca de R$ 18 mil no procedimento. Os preços variam de clínica para clínica, mas apenas os custos com medicação somam cerca de R$ 6 mil. 
A parte clínica e de laboratório giram em torno de R$ 12 mil. Além disso, a mulher terá de pagar cerca de R$ 1 mil por ano para manter os óvulos criopreservados.
Anualmente, as clínicas são fiscalizadas pela Anvisa, que vai observar se as unidades cumprem os requisitos de qualidade para manter material biológico congelado e vai monitorar a qualidade dos procedimentos. 
Segundo João Batista Silva Junior, gerente de Departamento de Sangue, Tecidos, Células e Órgãos da Anvisa, a agência está iniciando uma nova discussão para atualização das normas sanitárias para atualizar a regulamentação.
"A última revisão foi em 2011 e muita coisa nova surgiu nesse período", afirmou Silva. 
Atualmente, não há lei que regulamente a reprodução assistida no Brasil, há apenas a Lei de Biossegurança, que fala sobre armazenamento e destino dos embriões. As técnicas de reprodução são embasadas em resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM), que atualiza a norma a cada dois anos, em média.
*Nome alterado a pedido da entrevistada
Fonte: BBC Brasil

sábado, 22 de setembro de 2018

Futuro presidente terá de enfrentar financiamento do SUS


Sistema de saúde atende 75% dos brasileiros 
A revitalização do Sistema Único de Saúde (SUS), responsável pelo atendimento exclusivo de cerca de 75% da população brasileira, hoje estimada em 208,5 milhões de pessoas, está entre os principais desafios do próximo presidente da República, juntamente com a segurança pública e a geração de empregos. Segundo dados do Ministério da Saúde, o SUS é um dos maiores sistemas de saúde do mundo: em 2017 foram realizados 3,9 bilhões de atendimentos na rede credenciada.
Entre os procedimentos mais frequentes, ao longo do ano passado, estão, por exemplo, consulta médica em atenção básica e especializada, visita domiciliar, administração de medicamentos em atenção básica e especializada, aferição de pressão arterial e atendimento médico em UPA (Unidade de Pronto Atendimento). A estrutura do SUS em todo o Brasil envolve 42.606 unidades básicas de saúde e o mesmo número de equipes do programa Saúde da Família, 596 UPAs, 2.552 centros de atenção psicossocial (Caps), 1.355 hospitais psiquiátricos, 436.887 leitos, 3.307 ambulâncias, 219 bancos de leite humano e 4.705 hospitais conveniados (públicos, filantrópicos e privados).
Para financiar essa rede de atendimento, a pasta da Saúde tem o maior orçamento da Esplanada dos Ministérios. Em 2018, a previsão no Orçamento Geral da União é de R$ 130,2 bilhões, sendo R$ 119,3 bilhões para ações e serviços públicos. Quem está na ponta do sistema, no entanto, reclama de subfinanciamento da saúde pública.
Diagnóstico
Segundo o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Leonardo Vilela, as verbas federais são “absolutamente insuficientes” para custear o sistema público, o que vem obrigando os estados e os municípios a ampliarem sua participação. Isso, conforme Vilela, resulta em hospitais privados conveniados quebrando, filantrópicos endividados e atendimento precário nos hospitais públicos. “Se o próximo presidente não resolver a questão do financiamento, o sistema vai entrar em colapso”, afirmou.
O diagnóstico do presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Guimarães Junqueira, segue a mesma linha. “Os repasses federais vêm caindo nos últimos tempos. Não levam em conta aumento da população, nem o aumento do desemprego que joga mais pessoas no SUS, nem o envelhecimento da população, com consequente aumento das doenças crônicas. Também não considera os avanços tecnológicos, que custam caro”, argumentou.
Cálculos feitos pelos dois conselhos, com base em dados do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (Siops), do Ministério da Saúde, mostram uma linha decrescente no fluxo de recursos federais para financiamento da saúde pública. Em 1993, a participação da União era de 72%, dos municípios, 16%; e dos estados, 12%. Em 2002, a União entrou com 52,4% das verbas, os municípios, com 25,5%; e os estados, com 22,1%.
No ano passado, a União aplicou R$ 115,3 bilhões em saúde, o que representa 43,4% do total de recursos públicos investidos no SUS. Os municípios entraram com R$ 81,8 bilhões (30,8%), e os estados com R$ 68,3 bilhões (25,8%).
Os dois secretários reconhecem a necessidade de melhorar a gestão do sistema público, por meio do treinamento e capacitação de gestores dos hospitais e unidades de saúde, mas argumentam que, ainda assim, a verba é insuficiente para atender a demanda da população. Segundo Vilela, a crise econômica, além de reduzir a arrecadação de impostos, colocou no sistema os trabalhadores desempregados que perderam planos de saúde, sobrecarregando ainda mais a rede pública. “Até para melhorar a gestão precisamos de mais recursos, pois um dos caminhos, a informatização, custa dinheiro”, disse.
Para o Conasems, um dos caminhos para ampliar o financiamento da saúde pública é a revisão da política de isenções fiscais concedidas a setores produtivos. “As desonerações representam mais do que o dobro do orçamento do Ministério da Saúde”, afirmou. Além disso, os conselhos defendem revisão das competências dos três entes da Federação e da repartição da arrecadação, bem como de leis que engessam a administração pública, refletindo diretamente na gestão do sistema de saúde.
Referência
Apesar das dificuldades, o Ministério da Saúde vê no SUS áreas de referência mundial. São bons exemplos a terapia antirretroviral, o sistema público de transplantes, o programa de imunizações, o banco de leite materno e a assistência farmacêutica. O SUS fornece 22 antirretrovirais, em 38 apresentações farmacêuticas, para o tratamento de portadores do HIV em todo o país. A organização do banco de leite humano brasileiro é referência para 40 países, sendo que 23 têm cooperação internacional com o Brasil para utilização do modelo.
Segundo o Ministério da Saúde, o SUS mantém o maior sistema público de transplantes de órgãos do mundo, servindo de referência para outros países. No Brasil, 87% dos transplantes de órgãos sólidos são feitos no SUS, cujo paciente tem acesso à assistência integral – exames preparatórios, cirurgias, acompanhamento e medicamentos pós-transplantes.
A rede brasileira tem centrais de transplantes nas 27 unidades da Federação e conta com 13 câmaras técnicas nacionais, além de 494 estabelecimentos que realizam transplantes e 1.244 equipes habilitadas. Há também 70 organizações de busca de órgãos e 62 bancos de tecidos.
Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Inpi aceita patente de remédio para hepatite C


Com decisão, versão genérica mais barata será barrada
A empresa farmacêutica norte-americana Gilead obteve decisão favorável relacionada a um pedido de patente do medicamento Sofosbuvir no Brasil. A solicitação foi deferida ontem (18) pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi). O remédio vem revolucionando o tratamento da hepatite C, contribuindo para a cura de muitos pacientes e reduzindo a demanda pelo transplante de fígado.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), através do Instituto Farmanguinhos, anunciou em abril ter firmado parcerias para fabricar uma versão genérica nacional do remédio que seria adotada no Sistema Único de Saúde (SUS). Na ocasião, a expectativa era de que ela estivesse disponível até o final deste ano, ajudando assim a erradicação a hepatite C no país. Porém, com a decisão do Inpi, a Gilead terá exclusividade para a produção do mediamento e monopólio da sua comercialização no Brasil.
Em nota, a Fiocruz afirmou que recebeu com surpresa a notícia do deferimento do pedido de patente e que não houve exposição das justificativas técnicas. A fundação avalia que o pedido não apresenta os requisitos de novidade e atividade inventiva. Também não teria sido apresentada a descrição de invenção de modo que um técnico consiga reproduzir o medicamento reivindicado. Tal descrição é um dos critérios que devem ser observados para a concessão de patente.
Repercussão
O Ministério da Saúde informou que, oficialmente, ainda não teve ciência da decisão do Inpi. Pelos cálculos da pasta, o preço de cada tratamento de hepatite C, que dura 84 dias, ficaria em pouco mais de R$ 5 mil usando o medicamento nacional. Comprando o remédio dos laboratórios privados, o custo por paciente já chegou ao patamar de US$ 84 mil.
A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras também emitiu nota lamentando a decisão do Inpi e avaliou que ela limita o acesso à cura da hepatite C. Segundo a entidade, há quase 700 mil pessoas com a doença no Brasil e havia argumentos sólidos, baseados no interesse público, para negar a concessão da patente. "Atualmente, a Gilead cobra cerca de US$ 4,2 mil por tratamento contra a doença. Em contraste, nos projetos em 13 países onde trata a doença, a Médicos Sem Fronteiras adquire medicamentos genéricos da mesma qualidade dos remédios de marca ao preço de US$ 120", registra o texto.
Nos cálculos realizados pela organização humanitária, a adoção da versão nacional do remédio pelo SUS levaria a uma economia superior a R$1 bilhão por ano. Ela defende que o governo federal avance no licenciamento compulsório do Sofosbuvir, permitindo a produção por outras empresas e barateando o remédio.
A Rede Brasileira Pela Integração dos Povos, através do seu Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual, anunciou que vai entrar com recursos contra a patente. A rede é composta por diversas organizações, entre elas a Médicos Sem Fronteiras e a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (Abia).
"Esse é um medicamento que salva vidas e não deve haver um monopólio sobre ele. Não podemos ficar nas mãos da ganância de uma transnacional que irá fixar altos preços. O Inpe fez uma escolha e colocou em risco um projeto de eliminação da hepatite C no Brasil", disse Pedro Villardi, coordenador do grupo de trabalho.
Em nota, o Inpi informou que deferiu a patente para uma molécula intermediária para a síntese do Sofosbuvir e afirmou que se baseou nos critérios técnicos previstos na Lei da Propriedade Industrial, assim como em todos os demais exames que realiza. O órgão esclarece ainda que cada país tem independência para atender ou não os pedidos e decisões semelhantes em favor da Gilead ocorreram na África do Sul, Colômbia, Estados Unidos, Índia, Japão e Rússia, e ainda no Escritório Europeu de Patentes.
"A Lei prevê que a invenção, para ser patenteada, deve ter novidade (ser nova no mundo todo), atividade inventiva (não ser óbvia para um técnico no assunto) e aplicação industrial (ser passível de fabricação). O parecer definitivo publicado nesta terça-feira foi elaborado após as manifestações de terceiros (13 no total, incluindo empresas, órgãos de governo e entidades da sociedade civil), dois pareceres do Inpi, contra-argumentações e ajustes do solicitante. O processo seguiu todas as etapas e prazos previstos na Lei", acrescenta a nota. A Agência Brasil também tentou, sem sucesso, contato com a Gilead.
Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Pesquisa retrata agressões a profissionais de saúde no trabalho


Segundo estudo, 71,6% deles já sofreram agressão física ou verbal 
Uma pesquisa realizada com enfermeiros, médicos e farmacêuticos do estado de São Paulo mostra que 71,6% desses profissionais já sofreram agressão física ou verbal no ambiente de trabalho. Falta de estrutura, filas e demora no atendimento são apontados como principais motivos.
O estudo encomendado pelos conselhos regionais das categorias entrevistou 6.832 profissionais (4.107 enfermeiros, 1.640 médicos e 1.085 farmacêuticos) em agosto deste ano. Diante dos dados preocupantes, os conselhos lançaram hoje (18) uma campanha, que será veiculada na mídia com objetivo de conscientizar a população.
Entre os enfermeiros, 21,1% foram vítimas de agressão física e 90,9% sofreram agressão verbal. O percentual de vítimas de agressão física é de 18,3% entre os médicos, e 47,2% responderam ser vítimas de ofensas.
No setor de farmácia, 7,2% já passaram por agressões físicas e 89,5% por agressões verbais. As agressões a farmacêuticos são motivadas, sobretudo, pela negação do fornecimento de medicamentos sem receita médica. A ausência de remédios em farmácias do Sistema Único de Saúde (SUS) também é apontada como causa.
A presidente do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), Renata Pietro, cita outras razões para as agressões. “Quando vamos conversar e entender o motivo, a fila, o material que está faltando, as condições de sucateamento do sistema de saúde. Esse cenário ocorre tanto na rede pública, como na privada”, disse.
Mulheres e jovens
As profissionais mulheres estão mais sujeitas às agressões. Elas são 84% das vítimas em enfermagem, 57% em medicina e 77% em farmácia. Os mais jovens, com idade até 40 anos, também são as principais vítimas por estarem, geralmente, na linha de frente do atendimento. Em enfermagem, eles respondem por 76% dos casos; em medicina representam 63% das situações e, em farmácia, são 84%.
Sônia Regina Espírito Santo, 56 anos, é técnica de mobilização ortopédica há 32 anos e trabalha num Pronto-Socorro público na cidade de Santos, litoral paulista. Ela disse ter sofrido muitos insultos no exercício da profissão, inclusive racistas por ser negra. Sônia contou que, certa vez, foi agredida fisicamente por duas mulheres que acompanhavam o pai doente.
“Eu fui tentar acalmar, porque já tínhamos chamado a polícia. Elas estavam no centro cirúrgico, num corredor, onde tem parto e sai muita maca. Eu pedi calma. Ali saem muitas mães com o bebê já no peito. Ela falava palavras de baixo calão, deu um salto e caiu em cima de mim, queria me rasgar. Pegou pelo cabelo e bateu, deu um soco na minha bacia. Eu não conseguia reagir”, lembrou Sônia.
A cirurgiã Edwiges Dias da Rosa, 61 anos, foi agredida por um sargento da Polícia Militar. Ela se recusou a fornecer o prontuário de uma paciente, documento sigiloso que não pode ser entregue a terceiros, segundo a legislação. A médica trabalhava em plantão noturno na unidade de Pronto-Atendimento de São Bernardo do Campo. “Ele me agrediu, me machucou, me pegou pelo braço e me tirou do atendimento a uma senhora em estado grave, que eu estava atendendo. Ele queria me levar para a delegacia presa”, disse ela.
Hospitais públicos, como os que Sônia e Edwiges trabalham, são onde os profissionais estão mais vulneráveis. Entre os médicos, 75,6% das agressões ocorreram no Sistema Único de Saúde. Entre os enfermeiros, o percentual é de 68,4% e, entre os farmacêuticos, é de 37%.
O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Lavínio Nilton Camarim, acredita que as agressões revelam um problema mais profundo do sistema de saúde brasileiro. “As autoridades têm que saber, acima de tudo, que a saúde tem que ser uma política de estado e não uma política de governo”.
Camarim é contra a mera construção de hospitais sem planejamento. “Não adiantar sair construindo hospitais e postos de saúde se não tiver, depois, como tocar. Por isso, o sucateamente está ficando cada vez maior”, criticou o presidente do Cremesp.
Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Recife amplia ações para facilitar acesso dos homens ao serviço de saúde


Horário estendido permite atendimento dos pacientes entre 17h e 21h, e aos sábados
“Saio de casa para trabalhar quase de madrugada, logo cedo, há 14 anos, qual o tempo que tenho de ir ao médico?”. A realidade de José Erick, de 47 anos, que trabalha como motorista de ônibus, é quase unânime entre os pacientes do SUS. Pelo menos nas unidades de saúde da capital pernambucana o cenário começou a mudar, graças a iniciativa da Prefeitura do Recife de estender o horário de atendimento na rede. Ao longo do mês, a ação acontece em diversas unidades, cujo calendário está disponível no portal da prefeitura – www.recife.pe.gov.br.
O terceiro turno é uma das estratégias para aproximar os homens do serviço de saúde. O atendimento acontece das 17h às 21h, nos dias de semana, e das 8h às 12h, aos sábados. “Os homens têm em média uma expectativa de vida de sete anos a menos do que as mulheres. Além disso, vários estudos mostram que os homens procuram menos os serviços de saúde para prevenção e promoção. Um dos obstáculos que eles mais falam é a questão do acesso, o horário das unidades”, afirmou o secretário municipal de Saúde, Jailson Correia.
Oportunidade que possibilitou o mestre de obras Valdir Alves, de 51 anos, de fazer o tratamento contra a tuberculose. “Dá tempo de sair do trabalho e ainda passar em casa, para tomar um banho, antes de vir para o médico”, relatou. Na Unidade de Saúde da Família José Bonifácio, localizada no Morro da Conceição, onde mora, foi o local onde Seu Valdir teve o diagnóstico e realiza o tratamento da doença. “Quando ele chegou aqui, ele estava muito adoentado. Fiquei impressionada com a assiduidade dele. Talvez porque aqui a gente possibilite que ele venha ao posto à noite, porque é mais tranquilo, mais discreto”, contou a enfermeira Robécia Assunção.
Durante as consultas, o usuário recebe o Cartão do Homem, uma ferramenta criada no Recife, onde fica registrado o histórico da visita dele ao serviço. “É uma forma de fazer com que o homem se sinta parte do processo de cuidado”, explicou a coordenadora da Política de Saúde do Homem, Rafaela Marques. De acordo com ela, além do acolhimento e atendimento clínico, os pacientes podem ser atendidos pelo dentista, fazer atualização do cartão vacinal, aferição de pressão arterial e testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites.

Aplicativo do SUS já é utilizado por 1,2 milhão de pessoas


Aplicativo permite que a população acompanhe, via celular, suas consultas e visualize o histórico de solicitações
O aplicativo disponibilizado gratuitamente pelo Ministério da Saúde para os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), Meu DigiSUS, está há três anos em funcionamento e já foi baixado por 1,2 milhão de pessoas que têm smartphones com sistemas IOS e Android.
O aplicativo permite que a população acompanhe, via celular, suas consultas, visualize o histórico de solicitações e a posição na fila do Sistema Nacional de Transplantes, entre outras funcionalidades relacionadas à saúde pública. O aplicativo também permite que os pacientes do SUS atuem como fiscais dos serviços prestados por meio da avaliação do atendimento realizado, assim como denunciar fraudes de qualquer local do país.
Pela plataforma móvel oficial do SUS, o cidadão consegue encontrar hospitais, unidades de saúde e outros estabelecimentos próximos de sua residência; identificar farmácias participantes do Aqui tem Farmácia Popular e acompanhar os medicamentos que o cidadão retirou, além de avaliar o atendimento desses serviços. Também é possível acessar uma linha do tempo de cada atendimento realizado pelo SUS, além do Cartão Nacional de Saúde e os dados pessoais, com informações sobre nutrição e alergias.
A plataforma é interligada às 19.788 Unidades Básicas em Saúde (UBS) já informatizadas em 3.780 municípios, totalizando 106.179.196 usuários. Ao todo, 11 sistemas estão integrados no aplicativo, entre eles o Cadastro Nacional de Usuário do SUS (CADSUS), Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), Farmácia Popular e os Sistemas Nacional de Transplantes (SNT), de Regulação (SISREG), de Atenção Básica (e-SUS AB) e o Hemovida.
Como baixar
Para realizar seu primeiro acesso, baixe o aplicativo Meu DigiSUS na loja compatível com o celular e insira algumas informações básicas como CPF, nome da mãe e e-mail. Após cumprir essa etapa, o sistema localizará o seu cartão e enviará ao correio eletrônico cadastrado uma mensagem para verificação de segurança. Em seguida aparece o número do seu Cartão Nacional de Saúde e que dará acesso as suas informações de saúde.
Se não conseguir entrar no aplicativo, o Ministério da Saúde recomenda que o usuário procure a unidade de saúde mais próxima da sua residência para que o seu cadastro possa ser realizado.
Para outras dúvidas, ligar na Ouvidoria do SUS, no 136.
Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Governo elabora primeiro protocolo para tratamento de obesidade


Prazo para contribuições da sociedade civil termina nesta terça-feira
O Ministério da Saúde abriu uma enquete pública para elaborar o primeiro Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para tratamento de casos de obesidade e sobrepeso. O documento poderá receber contribuições de representantes da sociedade civil e profissionais de saúde até o próximo dia 11 de setembro.
Segundo o Ministério, o objetivo é aprimorar e qualificar o atendimento e a conduta terapêutica de pacientes na atenção básica e especializada no Sistema Único de Saúde (SUS). A pasta alerta que a adoção do protocolo pode contribuir para prevenir e controlar a obesidade e o sobrepeso no país, além de garantir mais segurança e efetividade clínica e científica aos profissionais de saúde.
A obesidade é uma das doenças que mais tem crescido nos últimos anos em nível global. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que os índices de obesidade e sobrepeso quase triplicaram desde 1975. Em todo o mundo, existem pelo menos 650 milhões de obesos. No Brasil, um em cada cinco pessoas estão obesas e mais da metade da população das capitais estão com excesso de peso, segundo a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).
O impacto sobre o Sus também tem crescido. Em 2012, a rede pública realizou pouco mais de mil cirurgias bariátricas e reparadoras de pacientes obesos. O número de intervenções subiu para 8,1 mil, em 2016, segundo o Ministério da Saúde.
Participação
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia convocou a participação de endocrinologistas na elaboração do protocolo. A Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) também se manifestou favorável à contribuição dos nutrólogos para elaborar o protocolo, devido à preocupação com a gravidade e o aumento da doença na população.
“A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, que vai desde meio ambiente até condição de alimentação, meios de saúde e até genética. Por ser considerada uma doença crônica, infelizmente, se você para de tratar, ela volta. Ela é responsável por mais de 30 patologias, desde a hipertensão, diabetes, colesterol elevado, infarto, acidente vascular cerebral e até câncer”, alertou Dimitri Homar, representante da regional da Abran, em Brasília.
Uma das demandas que o especialista coloca é a volta de medicamentos de baixo custo que auxiliavam no tratamento da obesidade e foram retirados do mercado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O Ministério da Saúde explicou que a enquete garante a participação popular desde a primeira etapa do processo de elaboração do protocolo, que ainda deve passar por consulta pública para deliberação final.
Fonte: Agência Brasil

Pernambuco vacinará 1,5 milhão de cães e gatos contra raiva no próximo sábado


Controle da circulação do vírus previne raiva humana 
No próximo sábado (15/09), os municípios pernambucanos realizam o dia D da Campanha Nacional de Vacinação Antirrábica Canina e Felina. Neste dia, cerca de 8 mil pontos de vacinação estarão funcionando em todo o Estado. A meta é imunizar mais de 1,5 milhão de cães (1.160.989) e gatos (366.855).
A campanha tem o objetivo de controlar a circulação do vírus da raiva canina e felina, prevenindo, assim, a raiva humana. O último caso da doença em humanos, transmitido por cão, em Pernambuco, foi no ano de 2006; e em 2017 por gato, que deve ter entrado em contato com um morcego contaminado.
O coordenador estadual do Programa de Controle da Raiva, da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES/PE), Francisco Duarte, ressalta que a melhor forma de prevenção é a vacinação. Quem não conseguir vacinar seu animal no dia D da Campanha deve procurar a secretaria de saúde do seu município, no setor de zoonoses.
RAIVA
A raiva é uma doença viral e infecciosa, transmitida por mamíferos. A transmissão da raiva se dá pela penetração do vírus contido na saliva do animal infectado, principalmente pela mordedura, arranhadura e lambedura de mucosas. O vírus penetra no organismo, multiplica-se e atinge o sistema nervoso periférico e, posteriormente, o sistema nervoso central. 
TRATAMENTO
Ao ser agredida por um animal, a pessoa deve lavar imediatamente o ferimento com água e sabão, e procurar com urgência o posto de saúde mais próximo. Cães raivosos apresentam sintomas como: agressividade (atacando pessoas e objetos) ou tristeza (procurando lugares escuros), salivação excessiva, dificuldade para engolir, latido rouco e paralisia das patas traseiras. Nos humanos, a doença ataca o sistema nervoso central, levando à morte. O período de incubação é extremamente variável, desde dias até anos, com uma média de 45 dias, no homem, e de 10 dias a 2 meses, no cão.
O tratamento profilático antirrábico também é recomendado para toda agressão por espécie silvestre (morcegos, raposa/cachorro do mato e sagüis). O soro e a vacina para esse tratamento estão disponibilizados na rede do SUS, gratuitamente. A vacina antirrábica canina também é gratuita. O único meio de prevenir a ocorrência da doença em áreas urbanas é por meio da vacinação anual de cães e gatos.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Olinda define calendário de setembro do mamamóvel




Por Rebeka Gonçalves
Começa a rodar o caminhão do mamamóvel pela cidade de Olinda. Esse trabalho de prevenção irá percorrer diversos bairros realizando o exame de mamografia nas mulheres, principalmente, as que estão na faixa etária de 50 a 69 anos. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) recomenda que todas as mulheres nesta faixa de idade realizem o procedimento para detectar precocemente o câncer de mama. 
O serviço do mamamóvel é de graça e para ser atendida a mulher precisa levar o cartão do Sistema Único de Saúde (SUS), documento de identidade e pegar a ficha que será distribuída por ordem de chegada. 
Confira abaixo por onde o mamamóvel percorrerá em setembro:
04/09/2018 TERÇA-FEIRA 8h ÀS 17h USF AZEITONA I e II R. Veleiro, Nº 559, Peixinhos
05/09/2018 QUARTA-FEIRA 8h ÀS 17h USF ALTO DA MINA R. Avenca, Nº 49, Alto Da Mina
10/09/2018 SEGUNDA-FEIRA 8h ÀS 17h USF AMARO BRANCO R. Claudino Leal, Nº 64, Bairro Novo
11/09/2018 TERÇA-FEIRA 8h ÀS 17h USF COHAB 7 RO Rua Manoel Clementino Marques-Cohab 7 RO
12/09/2018 QUARTA-FEIRA 8h ÀS 16h AÇÃO OLINDA MAIS SAÚDE Travessa Vasco Rodrigues- Vila Tamandaré
15/09/2018 SÁBADO 8h ÀS 12h ESCOLA BEZERRA DE MENEZES R. Gov. Agamenon Magalhães nº29-Vila Popular
17/09/2018 SEGUNDA-FEIRA 8h ÀS 17h USF SALGADINHO / SÍTIO NOVO I e II R. Isabel Burgo Vieira Ferreira, Nº 146, Salgadinho
18/09/2018 TERÇA-FEIRA 8h ÀS 17h USF SAPUCAIA I R. Petrópolis, Nº 294, Sapucaia de Dentro
19/09/2018 QUARTA-FEIRA 8h ÀS 17h USF VILA MANCHETE R Genipapo, S/N, Ouro Preto
22/09/2018 SÁBADO 8h ÀS 12h PROJETO MÃOS QUE AJUDAM Av. José Coriolano-Jardim Brasil
24/09/2018 SEGUNDA-FEIRA 8h ÀS 17h POLICLÍNICA OURO PRETO Rua Peixe Agulha, s/n, Ouro Preto
25/09/2018 TERÇA-FEIRA 8h ÀS 17h USF VARADOURO I E II Av. Joaquim Nabuco, 747 Varadouro
26/09/2018 QUARTA-FEIRA 8h ÀS 12h AÇÃO OLINDA MAIS SAÚDE Sítio da Cajá- Tabajara
29/09/2018 SÁBADO 8h ÀS 12h AÇÃO OLINDA MAIS CIDADANIA Colégio Mascarenhas-Rua. Manuel Clementino Marques 7ªRO

Fonte: Secretaria de Saúde de Olinda

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Instituto do Fígado realiza campanha para consertar equipamento de ressonância magnética

Por Rebeka Gonçalves
O aparelho de Ressonância Magnética do Instituto do Fígado e Transplantes de Pernambuco (IFP) quebrou há pouco mais de um ano e, desde então, já deixou de realizar mais de cinco mil exames. Devido à falta de recursos, e diante da necessidade emergencial do equipamento, a instituição decidiu realizar uma ‘vakinha’ online com o objetivo de arrecadar 600 mil reais, que é o valor da máquina. 
A campanha foi criada na internet em 20 de agosto e já arrecadou 1.950 reais. De acordo com a presidente do IFP, Leila Beltrão, o aparelho é de extrema importância para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). “Essa campanha tem o objetivo de voltarmos a realizar o exame de ressonância magnética, pois são poucos os locais públicos ou organizações privadas sem fins lucrativos que realizam a nível de ambulatório um exame dessa complexidade”, ressalta. 
O IFP é uma instituição sem fins lucrativos, que atende a pacientes com problemas hepáticos do SUS, do Recife e interior de Pernambuco, além das pessoas que vem da região Norte e Nordeste do país. Além de realizar exames que auxiliam no diagnóstico precoce do câncer de fígado, da cirrose hepática, e outras enfermidades.
A arrecadação encerra no dia 31 de janeiro de 2019 e a presidente faz um apelo ao cidadão que possa colaborar: “Então, mediante o valor e a necessidade, é de fundamental importância nos engajarmos numa campanha plural para que essa máquina possa ser consertada, isso beneficiará toda uma população carente do SUS, pois se forem fazer um exame desse privado o valor é muito alto e muitas pessoas não tem esse acesso”, postula.
Acesse aqui para doar. 
Instituto do Fígado de Pernambuco – IFP 
Endereço: Rua Arnóbio Marques, 282, Santo Amaro – Recife/PE
Tel.: (81) 3035.2050