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terça-feira, 9 de outubro de 2018

Anemia: OMS estima que mais de 1 bilhão de pessoas tenham carência de ferro



Por Rebeka Gonçalves
De vez em quando você percebe os cabelos caindo demais, as unhas fragilizadas, um sono que não acaba e um cansaço além do normal? Isso pode ser sintoma de anemia por carência de ferro. Segundo a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), realizada em 2006, no Brasil, a prevalência de anemia observada entre crianças menores de cinco anos era de 20,9%, sendo de 24,1% em menores de dois anos. Já entre as mulheres em idade fértil, a prevalência observada foi de 29,4%. De acordo com estimativa realizada em 2008, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a carência de ferro afetava 1,62 bilhão de pessoas.
O médico Gustavo Lima explica o que é a anemia: “É a redução do número de glóbulos vermelhos, as células do sangue que são responsáveis pelo transporte de oxigênio”. Os sintomas da anemia são fadiga generalizada, falta de apetite, menor disposição para o trabalho, desânimo, palidez da pele, da palma da mão e das mucosas - como olhos e gengiva -  e dificuldade de aprendizagem em crianças. 
“Além disso, pode apresentar sintomas relacionados à causa da anemia: sangramentos digestivos, quando perda de sangue é a causa, sintomas neurológicos quando é por deficiência de vitamina B12, sintomas relacionados a neoplasias, insuficiência renal ou doenças inflamatórias - que causam anemia por redução da produção de sangue. Lembrando que, no início, ela pode ser assintomática”, acrescenta o especialista. 
A causa mais comum e conhecida da anemia é por deficiência de ferro, que pode se dar por ingestão inadequada do elemento, como a desnutrição, o alcoolismo ou por doenças que causem má-absorção do metal, como a doença celíaca, por exemplo, ou perdas crônicas de sangue - hemorragia excessiva. Mas, o déficit de ferro não é a única causa como avalia o clínico: “transtornos hereditários (talassemia, anemia falciforme e outros), deficiência de outros elementos nutricionais (como vitamina B12 e ácido fólico), insuficiência renal crônica, HIV, neoplasias e doenças inflamatórias de maneira geral, anemias hemolíticas (por fatores que causam a destruição prematura dos glóbulos vermelhos)”, elucida Gustavo Lima. 
A servidora pública, Sílvia Moraes, relata como descobriu que tinha anemia: “Eu tive anemia, há uns seis anos, por causa da menstruação. Quem descobriu foi o ginecologista. Ele passou uma dieta rica em ferro, remédio por via oral e injeção. Era anemia por perda de sangue, anemia simples e melhorou com a reposição de sulfato ferroso”, lembra. 
Diagnóstico, Tratamento e Prevenção
O diagnóstico pode ser realizado através de um hemograma completo. De acordo com o especialista, muitas vezes, a causa dessa deficiência é aparente já na consulta e no exame físico, mas dependendo do caso, é necessário a realização de exames específicos. Já o tratamento vai depender da causa da anemia. “Quando por deficiência de ferro, reposição do mesmo, quando deficiência de alguma vitamina, reposição desta, vai depender da causa”, orienta.
Uma possível prevenção da anemia é manter uma dieta balanceada e estar atento, no caso das mulheres, ao fluxo menstrual. É preciso ficar atento às alterações de hábito intestinal, pois o câncer de intestino é uma causa importante de perda de sangue, além de sintomas de úlceras pépticas que também podem causar perda excessiva de sangue. Além de manter uma ingestão alimentar saudável e diminuir o consumo de álcool. 
Alimentação rica em ferro 
A nutricionista Juliana Calia indica alguns alimentos que podem auxiliar no combate à deficiência do ferro, prevenindo assim uma das causas da anemia: “No Brasil, é comum as farinhas de trigo e milho receberem ferro para suprir essa necessidade. Outra dica é consumir frutas cítricas, como laranja e limão, que não contêm ferro, mas são ricas em ácido ascórbico, substância que melhora a absorção desse nutriente em outros alimentos”, recomenda.
“O leite de vaca não é fonte de ferro, a não ser que seja adicionado industrialmente, mas o leite materno sim. E quem não gosta de comer feijão pode substituí-lo por carnes (vermelhas e brancas) e verduras de folhas escuras. Não há comprovação científica de que acrescentar um prego no cozimento adicione ferro à dieta”, esclarece a nutricionista. 

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

OMS: 1 bilhão de pessoas são tratadas contra doenças negligenciadas


A esquistossomose tem o caramujo como hospedeiro intermediário
Na lista, estão filariose linfática, esquistossomose e oncocercose
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo foram medicadas em 2017 para se proteger de pelo menos uma das cinco principais doenças tropicais negligenciadas que possuem tratamento preventivo atualmente. Na lista, estão a filariose linfática, a oncocercose, a helmintíases transmitidas pelo solo, a tracoma e a esquistossomose.
De acordo com a entidade, esse é o terceiro ano consecutivo que o marco é alcançado. “Entregar mais de 1 bilhão de tratamentos todos os anos envolve a gestão de medicamentos anti-helmínticos [drogas utilizadas no tratamento de parasitoses] e antibióticos doados pela indústria farmacêutica”, destacou a OMS.
A distribuição dos tratamentos envolveu, ao todo, 170 carregamentos de 1.889 toneladas a 80 países. Dados da entidade mostram que campanhas desse modelo levaram à eliminação da filariose linfática, também conhecida como elefantíase, no Camboja, nas Ilhas Cook, no Egito, nas Maldivas, nas Ilhas Marshall, no Sri Lanka, na Tailândia, no Togo, em Tonga e em Vanuatu.
O tracoma ou conjuntivite granulomatosa foi eliminado, como problema de saúde pública, no Camboja, em Gana, no Irã, na República Democrática Popular do Laos, no México, no Marrocos, no Nepal e em Omã. Já a oncocercose, também chamada de cegueira dos rios ou mal do garimpeiro, foi eliminada na Colômbia, no Equador, na Guatemala e no México.
“Uma melhor coordenação, fornecimento e entrega têm sustentado o progresso na implementação de programas de eliminação de doenças, contribuindo para a cobertura universal da saúde, permitindo que milhões de pessoas se beneficiem de campanhas de tratamento em larga escala cuidadosamente planejadas”, concluiu a OMS.
Fonte: Agência Brasil

sábado, 6 de outubro de 2018

Bacon e outras carnes processadas podem elevar risco de câncer de mama, aponta estudo


Pesquisa confirma descobertas anteriores da Organização Mundial de Saúde 
Comer bacon e salsicha com frequência pode aumentar o risco de câncer de mama, conclui estudo publicado recentemente no International Journal of Câncer.
Em uma revisão sistemática de 15 pesquisas, cientistas de diversos países - entre eles Estados Unidos, Reino Unido, Japão e Itália -, apontaram no levantamento que mulheres que consomem altos níveis de carne processada apresentam um risco 9% maior de desenvolver a doença, em comparação com aquelas que comem pouco.
Os achados confirmam descobertas anteriores da Organização Mundial de Saúde (OMS), que coloca as carnes processadas na lista de alimentos que considera cancerígenos.
Especialistas recomendam, no entanto, cautela em relação aos resultados do estudo, já que as pesquisas avaliadas têm definições diferentes do que seria "consumo elevado" e, muitas vezes, têm caráter observacional - ou seja, levam em consideração informações fornecidas pelos pacientes, não sendo suficientes para estabelecer relação direta de causa e efeito.
Qual é o risco?
No Reino Unido, cerca de 14 em cada 100 mulheres terão câncer de mama em algum momento de suas vidas.
O aumento de 9% no risco sinalizado pelo estudo poderia se traduzir em aproximadamente um caso "extra" a cada 100.
A ONG britânica Cancer Research UK, dedicada a combater a doença, estima que cerca de 23% dos cânceres de mama podem ser prevenidos.
Estima-se que cerca de 8% dos casos sejam motivados ​​por excesso de peso e obesidade, enquanto outros 8% pelo consumo de álcool.
Os autores do estudo, publicado no International Journal of Cancer, afirmam que a relação que eles encontraram se refere apenas à carne processada, e não à carne vermelha.
A OMS lista a carne processada como cancerígena, principalmente devido a evidências que a associam a um risco elevado de câncer de intestino, enquanto a carne vermelha é classificada como "provavelmente cancerígena".
O que é carne processada?
A carne processada é modificada para estender o prazo de validade ou alterar o sabor - é geralmente defumada, curada, salgada ou contém conservantes.
Entre elas, estão o bacon, linguiça, salsicha, salame, carne enlatada, carne seca e presunto.
Existem diferentes teorias de por que esse tipo de alimento pode aumentar o risco de câncer - uma delas diz que o conservante pode reagir com a proteína da carne, tornando-a cancerígena.
Até que ponto as descobertas são confiáveis?
O estudo, que inclui dados sobre mais de um milhão de mulheres, mostra uma ligação entre o consumo de carne processada e o risco de câncer de mama, mas não está claro se esse tipo de alimento realmente causa a doença.
Há outras questões a serem consideradas.
Os 15 estudos analisados têm diferentes definições para o que seria uma taxa de consumo elevada.
Por exemplo, uma pesquisa do Reino Unido classifica o alto consumo em mais de 9 gramas por dia - o equivalente a apenas duas ou três fatias por semana, enquanto outros estudos consideram uma quantidade muito maior.
Além disso, a maioria das pesquisas analisadas é observacional, então não conseguem provar relação de causa e efeito, se baseando na memória das participantes sobre o que e quanto comeram.
Os pesquisadores registraram o relato das mulheres e as acompanharam para ver se desenvolveriam câncer de mama.
Mas o problema desta metodologia é que quem consome mais ou menos carne processada também pode ter outros hábitos diferentes, que podem explicar as diferenças no risco de desenvolver a doença.
Devemos cortar a carne processada?
A principal autora do estudo, Maryam Farvid, da Escola T.H. Chan de Saúde Pública de Harvard, nos Estados Unidos, recomenda reduzir o consumo de carne, em vez de eliminá-la por completo.
Atualmente, o sistema público de saúde britânico (NHS, na sigla em inglês) recomenda não ingerir mais de 70g de carne vermelha e processada por dia.
Gunter Kuhnle, professor associado de nutrição e saúde da Universidade de Reading, no Reino Unido, que não participou do estudo, disse que era "questionável" se as pessoas deveriam reduzir seu consumo de carne vermelha e processada por causa desta pesquisa.
Segundo ele, o risco real representado pelas carnes processadas é "muito pequeno" para o indivíduo e mais relevante para a população em geral.
Ele diz, no entanto, que os resultados do estudo devem ser acompanhados para investigar a relação entre carne processada e câncer - e verificar se o risco associado pode ser reduzido, por exemplo, por meio de novos métodos de produção de alimentos.
Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Outubro Rosa: conheça a história de superação de Sandra Basílio que descobriu o câncer de mama aos 32 anos

Cristiana Tavares é oncologista e acompanhou Sandra durante seu tratamento

Por Rebeka Gonçalves
A descoberta de um nódulo é bastante aterrorizante, mas o câncer de mama é ainda pior para as mulheres. Uma doença que vem tomando proporções cada vez maiores no mundo, mas que ainda é cercada por mitos e relacionada imediatamente com a morte, o que nem sempre acontece. O Blog Saúde e Bem Estar conversou com a estudante Sandra Basílio que descobriu que tinha câncer de mama aos 32 anos de idade. 
“No final de 2016, ao acordar, eu senti um nódulo na minha mama, nossa, me desesperei, então comecei a correr atrás. Primeiro fui em uma clínica popular e pedi para fazer uma ultra, o médico me apalpou e disse que eu não me preocupasse, pois na opinião dele era benigno. Fiquei mais tranquila. Em janeiro de 2017, fui a uma consulta em uma clínica particular e levei esse exame que tinha feito na clínica popular. Ela disse a mesma coisa, que era benigno e que eu não me preocupasse. E decidimos fazer a cirurgia para tirar o nódulo porque eu tenho um histórico familiar muito grande - minha bisavó teve, mas não lembro onde foi, minha avó foi nos ovários, minha mãe e minha tia também foram câncer de mama. Então, por questão de segurança resolvemos tirar o nódulo, a médica dispensou até a punção, disse que eu não precisaria fazer. Fiz logo a cirurgia em um hospital particular. Mandamos o nódulo para a biopsia e o resultado deu que eu tinha que fazer uma imunohistoquímica. A partir daí já comecei a ficar nervosa porque se fosse benigno, já teria informado no próprio exame”, lembra Sandra. 
O câncer de mama é um tumor maligno que se desenvolve na mama como consequência de alterações genéticas em algum conjunto de células, que passam a se dividir descontroladamente. Ocorre o crescimento anormal das células mamárias, tanto do ducto mamário quanto dos glóbulos mamários. Esse é o tipo de câncer que mais acomete as mulheres em todo o mundo, sendo 1,38 milhões de novos casos e 458 mil mortes pela doença por ano, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Segundo a oncologista do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, Cristiana Tavares, a melhor forma de prevenção é o diagnóstico precoce: “O câncer de mama não é uma doença que se pode prevenir, mas sim diagnosticar precocemente. O diagnóstico é realizado através de mamografia. E a ultrassom e a ressonância magnética das mamas são exames complementares. Se você não tem casos na família, a mamografia deve ser feita a partir dos 40 anos, a cada dois anos, e a partir dos 50 anos, anualmente. Mas, pacientes que tem fatores de risco alto devem fazer a mamografia a partir dos 30 anos. Entretanto, caso a mulher perceba qualquer anormalidade na mama, pode ser um nódulo na mama ou nas axilas, secreção pelo mamilo, uma mama maior do que a outra, mudança de coloração da mama, afundamento, pele casca de laranja e/ou vermelhidão em uma das mamas. Então, nessas situações, a mulher pode fazer a mamografia ou ultrassom em qualquer faixa etária”, elucida. 
Sandra também lembra como foi a reação quando descobriu que tinha câncer de mama. “Quando peguei o resultado tinha dado o carcinoma ductal invasivo. Nossa!! Me lembro como hoje, foi terrível esse dia, chorei bastante e pensei que iria morrer. Fiquei muito mal, não dormia direito e só fazia chorar. Mas graças a Deus consegui uma consulta com a Dra. Cristiana lá no Osvaldo Cruz, e ela foi muito atenciosa comigo, conversamos bastante e ela me pediu para que eu fizesse alguns exames, entre eles o BRCA 1 E BRCA 2 - que é o exame que a Angelina Jolie fez. Nesse exame, detectou que eu tinha mutação para ter o câncer de mama e ovários - 80% mama 40% ovários. Dra. Cristiana me encaminhou para a Dra. Vidiana que é mastologista. Levei os meus exames para ela e por eu ser uma paciente de alto risco devido ao meu histórico familiar, ela me aconselhou a tirar as duas mamas e colocar silicone. Marcamos a cirurgia para maio de 2017. Graças a Deus deu tudo certo. Depois de ter me recuperado, voltei para a Dra. Cristiana, e ela ao me ver ficou muito emocionada e feliz. Confesso que me segurei para não chorar... A primeira batalha eu tinha vencido, faltava agora o tratamento que até então eu não sabia se iria precisar fazer ou não”, conta.
A parte mais dolorosa: o tratamento 
“Atualmente, o tratamento do câncer de mama é multifatorial e individualizado, pois existem vários tipos de câncer de mama, que vão do mais simples até o mais agressivo. E de acordo com essa classificação molecular, é que o tratamento pode ser projetado, para saber se a paciente fará apenas a cirurgia ou cirurgia e radioterapia ou só hormônio terapia ou a quimioterapia. Então, isso depende muito do subtipo molecular, depende também do estadiamento da paciente, da idade. Assim, tumores menores com menor tamanho, até dois centímetros, a paciente pode fazer uma assinatura genética, uma assinatura molecular, chamada de oncotaipe ou mama print.  Essas assinaturas podem dizer com mais precisão qual o tratamento ideal para cada paciente. É uma técnica bem interessante, porque cada vez mais o tratamento do câncer de mama está sendo individualizado, caso a caso”, explica a oncologista.
Entretanto, no caso de Sandra foi necessário à quimioterapia devido ao histórico familiar dela: “Mas em reunião com sua equipe, Dra. Cristiana concluiu que eu teria que fazer a quimioterapia por causa do histórico familiar que eu tenho e por segurança. Confesso que fiquei muito triste, pois a primeira coisa que eu pensei foi na queda do meu cabelo, mas eu tinha que enfrentar mais essa barra! Foram 4 sessões da vermelha e 12 da branca. A vermelha é mais severa, pois dar muito enjoo, fadiga e fastio. Comecei a tomar um suco que era com couve, cenoura e beterraba para ajudar na minha imunidade e ajudou muito. No primeiro mês meu cabelo começou a cair, era uma angústia tão grande, toda vez que eu acordava e ia ajeitar meu cabelo, ele caía de bolo mesmo, dava para fazer uma peruca. Então, pedi para o meu irmão passar a máquina no meu cabelo. No início ele não queria, mas aí eu falei que se ele não raspasse a minha cabeça eu iria fazer só mesmo, mas ele raspou. Fiz todas as sessões e não tive nenhuma reação, graças a Deus”, relata a paciente. 
Fatores que podem aumentar o risco 
Os tumores de mama são os mais prevalentes entre as mulheres, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Cerca de 20% dos tumores de mama são hereditários, ou seja, são herdados através de mutação genética passando de mãe para filha, sendo considerados de alto risco. “Então, é necessário identificar a herança familiar para que essas mulheres possam começar os exames de rastreamento mais cedo, a partir dos 30 anos de idade. Por isso, a importância de fazer os exames para que o diagnóstico seja cada vez mais precoce e com isso melhore a chance de cura”, orienta a oncologista. 
Segundo a especialista, outros fatores de risco que aumentam em 20% o risco de câncer de mama podem ser a obesidade e o sedentarismo. E são fatores que qualquer pessoa pode modificar ao longo da vida. Entretanto, existem fatores que não são modificáveis como os relacionados a vida reprodutiva da mulher, ou seja, a primeira menstruação antes dos 10 anos, a última menstruação após os 52 anos, mulheres que só tiveram um filho, mulheres que amamentaram muito pouco ou não amamentaram, mulheres que não tiveram filhos. 
“Outro possível fator de risco é o uso de terapia de reposição hormonal após a menopausa, mas isso não aumenta a mortalidade e essas pacientes têm o prognóstico igual ao de mulheres que nunca fizeram terapia de reposição hormonal. O uso de anticoncepcional também pode dar um pequeno, muito pequeno, aumento no risco de câncer. A obesidade e o sedentarismo são riscos muito maiores, inclusive do que o próprio uso do contraceptivo. E, principalmente, quando se tem o risco de uma gravidez indesejada, então as mulheres devem continuar tomando o anticoncepcional”, esclarece.  
A Recuperação e uma lição 
“Agora estou bem, curada e siliconada (risos)... Meu cabelo ainda tá crescendo. No começo eu usava touca para poder sair na rua, mas agora não mais, meu cabelo está crescendo e eu estou crescendo junto com eles!!! Estou tomando tamoxifeno e tomarei por 10 anos. E deixo para as mulheres que foram recém-diagnosticadas com a doença é que nunca desistam, o senhor Jesus é maravilhoso e da mesma forma que eu fui curada elas também serão, basta acreditar, ter fé e enfrentar dia após dia, porque a vitória, da mesma forma que chegou para mim, também chegará para elas. Agradeço a Deus todos os dias por permitir que eu continuasse a viver. E agradeço também às minhas lindas doutoras: Cristiana e Vidiana, pois elas foram maravilhosas comigo”, conclui Sandra Basílio, mais uma mulher que superou o câncer de mama. 

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Catarata a doença que afetou até a Rainha da Inglaterra



Por Rebeka Gonçalves
No primeiro trimestre deste ano, a rainha Elizabeth passou por uma cirurgia de catarata, que é a operação mais realizada no Reino Unido, de acordo com o Hospital King Edward VII, em Londres. A catarata é definida como a perda progressiva da transparência do cristalino, a lente natural do olho, e afeta quase 50% da população mundial acima de 65 anos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). 
“Os sintomas mais frequentes da catarata são visão turva; diminuição da sensibilidade às cores e ao contraste; visão dupla num olho; aumento da sensibilidade à luz; alteração frequente dos erros refrativos, com mudança frequente de óculos; diminuição da visão noturna”, afirma a oftalmologista do Centro Médico Sen. José Ermírio de Moraes, Cristiane Amaral que também alerta sobre a importância do diagnóstico precoce, uma vez que a doença pode não apresentar sintomas na fase inicial. 
O diagnóstico é realizado através do exame oftalmológico em lâmpada de fenda e o único tratamento é a cirurgia. “A catarata tem cura através da cirurgia, na qual remove-se o cristalino opacificado e é implantada uma lente intraocular transparente no mesmo local”, explica a especialista. 
A dona de casa Conceição Martins relata como descobriu que tinha catarata: “Fui ao médico, porque não estava enxergando muito bem. Então, pensei que poderia ser miopia, mas acabei descobrindo que estava com catarata avançada e o médico passou logo os exames para a cirurgia. Fiz e passei um mês de repouso usando óculos de sol e evitando baixar a cabeça. Pronto fiquei curada”, relembra. Segundo a especialista o uso dos óculos de sol após a cirurgia serve apenas para reduzir o ofuscamento. 
Os fatores de risco são a idade a partir dos 50 anos, alta miopia, histórico familiar, cirurgias intraoculares (vitrectomia, cirurgia de glaucoma, etc.), medicamentos (corticosteroides ou mióticos), tabagismo e/ou alcoolismo, exposição excessiva à radiação ultravioleta e raio X, algumas doenças (diabetes, galactosemia, doenças renais), infeções e inflamações oculares (uveítes), traumas oculares graves. 
A prevenção da catarata pode ser feita através de alguns cuidados como recomenda Cristiane Amaral. “Podemos diminuir a chance do aparecimento precoce em alguns casos com redução de exposição à radiação ultravioleta e bons hábitos alimentares e de vida. Mas não há como impedir o aparecimento com o passar dos anos”, conclui. 

Hospitais da Rede Pública de Pernambuco que realizam a cirurgia de catarata
Hospital Maria Lucinda 
Endereço: Av. Parnamirim, 95, Parnamirim – Recife/PE
Tel.: (81) 3267.4200
Obs.: Para pacientes de catarata, favor ter em mãos o RG, certidão de nascimento e apresentação do CPF. Além do cartão do SUS. 
Horário de atendimento: Segunda a quinta, das 7h às 17h, nas sextas até às 16h e nos sábados das 7h às 9h (quando houver internamento). 

Fundação Altino Ventura (FAV) 
Matriz
Rua da Soledade, 170, Boa Vista – Recife/PE
Tel. (81)3302.4300 

Centro Especializado em Reabilitação – CER IV
Av. Maurício de Nassau, 2075 - Iputinga, Recife/PE 
Tel. (81) 3302.4300

Unidade Jaboatão
Av. Bernardo Vieira de Melo, 1650, Piedade – Jaboatão/PE 
Tel. (81) 3094-1068

Unidade Salgueiro 
Praça Benjamin Soares, 487, Centro – Salgueiro/PE 
Tel. (87) 3871-1335

Unidade Arcoverde 
Rua Sávio Napoleão, 172, São Miguel, Arcoverde/PE 
Tel. (87) 3822-3002

UPAE Ministro Fernando Lyra 
Av. José Marques Fontes, S/N, Indianópolis – Caruaru/PE 
Tel. (81) 3725.7549/7550

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Mortes por câncer devem chegar a 9,6 milhões neste ano, estima OMS



O número de mortes em razão de câncer deve chegar a 9,6 milhões neste ano em todo o mundo. Já o total de novos casos deve atingir 18,1 milhões. A estimativa é de um estudo é da Agência Internacional para a Pesquisa sobre Câncer (IARC, na sigla em inglês), órgão vinculado à Organização Mundial de Saúde (OMS).
Segundo a entidade, um em cada cinco homens e uma em cada seis mulheres devem desenvolver câncer em algum momento da vida. Já as mortes decorrentes da doença devem acometer um a cada oito homens e uma a cada onze mulheres.
Conforme as expectativas da associação, quase metade dos novos casos e mais da metade das mortes devem ocorrer na Ásia. O continente concentra cerca de 60% da população mundial. Já a Europa é responsável por 23% das novas ocorrências e 20% dos óbitos, embora contenha somente 9% da população mundial.
Pela projeção, as Américas devem ser responsáveis por 21% dos casos novos identificados e 14,4% da mortalidade global. Assim como na Europa, os índices são maiores do que a participação da região na população mundial, atualmente em 13,3%.
Tipos
Os tipos de câncer que mais levam a mortes devem ser os de pulmão (18,4%), reto (9,2%) e estômago (8,2%). Já nos novos casos, as modalidades com maior incidência devem ser as de pulmão (11,6%), mama (11,6%) e reto (10,2%). Juntos, estas representam cerca de um terço dos registros da doença em todo o mundo.
No recorte por gênero, entre os homens os tipos de câncer mais comuns devem ser os de pulmão (14,5% do total), próstata (13,5%) e reto (10,9%). Já entre as mulheres, as modalidades com maior incidência devem ser câncer de mama (24,2%), seguido por de reto e de pulmão. Nos dois gêneros, o câncer de pulmão deve fechar o ano como o principal responsável por mortes.
Causas
De acordo com o IARC, as causas para os números são distintas, variando do crescimento e envelhecimento da população a fatores ligados ao desenvolvimento econômico. Em economias emergentes, pontua a associação, há uma transição de doenças relacionadas à pobreza para aquelas vinculadas a determinados estilos de vida.
Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Vacina do futuro será autoaplicável e ‘enviada pelo correio’, apontam cientistas




Imagine só a seguinte situação: você quer tomar uma vacina contra a gripe. Mas em vez de procurar o posto de saúde mais próximo, ou mesmo aquela clínica particular que vai cobrar um valor considerável pelo procedimento, você faz uma compra on-line, recebe a dose e uma seringa com microagulha pelo correio e aplica em si mesmo o produto. 
Simples? Sim. Impossível? Na verdade, não.
Pelo menos é isso que querem mostrar cientistas da área de imunologia. 
Um grupo de 14 pesquisadores de universidades americanas, canadenses e israelenses publicou nesta quarta-feira um artigo no periódico científico Science Advances explicando a tecnologia - que, no estudo, foi feita para uma cepa letal de gripe, mas que na vida prática poderia ser aplicada a outros tipos de vacinas. 
Os pesquisadores criaram um medicamento para injeção intradérmica - ou seja, na pele, entre a derme e a epiderme -, o que facilita muito o esquema self-service: essa aplicação é fácil e pode ser feita mesmo que a pessoa não tenha nenhum conhecimento médico. 
A maioria das vacinas hoje é aplicada com injeção subcutânea, que atinge camadas mais profundas do tecido e, por isso, só pode ser administrada por alguém com conhecimento médico. 
As vacinas contra a gripe, por exemplo, são aplicadas no músculo deltoide, que recobre o ombro. Para adultos, usa-se uma agulha que pode chegar a 3,8 centímetros de comprimento.
O método desenvolvido pela equipe atingiu bons resultados tanto em furões - usados para verificar a eficácia dos medicamentos - quanto em humanos, mesmo quando foi testada uma das variedades mais nocivas do vírus da gripe.
O procedimento, conforme explica o artigo, é todo feito sem o auxílio de um profissional.
Pelo mecanismo, o aplicador utiliza uma microagulha que, a partir da pele, pode penetrar nos tecidos profundos ou vasos sanguíneos. 
"Um dia, isto pode ser enviado pelo correio para autoadministração. Isso poderia aliviar grandemente as multidões em centros de saúde no caso de um surto ou de uma pandemia", afirmam os cientistas no estudo. 
O artigo ainda lembra que, mais do que mutirões para aplicar vacinas, um grande desafio enfrentando em períodos críticos, de pandemias, é justamente a produção e a distribuição das vacinas - e a autoaplicação facilitaria a disseminação dos agentes imunológicos na população.
Vacinas turbinadas
Para melhorar a qualidade das vacinas, os cientistas têm utilizado adjuvantes - aditivos, ou melhor, agentes químicos que tornam as tornam mais eficazes -, que aumentam a resposta imunológica do organismo. 
O bioquímico Darrick Carter, do Instituto de Pesquisas de Doenças Infecciosas de Seattle, nos Estados Unidos, combinou três tecnologias para obter um produto eficiente e seguro. Sempre, ressalta-se, por meio da tal microagulha.
Carter utilizou ainda uma técnica alternativa ao uso do vírus inativado, a chamada vacina recombinante, para produzir uma resposta imunológica ainda mais forte.
Por fim, o pesquisador fez com que fosse aplicado, junto à vacina, um adjuvante à base de um lipídio que pode aumentar sua eficácia - pelo menos este foi o resultado observado em furões.
Depois de testada em animais, a vacina contra a gripe foi utilizada em 100 humanos. Não foram registrados efeitos adversos e os resultados foram positivos.
De acordo com os pesquisadores, o sucesso do teste permite um planejamento para que, num futuro próximo, seja realidade a ideia de a população receber um pacote com vacina e dispositivo para aplicação intradérmica com facilidade, pelo correio. 
Reforço na produção de vacinas
Também hoje, o periódico especializado Vaccine publicou uma pesquisa que pode ser um avanço na outra ponta da questão das vacinas: a produção. 
Os cientistas descobriram uma maneira, utilizando feixes de laser, para medir rapidamente a infectividade viral (a capacidade de um agente de causar infecção) no desenvolvimento e na produção das vacinas.
Isso significa melhorar a efetividade dos medicamentos, "acertando" com mais destreza a carga viral da vacina.
No artigo, os pesquisadores, das empresas Thermo Fisher Scientific e LumaCyte, mostram como o laser possibilita que cientistas analisem rapidamente as vacinas virais. Com a maior precisão, a ideia é que o desenvolvimento de medicamentos seja acelerado, com um grau de eficácia mantido. 
"Muitas vacinas utilizam o próprio vírus para a criação de uma resposta imunológica no corpo. Assim, a medição da concentração dos vírus infecciosos é crítica para a segurança e eficácia das doses", explicam os cientistas. 
A quantificação viral durante uma doença, enquanto ela é manifestada, é muito importante: afinal, atrasos na produção e distribuição da vacina podem ter efeitos sérios no dia a dia das pessoas. 
Em geral, hoje em dia, essa medição é feita por meio do que se chama "teste de placas de lise". Isso significa que amostras da vacina são colocadas em uma superfície pequena e, por meio de observação microscópica, analisa-se a disseminação - ou não - do vírus. Um processo, portanto, menos acurado e menos ágil do que a novidade proposta. 
Os cientistas acreditam que, com o novo método, gargalos do processo sejam eliminados. E, em breve, vacinas mais eficazes estejam disponíveis para males como ebola, zika vírus e influenza, a gripe. 
Gripe
A maior dificuldade na imunização contra a gripe é a rápida mutação das cepas do vírus, que mudam praticamente a cada nova temporada de vacinação.
Cientistas, entretanto, têm trabalhado para que, em breve, esteja disponível uma vacina "universal" contra a doença - o que eliminaria a necessidade, por exemplo, de campanhas anuais de imunização, como ocorre no Brasil, sobretudo focadas na população mais idosa.
Estudo publicado no ano passado na revista Scientific Reports mostra que uma das estratégias que vêm sendo testadas pelos cientistas é a criação de uma vacina que combata a "raiz" do vírus da gripe, em vez do vírus de modo geral. Isto faria com que toda a árvore genealógica do agente infeccioso fosse combatida.
Esta é a ideia de pesquisadores do centro médico da Universidade de Rochester, instituição localizada ao norte de Nova York, nos Estados Unidos. 
Para explicar o conceito, os cientistas envolvidos no projeto fazem uma analogia com uma flor comum. Eles afirmam que há uma proteína, chamada hemaglutinina, que tem a capacidade de cobrir o exterior do vírus da gripe. Esse efeito é semelhante ao de uma flor: há o talo e a cabeça, o caule e as pétalas. 
Até então, as vacinas são todas focadas na cabeça, ou seja, a parte do vírus que acaba sendo a mais exposta - e, consequentemente, aquela que mais muda evolutivamente, no esforço para escapar das defesas imunológicas. 
Os cientistas utilizaram supercomputadores para analisar as sequências genéticas dos vírus da gripe H1N1 em circulação entre humanos desde 1918. Em laboratório, o vírus foi manipulado e juntado com anticorpos humanos. O software de computador encontrou variações evolutivas no vírus tanto na cabeça quanto no caule - mas, segundo os cientistas, a variação observada na cabeça sempre foi muito maior. 
"Uma vacina contra a gripe universal baseada no caule seria mais amplamente protetora do que as que usamos agora, mas essa informação deve ser levada em conta à medida que avançamos com pesquisa e desenvolvimento", afirma o professor de microbiologia e imunologia David J. Topham, um dos autores da pesquisa. 
"É muito mais difícil promover as mutações no caule do vírus, mas não é impossível."
Dados
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mesmo com intensas campanhas de vacinação ao redor do mundo, estima-se que 1 bilhão de pessoas, em todo o mundo estejam infectados com o vírus da gripe. Os casos graves estão entre 3 a 5 milhões por ano - que causam de 300 mil a 500 mil mortes decorrentes da doença.
Nos Estados Unidos, as vacinas existentes ainda hoje protegem de 40% a 70% da população, também de acordo com dados da OMS.
Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

AVC: Neurologista tira dúvidas sobre a doença que causou a morte de Graça Araújo



Por Rebeka Gonçalves
No último sábado (08/09), morreu, aos 62 anos, a jornalista pernambucana Graça Araújo. A apresentadora sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico na quinta-feira (06/09). A morte ocorreu às 12h55, devido à falência múltipla nos órgãos, de acordo com o Hospital Esperança, unidade de saúde onde estava internada. 
Segundo a Organização Mundial de Saúde, estima-se que, no mundo, uma em cada seis pessoas terão algum tipo de AVC. Já de acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, o AVC é a principal causa de morte e incapacidades. Cerca de 80% dos casos são do tipo isquêmico.
A repercussão do falecimento da apresentadora e o nível de gravidade da doença trouxe à tona a discussão da enfermidade, por isso, o Blog Saúde e Bem Estar conversou com a neurologista do Hospital Pelópidas Silveira, Camila Lyra para tirar todas as dúvidas sobre o AVC e como se prevenir. 
SBE: O que é o AVC? 
Camila Lyra: O acidente vascular encefálico é uma urgência médica e é caracterizado por sintomas neurológicos súbitos secundários a alterações nos vasos do cérebro. Podem ser isquêmicos, análogos ao infarto cardíaco, hemorrágicos ou devido a aneurismas, que causam hemorragias subaracnóideas – quando há o rompimento de aneurismas.
SBE: Quais os sintomas?
Camila Lyra: Os sintomas são de instalação súbita, em poucos minutos, e vão depender da área do cérebro afetada.
Alteração da força de um lado do corpo, podendo comprometer braços e pernas, desvio da boca para um lado, dificuldade de falar, que pode ocorrer em maior ou menor grau, dificuldade de enxergar, desequilíbrio com dificuldade de andar, e até alterações da sensibilidade em um lado do corpo. 
SBE: Como é feito o diagnóstico?
Camila Lyra: O diagnóstico é feito através da anamnese, que é a coleta da história com o paciente ou familiares, exame físico e exame neurológico, um exame de imagem, que pode ser uma tomografia ou uma ressonância do encéfalo, ambas sem contraste. No AVC isquêmico, a tomografia pode ser inicialmente normal, sendo mais sensível para avaliar alterações hemorrágicas. Já a ressonância de encéfalo tem grande sensibilidade para detectar AVC precocemente. 
SBE: Como é realizado o tratamento?
Camila Lyra: O tratamento do AVC depende do tipo e do tempo para o diagnóstico do paciente. O AVC isquêmico, se diagnosticado e avaliado de forma rápida, pode ser tratado com medicação venosa, chamada trombolítico, com intuito de dissolver o trombo que está causando isquemia e reverter ou diminuir os sintomas. Este tratamento tem contraindicações e deve ser orientado por um neurologista apenas quando os sintomas se iniciaram a menos de 4 horas e 30 minutos. 
O AVC hemorrágico é causado principalmente por hipertensão arterial mal controlada. Forma-se um hematoma no encéfalo. Os hematomas pequenos podem ser apenas observados clinicamente e avaliados por tomografias de crânio de controle. Os hematomas extensos podem precisar de cirurgia para diminuir o tamanho e controlar os sintomas.
A hemorragia subaracnóidea, que é causada principalmente por aneurismas, pode ser classificada em 4 tipos, na escala de FISHER, sendo o 3 e 4 as formas de apresentação mais graves. Nestes casos, o aneurisma deve ser tratado ou cirurgicamente ou por arteriografia, um tipo de cateterismo, e alguns casos necessitam também de cirurgia para monitorizar a pressão dentro do encéfalo. 
SBE: Quais os fatores de risco? 
Camila Lyra: Os principais fatores de risco são hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, sedentarismo, obesidade e doenças do coração, no caso de infarto, arritmias cardíacas e insuficiência cardíaca.
Alguns fatores genéticos também estão associados, principalmente quando existe histórico familiar de AVC em idade precoce, abaixo de 60 anos.
Algumas doenças autoimunes também podem ser causa de AVC, porém são mais raras do que os fatores já mencionados. 
SBE: Como é possível se prevenir de ter um AVC? 
Camila Lyra: Para evitar um AVC no futuro, deve haver um controle rigoroso da pressão arterial, diabetes e colesterol. Também é essencial manter um estilo de vida saudável com exercícios regulares. 

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Governo elabora primeiro protocolo para tratamento de obesidade


Prazo para contribuições da sociedade civil termina nesta terça-feira
O Ministério da Saúde abriu uma enquete pública para elaborar o primeiro Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para tratamento de casos de obesidade e sobrepeso. O documento poderá receber contribuições de representantes da sociedade civil e profissionais de saúde até o próximo dia 11 de setembro.
Segundo o Ministério, o objetivo é aprimorar e qualificar o atendimento e a conduta terapêutica de pacientes na atenção básica e especializada no Sistema Único de Saúde (SUS). A pasta alerta que a adoção do protocolo pode contribuir para prevenir e controlar a obesidade e o sobrepeso no país, além de garantir mais segurança e efetividade clínica e científica aos profissionais de saúde.
A obesidade é uma das doenças que mais tem crescido nos últimos anos em nível global. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que os índices de obesidade e sobrepeso quase triplicaram desde 1975. Em todo o mundo, existem pelo menos 650 milhões de obesos. No Brasil, um em cada cinco pessoas estão obesas e mais da metade da população das capitais estão com excesso de peso, segundo a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).
O impacto sobre o Sus também tem crescido. Em 2012, a rede pública realizou pouco mais de mil cirurgias bariátricas e reparadoras de pacientes obesos. O número de intervenções subiu para 8,1 mil, em 2016, segundo o Ministério da Saúde.
Participação
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia convocou a participação de endocrinologistas na elaboração do protocolo. A Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) também se manifestou favorável à contribuição dos nutrólogos para elaborar o protocolo, devido à preocupação com a gravidade e o aumento da doença na população.
“A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, que vai desde meio ambiente até condição de alimentação, meios de saúde e até genética. Por ser considerada uma doença crônica, infelizmente, se você para de tratar, ela volta. Ela é responsável por mais de 30 patologias, desde a hipertensão, diabetes, colesterol elevado, infarto, acidente vascular cerebral e até câncer”, alertou Dimitri Homar, representante da regional da Abran, em Brasília.
Uma das demandas que o especialista coloca é a volta de medicamentos de baixo custo que auxiliavam no tratamento da obesidade e foram retirados do mercado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O Ministério da Saúde explicou que a enquete garante a participação popular desde a primeira etapa do processo de elaboração do protocolo, que ainda deve passar por consulta pública para deliberação final.
Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Recife capacita profissionais para trabalho de prevenção ao suicídio


Atividades ocorrem durante o Setembro Amarelo, mês de alusão a esse  problema
A Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria municipal de Saúde, promoverá uma série de ações em alusão ao Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio. O objetivo é, além de trazer o assunto para a discussão em sociedade, qualificar os profissionais da rede municipal sobre a gravidade do tema e as formas de evitá-lo. Nesta segunda-feira (10/09), Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, será realizado, às 14h, o Encontro Intersetorial com a Educação, com o tema “Prevenção ao Suicídio: Olhar Integrado para Promoção de Estratégias de Atenção e Cuidado”. O evento acontecerá no auditório do Banco Central, em Santo Amaro, e pretende reunir cerca de 200 profissionais da Rede de Atenção Básica, Saúde Mental e da Secretaria Municipal de Educação.
O Setembro Amarelo é lembrado no Brasil desde 2014 e foi trazido ao país pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera o suicídio uma prioridade de saúde pública.
De acordo com o Ministério da Saúde, a taxa mundial de suicídios, em 2015 (último ano contabilizado), foi de 10,7 casos por 100 mil habitantes. No último levantamento, foi a segunda principal causa de morte mundial entre jovens entre 15 e 29 anos. Cerca de 80% dos casos no mundo ocorreram em países de baixa e média renda. A ingestão de pesticidas, enforcamento e armas de fogo estão entre os métodos mais comuns em nível global. No Brasil, a taxa foi de 6,3 por 100 mil habitantes, e em Pernambuco, 3,3 para cada100 mil.
A taxa no Recife variou de 3,45 para 100.000 pessoas em 2010 para 3,71 para 100.000 em 2015. As tentativas de suicídio são captadas pela notificação decorrente de Intoxicação Exógena ou Violência Interpessoal. Entre 2010 e 2017, uma média anual de 469 casos foi notificada como tentativa de suicídio por esse sistema na Capital. A faixa etária predominante foi entre 20 e 39 anos, a maioria do sexo feminino (70%). As tentativas que terminaram em morte, entretanto, foram, na maioria, feitas por homens (67%).
Considerando o grupo etário de 5 a 19 anos, entre os anos de 2010 e 2018 foram notificados 1.100 tentativas de suicídio, sendo que 76% dos casos foram do sexo feminino. O uso de medicamentos foi o método mais usado por esse grupo (58%).
Entre as principais formas de a saúde pública observar o comportamento suicida e evitá-lo estão a escuta das pessoas (problemas financeiros, violência, abusos, dores crônicas, isolamento e outros), campanhas de divulgação, controle do acesso aos meios utilizados (como medicamentos e armas de fogo, por exemplo), políticas de redução do uso de álcool e outras drogas, identificação precoce de doenças mentais e acompanhamento das pessoas que já tentaram o suicídio, entre outras medidas.

Setembro Amarelo no Recife
10/09
Atividade: Encontro Intersetorial com a Secretaria da Educação do Recife, com o tema “Prevenção ao Suicídio: Olhar Integrado para Promoção de Estratégias de Atenção e Cuidado”.
Local: Auditório do Banco Central, na Rua da Aurora, 1259, Santo Amaro.
Horário: 14h às 17h.
Programação do evento
13h30 - Acolhimento e credenciamento
14h - Mesa de abertura (Jailson Correia, secretário de Saúde do Recife, representantes da DEAS e DEVS - Sesau - e representantes da Secretaria Municipal de Educação)
14h30 - “Vigilância das Tentativas de Suicídio no Município do Recife”
15h - “Suicídio: conhecer para prevenir”, com Simone Cantarelli, psiquiatra infantil da rede municipal.
15h40 - “Rede de Cuidado”, com Valdiza Soares, da Gerência de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Recife.
16h15 - Debate e encaminhamentos.
Atividade: Participação na capacitação do Serviço de Psicologia Aplicada (UFPE) junto aos Agentes de Saúde do Distrito Sanitário 4 sobre vigilância das violências interpessoais e autoprovocadas.
Local: Campus da UFPE.
Horário: 14h.

11/09
Atividade: Fórum de Saúde Mental do Distrito Sanitário 5: Promoção à vida e notificação de violência interpessoal e autoprovocada, com a participação de profissionais da Rede Psicossocial e da Atenção Básica do Recife.
Local: IPESU, na Rua São Miguel, 176, Afogados.
Horário: 14h.
Atividade: Fórum de Saúde Mental do Distrito Sanitário 2: Promoção à vida e notificação de violência interpessoal e autoprovocada, com a participação de profissionais da Rede Psicossocial e da Atenção Básica do Recife.
Local: Upinha Eduardo Campos, na Rua Itabira, s/n, na Bomba do Hemetério.
Horário: 14h.

20/09
Atividade: Sensibilização sobre o tema suicídio com profissionais da Escola Estadual Othon Bezerra de Melo.
Local: Rua Virgínia Heráclio, s/n, IPSEP.
Horário: 14h.

24/09
Atividade: Fórum de Saúde Mental dos distritos sanitários 6 e 8 sobre promoção à vida e notificação de violência interpessoal e autoprovocada, com a participação de profissionais da Rede Psicossocial e da Atenção Básica do Recife.
Local: A definir.
Horário: 14h.

27/09
Atividade: Sala de Espera com abordagem sobre o tema promoção à vida e notificação de violência interpessoal e autoprovocada.
Local: PSF Vila do Ipsep, na Rua Virgínia Heráclio, s/n, IPSEP.
Horário: 14h.
Atividade: Roda de conversa com o tema “Valorização da Vida e Prevenção ao Suicídio”, em parceira com o setor dos SIS e Cerest, tendo como público alvo os profissionais da DEVS. (Local e horário em aberto).