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sexta-feira, 29 de junho de 2018

Hospital Português atinge sucesso em 95% dos transplantes de fígado

O procedimento é realizado de maneira gratuita através do Sistema Único de Saúde
A equipe de transplante de fígado do Real Hospital Português (RHP) celebra o resultado positivo de 95% de sucesso na execução dos procedimentos no último ano. O serviço de transplante de fígado do RHP iniciou suas atividades em dezembro de 2015, já realizou 55 transplantes e o atendimento é todo realizado de maneira gratuita através do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo César Lyra, cirurgião e coordenador do serviço, o resultado é fruto da capacitação da equipe, juntamente com a estrutura e o apoio fornecidos pelo hospital. “Temos um serviço que, apesar de jovem, tem conseguido excelentes resultados, pela expertise da equipe que foi buscar técnicas cirúrgicas modernas e pela estrutura que nos é fornecida pelo hospital, que hoje tem a melhor estrutura do Norte/Nordeste. Que tem dado todo apoio para o desenvolvimento do transplante, mesmo o procedimento sendo 100% coberto pelo SUS”, destaca.
“Conseguimos fazer transplante de fígado no Hospital Português com nível de excelência de primeiro mundo, isso tudo realizado pelo SUS”, comemora Fábio Moura, cirurgião do aparelho digestivo e transplante de fígado do Real Instituto de Cirurgia Oncológica.
O transplante de fígado é um procedimento muito complexo e delicado, mas sem ele o paciente não tem chance nenhuma de vida. “O paciente que tem indicação de um transplante de fígado tem uma doença terminal. Se o órgão não for substituído, o paciente terá apenas alguns meses, ou em casos mais extremos, apenas alguns dias de vida. Mas, se ele fizer o transplante, sua vida voltará à normalidade”, afirma Fábio Moura.
João Carlos Locio, de 71 anos, realizou o transplante no início desse ano e disse que ficou impressionado com a qualidade do atendimento e a estrutura do serviço ofertado pelo SUS. “O atendimento é de primeiro mundo aqui, eu fiquei impressionado com um atendimento desse pelo SUS, a assistência, a alimentação, o atendimento do paciente lá é número 1. Apartamento com ar condicionado, todo dia tudo era esterilizado. Coisa de primeiro mundo, em termos de médicos, aparelhagem. Os médicos são craques e dão muita assistência. Eu disse a eles, vocês são abençoados, são salvadores de vidas, se não fosse vocês eu estava morto”, elogia o paciente.
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de fígado tem maior prevalência em homens do que em mulheres e o risco é de cerca de 1 caso em 81 homens, enquanto nas mulheres esse risco é de cerca de 1 em 196. Em média, cerca de 95% das pessoas diagnosticadas com câncer de fígado tem mais de 45 anos, 3% tem entre 35 e 44 anos e por volta de 2% tem menos de 35 anos. As principais doenças que podem levar à necessidade de um transplante são hepatite C, cirrose e câncer de fígado.
Na maioria dos casos, o câncer de fígado só pode ser tratado através de um transplante, que é um procedimento extremamente complexo, mas sem ele o paciente não tem chance de vida. Segundo dados do INCA, em 2008, o câncer de fígado foi responsável pela morte de 6.995 pessoas no Brasil. 
Os médicos destacam ainda que o paciente que não faz acompanhamento médico com certa frequência tem grandes chances de só descobrir o câncer de fígado num estágio avançado, já que, muitas vezes, a doença não apresenta sintomas relevantes. A equipe de transplante de fígado do RHP trata as doenças hepáticas desde o diagnóstico clínico até o transplante e conta com 2 cirurgiões, 3 hepatologistas, anestesistas, patologista, intensivista, enfermeiro e auxiliares. O atendimento é feito no Real Instituto de Cirurgia Oncológica.
Saiba mais
O que é o Transplante de Fígado?
É uma cirurgia que consiste na retirada do fígado de um paciente portador de uma doença hepática crônica ou aguda para colocar, no mesmo lugar, um fígado doado pela família de alguém com morte encefálica, ou parte do fígado de um doador vivo (doado por um familiar).
Quando é necessário um Transplante de Fígado?
Qualquer pessoa, criança ou adulto, que tem a vida comprometida por uma doença hepática grave e irreversível pode ser candidato ao transplante de fígado.
Doenças podem levar a necessidade de um transplante
Hepatite B
Hepatite C
Cirrose
Doença Hepática Alcoólica
Doenças autoimunes
Câncer de fígado
Esteatohepatite (hepatite causada pela gordura no fígado)
Grupos de risco
Profissionais de saúde
Usuários de drogas
Pessoas que fazem sexo sem preservativo
Pessoas que receberam transfusão de sangue antes de 1990
Pessoas que já utilizaram piercing ou fizeram tatuagem
Pessoas que utilizam alicates de unha não esterilizados adequadamente

segunda-feira, 4 de junho de 2018

75% dos portadores de hepatite autoimune são mulheres



A hepatite autoimune é uma doença na qual o sistema de defesa do indivíduo ataca as células do próprio fígado, levando à sua inflamação. Trata-se de uma reação do organismo que entende que o órgão não é seu. Funciona como uma rejeição crônica, como se o fígado fosse de outra pessoa, como se tivesse sido transplantado. Assim como nas hepatites virais, ela também é assintomática e só apresenta sintomas nos quadros avançados, normalmente cansaço e icterícia (olhos amarelados). 
A hepatite autoimune acomete, principalmente, mulheres em duas fases, na adolescência (até os 20 anos) e na mulher após os 50 anos. A incidência é relativamente baixa, 1,9 casos para cada 100 mil habitantes e 75% são mulheres. Existem evidências que associam a enfermidade com fatores genéticos e com a presença de doenças autoimunes de uma forma geral, como doença de tireoide, de articulações, artrite reumatoide e lúpus.
De acordo com Fábio Marinho, hepatologista do Real Hepato, normalmente ela é diagnosticada a partir da descoberta de alterações nas enzimas hepáticas (do fígado) e, em alguns casos, há a necessidade de fazer biópsia para confirmar.
No início do ano, a enfermeira R.M.C., de 50 anos, foi diagnosticada com hepatite autoimune. Em abril de 2017, ela havia sido diagnosticada com mielite por vírus. O neurologista que a acompanhava identificou, através de exames laboratoriais, alteração das enzimas hepáticas. Inicialmente, achou-se que era um quadro de hepatite medicamentosa, decorrente dos remédios que estavam sendo utilizados. 
“Em janeiro de 2018 procurei Dr. Fábio Marinho para começar a investigação, rastreamento de exames laboratoriais específicos para doença autoimune e marcadores hepáticos (...) e ele solicitou uma biópsia”, relembra a paciente.
Com o diagnóstico de hepatite autoimune confirmado, R.M.C. passou a fazer acompanhamento através de consultas e exames regulares e já vê respostas positivas ao tratamento. “Estou ainda no início (do tratamento) mas já vejo respostas positivas, tomo diariamente imunossupressores e corticoide para meu organismo reagir diante do quadro de agressão das células ao meu fígado”, relata a enfermeira.
Não existe cura, mas o controle da doença é possível através do uso de remédios para reduzir a reação inflamatória. Normalmente, o tratamento é feito baseado em corticóides e imunosupressores, que resolvem cerca de 70% a 80% da inflamação. O paciente com hepatite autoimune pode levar uma vida normal, mas obviamente deve seguir a orientação de beber pouco ou não beber, devido ao risco de agravar o quadro. 
O hepatologista ressalta ainda que, se disgnosticada tardiamente, ela pode evoluir para quadros mais avançados como cirrose e até insuficiência do fígado, podendo levar o doente à necessidade de um transplante. “Quando você tem uma descoberta mais avançada, você pode ter um paciente com cirrose e as vezes até necessidade de transplantar o fígado”, adverte.
“No início me desesperei. Sou profissional da área de saúde e já vi pacientes evoluírem  ao  quadro grave da doença tendo que se submeter a transplante hepático ou então nem conseguirem fazer o transplante porque evoluíram muito rápido chegando ao óbito”, recorda a paciente.  
Hoje, já se consegue identificar através de estudo genético se o paciente tem predisposição para ter a doença. Contudo, mesmo sendo identificada a predisposição, não é possível tratar se a hepatite não estiver ativa, o que pode ser feito é o acompanhamento e rastreamento da enfermidade no organismo.
O especialista explica que o grande desafio está no uso da tecnologia para a edição do gene. “A gente está vivendo um momento agora da medicina completamente diferente, a hepatite autoimune é um exemplo do que vai mudar na medicina. Hoje, a gente trata a consequência da mutação genética, daqui há alguns anos a gente vai tratar o gene. Já tem algumas doenças que você atua no gene. Tem uma tecnologia chamada crispr, que você vai e edita o gene, então isso vai acontecer também para a hepatite autoimune, eu não tenho dúvida, mas não agora”, conclui Fábio Marinho.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Pernambuco sedia Workshop Internacional de Hepatites Virais e Transplante de Fígado



O Instituto do Fígado e Transplantes de Pernambuco (IFP) promove mais uma edição do Hepato Pernambuco, um Workshop Internacional de Hepatites Virais. Em sua 22ª edição, o evento engloba ainda o 11º Simpósio de Transplante e Câncer de Fígado – Brasil/Inglaterra. Realizado nos dias 10 e 11 de maio, no auditório do JCPM Trade Center, e dia 12 no auditório do IFP, o workshop discutirá temas de grande relevância como hepatites virais, transplante de fígado, transplante multivisceral e hipertensão portal.
O evento contará ainda com palestras sobre a situação atual do transplante de fígado nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil, doença hepática induzida por drogas, hepatite autoimune, hepatite alcoólica, entre outras questões. Uma das novidades que o simpósio está trazendo é o resultado de uma pesquisa sobre os benefícios do café para a saúde do órgão.
De acordo com Leila Beltrão, presidente do IFP e organizadora do evento, a medicina em Pernambuco está sempre buscando evoluir e acompanhar os grandes centros. “Estamos buscando cada vez mais nos igualar aos grandes centros de referência, a medicina de ponta dos países desenvolvidos”, destacou.
O Hepato Pernambuco contará com a participação de especialistas nacionais e internacionais, como Hector Vilca-Melendez e Abid Suddle do Instituto de Estudos do Fígado do King´s College Hospital, da Universidade de Londres, um dos mais importantes centros de hepatologia do mundo. Além de outras referências dos Estados Unidos e São Paulo como Rodrigo Vianna, do diretor do Instituto de Transplante de Miami (USA), Phil Johnson (USA), Richard Sterling (USA), e Luiz Carneiro D’Albuquerque, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

sábado, 28 de abril de 2018

Febre amarela pode causar hepatite fulminante



Já se sabe que a febre amarela pode atingir o funcionamento do fígado do paciente. Recentemente identificou-se que a doença pode provocar a hepatite fulminante, também conhecida como hepatite aguda grave ou falência do fígado. Considerada a mais grave das doenças que acometem o fígado, a enfermidade causa a morte das células do órgão em poucas horas ou dias.
Vale ressaltar que o percentual de indivíduos que podem desenvolver a doença ainda é pequeno. No entanto, espera-se que, com o aumento do número de casos de febre amarela, novos casos de hepatite fulminante devem chegar aos serviços de saúde. De acordo com Fábio Moura, cirurgião do aparelho digestivo e transplante de fígado do Real Instituto de Cirurgia Oncológica (RICO), o caso pode ocorrer porque a replicação do vírus é feita em órgãos sólidos, sendo o fígado um dos órgãos afetados.
Normalmente, as hepatites A ou B e as doenças autoimunes são as principais causas que desencadeiam a falência do fígado. Vale ressaltar também que o uso inadequado de algumas medicações como antibióticos, antidepressivos, analgésicos e remédios para controlar o diabetes também podem provocar a hepatite fulminante. Mas, no caso de pessoas acometidas pela febre amarela, qualquer pessoa está sujeita a desenvolver a doença.
Os sintomas iniciais são semelhantes aos de uma hepatite comum, ou seja, náuseas, mal-estar, dores abdominais, olhos amarelados e urina com coloração mais escura. Além desses, na hepatite aguda grave, os doentes passam a ter perturbações do sono e raciocínio lento, podendo em pouco tempo entrar em estado de coma e evoluir ao óbito. Em geral, o tratamento é realizado através do transplante de fígado em caráter de urgência, podendo levar à cura mais da metade dos pacientes.