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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

O silencioso e crescente drama dos homens que não têm espermatozoides


Franklin ouviu do médico, sem rodeios, que não está produzindo espermatozoides e não poderá ter filhos: 'Não houve apoio algum' 
Há uma necessidade urgente de se enfrentar o problema do declínio da fertilidade masculina e de se discutir a prática cada vez mais comum de submeter as mulheres a tratamentos caros e invasivos de fertilização in vitro para tentar contornar a eventual falta de espermatozoides do homem, diz uma importante especialista em fertilidade. A questão, porém, nem sempre é fácil de encarar, dentro e fora de casa.
Para o homem, descobrir que é infértil pode ser uma experiência arrasadora e solitária.
No Reino Unido, onde hoje a infertilidade masculina é a razão mais comum para os casais buscarem fertilização in vitro, o britânico Craig Franklin soube bem o significado disso ao ser informado, sem rodeios, de que não tinha espermatozoides. 
Receber a notícia, lembra ele, significou se sentir sozinho e fragilizado, com a masculinidade abalada.
"O médico basicamente disse: 'Você não está produzindo espermatozoides e não poderá ter filhos", conta ele, aos 39 anos.
"Não houve apoio algum."
Os efeitos do diagnóstico o atingiram com força e quase o levaram a romper o relacionamento com sua parceira Katie.
"Fiquei revoltado por um bom tempo, irresponsável com o dinheiro", disse ele ao programa Victoria Derbyshire da BBC.
"Meu desempenho no trabalho piorou tanto que perdi o emprego no final do ano passado", acrescenta.
Katie, que testemunhou o drama do companheiro, diz que vê-lo naquela situação foi "de partir o coração".
"Eu vi um homem ser, basicamente, destruído. Ele não se sentia como um homem, e isso é muito injusto."
Dados da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia, apontam que um casal é considerado infértil se, após um ano de tentativas sem o uso de nenhum método anticoncepcional, não consegue engravidar. 
"Estima-se que o problema atinja aproximadamente 80 milhões de pessoas ao redor do mundo e que em cerca de 30% dos casos a infertilidade seja causada apenas por fatores masculinos, enquanto que em 20% as causas são combinadas (ou seja, seja causada por fatores masculino e feminino)."
A professora Sheena Lewis, presidente da Sociedade Britânica de Andrologia - que visa melhorar os cuidados de saúde reprodutiva dos homens - e uma das maiores especialistas em fertilidade no Reino Unido, diz que a falta de foco na infertilidade masculina dentro do sistema de saúde é um problema "urgente". 
"Os homens não estão sendo tratados adequadamente, não são diagnosticados e não estão recebendo os devidos cuidados", diz ela.
A qualidade do esperma masculino no mundo ocidental está em declínio, mas pouco se sabe sobre como melhorá-la - e, no Reino Unido, há poucos tratamentos disponíveis no serviço público de saúde, o NHS.
Isso tem levado a uma situação "absurda", diz a professora, em que as mulheres rotineiramente precisam passar por fertilização in vitro - mesmo que não haja nada de errado com sua própria fertilidade.
"A mulher atua, na verdade, como a terapia para o problema (da deficiência de esperma) do homem", diz ela.
"Estamos oferecendo um procedimento invasivo a uma pessoa que não precisa dele, com o objetivo de tratar outra pessoa. Isso não acontece em nenhum outro ramo da medicina."
Lewis acrescenta que a questão também representa uma "enorme despesa para o sistema de saúde", em um momento em que a fertilização in vitro está sendo limitada em muitas partes do país.
Danos no DNA
Um casal que falou ao programa Victoria Derbyshire em condição de anonimato poderia nunca ter tido o filho se não tivesse explorado outras opções no âmbito da rede privada de saúde.
No NHS, eles receberam uma rodada de fertilização in vitro - apesar de a parceira ter boa fertilidade -, mas a técnica falhou devido à deficiência de esperma do homem.
"Foi uma experiência muito desagradável. Injetar-se com agulhas que não funcionam na primeira tentativa não é fácil, não é divertido", explica ela.
Depois disso, o homem procurou a ajuda de uma clínica particular e fez uma cirurgia - mais barata que a rodada de fertilização in vitro - para tratar varicocele, uma dilatação anormal nas veias do testículo que causa não só dor e inchaço, mas também pode reduzir a quantidade e também a qualidade de espermatozoides. 
A doença afeta até 40% dos homens com problemas de fertilidade. Nesse caso específico, depois do tratamento, a mulher engravidou naturalmente.
Para Stephen Harbottle, especialista em pesquisas clínicas que ajudou a desenvolver as diretrizes de fertilidade para o Instituto Nacional de Saúde e Excelência Clínica do Reino Unido (NICE, da sigla em inglês), ao passo que o tratamento da varicocele não funciona para todos os homens, o NHS deve garantir que outras opções sejam exploradas antes que a fertilização in vitro seja oferecida a um casal.
Isso inclui soluções simples, como suplementos alimentares ou exames para verificar se há danos no DNA do esperma.
A razão pela qual isso não acontece atualmente, diz ele, é que "os médicos não têm outras opções disponíveis além de encaminhar os pacientes para fertilização in vitro".
"Os homens, de certa forma, estão apenas sendo conduzidos pelo sistema", acrescenta.
Alguns homens com problemas de fertilidade também afirmam se sentir deixados de lado pelos médicos, que, segundo eles, se concentram nas mulheres.
Mark Harper - da cidade de Ilkeston, no condado de Derbyshire, na Inglaterra - teve dois filhos concebidos através do esperma de um doador.
Mas quando os médicos descobriram inicialmente que ele não tem esperma, foi sua esposa, em vez dele, quem foi chamada para receber a notícia.
"Se o assunto são os problemas de infertilidade de um homem, era com ele que você deveria estar falando a respeito", diz ele.
O Royal College of GPs, a associação profissional de médicos da família no Reino Unido e no exterior, disse em um comunicado que seus membros eram "altamente treinados para ter conversas sensíveis e sem julgamentos com todos os pacientes, inclusive a respeito de problemas com a fertilidade e as melhores opções para seguir em frente".
Relógio biológico masculino
A professora Sheena Lewis diz que a falta de atenção à fertilidade masculina também significa que os homens não são educados a respeito de sua saúde reprodutiva e podem, de forma equivocada, tomá-la como garantida.
"Os homens têm um relógio biológico. E, conforme o tempo passa, por causa de seu estilo de vida, há cada vez mais chances de ocorrerem mutações em seus espermatozoides."
"Homens com mais de 45 anos são mais propensos a ter filhos que terão câncer na infância ou com distúrbios psiquiátricos, como transtorno bipolar ou autismo", diz ela, acrescentando que acredita que esse também seja provavelmente o caso de homens mais jovens com má qualidade de espermatozoides.
Katie e Craig dizem que os médicos presumiram que eles não conseguiram ter filhos por causa de Katie - e ela, inclusive, foi testada antes que qualquer questão quanto à fertilidade de Craig fosse considerada.
Com a fertilização in vitro negada pelo NHS, o casal está agora em busca de esperma de doador na rede privada.
Reflexo do estigma em torno da infertilidade masculina, esta é a primeira vez que Craig fala abertamente sobre o assunto - até agora, nem mesmo seus amigos sabiam.
"Isso não é algo um tema de discussão muito viril", diz ele. "É algo que é encoberto... não é comentado."
O casal diz que levou um ano e meio para aceitar a impossibilidade de ter filhos sem o esperma de um doador - o que foi agravado pelo fato de nunca terem recebido a oferta de apoio emocional.
Mas agora eles estão superando isso.
"Estamos mais fortes do que nunca", diz Katie.
"Mas outros casais podem não ser tão fortes como nós. Eles podem não ser capazes de lidar com isso e eu posso entender por que - é muito difícil para o homem conseguir aceitar que não é capaz de dar um filho a sua esposa."
Fonte: BBC

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Direitos sexuais e reprodutivos da mulher serão discutidos em seminário



Na manhã de hoje, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES/PE) está promovendo o seminário “Fortalecimento dos Direitos Sexuais e Reprodutivos”, em parceria com as gerências de Atenção à Saúde da Mulher e da Criança e Adolescente, que realizam ações constantes de enfrentamento à violência contra a mulher e a assistência e promoção à saúde desse público. 
O evento acontece a partir das 8h, no auditório da SES/PE, no bairro do Bongi, e visa atender às diretrizes da Política de Atenção Integral à Saúde da Mulher. Em Pernambuco, no ano de 2017, 19,5% dos nascidos vivos ocorreu em adolescentes, o que correspondeu ao total de 26.407 adolescentes grávidas. 
Consideram-se direitos sexuais: a liberdade de expressar à sexualidade, a escolha do(a) parceiro(a) sexual, a escolha do momento para realização do ato sexual independente da reprodução e o direito ao sexo seguro, a livre expressão da orientação sexual, e o acesso a serviços de saúde com atendimento de qualidade, à informação e à educação sexual e reprodutiva. 
“Está englobado aos direitos reprodutivos a decisão, de forma livre e responsável, se querem ou não ter filhos, quantos filhos desejam ter e em que momento de suas vidas, o direito de acesso a informações, meios, métodos e técnicas para ter ou não ter filhos, o direito de exercer a sexualidade e a reprodução livre de discriminação, imposição e violência. Queremos abordar todas essas temáticas nesse Seminário junto aos profissionais de saúde que em algum momento atenderão essas mulheres a partir de suas escolhas”, afirmou Letícia Katz, gerente de Atenção à Saúde da Mulher. 
Participam do seminário, profissionais de saúde da Atenção Básica, coordenadores de Atenção Básica, Saúde da Mulher e do Programa de Infecções Sexualmente Transmissíveis/Aids, médicos, enfermeiros e demais profissionais de saúde. O evento será transmitido para as 12 Regionais de Saúde por videoconferência. 
Entre as ações desenvolvidas estão os programas de Humanização do Pré-natal e Nascimento, Atenção Integral às Mulheres em Situação de Violência, qualificação da Assistência à Gestação de Alto Risco, implantação de Comitês Regionais de Estudos da Mortalidade Materna e do fortalecimento do Programa Estadual de Parteiras Tradicionais, Controle do Câncer do Colo do Útero e Mama. 

domingo, 13 de maio de 2018

Mãe por vocação: Conheça a emocionante história de Aline em busca da maternidade



Entre adotivos e biológico, ser mãe vai além da questão sanguínea
Aline Moreira é advogada e, assim como muitas outras mulheres, sempre quis realizar-se como mãe. Em 2008, ela descobriu que o desejo não se concretizaria tão facilmente. Após um ano sem conseguir engravidar, Aline e seu esposo, Guilherme Moreira, resolveram investigar o motivo e descobriram que a qualidade do sêmen de Guilherme seria o grande entrave. A médica que acompanhou a averiguação inicial afirmou que se não fizessem fertilização, ela só conseguiria engravidar por um milagre.
Mas o casal não desanimou e, em seguida, realizou todos os procedimentos necessários em busca da realização desse sonho. Após a implantação de 3 embriões em seu útero, através de uma fertilização in Vitro, Aline descobriu que estava grávida de trigêmeos. O choque foi grande, mas a felicidade foi maior ainda, e eles começaram todos os preparativos para receber os três filhos. A gestação não foi fácil, a advogada teve pressão alta e acabou dando à luz antes do tempo previsto. Com 29 semanas, uma ultrassonografia indicou que os bebês estavam entrando em sofrimento e o parto teve que ser antecipado.
No dia 26 de maio de 2010, Carlos Henrique, João Guilherme e Ana Júlia nasceram trazendo muita alegria, mas também muita preocupação para a família. Carlos nasceu com problema cardíaco e no sistema digestivo, e teve que ser submetido à uma cirurgia nos primeiros dias de vida. Alguns dias após o procedimento, ele não resistiu e faleceu.
Dias depois, João Guilherme contraiu uma infecção pelo cateter e também veio a óbito. Cerca de 10 dias após o falecimento de João, a pequena Ana Júlia foi vítima da mesma infecção que o irmão e também não resistiu. Após 1 mês e meio da chegada dos tão sonhados filhos, Aline e seu esposo estavam novamente de braços vazios. A família inteira estava inconsolada com as perdas e o casal passou por momentos muito difíceis.
No entanto, a vocação pela maternidade falava mais alto. No final de 2011, após tentarem mais duas vezes a fertilização sem sucesso, resolveram se inscrever no cadastro de adoção. Em fevereiro do ano seguinte, a pequena Laura chegou e preencheu o vazio que há muito maltratava a todos. “Laura era a sensação da família porque todos ficaram muito fragilizados com a perda dos trigêmeos”, recordou Aline.
Quando Laura completou 2 anos, receberam uma ligação do juizado para falar sobre um menino, com 6 meses, que também se chamava Guilherme. “Eu lembro que estávamos até num momento difícil financeiramente, mas quando chegamos ao Lar do Neném e o vimos, não pensamos nem duas vezes, e corremos para resolver toda a papelada para levá-lo logo conosco”, relembrou a mãe.
Exatos 10 dias após a chegada do segundo filho, Aline comentou com sua irmã que estava com a menstruação atrasada, fez um teste de farmácia e deu positivo. Ela não conseguiu acreditar e, no dia seguinte, foi ao laboratório fazer o exame de sangue para confirmar a notícia. A família ganharia mais um membro, Frederico estava a caminho. “Eu não precisava de nenhum exame pra saber que era um menino. A frase que eu mais falei e ouvi quando perdi os trigêmeos foi ‘o que Deus me tirou, Ele vai me dar de volta e do mesmo jeitinho’, e foi exatamente o que aconteceu, Ele nos deu nossos 2 meninos e nossa menininha de volta”, relatou.
Hoje, Aline se orgulha e enche a boca para falar aos 4 ventos que é “mãe de três”. Exemplo de superação, ela mostra que ser mãe é uma vocação e vai muito além de questões biológicas, sociais, culturais ou religiosas.
ADOÇÃO EM PERNAMBUCO
Pernambuco permanece entre os cinco estados que mais promovem adoções no Brasil, segundo o último levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ao lado do Paraná, de São Paulo, do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais. Do total de 1.971 crianças e adolescentes adotados por meio do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) no país, em 2017, 132 foram de Pernambuco. Os números foram divulgados no mês em que se comemora o Dia Nacional da Adoção, 25 de maio.
No estado, o destaque continua sendo o percentual de adoções tardias, de crianças e adolescentes de 3 a 17 anos. Dos 132 adotados no ano passado, 93 pertencem a essa faixa etária, o que corresponde a 70,4% do geral. Pernambuco já havia passado por um crescimento importante do percentual de adoções tardias, entre 2015 e 2016, saindo de 45 para 87, ou seja, um aumento de 93,3%.
Os dados também representam avanço em relação à adoção de crianças e adolescentes pardos e negros no estado. Dos 132 adotados, em 2017, 105 estão nessa classificação, representando 79,5% do total.
Apesar de manter os avanços, Pernambuco, assim como o restante do país, tem uma conta que não fecha. O estado possui hoje 1.200 pretendentes à adoção e 334 crianças e adolescentes inseridos no cadastro. O principal motivo para o número de candidatos a pais e mães ser 5 vezes maior que o número de crianças à espera de um novo lar, no Brasil, está no perfil preferido pelos pretendentes. Segundo dados do CNJ, 91% dos adotantes só aceitam crianças com menos de seis anos de idade. Em contrapartida, 92% dos cadastrados para adoção têm entre 7 e 17 anos.
Com informações do Tribunal de Justiça de Pernambuco