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terça-feira, 18 de setembro de 2018

Atenção aos alimentos que parecem saudáveis mas não são


Peito de peru e bolacha integral são exemplos de alimentos que parecem saudáveis. Confira o rótulo destes produtos e veja que, na verdade, eles não são
Muitas pessoas preferem consumir o peito de peru em vez de outros embutidos como presunto ou mortadela por achar que é uma opção mais saudável, mais light ou fit. “Prefiro peito de peru ao presunto normal porque é bem mais leve e, pelo que leio, tem menos sódio e menos gordura. Na hora de comprar, também prefiro produtos integrais pois contem mais fibras, que vão ajudar na digestão. Como eu já tenho colesterol alto, sou pré-diabética e tenho hipertensão, tenho que ter muito cuidado com a alimentação”, conta Silvéstria Ferreira (59), auxiliar de enfermagem.
É comum que produtos ultraprocessados como o peito de peru e a bolacha integral sejam classificados como saudáveis. Isso é resultado do forte trabalho da mídia que nem sempre passa mensagens verdadeiras.
No geral, produtos com acréscimo de conservantes, estabilizantes, corantes, edulcorantes e aromatizantes, e também com excesso de gordura vegetal hidrogenada, açúcar e sódio, não são saudáveis, pois podem trazer consequências negativas para a saúde. O alerta é do manual Alimentação Cardioprotetora, do Ministério da Saúde, em parceria com o Hospital do Coração (HCor).
Alimentos que parecem saudáveis mas contém aditivos químicos
Na avaliação de Mariana Claudino, nutricionista da ACT Promoção da Saúde, membro da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, o consumo de alimentos ultraprocessados deve ser evitado tanto por indivíduos em risco cardiovascular quanto por indivíduos saudáveis. Esses alimentos contém um número elevado de ingredientes e, sobretudo, ingredientes com nomes poucos familiares como os aditivos químicos. “Carnes processadas como presunto, salsicha, salame e o próprio peito de peru contém os conservantes nitrito e nitrato de sódio. Quando há um grande consumo dessas substâncias, pode-se aumentar a formação de nitrosaminas, compostos químicos que causam reações tóxicas no organismo e podem favorecer o surgimento de câncer”, explica a especialista.
Segundo ela, o consumo indiscriminado de aditivos químicos também pode provocar o surgimento de outras doenças. “Há estudos que relacionam o consumo de aditivos com o câncer, com doenças de Parkinson e de Alzheimer, além de resistência insulínica e hipertensão”, completa. Confira dicas de alimentação para proteger a saúde do coração na Cartilha - Alimentação Cardioprotetora.

Dos 13 ingredientes descritos no peito de peru apenas cinco não são artificiais – e mesmo assim estes cinco já passaram por muitos processamentos e estão longe de estar em sua forma in natura ou mais nutritiva. Ao avaliar os ingredientes do peito de peru, Mariana alerta para os perigos associados ao consumo excessivo de glutamato monossódico. “Além de danificar as células, o excesso de glutamato monossódico está relacionado ao aumento da pressão arterial, resistência à insulina, obesidade, depressão, enxaquecas crônicas e lesões oculares.”
Já a bolacha, apesar de ser nomeada como integral, contém aditivos químicos, açúcares e gordura. A nutricionista alerta para o fato de o ingrediente farinha de trigo aparecer em primeiro lugar, antes mesmo da farinha de trigo integral – o que não justificaria ser nomeada como integral. “ Além disso, o produto contém açúcar e açúcar invertido, que é uma espécie de xarope produzido a partir do açúcar, e emulsificantes, que favorecem o aumento do colesterol e a dislipidemia”, ressalta a especialista.
Sal, açúcar e gorduras
O consumo excessivo de ingredientes como sal, açúcar e gorduras pode provocar efeitos desconhecidos na saúde, especialmente de indivíduos com fatores de risco cardiovascular. Mas, se usados com moderação em preparações culinárias baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados, podem tornar mais saborosa a alimentação sem que fique nutricionalmente desbalanceada.
Confira 9 alimentos que parecem saudáveis, mas não são:
Embutidos (como presunto e peito de peru)
Biscoitos e/ou bolachas integrais
Barra de cereal
Sopa instantânea
Pão de forma light
Suco de caixinha
Chocolate diet
Pipoca para micro-ondas
Farinha láctea
LEMBRE-SE SEMPRE DE LER A LISTA DE INGREDIENTES NO RÓTULO PARA SABER SE O ALIMENTO É ULTRAPROCESSADO OU NÃO.
Fonte: Ministério da Saúde

sábado, 15 de setembro de 2018

A saúde melhora quando se vira vegano?



Recentemente, tem aumentado o número de pessoas que aderiram às dietas vegetariana e vegana - tendência alimentada principalmente por preocupações com a saúde, com o bem-estar dos animais e com o meio ambiente.
Segundo pesquisa Ibope deste ano, 14% dos brasileiros (cerca de 30 milhões de pessoas) se dizem vegetarianos.
A pesquisa também apontou o interesse da população por mais produtos veganos, aqueles sem qualquer ingrediente de origem animal. 55% dos entrevistados disseram que consumiriam mais produtos desse tipo.
Os veganos não consomem nenhum tipo de carne ou produtos derivados de animais, como leite, ovos, gelatina ou mel.
Mas, além do ativismo em defesa dos direitos dos animais, existe algum benefício do veganismo à saúde?
Para a nova temporada do programa da BBC Confie Em Mim, Sou Médico, o médico e apresentador Giles Yeo decidiu seguir uma dieta vegana por um mês e checar os efeitos em sua saúde e estilo de vida.
Os grandes desafios
Como Yeo descobriu, um dos aspectos mais difíceis para os veganos são produtos que parecem não ter procedência animal, mas que na realidade têm derivados dos animais.
Está claro que carnes, ovos e leite não são adequados para veganos, mas e o vinho? Fabricantes de algumas bebidas alcoólicas usam espinhas de peixe ou proteínas animais como parte do processo de produção.
Exemplos como esse exigem atenção constante para não consumir acidentalmente produtos de origem ou derivado de animais. 
Outro desafio dos veganos é substituir a carne e produtos animais por uma alimentação também rica em nutrientes importantes e indispensáveis, como vitamina D, cálcio, ferro, ômega-3 e proteínas.
Para conseguir a vitamina D, por exemplo, bastante presente em ovos e carnes, os veganos consomem alimentos fortificados, como leite de soja, leite de arroz, suco de laranja e cereais. Além disso, nutricionistas recomendam o uso de suplementos alimentares. 
Também é comum veganos sentirem falta de iodo, encontrado de maneira natural em produtos lácteos e pescados. Por isso, consumir suplementos ricos em iodo pode ser uma alternativa.
Já a vitamina B12 é uma das maiores preocupações entre os veganos, pois ela só é encontrada em alimentos de origem animal, como carne, leite e ovos. Para consumi-la, os veganos precisam de produtos fortificados.
Veganismo é saudável?
Uma análise da Universidade de Florência, na Itália, examinou o resultado de dez estudos sobre o veganismo. A resposta é que sim, a dieta vegana pode ser saudável.
Mas existem nuances.
Acadêmicos da universidade italiana compararam a saúde pessoas vegetarianas e veganas com as de pessoas onívoras (quem come de tudo). Concluíram que a alimentação de base vegetal dos veganos e vegetarianos ajuda a diminuir a incidência de câncer e problemas no coração. 
No caso do câncer, os acadêmicos dizem que o risco de incidência da doença diminui em até 15% com a dieta vegana e 8% com a vegetariana.
No entanto, eles não encontraram diferença nas taxas de mortalidade. Isso significa que, segundo esse estudo, ser vegetariano ou vegano garante uma saúde melhor, mas não necessariamente aumenta a expectativa de vida.
Esse estudo, no entanto, não tem alto padrão de metodologia científica, no qual a pesquisa apresenta um grupo de controle e os participantes são aleatoriamente escolhidos para uma ou outra dieta.
Na verdade, os pesquisadores quiseram descobrir as diferenças dos veganos e vegetarianos em relação às pessoas que comem carne. Eles ressaltam, também, a possibilidade de que os veganos tenham mais cuidado com a saúde do que as pessoas em geral. Assim, é possível que as diferenças nos indicadores de saúde estejam não apenas associada à dieta, mas também a outros fatores de comportamento.
E como se saiu o médico Yeo em seu mês vegano?
Depois de seguir uma dieta vegana por um mês, Giles Yeo perdeu quatro quilos. Além da cintura mais fina, seu nível de colesterol caiu em 12%.
Mas ele manteria uma dieta vegana no futuro?
"Para mim, foi uma grata surpresa", diz. "Não planejo me tornar totalmente vegano, mas a partir de agora pretendo não consumir produtos de origem animal por alguns dias do mês."
"Devo admitir que, no começo, foi um pouco estressante ser vegano. Mas, depois de aprender algumas receitas, deu tudo certo e acabei gostando. Para mim, a chave não é preparar versões veganas de pratos que eu normalmente faria, mas sim optar por receitas criadas para serem veganas", diz.
"O que mais fez falta foram os ovos, mas esperava que seria mais difícil."
Fonte: BBC

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Dietas da moda não trazem benefícios a longo prazo


Dietas da moda, como a do ovo, da sopa, da proteína ou dos sucos detox vendem propaganda enganosa e podem prejudicar a saúde de quem tem predisposição a alguma doença
A televisão, a internet e as revistas vendem um padrão de peso que não condiz com a realidade. Muitas vezes as pessoas buscam diversos artifícios para emagrecer e alcançar esse status de beleza exigido ou o “corpo fitness”. É aí que entram as chamadas dietas da moda, procedimentos que prometem efeitos fantasiosos, como perder dez quilos em uma semana.
O tema, muito discutido na mídia, alerta para a interferência na saúde dos indivíduos que buscam um milagre, mas podem acabar encontrando um problema. “O que as dietas da moda vendem é uma propaganda enganosa. A pessoa até consegue algum emagrecimento, mas não há benefícios em longo prazo. Elas podem, inclusive, trazer prejuízos à saúde e muitas vezes o peso perdido volta rápido”, aponta Nathalia Pizato, professora do Departamento de Nutrição da Universidade de Brasília.
Quais os efeitos das dietas da moda na saúde?
As dietas da moda que prometem redução de peso rápida são dissociadas dos diversos determinantes da saúde e da nutrição, e constituem padrões de comportamento alimentar não usuais, adotados entusiasticamente por seus seguidores. Seu sucesso é atribuído especialmente à motivação inicial das pessoas pelo contato com algo novo, além da promessa de resultados rápidos.
Entretanto, a adesão à dieta é temporária, uma vez que as mudanças propostas não condizem com os hábitos e o cotidiano do indivíduo. De forma geral, além de muitas vezes não possuírem embasamento científico, essas dietas criam expectativas irreais relacionadas à velocidade e à quantidade de peso perdida. Podem, ainda, causar deficiências nutricionais e potenciais riscos à saúde, se conduzidas por um longo período.
“Se alguém tenta aquela dieta dos sucos detox, por exemplo, ela emagrece em alguns dias porque ingere um número pequeno de calorias. Mas como ninguém consegue seguir com ela por muito tempo, volta aos velhos hábitos alimentares e, consequentemente, ao peso antigo. Sem falar que algumas dietas restritivas podem complicar a saúde de uma pessoa que tem predisposição a alguma doença. Se ela corta o leite, vai ter deficiência de cálcio. Se não come carne vermelha, fica sem Vitamina B12. A pessoa pode descobrir o problema da pior maneira”, explica Nathalia Pizato.
Procure orientação profissional
Não é recomendada a adoção de qualquer tipo de dieta sem a orientação de um profissional de saúde, especialmente o nutricionista. A perda de peso está diretamente ligada a uma reeducação alimentar e mudanças de hábito em longo prazo.
“Se alguém quer emagrecer, não tem outra fórmula, precisa fazer uma reeducação alimentar e praticar exercícios regularmente”, ensina Pizato. “O primeiro passo é fazer as pazes com seu corpo. Descobrir que o padrão de beleza vendido na mídia não é verdadeiro e não condiz com a realidade. Depois, é preciso montar um cardápio que conte com uma alimentação equilibrada, com frutas, hortaliças e carnes magras. Tudo isso, somado a exercícios regulares, vai conduzi-lo a um resultado mais saudável e duradouro. As dietas da moda vêm e vão. A reeducação alimentar vem e fica."
O Guia Alimentar para a População Brasileira é o documento oficial que aborda os princípios e as recomendações de uma alimentação adequada e saudável para a população brasileira. O Guia visa facilitar o acesso das pessoas, famílias e comunidades a conhecimentos sobre características e determinantes de uma alimentação adequada e saudável, possibilitando que ampliem a autonomia para fazer melhores escolhas para sua vida, reflitam sobre as situações cotidianas e busquem mudanças em si próprios e no ambiente onde vivem.   
Confira aqui o Guia Alimentar para a População Brasileira
Fonte: Ministério da Saúde

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Como os horários de refeição influenciam sua qualidade de vida


Se você tenta levar uma vida saudável, provavelmente presta atenção ao tipo de alimento e ao tamanho das porções que consome.
Mas uma nova pesquisa indica que tão importante quanto isso é observar quando você come.
Nutricionistas vão recomendar que você se alimente em intervalos regulares e nunca pule uma refeição.
Os "ratos de academia" aconselham você a comer certos nutrientes antes, durante e depois de praticar exercício; e pesquisas indicam que ingerir a maior parte das calorias no início do dia ajuda a combater a obesidade.
Agora, um estudo que analisa o ritmo circadiano (período de 24 horas em que se baseia o relógio biológico) diz que devemos limitar nossa alimentação às primeiras oito a dez horas em que estamos acordados, para dar ao corpo tempo suficiente para digerir a comida, descansar e se recuperar.
O pesquisador Satchin Panda é professor do Salk Institute, em Dallas, nos EUA, e autor do livro The Circadian Code ("O Código Circadiano", em tradução livre), resultado de 10 anos de pesquisa sobre o assunto.
Ele explica à BBC que o corpo funciona melhor quando nossos hábitos alimentares estão alinhados ao ritmo circadiano.
"Quase todas as células do nosso corpo têm seu próprio relógio circadiano, o nosso relógio de 24 horas. Isso significa que todos os hormônios, todas as substâncias químicas do cérebro, todas as enzimas e até mesmo todos os genes no genoma aumentam e diminuem em determinados momentos do dia", diz Panda.
"Quer dizer que, assim como há um momento ideal para dormir, há um momento ideal para comer, estudar, fazer atividade física. O que estamos descobrindo é que nosso corpo é voltado para digerir alimentos e absorver nutrientes apenas de oito a dez horas por dia - no máximo, 12 horas talvez."
"Fora deste período, o nosso relógio circadiano vira a chave, e o nosso corpo entra num modo diferente para recuperar, restaurar e rejuvenescer", acrescenta.
A importância do intervalo
Em 2012, Panda e seus colegas do Instituto Salk conduziram um estudo com dois grupos idênticos de ratos.
O primeiro grupo recebeu alimentos ricos em gordura e açúcar, e os animais podiam comer sempre que quisessem.
Ao segundo grupo, foi fornecida quantidade equivalente dos mesmos alimentos - mas com um intervalo de oito horas.
Após 18 semanas, os ratos que se alimentaram sem restrição de horário estavam diabéticos e obesos, tinham ainda colesterol alto e problemas intestinais.
Surpreendentemente, aqueles que consumiram a mesma dieta com um espaçamento de oito horas não apresentaram qualquer doença.
Panda explica que quando paramos de comer, as toxinas do ambiente e dos alimentos são eliminadas, os níveis de colesterol são reduzidos, os músculos, a pele, o revestimento do intestino e até mesmo o DNA são reparados.
Continuar comendo após essa janela de oito a dez horas afeta esses processos, pois o corpo passa a focar na digestão e no processamento de nutrientes.
"Fazer esse intervalo oferece os melhores resultados para a saúde. Mas muitas pessoas não gostam da palavra jejum", afirma Panda.
"Nós não sugerimos o que e em que quantidade você deve comer. Mas tenha em mente os horários em que você se alimenta, e reserve de oito a dez horas - 12 horas, no máximo - para isso. Fora desse horário, até comida saudável pode se tornar uma porcaria", esclarece.
Outras pesquisas
Panda diz que suas descobertas são respaldadas por outros estudos.
"Um estudo mostrou que mulheres que jejuavam por mais de 13 horas todas as noites apresentavam um risco significativamente menor de câncer de mama", conta.
Esses trabalhos entram intrinsecamente em conflito com o hábito de algumas pessoas de beliscar até a hora de dormir - e, sem dúvida, daquelas que adotam um estilo de vida mais intenso e movimentado.
Em 2015, Panda realizou uma pesquisa com voluntários, que concordaram em ser monitorados por meio de um aplicativo de smartphone. O resultado mostrou que eles comiam por um período de 15 horas ou mais ao dia.
Mas quando indivíduos com excesso de peso, que comiam ao longo de mais de 14 horas, restringiram a alimentação para um período de 10 a 11 horas, durante 16 semanas - sem mudar a dieta -, eles reduziram o peso corporal, relataram ganho de energia e melhora na qualidade do sono.
Os benefícios persistiram por um ano.
Desafio para quem muda de turno no trabalho
Se manter fiel a essas descobertas pode ser um desafio para quem muda constantemente de turno no trabalho.
Mas Panda acredita que é possível se adaptar.
"Para as pessoas que alternam entre turnos diurnos e noturnos, é importante prestar atenção em quando comer. Depois de acordar, espere uma hora até ingerir sua primeira caloria. Depois, reserve oito a dez horas por dia para comer. E quando você voltar para um horário sociável, reserve oito a dez horas para se alimentar", diz ele.
"E é importante evitar o consumo de álcool, porque quem trabalha em turnos é muito mais sensível ao álcool, que pode danificar o revestimento intestinal e causar doenças."
Assaltar a geladeira no meio da noite, devorar alimentos salgados e gordurosos após uma noite de bebedeira e até mudar o horário das refeições nos fins de semana são hábitos incompatíveis com uma alimentação saudável.
Panda compara essas variações a um "jet lag metabólico", que desorganiza o sistema digestivo e agrava o desalinhamento entre os hábitos alimentares e os ciclos circadianos.
"(Eles) são análogos a uma pessoa viajando por fusos horários diferentes todo fim de semana", explica.
Fonte: BBC Brasil

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Como a idade afeta o apetite e nossa relação com a comida



Você come para viver ou vive para comer? Temos uma relação complexa com os alimentos, influenciada por seu custo, disponibilidade e até pela pressão dos conhecidos. 
Ainda que haja diferenças de uma pessoa para outra, algo que compartilhamos é o apetite, nossa vontade de comer. A fome - sensação provocada pelo nosso corpo quando ele necessita de alimento - é uma parte do dele, mas não é o único fator. 
Afinal, também comemos quando não estamos com fome e somos capazes de pular uma refeição mesmo quando o estômago está roncando. 
Uma pesquisa recente destacou que a abundância de referências a comida - aromas, sons, propagandas - ao nosso redor é uma das principais causas da ingestão excessiva de alimentos.
O apetite tampouco é permanente - ele muda no decorrer da vida, à medida que envelhecemos. Há "sete idades" do apetite. E uma melhor compreensão de cada fase poderia ajudar a desenvolver novas maneiras de lidar tanto com a ingestão insuficiente quanto em excesso de alimentos - assim como com suas consequências para a saúde, como a subnutrição e a obesidade.
A primeira década
Na primeira infância, o corpo passa por um crescimento rápido. O comportamento alimentar desenvolvido no início da vida pode se prolongar até a idade adulta, levando uma criança acima do peso a se tornar um adulto obeso.
Para que isso não aconteça, as crianças também devem experimentar algum controle, principalmente em relação ao tamanho das porções. Ser forçado a "limpar o prato" pelos pais, pode aos poucos deixar de se orientar por seu apetite e pela sensação de fome e ser estimulado o comer excessivamente mais adiante. 
Nesse sentido, há um clamor social crescente para que os governos protejam as crianças pequenas das propagandas de junk food (aquela com alto teor calórico, mas com níveis reduzidos de nutrientes) - não apenas na televisão, mas em aplicativos, redes sociais e canais de vídeo. Como os anúncios incentivam o consumo, podem contribuir para a obesidade infantil.
Uma estratégia de educação alimentar em que os pequenos são estimulados a experimentar pode ajudá-los a conhecer alimentos aos quais não estão familiarizados, mas que são importantes, como verduras e legumes.
A segunda década, dos 10 aos 20 anos
Na adolescência, o aumento do apetite e da estatura, impulsionado pelos hormônios, marca a chegada da puberdade. O modo como o adolescente vai lidar com a alimentação durante essa fase crítica moldará seu estilo de vida nos anos seguintes.
Isso significa que as decisões dos jovens em relação à dieta estão intrinsecamente ligadas à saúde das futuras gerações, de quem mais tarde se tornarão pais. Infelizmente, sem receber orientação, alguns adolescentes acabam adotando hábitos e preferências alimentares pouco saudáveis.
As mulheres, em geral, são mais propensas a sofrerem de déficit nutricional do que os rapazes, em função de seu sistema reprodutivo. Adolescentes que engravidam também correm mais risco, uma vez que o desenvolvimento do feto compete com o crescimento do corpo da mãe, que ainda está em formação. 
A terceira década, dos 20 aos 30 anos
Mudanças no estilo de vida - como entrar na faculdade, casar ou ter filhos - podem favorecer o ganho de peso nesta fase. E, uma vez acumulada, a gordura corporal pode ser difícil de perder. 
O corpo envia sinais fortes de apetite quando ingerimos menos calorias do que ele necessita, mas os avisos para evitar excessos são mais fracos, o que pode levar a um ciclo de consumo exagerado. Existem ainda muitos fatores fisiológicos e psicológicos que dificultam manter uma alimentação moderada ao longo do tempo. 
Por isso os pesquisadores têm se dedicado a estudar a saciedade, a sensação de ter comido o suficiente. Isso é útil quando se tenta perder peso, já que sentir fome é uma das principais barreiras para comer menos do que o corpo diz que você precisa.
Alimentos diferentes enviam sinais distintos para o cérebro. É fácil tomar um pote de sorvete, por exemplo, porque a gordura não aciona os mecanismos cerebrais que nos fazem parar de comer. Por outro lado, alimentos ricos em proteína, água ou fibra fazem com que a gente se sinta satisfeito por mais tempo. 
A quarta década, dos 30 aos 40 anos 
A vida profissional adulta impõe outros desafios, que vão além do ronco do estômago. Os efeitos do estresse, responsável por mudanças no apetite e hábitos alimentares de 80% da população, podem fazer com que você se empanturre ou perca a vontade de comer.
As reações, além de opostas, ainda intrigam a comunidade científica: o fenômeno da "compulsão alimentar" - desejo irresistível de consumir alimentos específicos, muitas vezes calóricos - não é bem compreendido. Muitos pesquisadores questionam, inclusive, sua existência.
Outros traços da personalidade, como o perfeccionismo e a meticulosidade, também podem interferir na relação entre estresse e hábitos alimentares.
Estruturar o ambiente de trabalho para evitar padrões de consumo questionáveis - como comprar produtos de máquinas de venda automática - é um desafio. As empresas devem se esforçar para subsidiar e promover uma alimentação de qualidade aos funcionários, que se tornarão, assim, mais saudáveis e produtivos. Além disso, devem desenvolver estratégias para gerenciar situações de estresse.
A quinta década, dos 40 aos 50 anos
O termo dieta vem da palavra grega diaita, que significa "estilo de vida, modo de viver". 
Na linguagem da psicologia, somos "criaturas de hábitos" e, por isso, muitas vezes relutamos em substituir nossas preferências, mesmo quando sabemos que isso vai nos fazer bem. Queremos comer o que temos vontade, sem modificar nosso estilo de vida, e ainda ter um corpo e mente saudáveis.
Não faltam evidências para mostrar que a dieta desbalanceada é um dos principais fatores que contribuem para uma saúde precária. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo, o sedentarismo, o consumo abusivo de álcool e a adoção de uma dieta inadequada são os maiores fatores de impacto do estilo de vida sobre a saúde e a mortalidade.
É na faixa dos 40 aos 50 anos que os adultos costumam mudar seus hábitos em decorrência de problemas de saúde. 
Para muita gente, contudo, essa mudança não acontece. A falsa sensação de que está tudo bem - quando, na verdade, diversas doenças demoram anos para se manifestar e outras têm sintomas "invisíveis" - ajuda a manter a inércia.
A sexta década, dos 50 aos 60 anos
Após os 50 anos, começamos a sofrer uma perda gradual de massa muscular, de 0,5% a 1% ao ano. É a chamada sarcopenia. A falta de atividade física, o baixo consumo de proteína e a menopausa, no caso das mulheres, podem acelerar esse processo.
Além de praticar exercícios físicos, adotar uma dieta saudável e variada é importante para reduzir os efeitos do envelhecimento. E as necessidades da população mais velha - de alimentos apetitosos com alto teor de proteína e com bom custo-benefício - não estão sendo atendidas pelo mercado.
Lanches enriquecidos com proteína podem ser uma boa forma de os adultos mais velhos aumentarem a ingestão do nutriente, mas existem atualmente nas prateleiras poucos produtos voltados às exigências e preferências desse público. 
A sétima década, dos 60 aos 70 anos, e daí em diante
Um grande desafio atualmente, diante do aumento da longevidade, é manter a qualidade de vida da população. Do contrário, vamos nos tornar uma sociedade de pessoas idosas doentes ou incapacitadas.
Uma nutrição adequada é importante, uma vez que a velhice vem acompanhada da redução do apetite e da falta de fome, o que leva à perda de peso não intencional e a uma fragilidade maior. A falta de apetite também pode ser resultado de doenças, como o Alzheimer.
A comida é uma experiência social. A perda de um companheiro ou de um familiar, assim como fazer as refeições sozinho, pode afetar a sensação de prazer da alimentação. Outros efeitos da velhice - como problemas dentários, de deglutição, perda de paladar e de olfato - também interferem na vontade de comer e em nossas recompensas ao fazê-lo.
Precisamos lembrar que, ao longo da vida, os alimentos não são apenas combustível, mas uma experiência social e cultural a ser desfrutada. Somos todos especialistas em comida - nos alimentamos todos os dias.
Por isso, devemos nos esforçar para enxergar todas as refeições como uma oportunidade de usufruir da comida e dos efeitos positivos que os alimentos certos podem ter sobre nossa saúde.
*Alex Johnstone é pesquisadora do Instituto Rowett de Saúde e Nutrição, da Universidade de Aberdeen, na Escócia. Esse artigo foi publicado originalmente no site The Conversation. 
Fonte: BBC Brasil