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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

90% dos pacientes com Fibromialgia ou Síndrome da Dor Generalizada são mulheres


Por Rebeka Gonçalves
‘Eu vou morrer logo’, pensava a médica Lindinalva dos Santos, quando não conseguia se mexer na cama de tanta dor. Há mais de 10 anos ela recebeu dois impactos que agravaram os sintomas. Primeiro foi a ida da filha para morar no exterior e, meses depois, a morte do pai. Ela relata que tinha uma vida muito estressante e muita pressão no trabalho, o que só fez piorar o quadro. Ao consultar uma reumatologista, descobriu que tinha fibromialgia. 
“Fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica caracterizada por dor difusa no corpo acompanhada de alterações do sono e fadiga, podendo haver dor de cabeça, alterações cognitivas como memória e concentração, instabilidade emocional, síndrome do intestino irritável, ansiedade e depressão. Pode iniciar após um trauma físico ou psicológico. Os sintomas podem parecer benignos, mas podem ser ou tornar-se graves e perigosos, sem que se consiga determinar o fator causal”, explica Renata Menezes, reumatologista do Hospital da Mulher. 
De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a fibromialgia é de 8 a 10 vezes mais frequente em mulheres do que em homens. A chance desse diagnóstico é maior em pacientes que tenham histórico familiar da doença e em pacientes com algumas doenças reumáticas, como artrite reumatoide ou lúpus eritematoso. 
O diagnóstico é essencialmente clínico, pois não existem testes específicos para detectar a doença. Os exames laboratoriais e radiológicos são utilizados para avaliar as condições gerais dos pacientes e para afastar outras doenças causadoras de dor. O diagnóstico realiza-se através de pressão com os dedos em 18 pontos específicos do corpo. O critério de resposta dolorosa, em pelo menos 11 desses 18 pontos, é um indicativo para a classificação da enfermidade, mas não deve ser considerado como essencial. Além disso, o diagnóstico de fibromialgia pode ser sugerido se uma pessoa teve dor generalizada por mais de três meses – sem condição médica subjacente que poderia causar dor.  
“Eu já cheguei a passar uma semana na cama. Cheguei a uma situação que eu disse para mim mesma, eu vou morrer logo porque não tem condição de uma pessoa sobreviver com tanta dor. Porque para mim virar na cama era um sacrifício de tanta dor. E aí eu passava duas horas na cama acordada para poder melhorar e eu levantar da cama, pois caso me apressasse para levantar era capaz de desmaiar. Não podia receber nenhuma notícia, se a notícia fosse ruim eu adoecia, se fosse boa, eu também adoecia ”, relata Lindinalva. 
Renata Menezes esclarece ainda como a enfermidade pode ser tratada. “Não há cura para a fibromialgia, mas o tratamento ajuda a controlar a dor, melhorar a função e a qualidade de vida do paciente, com uma variedade de medicamentos e atividade física aeróbica, dependendo da participação ativa do paciente”, explica. 
A prevenção para a síndrome da dor generalizada está nos hábitos de vida como, a redução do estresse - técnicas de gerenciamento emocional, como exercícios de respiração profunda ou meditação. Dormir bem e com tempo suficiente para o sono, cultivar bons hábitos, como ir para a cama e levantar-se no mesmo horário diariamente, limitar os períodos de sono diurno. Além de manter um estilo de vida saudável – comer alimentos saudáveis, limitar a ingestão de cafeína, principalmente à noite para reduzir a insônia, e se exercitar regularmente – alongamento, boa postura e exercícios de relaxamento são ideais. 
“Mas, hoje me sinto curada, graças à Deus. Minha vida mudou completamente. Hoje sou outra pessoa, encaro as coisas de uma maneira muito mais positiva, até porque os médicos diziam que esse diagnóstico tinha um fundo emocional. Faz dois anos que não sinto nada. E deixo de conselho para as pessoas que tem fibromialgia que o mais importante é o seu eu, pois para quem tem essa doença é muito difícil enxergar isso, que o problema está em nós, na maneira como vemos as coisas e percebemos. E, a partir do momento que você fica vendo só dor, você canaliza tudo isso para a dor e não enxerga mais nada”, conclui e recomenda Lindinalva. 

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Reumatologista faz alerta no Dia Mundial de Combate ao Lúpus



Hoje é o Dia Mundial de Combate ao Lúpus, doença ainda muito cercada por estigmas e desconhecimento entre a população. A Lupus Foundation of America aponta que a enfermidade atinge cinco milhões de pessoas no mundo. O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), ou apenas lúpus, é uma doença inflamatória crônica autoimune que se caracteriza pela produção de anticorpos que agem contra o próprio organismo, devido a um desequilíbrio no sistema imunológico.
A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) revela que 1 a cada 1,7 mil brasileiras sofre do mal. Ainda não há números absolutos sobre a quantidade de pessoas afetadas pela doença no país, no entanto, a SBR estima que o problema atinge cerca de 65 mil pessoas. Já de acordo com uma pesquisa realizada pelo Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, cerca de 150 mil novos casos surgem a cada ano no Brasil.
Complexa e de difícil diagnóstico, o LES não é contagioso, infeccioso ou maligno, mas sim crônico. Não existe cura para ele, mas um controle que ajuda a manter a qualidade de vida do paciente. Vários órgãos podem ser afetados como pele, articulações, sangue, rins, pulmões, cérebro e coração.
A reumatologista Renata Menezes explica que a evolução é imprevisível e pode variar de leve a incapacitante ou até mesmo fatal, sendo fundamental o diagnóstico precoce para o sucesso do tratamento. “É importante estar alerta para os primeiros sintomas de doença, como dores nas articulações, fadiga, febre, queda de cabelo, mancha avermelhadas (principalmente na face e sensíveis à exposição solar), feridas na boca, febre, dor no tórax ao tossir ou respirar, dependendo do órgão comprometido”, ressaltou a médica.
Segundo a especialista, o Lúpus é uma doença de difícil diagnóstico uma vez que os sintomas variam muito de pessoa para pessoa, mudam com o passar do tempo, se confundem com os de outras doenças, além de não existir um teste específico para o diagnóstico. “A combinação dos sinais e sintomas clínicos associados aos testes de sangue e urina conduzem ao diagnóstico mais preciso”, afirmou.
Aos 28 anos, Solange Gusmão descobriu que tinha Lúpus. No início, ela sentia várias dores pelo corpo, inchaço e mal podia se mexer direito. Em seguida vieram as manchas no rosto, febre, muito cansaço e queda de cabelo. “Lembro que tive inchaço nos dedos e um clínico achou que poderia ter sido picada de bicho. Depois de rodar vários clínicos e ortopedista por causa das dores e nada resolver, o clínico me mandou para uma reumatologista, que passou vários exames. Só aí que me diagnosticaram com lúpus”, recordou.
Mais prevalente nas mulheres, são 10 mulheres para cada homem acometido, a enfermidade atinge principalmente jovens, na faixa etária reprodutiva, entre os 15 e 45 anos. Genética, fatores ambientais e hormonais estão diretamente ligados à doença. A exposição aos raios solares UV e o uso de anticoncepcionais orais também são fatores de risco tanto para o desencadeamento quanto para a exacerbação do lúpus.
No caso de Solange, a doença atingiu articulações, rins e problemas com o controle da hipertensão. “No início foi um baque, mas continuei a trabalhar mesmo com todas as dores e sem ninguém saber. No início, eu engordei 25 quilos por causa das medicações e entrei numa depressão fortíssima, de tentar suicídio mesmo”, relembrou.
Ela afirmou ainda que vai com muita frequência nas emergências com dores abdominais, hipertensão e infecção urinária. Para ela, a maior dificuldade que a enfermidade trouxe foram as doenças degenerativas na coluna e nas articulações.
Renata Menezes ressaltou ainda que a mulher com lúpus pode engravidar seguindo as devidas recomendações médicas. “A mulher portadora de lúpus pode sim engravidar, a fertilidade está preservada nessas pacientes. Só é necessário aguardar o melhor momento fora da atividade da doença e considerar que alguns medicamentos podem comprometer a reserva ovariana ou a formação fetal”, esclareceu.
O tratamento do LES depende do órgão acometido e da atividade da doença. Geralmente é realizado a longo prazo e, apesar de não haver cura, existe controle com o uso das medicações.