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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Artigo: Saúde em Roraima em tempos de migração venezuelana e as consequências para o país

Por Altamiro Vilhena
Pediatra e diretor clínico do Hospital da Criança Santo Antônio, Boa Vista, RR
Quando nós, brasileiros, vemos os problemas ligados às migrações de refugiados em países árabes e africanos, nunca nos damos conta que este tipo de problema pode estar bem perto de nós. E é isto que acontece com a migração de venezuelanos em busca de refúgio humanitário que vem para o Brasil, especialmente para o menos populoso estado da federação: Roraima. 
A chegada de cerca de 45 mil venezuelanos em um período de cerca de dois anos afeta todo Estado, especialmente a capital Boa Vista, que possui população estimada em cerca de 350 mil pessoas. A conta é fácil. Imagine você, que está lendo este texto, que em um período de cerca de dois anos, a cidade onde você mora receba mais de 10% do total atual de moradores de pessoas novas. Todos fugindo de um país onde passam dificuldades econômicas severas e muitos em situações de vulnerabilidade extrema. Para complicar ainda mais esta situação, como Roraima tem uma industrialização quase inexistente, a oferta de empregos é bastante limitada e, com certeza, não atende aos anseios dos que chegam, que acabam se dedicando a atividades informais pouco remuneradas. 
Dá para entender porque os serviços de saúde, que se planejam com base na população e nos atendimentos dos anos anteriores, não estejam conseguindo dar conta de forma ágil a todas as novas situações que surgem. Segundo dados da Secretaria de Saúde de Roraima, entre 2014 e 2017, o atendimento a pessoas oriundas do país vizinho saltaram de 760 pessoas para 15.055. No Hospital Materno-Infantil Nossa Senhora de Nazareth, única maternidade do Estado, somente no primeiro semestre de 2018 foram realizados 571 partos de venezuelanas, mais de dez por centro do total de partos.
Além do impacto direto nos serviços, há impacto nas finanças. Dados do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde mostram que, somente em 2017, foram gastos mais de 70 milhões com imigrantes venezuelanos nas unidade de atendimento roraimenses. Em 2016, o total não chegou a 9 milhões.
Alguns dos que vêm, tem como objetivo principal garantir a saúde de um ente querido. Carmen viajou quase 800km para chegar a Boa Vista grávida de mais de oito meses de gestação. Todo este sacrifício tem uma justificativa clara: Dannelys, sua filha de oito anos teve diagnosticado recentemente um tipo raro de sarcoma na mandíbula. Com a crise no país vizinho, não há opção de tratamento, então mesmo tendo recursos, tiveram que deixar seu país. Já Pinar conta que não tinha opção. Estava passando fome com sua família, e nas semanas que demorou até chegar ao país seus filhos ficaram muito desnutridos. O menor está internado na UTI pediátrica do Hospital da Criança Santo Antônio, único hospital infantil do Estado, gerido pela prefeitura municipal de Boa Vista. 
A situação das crianças que chegam, em muitos casos, é bastante precária. Além das dificuldades em seu país de origem, muitas famílias contam apenas com a ajuda do governo e da sociedade para obter alimentação no Brasil, itens de higiene e outras necessidades básicas. Isso faz com que o índice de desnutrição seja bastante elevado entre as crianças, com presença de doenças consideradas pouco frequentes em crianças brasileiras da mesma idade. 
Dentre as crianças atendidas foram dezenas de casos de sarampo, uma criança com difteria e vários pacientes com tuberculose, além dos muitos desnutridos graves. Todas doenças relacionadas diretamente com a falta de imunização e com condições sociais precárias. Soma-se a isso o fato da vacinação não ser obrigatória no país vizinho e os índices de cobertura serem bastante baixos, o que favorece o surgimento de muitas doenças. Somente o sarampo, considerado erradicado no Brasil a partir de 2001, desde fevereiro deste ano já teve mais de 200 casos confirmados, tendo ocorrido dois óbitos em crianças. 
A maior parte dos que chegam permanecem em abrigos superlotados, o que é agravado pelo fato do Estado, localizado no hemisfério norte, estar no período de inverno, e, como é característico na Região Norte, com chuvas torrenciais diariamente há cerca de dois meses. Assim, somam-se aos problemas já existentes, as epidemias de diarreia e o aumento do número de doenças respiratórias, como pneumonia, asma, sinusite e gripe.
Embora existam algumas ações das forças armadas, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa  - e até mesmo da Organização Pan-Americana de Saúde, todas as iniciativas até agora foram pouco efetivas para conter o avanço das doenças e para melhorar o estado de saúde, especialmente das crianças. Sozinhos, o Estado de Roraima e o município de Boa Vista não têm condições de enfrentar as dificuldades que se impõem diante desta crise. 
Como não há perspectiva de mudanças econômicas a curto prazo no país vizinho, a tendência é que o fluxo migratório se mantenha, com migrantes em condições de saúde cada vez piores, o que coloca em risco toda a população. É importante que as autoridades tracem planos viáveis, articulados e efetivos para a assistência à saúde desta população. No mundo de hoje, onde as fronteiras são pouco mais do que linhas em mapas, onde o fluxo de viajantes é sempre intenso e veículos e cargas são transportados para todos os lados, não há mais doença local, os agentes infecciosos têm capacidade de se deslocar tão rapidamente quanto nós. Ajudar quem necessita já não é apenas opção de caridade ou altruísmo, mas questão de saúde pública e proteção. 
*Os artigos publicados no Blog Saúde e Bem Estar são escritos por especialistas convidados pelo domínio notável na área de saúde. As publicações são de inteira responsabilidade dos autores, assim como todos os comentários feitos pelos leitores/internautas.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Brasil participa de conferência internacional sobre Aids



A partir de hoje (23/07), o Brasil participa do maior e mais importante fórum global sobre HIV/Aids. A 22ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2018) acontece em Amsterdã (Holanda) e vai até o dia 27 de julho. Este ano, o evento terá como tema “Quebrando barreiras, construindo pontes” – um chamado mundial para que a luta contra o HIV ultrapasse as fronteiras entre os países e seja baseada nas melhores evidências científicas, com respeito aos direitos humanos, especialmente das populações mais vulneráveis à epidemia. A expectativa é reunir 18 mil participantes entre cientistas, gestores, ativistas, profissionais de saúde, estudantes e jornalistas. 
Participando desde a primeira edição, o Brasil será destaque em nove sessões e 12 trabalhos científicos. O país apresentará os resultados de pesquisas e avaliações de suas estratégias para resposta brasileira ao HIV, como a recente incorporação pelo Sistema Único de Saúde (SUS) da profilaxia pré-exposição (PrEP), medicamento de uso diário para prevenção do HIV.
A diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV), Adele Benzaken, será uma das representantes do Ministério da Saúde na conferência e explica a importância da participação do Brasil no encontro.
“Essa é uma grande oportunidade de aprimoramento da resposta do país ao HIV/aids. Além de termos contato com as principais evidências e avanços das pesquisas científicas na área, a conferência sinaliza para os países as diretrizes globais para prevenção e tratamento do HIV”, esclarece.
Adele Benzaken destaca ainda a enriquecedora troca de experiência com pesquisadores, gestores e especialistas em saúde pública de todo mundo. “Esse compartilhamento de informações sobre o HIV contribui muito na construção de soluções para os desafios que o país ainda enfrenta frente à epidemia, como por exemplo, o aumento do números de casos de HIV entre os jovens”, reforça a diretora do DIAHV. 
Combate à Aids
O Brasil é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) um dos líderes latino-americanos no combate à doença, sendo o primeiro país da região a oferecer a PrEP e um dos primeiros no mundo a introduzir em larga escala o dolutegravir (DTG), medicamento antirretroviral de alta potência para o tratamento do HIV. O DTG possui um nível muito baixo de eventos adversos, o que facilita a adesão dos pacientes ao tratamento. Desde 2013, o SUS fornece a medicação gratuitamente a todos os brasileiros diagnosticados com a enfermidade, cerca de 572 mil portadores. 
As principais sessões da conferência serão transmitidas em tempo real pela internet através do site oficial do AIDS 2018 (https://www.aids2018.org/ ), em inglês, de 23 a 27 de julho.
Com informações do Ministério da Saúde

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Pernambuco intensifica vacinação contra sarampo



Diante da confirmação do surto de sarampo nos estados de Roraima e Amazonas pelo Ministério da Saúde, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES/PE) está reforçando com os municípios e a população em geral a importância da vacinação contra a doença. De acordo com a SES/PE, a intenção é intensificar as ações de imunização para evitar a reintrodução do vírus no Estado, que não registra casos da enfermidade desde 2014.
Segundo George Dimech, diretor geral de Controle de Doenças Transmissíveis, o trânsito de pessoas entre países pode facilitar a reintrodução da doença no país. “Hoje, o fluxo de pessoas entre países pode facilitar a introdução de vírus em territórios que ele não esteja presente. Precisamos chamar a atenção dos pernambucanos para que eles verifiquem se sua situação vacinal está atualizada, não apenas para o sarampo, mas para outras enfermidades que possam ser evitadas com as vacinas disponibilizadas pelo SUS”, reforça.
Este ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS) já confirmou casos em países da Europa e África. Nas Américas, há registros de sarampo nos Estados Unidos e na Venezuela. Já no Brasil, o Ministério da Saúde confirmou 263 casos no Amazonas e 200 em Roraima, até o dia 20 de junho. Em Pernambuco, foram registrados 199 casos de sarampo em 2013 e 27 em 2014, além de 1 caso importado em 2012. Anteriormente, o último registro tinha sido em 1999. 
“Até a sexta, estamos encaminhando uma nota informativa para reforçar com os municípios as ações de controle e de vigilância do sarampo, para detecção e notificação precoce de um caso suspeito, possibilitando a tomada de todas as medidas de controle. Também estamos indicando que haja um reforço de informação para os profissionais de saúde, para o público que for viajar para áreas com ocorrência da doença e indivíduos que tenham maior possibilidade de contato com viajantes, tais como os profissionais do setor de turismo, transporte de passageiros, caminhoneiros e trabalhadores do sexo”, afirma a gerente de Prevenção de Doenças Imunopreveníveis da SES, Ana Antunes. 
Além da imunização, o governo está adotando medidas para impedir que o vírus volte a circular de forma sustentada no Brasil, por meio de treinamentos de equipes técnicas nos dois estados. Além disso, o governo tem capacitado os profissionais de saúde sobre a doença e ações de vigilância epidemiológica. O objetivo é orientar as ações para o enfrentamento da situação, bem como torná-los aptos a atuarem em casos suspeitos.
A única forma de prevenção é a vacina. A indicação é utilizar a vacina tríplice viral, que evita também a rubéola e a caxumba. Ela deve ser aplicada em crianças com 12 meses, com um reforço aos 15 meses com a tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela). Crianças acima de 2 anos, jovens e adultos até os 29 anos e profissionais de saúde não vacinados anteriormente ou que não lembram se foram imunizados, devem tomar duas doses da tríplice viral, com intervalo de 30 dias entre elas. Já os adultos entre 30 e 49 anos, na mesma situação, devem tomar uma dose da tríplice.
Sarampo
O sarampo é uma doença infecciosa aguda, transmitida por vírus e extremamente contagiosa. O paciente com a enfermidade pode apresentar os seguintes sintomas: febre, tosse, irritação ocular, corrimento do nariz, manchas avermelhadas no rosto, que avançam em direção aos pés. Também pode causar infecção nos ouvidos, pneumonia, ataques (convulsões e olhar fixo), lesão cerebral e morte. Além disso, o vírus pode atingir as vias respiratórias, causar diarreias e até infecções no encéfalo. Mais comum na infância, o sarampo pode se desenvolver de maneira mais grave em recém-nascidos, desnutridos, gestantes e pessoas portadoras de imunodeficiências.
A transmissão se dá por meio do contato direto através de tosse, espirros, fala, secreções respiratórias ou da boca. O contágio ocorre na fase em que o doente apresenta febre alta, mal-estar, coriza, irritação ocular, tosse e falta de apetite e dura até quatro dias após o aparecimento das manchas vermelhas.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Gripe: 30% do público-alvo ainda não se vacinaram em Pernambuco




A Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe foi prorrogada pelo Ministério da Saúde até o próximo dia 15 de junho. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES/PE), mais de 710 mil pessoas ainda precisam ser vacinadas, o número representa que cerca de 30% do público alvo da campanha. 
A SES/PE reforça que a meta é imunizar, no mínimo, 90% do grupo prioritário da campanha. Até o momento, apenas os grupos formados pelas puérperas (mulheres que tiveram filho até 45 dias) e da população indígena atingiram a meta, com 93,7% e 90%, respectivamente. 
O órgão enfatiza ainda a  importância dos pais ou responsáveis levarem as crianças de 6 meses a menores de 5 anos para serem vacinadas. Segundo a Secretaria, esse é o grupo prioritário com a menor cobertura com apenas 58%.
Por recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), serão vacinadas as pessoas que integram os grupos mais suscetíveis ao agravamento de doenças respiratórias. A indicação é respaldada por estudos epidemiológicos e pela observação do comportamento das infecções respiratórias, que têm como principal agente os vírus da gripe.
O grupo prioritário da campanha são pessoas a partir de 60 anos, crianças de seis meses aos menores de cinco anos, trabalhadores de saúde, professores das redes pública e privada, povos indígenas, gestantes, puérperas (até 45 dias após o parto), pessoas privadas de liberdade – o que inclui adolescentes e jovens de 12 a 21 anos em medidas socioeducativas - e os funcionários do sistema prisional. Os portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais também devem se vacinar. Este público deve apresentar prescrição médica no ato da vacinação. 
CASOS REGISTRADOS
A SES informou ainda que, até o dia 19 de maio, Pernambuco registrou 783 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), quadro que pode ser provocado por diversos agentes (vírus, bactérias) e é caracterizado pela necessidade de internação de pacientes com febre, tosse ou dor de garganta associado ao desconforto respiratório. Do total de casos, 26 tiveram resultado laboratorial confirmado para gripe A(H1N1), 13 para o vírus A(H3N2) e 1 para vírus sincicial respiratório (VSR). No mesmo período de 2017, foram 885 casos de SRAG, com 64 confirmações para gripe A(H3N2), 20 do vírus B, 3 VSR e 1 para influenza1. Em 2018, também foram registrados 6 óbitos de SRAG com resultados laboratoriais confirmados, 5 de influenza A(H1N1) e 1 de influenza A(H3N2).

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Aumento dos casos de doenças infecciosas será discutido em fórum do CFM



Atualmente, inúmeras doenças infecciosas têm preocupado pesquisadores e autoridades no mundo inteiro. Milhares de pessoas têm sido vítima de doenças como zika, chicungunya, febre amarela e, mais recentemente, de enfermidades que já encontravam-se controladas, como a malária, por exemplo.
O crescente número de casos registrados e a falta de controle sobre essas e outras doenças levaram o Conselho Federal de Medicina (CFM) a promover o I Fórum de Infectologia, em Brasília. O encontro, que acontece hoje, discutirá a perda de controle sobre as doenças infecciosas e a situação atual no país. O objetivo final é apresentar propostas para o desenvolvimento de estratégias para controlar a disseminação.
“Há uma perda de controle dessas enfermidades. Todos os indicativos demonstram que há uma piora nos números: a incidência da sífilis não para de crescer, assim como da AIDS entre os que têm 16 a 20 anos, além de números alarmantes nos casos de malária, febre amarela, tuberculose, lepra, dengue, zika e chicungunya”, adverte Emmanuel Fortes, coordenador da Câmara Técnica de Infectologia.
O evento contará com palestras sobre o Estado atual da saúde pública no Brasil; Panorama das doenças, epidemiologias e ações para seu controle; Riscos e desafios para a saúde pública brasileira; Organização normativa e estrutural do Sistema Único de Saúde (SUS); O papel dos conselhos de saúde no enfrentamento dessas doenças; entre outras. Ao final do I Fórum, a Câmara Técnica de Infectologia do CFM fará uma apresentação das perspectivas sobre as questões discutidas.
Com informações do CFM