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quinta-feira, 28 de junho de 2018

Relatório da ONU indica um aumento do mercado de drogas ilícitas e medicamentos sem uso medicinal



A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou que uso não medicinal de medicamentos que precisam de prescrição vem crescendo e está se tornando grave problema para a saúde pública no mundo. A informação é proveniente do Relatório Mundial sobre Drogas publicado na última terça-feira (26/06) pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Ele constata ainda que o abuso desses opioides tem sido responsável por 76% das mortes envolvendo distúrbios relacionados ao uso de drogas.
De acordo com o relatório, em 2016, a apreensão de opioides farmacêuticos foi semelhante à de heroína, aproximadamente 87 toneladas, entre eles o tramadol e o fentanil. Normalmente, esses remédios são usados para o tratamento da dor crônica, mas os traficantes os fabricam e comercializam ilegalmente, causando assim danos consideráveis à saúde da população. Grande parte das apreensões foram identificadas em países da África, Ásia e América do Norte. Entre 2016 e 2017, a produção mundial de ópio aumentou 65%, atingindo 10.500 toneladas, a mais alta estimativa já registrada pelo UNODC desde o início do século 21. 
O documento mostra ainda o aumento do mercado de drogas ilícitas. Em 2016, a cocaína alcançou o índice mais alto, com uma produção de 1.410 toneladas. A maior parte é proveniente da Colômbia, mas o relatório também demonstra um crescimento do tráfico e consumo da droga na África e na Ásia. Já a cannabis foi a mais consumida por 192 milhões de pessoas, ao longo do último ano. Nos últimos 10 anos, o número de usuários da droga cresceu aproximadamente 16%.
Segundo Yury Fedotov, diretor-executivo do UNODC, o relatório aponta dados preocupantes em relação a ampliação e disseminação das drogas ilícitas e opioides. “As descobertas do Relatório Mundial sobre Drogas deste ano mostram uma expansão dos mercados de drogas ilícitas, com a produção de cocaína e de ópio atingindo recordes altíssimos, o que apresenta vários desafios em diversas frentes”, afirmou. 
Ele destacou ainda que o órgão está empenhado em trabalhar com os países membros para buscar soluções para o problema, bem como para atingir as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
A pesquisa mostra que o número de usuários de drogas foi de 275 milhões em 2016, o que representa cerca de 5,6% da população global entre 15 e 64 anos. O documento também indica que o público jovem é o mais vulnerável ao uso, principalmente na faixa etária entre 12 e 25 anos.
Outro dado alarmante é o aumento em 60% das mortes causadas pelo uso de drogas e opioides, entre 2000 e 2015. O Relatório Mundial sobre Drogas de 2018 apresenta uma visão global sobre a fabricação e o consumo de opioides, cocaína, cannabis, estimulantes do tipo anfetamina e novas substâncias psicoativas, bem como sobre seu impacto na saúde. 

terça-feira, 26 de junho de 2018

ONU divulga estudo sobre o contrabando de drogas por migrantes



No dia 13 de junho, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) divulgou um estudo que constata que 2,5 milhões de migrantes foram alvo do contrabando de drogas em 2016. Segundo a pesquisa, o tráfico ocorreu em todas as regiões do mundo e gerou renda de até 7 bilhões de dólares para os traficantes. O valor é equivalente ao que foi gasto em ajuda humanitária pelos Estados Unidos ou pelos países da União Europeia no mesmo ano.
Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), milhares de pessoas morrem decorrentes de atividades do contrabando de migrantes anualmente. Muitos morrem afogados, enquanto outros morrem devido a acidentes ou condições extremas. Segundo os registros, o Mediterrâneo parece ser a rota mais mortal, com cerca de 50% do total de mortes.
O estudo relata que existem 30 grandes rotas de tráfico em todo o mundo. Além disso, constata que os refugiados são alvo fácil dos criminosos por não conseguirem um meio legal para saírem de seus países de origem. Outro dado relevante é sobre o grande fluxo de crianças desacompanhadas que são mais suscetíveis ​​a fraudes e abusos por parte dos traficantes. De acordo com a pesquisa, em 2016, quase 34 mil crianças desacompanhadas e separadas chegaram à Europa (na Grécia, Itália, Bulgária e Espanha).
“Este crime transnacional ataca os mais vulneráveis ​​dos vulneráveis”, disse Jean-Luc Lemahieu, diretor de análise de políticas e assuntos públicos do UNODC. “É um crime global que requer ação global, incluindo melhor cooperação regional e internacional e respostas da justiça criminal nacional”, alerta.
De acordo com o departamento da ONU, combater o tráfico de migrantes requer uma abordagem que leve em conta não apenas a geografia do crime, mas também seus diferentes fatores. Entre eles o combate às redes de contrabando através de uma melhor cooperação regional e internacional. Bem como, tornar mais acessível a regularização dos refugiados, incluindo a expansão das agências de migração e asilo nas áreas de origem, o que reduziria as chances de ação dos criminosos.
Fonte: ONU/UNODC

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável podem ajudar no combate às drogas



O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) divulgou uma nota técnica sobre o problema mundial das drogas e os avanços recentes da política brasileira sobre drogas. De acordo com a nota, o problema do uso de drogas é global e interligado com todos os aspectos do desenvolvimento sustentável. Por isso, é essencial buscar atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS) como forma de apoio no combate às drogas. Confira os ODS e como atingi-los pode ajudar na batalha contra as drogas:
ODS 10 - Reduzir a desigualdade nos países e dentro deles
É importante ressaltar que a dificuldade em aceitar ou entender que a dependência química é uma condição de saúde alimenta o ciclo de marginalização que em geral afeta pessoas com transtornos relacionados ao uso de drogas, dificultando o seu tratamento e integração social.
A estigmatização em relação às pessoas que usam drogas pode representar uma grande barreira no acesso destas pessoas às ações de cuidado em saúde, como demonstrou o estudo do pesquisador brasileiro Telmo Ronzani citado no relatório.
O relatório cita a pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz que indicou um perfil de vulnerabilidade social entre usuários de crack que antecede o uso de crack, mas também pode ser agravado por ele. Essa pesquisa quantitativa foi recentemente aprofundada no Brasil com uma investigação sociológica que buscou reconstituir trajetórias de vida de usuários de crack (“Crack e Exclusão Social”- Organizador: Jessé Souza).
Dessa forma, além de políticas de prevenção voltadas à promoção da educação e do bem-estar e de cuidado no campo da saúde para ações tratamento, reabilitação e reintegração social, com base em evidência, essas políticas também demandam um robusto componente de enfrentamento ao estigma e de promoção da equidade de gênero e dos direitos humanos de uma forma mais ampla.
Dessa forma, o ODS 10 inclui duas metas que precisam ser consideradas nas políticas sobre drogas:
10.2 Até 2030, empoderar e promover a inclusão social, econômica e política de todos, independentemente da idade, gênero, deficiência, raça, etnia, origem, religião, condição econômica ou outra
10.3 Garantir a igualdade de oportunidades e reduzir as desigualdades de resultados, inclusive por meio da eliminação de leis, políticas e práticas discriminatórias e da promoção de legislação, políticas e ações adequadas a este respeito
ODS 3 - Assegurar vidas saudáveis e promover o bem-estar de todas as idades
Explicitamente inclui fortalecer a prevenção e tratamento de abuso de substâncias. Programas voltados à prevenção, ao tratamento, ao cuidado, à reabilitação e à reinserção social desempenham um papel fundamental e se baseados em evidência podem reduzir os impactos negativos para a saúde e sociais relacionados ao uso problemático de drogas.
Desde 2013, em parceria com o UNODC, o Ministério da Saúde (MS) identificou três programas que, na literatura científica internacional, mostraram resultados associados a adiar e evitar o primeiro uso de substâncias psicoativas, além de reduzir o grau de abuso de álcool, tabaco e outras drogas entre o público a que se dirigem. Atualmente a SENAD também vem apoiando a implementação dos três programas:
Além de problemas associados ao uso como o risco de overdose, suicídio, desenvolvimento de transtornos mentais, é preciso considerar que pessoas que fazem o uso injetável ou não são mais vulneráveis em relação à transmissão do HIV e das hepatites virais, bem como enfrentam maior dificuldade de acesso a serviços em função do estigma e do preconceito em relação ao uso de drogas.
No Brasil, estudo realizado pela Fiocruz revelou que pessoas que fazem uso de crack e/ou similares apresentam uma prevalência do HIV oito vezes mais alta do que a população em geral.
Portanto, para além da relação direta entre uso de drogas injetáveis de forma não segura e a transmissão do HIV ou da hepatite C, estudos tem demonstrado que é preciso considerar também a maior vulnerabilidade de pessoas que fazem o uso de estimulantes como a cocaína e anfetaminas e sua relação com o sexo desprotegido.
Três quartos da população global ainda não têm acesso a medicamentos contendo drogas narcóticas e tem tratamento inadequado para tratar dores moderas a fortes. A importância de disponibilização de medicamentos essenciais, que tipicamente incluem drogas controladas foi reconhecida na meta 3.b dos ODS.
ODS 5 - Alcançar igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas
Aponta para a necessidade de que políticas sobre drogas reconheçam que há diferenças importantes entre homens e mulheres que fazem uso de drogas em relação aos padrões de uso e também às vulnerabilidades associadas.
Pela predominância masculina no uso de certos tipos de drogas, há o risco de que a rede de cuidado possa não corresponder às especificidades das demandas de mulheres que fazem uso de drogas, representando barreiras no acesso aos serviços.
Mulheres com quadro de dependência de drogas e que vivem com HIV em geral são mais vulneráveis e estigmatizadas do que homens. Essas mulheres tem mais chance de terem sido vítimas de violência e abuso, em especial de violência doméstica.
Neste sentido, vale ressaltar mais um dado da pesquisa realizada pela Fiocruz entre usuários de crack e/ou similares, na qual a proporção de mulheres que relataram ter sofrido violência sexual alguma vez na vida foi seis vezes maior que a relatada pelos homens (respectivamente, 46,63% e 7,49%). O que demonstra a necessidade e o desafio para os países, incluindo o Brasil, de desenvolver políticas e ações que incluam a perspectiva de gênero.
Mulheres infratoras, especialmente com algum transtorno relacionado ao uso de drogas, enfrentam várias barreiras no sistema de justiça criminal, visto que em geral esses sistemas não são devidamente equipados para atender suas especificidades.
ODS 1 - Acabar com a pobreza em todas as suas formas e em todos os lugares 
O uso de drogas geralmente afeta as pessoas durante seus anos mais produtivos, prejudicando o seu desenvolvimento e de suas comunidades. O problema das drogas afeta, ainda que de forma variada, países tanto desenvolvidos como em desenvolvimento. 
A relação entre desenvolvimento econômico e drogas é particularmente evidente no caso do cultivo ilícito de drogas. Em áreas rurais, elementos socioeconômicos, como pobreza e a falta de uma cultura de subsistência sustentável são fatores de risco que levam fazendeiros a se engajar na cultivação ilícita, que também é uma manifestação de escassos níveis de desenvolvimento ligados à segurança e governança.
ODS 16 - Promover sociedades pacífica e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar acesso à justiça para todos e construir instituições responsáveis e inclusivas em todos os níveis
Esse objetivo diz respeito principalmente aos esforços em fortalecer o Estado de Direito e o acesso à justiça e combater a corrupção e o crime organizado. O uso de drogas desencadeia diferentes níveis de violência, relacionados com o seu efeito psicoativo ou como meio de obter recursos para sua compra.
Em relação ao acesso à justiça, no Brasil é importante destacar o desafio do acesso à justiça em relação às mulheres, segundo o relatório do Ministério da Justiça sobre mulheres encarceradas, no período de 2000 a 2014 o aumento da população feminina foi de 567,4%, enquanto a média de crescimento masculino, no mesmo período, foi de 220,20%.
Isso reflete, assim, a curva ascendente do encarceramento em massa de mulheres. São mulheres jovens, têm filhos, são as responsáveis pela provisão do sustento familiar, possuem baixa escolaridade, são oriundas de extratos sociais desfavorecidos economicamente e exerciam atividades de trabalho informal em período anterior ao aprisionamento.
Em torno de 68% dessas mulheres possuem vinculação penal por envolvimento com o tráfico de drogas não relacionado às maiores redes de organizações criminosas.
Portanto, o desafio de que a política de drogas no Brasil e na região tenham uma perspectiva de gênero é fundamental.
Cabe aqui também destacar a recente decisão do STF, tirar o caráter hediondo da condenação de dois homens condenados por tráfico de drogas que eram réus primários, tinham bons antecedentes, não se dedicavam ao crime nem integravam uma organização criminosa.
Esta decisão certamente terá impacto futuro na questão da superlotação carcerária causada por penas que tem sido consideradas, inclusive por próprios ministros do STF como “desproporcionais” em relação a condutas de pequenos traficantes, sobretudo mulheres.
Dados de 2014 do Ministério da Justiça apontam no país uma população carcerária de 622.202 pessoas, das quais 174.216 (28%) foram condenadas por delitos relacionados às drogas.
ODS 17 - Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável
Esses objetivos têm uma relação forte com os princípios de cooperação internacional e responsabilidades compartilhadas, incorporados nas convenções de controle de drogas. Entretanto, assistência oficial para o desenvolvimento aumentou, enquanto assistência para setores relativos a drogas diminuiu significativamente desde 2008.
Esforços para eliminar cultivo ilícito podem impactar fonte de renda e oportunidades de emprego de camponeses. Pesquisas mostram que esses esforços só terão um impacto positivo se eles incluírem medidas de desenvolvimento que garantam alternativas de subsistência e restaurem a segurança e a força da lei.
Intervenções que visam a fortalecer a influência da lei, o alicerce do desenvolvimento sustentável, podem influenciar a disponibilidade de drogas no mercado ilícito ao reduzir o abastecimento através da interdição e aumentando o risco para os traficantes. Isso leva a um aumento de preço nos mercados consumidores.
Entretanto, isso pode gerar violência, especialmente quando afetam a estrutura interna e externa desses mercados ilegais. Esses esforços devem ser pensados a longo prazo e direcionados a todos os protagonistas e elementos do tráfico de drogas, pois, caso contrário, podem gerar um aumento de violência.
Prevenção, intervenção precoce, reabilitação, cuidados e medidas de integração social para usuários de drogas, baseados em evidências científicas, reduzem o uso de drogas e seus efeitos na saúde pública, um dos componentes mais importantes do bem-estar da sociedade. Esses benefícios afetam tanto os usuários quanto a sociedade em geral, mostrando-se eficazes na prevenção de HIV e hepatites virais.
Fonte: ONU/UNODC

Hoje é o dia internacional contra o abuso e tráfico ilícito de drogas



26 de junho é o Dia Internacional contra o Abuso e Tráfico Ilícito de Drogas. A data foi instituída por meio da resolução 42/112 de 7 de dezembro de 1987, durante uma assembleia geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo é realizar uma ação conjunta para que todos os países promovam ações e medidas de combate às drogas. A resolução apresenta medidas no que diz respeito ao relatório e conclusões da Conferência Internacional sobre o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas de 1987.
A ONU reconhece os esforços dos países, mas reforça que o problema das drogas ainda constitui uma ameaça grave para a saúde pública, a segurança e o bem-estar da humanidade, trazendo implicações para o desenvolvimento sustentável e para a estabilidade sócio-econômica e política dos Estados Membros. 
Segundo o relatório global do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) sobre o tema, cerca de 250 milhões de pessoas usavam drogas em 2015 no mundo. Desse total, cerca de 29,5 milhões usavam drogas de forma problemática e apresentam transtornos relacionados ao consumo, incluindo a dependência.
Os opioides (ópio, morfina, heroína e derivados sintéticos) apresentam os maiores riscos de danos à saúde, representando 70% do impacto negativo associado ao consumo de drogas no mundo (Confira detalhes do Relatório Mundial sobre Drogas clicando aqui).
O UNODC incentiva a população, organizações sem fins lucrativos, setor privado e Estados Membros a promoverem ações de sensibilização sobre o problema em todo o mundo, através da realização de eventos para marcar a data de 26 de junho, da divulgação da campanha através de suas redes e contatos, bem como por meio de doações para ONGs de apoio, prevenção e tratamento da toxicodependência.
Fonte: ONU/UNODC