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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Recife sedia simpósio para discutir os avanços na cirurgia bariátrica


Relatório da FAO e OPAS aponta que mais da metade dos brasileiros estão com sobrepeso
Os principais nomes da cirurgia bariátrica do País estão reunidos hoje (05/10), no Recife, para o I Simpósio de Cirurgia Bariátrica Robótica do Hospital Esperança, no Hotel Luzeiros. A primeira palestra será ministrada pelo cirurgião Carlos Domene (SP), que irá falar sobre "Cirurgia do Futuro 4.0", onde o robô estará apto a comandar uma cirurgia, com menos participação do médico. Duas cirurgias também serão mostradas e comentadas, para que sejam debatidos os principais métodos utilizados na bariátrica. Além de Carlos Domene, participam ainda os cirurgiões Alexandre Elias (SP), Carlos Saboya (RJ), Walter França (PE), Álvaro Ferraz (PE).
A primeira será apresentada pelo cirurgião Carlos Saboya, com o método Sleeve, ou Gastrectomia Vertical. Nesse procedimento, o estômago do paciente é grampeado, ganhando um formato de tubo, que vai do esôfago ao duodeno. O tamanho do órgão é reduzido em cerca de 80%. A redução do apetite se dá pela retirada de uma parte do estômago que produz um hormônio chamado grelina, responsável pela sensação de fome. Assim, o paciente tem o apetite reduzido. O Sleeve é indicado para pacientes com obesidade 3 que possuem problemas intestinais e anemia.
A segunda cirurgia será a do método Bypass, pelo cirurgião Alexandre Elias. Esse método consiste num desvio do intestino delgado, levando o paciente a absorver menos gordura. O intestino continua funcionando normalmente, preservando a absorção de vitaminas e minerais. Esse tipo de cirurgia é mais indicado para os pacientes diabéticos. A perda de peso varia, em média, de 40%.
"Nossa ideia é que a plateia possa opinar a partir dos pontos que forem apresentados. Será bastante interativo", informa o cirurgião bariátrico do Hospital Esperança Recife, Walter França. O evento, que é realizado em parceria com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, também é aberto a outros profissionais da equipe multidisciplinar que acompanham pacientes antes e após a cirurgia bariátrica, como psicólogos, nutricionistas e endocrinologistas.
Obesidade
Dados de um relatório conjunto da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), divulgado em janeiro de 2017, apontam que mais da metade da população brasileira está com sobrepeso. O sobrepeso em adultos subiu de 51,1% em 2010 para 54,1% em 2014. Em 2010, 17,8% da população era obesa e em 2014 o índice chegou a 20%. A prevalência é maior entre as mulheres, com 22,7%. 
Entre as principais doenças ligadas à obesidade, estão problemas cardíacos, diabetes, colesterol alto, depressão, câncer e dermatites, além de incontinência urinária, apneia do sono e disfunção hormonal e erétil (nos homens), refluxo gástrico e doenças articulares.  
Cirurgia robótica
A cirurgia robótica permite intervenções menos invasivas, com menor risco de hemorragias e infecções, menor dor pós-operatória, uma recuperação mais rápida e o retorno mais cedo às atividades cotidianas e ao trabalho. O procedimento garante ao cirurgião a execução dos movimentos de forma precisa, através da manipulação de um console, enquanto os braços do robô fazem movimentos que simulam as mãos do cirurgião. Os braços contêm câmeras que mostram imagens em 3D dos órgãos, garantindo maior precisão dos movimentos aos médicos.
Em julho deste ano, o Hospital Esperança alcançou a marca de 500 cirurgias robóticas realizadas, sendo líder nesse tipo de procedimento nas regiões Norte e Nordeste. No hospital, são realizadas cirurgias robóticas urológicas, bariátricas, colorretais, torácicas e ginecológicas.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Governo elabora primeiro protocolo para tratamento de obesidade


Prazo para contribuições da sociedade civil termina nesta terça-feira
O Ministério da Saúde abriu uma enquete pública para elaborar o primeiro Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para tratamento de casos de obesidade e sobrepeso. O documento poderá receber contribuições de representantes da sociedade civil e profissionais de saúde até o próximo dia 11 de setembro.
Segundo o Ministério, o objetivo é aprimorar e qualificar o atendimento e a conduta terapêutica de pacientes na atenção básica e especializada no Sistema Único de Saúde (SUS). A pasta alerta que a adoção do protocolo pode contribuir para prevenir e controlar a obesidade e o sobrepeso no país, além de garantir mais segurança e efetividade clínica e científica aos profissionais de saúde.
A obesidade é uma das doenças que mais tem crescido nos últimos anos em nível global. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que os índices de obesidade e sobrepeso quase triplicaram desde 1975. Em todo o mundo, existem pelo menos 650 milhões de obesos. No Brasil, um em cada cinco pessoas estão obesas e mais da metade da população das capitais estão com excesso de peso, segundo a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).
O impacto sobre o Sus também tem crescido. Em 2012, a rede pública realizou pouco mais de mil cirurgias bariátricas e reparadoras de pacientes obesos. O número de intervenções subiu para 8,1 mil, em 2016, segundo o Ministério da Saúde.
Participação
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia convocou a participação de endocrinologistas na elaboração do protocolo. A Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) também se manifestou favorável à contribuição dos nutrólogos para elaborar o protocolo, devido à preocupação com a gravidade e o aumento da doença na população.
“A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, que vai desde meio ambiente até condição de alimentação, meios de saúde e até genética. Por ser considerada uma doença crônica, infelizmente, se você para de tratar, ela volta. Ela é responsável por mais de 30 patologias, desde a hipertensão, diabetes, colesterol elevado, infarto, acidente vascular cerebral e até câncer”, alertou Dimitri Homar, representante da regional da Abran, em Brasília.
Uma das demandas que o especialista coloca é a volta de medicamentos de baixo custo que auxiliavam no tratamento da obesidade e foram retirados do mercado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O Ministério da Saúde explicou que a enquete garante a participação popular desde a primeira etapa do processo de elaboração do protocolo, que ainda deve passar por consulta pública para deliberação final.
Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Como a idade afeta o apetite e nossa relação com a comida



Você come para viver ou vive para comer? Temos uma relação complexa com os alimentos, influenciada por seu custo, disponibilidade e até pela pressão dos conhecidos. 
Ainda que haja diferenças de uma pessoa para outra, algo que compartilhamos é o apetite, nossa vontade de comer. A fome - sensação provocada pelo nosso corpo quando ele necessita de alimento - é uma parte do dele, mas não é o único fator. 
Afinal, também comemos quando não estamos com fome e somos capazes de pular uma refeição mesmo quando o estômago está roncando. 
Uma pesquisa recente destacou que a abundância de referências a comida - aromas, sons, propagandas - ao nosso redor é uma das principais causas da ingestão excessiva de alimentos.
O apetite tampouco é permanente - ele muda no decorrer da vida, à medida que envelhecemos. Há "sete idades" do apetite. E uma melhor compreensão de cada fase poderia ajudar a desenvolver novas maneiras de lidar tanto com a ingestão insuficiente quanto em excesso de alimentos - assim como com suas consequências para a saúde, como a subnutrição e a obesidade.
A primeira década
Na primeira infância, o corpo passa por um crescimento rápido. O comportamento alimentar desenvolvido no início da vida pode se prolongar até a idade adulta, levando uma criança acima do peso a se tornar um adulto obeso.
Para que isso não aconteça, as crianças também devem experimentar algum controle, principalmente em relação ao tamanho das porções. Ser forçado a "limpar o prato" pelos pais, pode aos poucos deixar de se orientar por seu apetite e pela sensação de fome e ser estimulado o comer excessivamente mais adiante. 
Nesse sentido, há um clamor social crescente para que os governos protejam as crianças pequenas das propagandas de junk food (aquela com alto teor calórico, mas com níveis reduzidos de nutrientes) - não apenas na televisão, mas em aplicativos, redes sociais e canais de vídeo. Como os anúncios incentivam o consumo, podem contribuir para a obesidade infantil.
Uma estratégia de educação alimentar em que os pequenos são estimulados a experimentar pode ajudá-los a conhecer alimentos aos quais não estão familiarizados, mas que são importantes, como verduras e legumes.
A segunda década, dos 10 aos 20 anos
Na adolescência, o aumento do apetite e da estatura, impulsionado pelos hormônios, marca a chegada da puberdade. O modo como o adolescente vai lidar com a alimentação durante essa fase crítica moldará seu estilo de vida nos anos seguintes.
Isso significa que as decisões dos jovens em relação à dieta estão intrinsecamente ligadas à saúde das futuras gerações, de quem mais tarde se tornarão pais. Infelizmente, sem receber orientação, alguns adolescentes acabam adotando hábitos e preferências alimentares pouco saudáveis.
As mulheres, em geral, são mais propensas a sofrerem de déficit nutricional do que os rapazes, em função de seu sistema reprodutivo. Adolescentes que engravidam também correm mais risco, uma vez que o desenvolvimento do feto compete com o crescimento do corpo da mãe, que ainda está em formação. 
A terceira década, dos 20 aos 30 anos
Mudanças no estilo de vida - como entrar na faculdade, casar ou ter filhos - podem favorecer o ganho de peso nesta fase. E, uma vez acumulada, a gordura corporal pode ser difícil de perder. 
O corpo envia sinais fortes de apetite quando ingerimos menos calorias do que ele necessita, mas os avisos para evitar excessos são mais fracos, o que pode levar a um ciclo de consumo exagerado. Existem ainda muitos fatores fisiológicos e psicológicos que dificultam manter uma alimentação moderada ao longo do tempo. 
Por isso os pesquisadores têm se dedicado a estudar a saciedade, a sensação de ter comido o suficiente. Isso é útil quando se tenta perder peso, já que sentir fome é uma das principais barreiras para comer menos do que o corpo diz que você precisa.
Alimentos diferentes enviam sinais distintos para o cérebro. É fácil tomar um pote de sorvete, por exemplo, porque a gordura não aciona os mecanismos cerebrais que nos fazem parar de comer. Por outro lado, alimentos ricos em proteína, água ou fibra fazem com que a gente se sinta satisfeito por mais tempo. 
A quarta década, dos 30 aos 40 anos 
A vida profissional adulta impõe outros desafios, que vão além do ronco do estômago. Os efeitos do estresse, responsável por mudanças no apetite e hábitos alimentares de 80% da população, podem fazer com que você se empanturre ou perca a vontade de comer.
As reações, além de opostas, ainda intrigam a comunidade científica: o fenômeno da "compulsão alimentar" - desejo irresistível de consumir alimentos específicos, muitas vezes calóricos - não é bem compreendido. Muitos pesquisadores questionam, inclusive, sua existência.
Outros traços da personalidade, como o perfeccionismo e a meticulosidade, também podem interferir na relação entre estresse e hábitos alimentares.
Estruturar o ambiente de trabalho para evitar padrões de consumo questionáveis - como comprar produtos de máquinas de venda automática - é um desafio. As empresas devem se esforçar para subsidiar e promover uma alimentação de qualidade aos funcionários, que se tornarão, assim, mais saudáveis e produtivos. Além disso, devem desenvolver estratégias para gerenciar situações de estresse.
A quinta década, dos 40 aos 50 anos
O termo dieta vem da palavra grega diaita, que significa "estilo de vida, modo de viver". 
Na linguagem da psicologia, somos "criaturas de hábitos" e, por isso, muitas vezes relutamos em substituir nossas preferências, mesmo quando sabemos que isso vai nos fazer bem. Queremos comer o que temos vontade, sem modificar nosso estilo de vida, e ainda ter um corpo e mente saudáveis.
Não faltam evidências para mostrar que a dieta desbalanceada é um dos principais fatores que contribuem para uma saúde precária. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo, o sedentarismo, o consumo abusivo de álcool e a adoção de uma dieta inadequada são os maiores fatores de impacto do estilo de vida sobre a saúde e a mortalidade.
É na faixa dos 40 aos 50 anos que os adultos costumam mudar seus hábitos em decorrência de problemas de saúde. 
Para muita gente, contudo, essa mudança não acontece. A falsa sensação de que está tudo bem - quando, na verdade, diversas doenças demoram anos para se manifestar e outras têm sintomas "invisíveis" - ajuda a manter a inércia.
A sexta década, dos 50 aos 60 anos
Após os 50 anos, começamos a sofrer uma perda gradual de massa muscular, de 0,5% a 1% ao ano. É a chamada sarcopenia. A falta de atividade física, o baixo consumo de proteína e a menopausa, no caso das mulheres, podem acelerar esse processo.
Além de praticar exercícios físicos, adotar uma dieta saudável e variada é importante para reduzir os efeitos do envelhecimento. E as necessidades da população mais velha - de alimentos apetitosos com alto teor de proteína e com bom custo-benefício - não estão sendo atendidas pelo mercado.
Lanches enriquecidos com proteína podem ser uma boa forma de os adultos mais velhos aumentarem a ingestão do nutriente, mas existem atualmente nas prateleiras poucos produtos voltados às exigências e preferências desse público. 
A sétima década, dos 60 aos 70 anos, e daí em diante
Um grande desafio atualmente, diante do aumento da longevidade, é manter a qualidade de vida da população. Do contrário, vamos nos tornar uma sociedade de pessoas idosas doentes ou incapacitadas.
Uma nutrição adequada é importante, uma vez que a velhice vem acompanhada da redução do apetite e da falta de fome, o que leva à perda de peso não intencional e a uma fragilidade maior. A falta de apetite também pode ser resultado de doenças, como o Alzheimer.
A comida é uma experiência social. A perda de um companheiro ou de um familiar, assim como fazer as refeições sozinho, pode afetar a sensação de prazer da alimentação. Outros efeitos da velhice - como problemas dentários, de deglutição, perda de paladar e de olfato - também interferem na vontade de comer e em nossas recompensas ao fazê-lo.
Precisamos lembrar que, ao longo da vida, os alimentos não são apenas combustível, mas uma experiência social e cultural a ser desfrutada. Somos todos especialistas em comida - nos alimentamos todos os dias.
Por isso, devemos nos esforçar para enxergar todas as refeições como uma oportunidade de usufruir da comida e dos efeitos positivos que os alimentos certos podem ter sobre nossa saúde.
*Alex Johnstone é pesquisadora do Instituto Rowett de Saúde e Nutrição, da Universidade de Aberdeen, na Escócia. Esse artigo foi publicado originalmente no site The Conversation. 
Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Universidades terão incentivo para controlar obesidade



Chamada pública do Ministério da Saúde incentiva universidades públicas e privadas a desenvolver projetos com ações de prevenção, diagnóstico e tratamento da obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS). Serão disponibilizados R$ 10 milhões para o desenvolvimento de pesquisa, extensão e formação de trabalhadores na atenção básica, nível de atenção, com capacidade para resolver 80% dos problemas de saúde.
Ao todo, serão selecionadas 27 universidades. Os projetos devem ter duração de dois anos, contados a partir da data de assinatura da proposta, além de obedecer a requisitos técnicos descritos no edital. “O objetivo do ministério é qualificar a assistência e o cuidado para a prevenção e o controle da obesidade, que já afeta 18,9% da população adulta nas capitais brasileiras”, informou a pasta.
Os recursos para as universidades foram determinados conforme análise de critérios socioeconômicos e geográficos, além da cobertura de equipes do Núcleo de Atenção à Saúde da Família na Atenção Básica. Instituições que atuam no Espírito Santo, no Acre, no Amapá, em Alagoas, em Roraima, em Rondônia, em Sergipe e no Distrito Federal receberão até R$ 250 mil.
As que atuam no Amazonas, em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Goiás, no Pará, na Paraíba, em Pernambuco, no Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul receberão até R$ 350 mil. Já as que estão no Ceará, Maranhão, em Minas Gerais, no Piauí, em Santa Catarina, São Paulo, no Rio de Janeiro, na Bahia e no Paraná terão disponíveis até R$ 500 mil.
A chamada pública está aberta no site do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) até o dia 16 de setembro de 2018.
Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Mudar padrões de produção e consumo pode ser antídoto contra obesidade, diz FAO



Temas como a demanda global de alimentos, a epidemia de obesidade e as novas tendências de mercado foram abordados pelo diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, durante a 56º edição do Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (SOBER), promovido pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).
Na ocasião, Graziano citou prognóstico lançado pela FAO em relatório conjunto com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em julho deste ano, em Paris, no qual se preveem desafios impostos pelo crescimento populacional em todos os níveis da segurança alimentar – não apenas aqueles relacionados à fome, mas também às outras formas de má nutrição.
“O maior problema do mundo já não é mais a fome, a fome hoje é algo bem equacionado, a gente sabe onde está, e sabe por que. Ela está basicamente nas regiões de conflito e seca”, declarou.
“Uma epidemia que afeta tantos países desenvolvidos, como os em desenvolvimento, é a obesidade, que é uma questão ainda não equacionada e que vai afetar o futuro da alimentação de uma maneira que nós ainda não conseguimos dizer. Hoje, projetar o consumo da demanda de commodities ao passo do crescimento da população parece um erro”, alertou.
Dentro desse contexto, o diretor-geral da FAO destacou a importância de se olhar para novas visões de logística, transporte e armazenamento que podem ter efeitos sobre a demanda por alimentos e o combate a má nutrição.
Ainda segundo Graziano, as tendências da “gourmetização” da alimentação caseira, com pessoas querendo cozinhar cada vez mais e melhor em casa, cultivando seus próprios temperos e atentos para a qualidade e para o preço do que consomem, devem mudar, cada vez mais, as formas de produção e a dinâmica do mercado.
Tais mudanças também podem trazer, aos poucos, impactos positivos na epidemia da obesidade. Nesse contexto, ele citou a popularização da quinoa. “O produto fresco, legumes, verduras, carnes, são fundamentais em uma dieta para prevenir a obesidade. Na Europa, ninguém come mais para matar a fome, come por prazer. É o gourmet que influencia”.
“A FAO atuou maciçamente para colocar a quinoa no mercado internacional. Hoje, é parte desse mercado gourmet. Quinoa que aqui você compra por menos de um dólar, na Europa não compra por menos de 10. Essa logística, essa transformação da marca, esse lado gourmet do prazer da alimentação, conectado à questão da obesidade, pode transformar completamente a forma da produção da alimentação do futuro”, concluiu.
Fonte: ONU Brasil

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

'Qualidade dos alimentos processados no Brasil é pior que em outros países’, diz nutricionista antidietas



Por Camilla Costa/BBC
Sophie Deram acha que os brasileiros merecem mais. Doutora em nutrição e professora na Universidade de São Paulo (USP), a franco-brasileira acredita que, mesmo que o país tenha uma boa oferta de produtos naturais e saudáveis, o brasileiro escolhe mal o que comer. E, quando escolhe alimentos industrializados, tem opções piores do que em outros países. 
"A indústria está fazendo uma festa de ultraprocessados no Brasil, e com certeza tem que ter um olhar mais firme do governo para limitar esses excessos. As multinacionais fazem no Brasil coisas que não se permitiriam fazer em outros países". 
Deram é nutricionista, engenheira agrônoma e especializada em obesidade infantil, nutrigenômica, transtornos alimentares e neurociência do comportamento. Autora do livro O Peso das Dietas (Ed. Sextante), defende que uma alimentação com menos processados evita a adoção das dietas da moda que são, segundo ela, "um gatilho para engordar".
"Acho que, como brasileiros, devemos pedir uma melhora na qualidade dos alimentos, tanto processados quanto in natura. Mais vigilância sobre os agrotóxicos, mais alimentos in natura dentro dos processados, menos conservantes."
O Guia Alimentar para a População Brasileira define alimentos ultraprocessados como aqueles que "são formulações industriais feitas totalmente ou em grande parte de substância extraídas de alimentos, derivadas de constituintes de alimentos, sintetizadas em laboratório, realçadores de sabor e aditivos". Por exemplo, refrigerante e macarrão instantâneo. 
Outros, como atum enlatado e frutas em calda são considerado processados. Já cortes de carne congelados e leite pasteurizado são considerados minimamente processados.
"Vemos que 95% das pessoas que fazem dieta fracassam. Quer dizer, todo mundo fracassa. A dieta restritiva abre a rodovia do engordar", afirma.
Confira os principais trechos da entrevista:
BBC Brasil - A alimentação do brasileiro piorou?
Sophie Deram - O que piorou não foi a nossa alimentação, foi a neura das pessoas. Elas estão com uma neura absurda. Dá para comer de maneira super adequada indo na feira, cozinhando e comendo alimentos menos processados.
Mas todo mundo está sempre de dieta, muitos profissionais fazem o que eu chamo de "terrorismo alimentar", e a indústria coloca produtos carregados de açúcar e adoçantes nas prateleiras, por exemplo. Hoje os estudos já sugerem que essa troca de açúcar por adoçante não é nada saudável. 
Enfim, tem um conjunto de forças que vão contra a boa alimentação apesar de no Brasil haver uma abundância de frutas e verduras.
BBC Brasil - Que tipo de forças?
Deram - O Brasil passou pelo que se chama de transição nutricional, uma mudança cultural da alimentação. Vemos isso em todos os países, e tem a ver com a globalização e a urbanização acelerada. Isso muda completamente o modelo. 
Mulheres, homens, inclusive os educadores, muitas vezes não tiveram uma infância na cidade e agora tem que inventar um novo modelo de viver. Muitos tinham as mães na casa cozinhando, pegando legumes na feira ou no quintal. De repente, têm que viver na cidade e compram tudo no supermercado sem nem saber o que há em cada pacote.
Essa transição fez com que a população começasse a consumir cada vez mais alimentos processados e ultraprocessados. Em 2007 e 2008, o Brasil foi apontado como um dos países em que a indústria de alimentos e bebidas mais crescia no mundo. 
Houve um investimento muito grande de marketing dessa indústria aqui. As pessoas que foram viver nas cidades acabaram sendo educadas pelo marketing da indústria, pela televisão. Vejo isso no meu consultório: muitas dessas pessoas acreditam que o suco em caixa é melhor porque dá mais energia ao filho ou porque na embalagem diz que ele tem cálcio e outras vitaminas.
BBC Brasil - Mas você defende que dá para comer bem cozinhando mais, comprando mais produtos in natura na feira e menos processados. Em uma sociedade em que cada vez mais mães, além dos pais, trabalham fora e o trabalho doméstico está mais caro, como é possível manter essa rotina?
Deram - É um desafio cozinhar, é verdade, mas é também uma questão de planejamento.
Trabalhei em um laboratório de obesidade infantil, e muitas mães de baixa renda faziam um trabalho ótimo de cozinhar no fim de semana para ter comida pronta. Mas muitas achavam que era mais saudável comprar pronto porque a comida pronta continha mais vitaminas.
Vale lembrar que esse papel também é dos pais, não só das mães. Temos que reorganizar a sociedade, aprender a lidar com a realidade de hoje, em que todo mundo trabalha e almoça fora. 
BBC Brasil - Você lançou a campanha #queromaisqualidade, e afirmou que os brasileiros precisam exigir alimentos melhores, tanto in natura quanto processados. O que exatamente significa exigir mais qualidade?
Deram - No caso dos alimentos in natura, precisamos de mais vigilância sobre os agrotóxicos. Mas é preciso ter cautela com os números divulgados por aí dizendo, por exemplo, que o brasileiro consome cinco a sete litros de agrotóxico por ano.
Esses números são divulgados por habitante, mas não devemos esquecer que o Brasil é o maior exportador do mundo de produtos agrícolas. Então nem tudo o que é produzido aqui é consumido pela população brasileira. Esses dados nem sempre são adequados. Acho que deveríamos saber a quantidade de agrotóxicos por quilos de alimento produzidos. 
Outra coisa importante de lembrar é que estamos num país tropical, que tem menos facilidade de produzir alimentos orgânicos como os Estados Unidos ou a França. Um país tropical precisa de pesticidas.
Fazer agricultura orgânica no Brasil é uma arte, e nunca vamos conseguir ter uma quantidade plena para alimentar todo mundo. Sou engenheira agrônoma, também entendo a dificuldade dos agricultores. Temos que parar o terrorismo de acusar a agricultura dessa maneira, mas o governo precisa de mais vigilância. A atual não é adequada.
BBC Brasil - E o que significa exigir qualidade nos alimentos processados?
Deram - O iogurte vem com foto de morango, mas dentro dele quase não tem morango. Tem um xarope, um aroma. Porque a lei brasileira permite que não tenha nada de morango. Se você pega o mesmo produto na Europa, da mesma empresa, ele vai ter de 8 a 10% de fruta. Ou seja, o país maravilhoso de frutas permite comercializar um produto com foto de fruta sem exigir certa quantidade de fruta.
É impressionante como a qualidade dos alimentos processados aqui é pior do que a gente vê fora. Acho isso uma coisa inaceitável. Mais qualidade também significa ter menos aditivos, menos conservantes. Sabemos que eles são necessários para vender os alimentos, que precisam ser estáveis. Mas a indústria está colocando aqui muitos aditivos cosméticos. O Guia Alimentar brasileiro até nomeia alguns deles. 
Dentro dos alimentos ultraprocessados, a maioria dos ingredientes são aditivos cosméticos, para dar um gosto e um aspecto bonitinho pra vender, ou mais açúcar ou gordura. E nosso cérebro adora açúcar e gordura. Esses alimentos ficam na nossa memória hedônica, a memória do prazer. Esses alimentos sequestram nosso sistema de recompensa.
Mas aí começa também um terrorismo de que não se deve comer nada processado, qualquer coisa da indústria vira vilão. Isso também não é verdade. Há muitos produtos que são interessantes, higienizados, práticos. 
Esse terrorismo de pessoas querendo comer tudo fresco atrapalha o dia a dia, porque você demora muito para achar esses produtos. A comida deve ser, de preferência, in natura, mas também integrando alguns alimentos processados como base e, de vez em quando, ocasionalmente, alguns ultraprocessados. Mas não se deve viver disso. 
Para crianças, as mães compram tudo empacotado. Suco de caixinha, bolo empacotado achando que é melhor porque alegam ser saudável, dizem ter cálcio, vitaminas. Mas o melhor seria um bolo caseiro, com ovo de verdade. A indústria é capaz de fazer bolo processado com manteiga, ovo, farinha e um conservante. Mas ela faz com mil xaropes e gorduras.
BBC Brasil - Mas, segundo os dados da última pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde, um em cada cinco brasileiros é obeso. E esse índice aumentou nos últimos 10 anos. Por que isso?
Deram -Esse levantamento mostrou que as pessoas de fato estão engordando mais e ficando mais obesas, mas também mostrou que as pessoas estão comendo mais verduras e legumes e fazendo mais exercícios físicos. Então não é tão simples assim.
A oferta de alimentos no Brasil não piorou, mas as pessoas estão escolhendo de maneira pior. Há muita esperança. A população brasileira ainda come muito alimento de verdade. Os EUA estão numa situação bem pior. Aqui, 60 a 70% do que comemos ainda é comida de verdade. 
Mas esse índice de obesidade está crescendo de modo que ninguém sabe explicar. Está acontecendo no mundo inteiro. Um estudo publicado na (revista científica) Lancet em 2014 mostrou que nos últimos 30 anos, cerca de 149 países aumentaram o número de obesos e ninguém conseguiu diminuir. Estamos revendo até o tratamento. Será que o que estamos fazendo está ajudando? Provavelmente não.
BBC Brasil - Revendo o tratamento de que maneira?
Deram - Estamos vendo que as coisas que passam para obesos e pessoas acima do peso fazerem atrapalham o processo, em vez de ajudar. Quando você faz uma dieta muito restritiva você emagrece sim, no começo, mas seis meses a dois anos depois você volta a engordar.
Vemos que 95% das pessoas que fazem dieta fracassam. Quer dizer, todo mundo fracassa. A dieta restritiva abre a rodovia do engordar. 
Infelizmente, há um entendimento errado de que quanto mais magro, mais saudável. A saúde não é avaliada pelo número na balança, mas por muitos fatores. O peso na balança é um deles. Há os níveis de colesterol, de insulina, muitos dados são importantes. Focar tudo no peso é um dos muitos erros da saúde atual. 
Outro erro é achar que o corpo é uma máquina simples de calorias, que se trata do que entra e do que sai. Cada pessoa tem um corpo diferente e o que você come não é computado no corpo como calorias e sim como proteína, carboidrato, etc. A pessoa que só pensa em calorias não cuida da qualidade, e sim da quantidade. 
Além disso, esse ganho de peso em excesso não é necessariamente o problema que você tem que atacar. Às vezes ele é consequência de um estilo de vida, um problema de saúde, um desrespeito ao corpo, que engorda para se defender. As pessoas precisam parar de fazer dieta e fazer as pazes com a comida.
BBC Brasil - Você diz que dietas da moda, como a low carb (com pouco consumo de carboidratos), jejum intermitente, sem glúten e sem lactose são "terrorismo nutricional". Por quê?
Deram - Por que quem ganha com isso é a indústria porque as pessoas ficam reféns de produtos ultraprocessados que não têm glúten ou lactose. Quando se começa a proibir alimentos básicos da nossa cultura, como pão e leite, é preciso se preocupar. Temos que repensar o comer, mas não proibir tudo o que era da nossa cultura.
Com certeza há cerca de 2% da população que precisa tirar o glúten, que é uma proteína, por causa das doenças celíacas. E algumas pessoas têm uma sensibilidade maior do que outras. Mas as pessoas tratam se isso fosse alergia ao glúten, e não é isso. Não é tão grave assim. 
O que acontece é que no processo de panificação antigamente, a fermentação era natural e bem mais lenta. Os micro-organismos digeriam mais o glúten. Já a panificação industrializada de hoje é rápida, muito brutal. Eles até colocam como ingrediente dentro desses pães o glúten refinado, para crescer mais rápido. Isso sim pode irritar nosso sistema intestinal. Comendo mais alimentos in natura você já volta a uma alimentação mais tranquila. 
A lactose, por sua vez, é o açúcar do leite. Quando viramos adultos, digerimos menos esse açúcar. Algumas populações de origem asiática ou africana nem conseguem digerir. Na Europa houve uma mutação genética que faz com que muitos adultos ainda produzam essa enzima. Muitas pessoas, mesmo com intolerância diagnosticada, toleram um pouco de lactose. 
Low carb é mais um terrorismo, como se de repente o vilão fosse o carboidrato a todo custo. Tenho no meu consultório uma vibe de compulsão alimentar por causa desse low carb. O carboidrato é nossa gasolina para funcionar. Se você corta isso, claro que emagrece, mas seu cérebro não vai gostar e começa a pedir carboidrato. 
As pessoas que ficam low carb muitas vezes desenvolvem a compulsão por carboidrato. É como se o cérebro valorizasse mais a comida que foi proibida. Depois da dieta, o cérebro não responde mais aos sinais simples de ansiedade. Ele mistura sinais de cansaço, tédio, tristeza, com sinais de fome. E nisso, a tendência é justamente comer alimentos com carga energética maior, que confortam mais o cérebro - açúcar e gordura. Aí ela fica com culpa porque fica low carb o dia inteiro e no fim da tarde come um pacote de bolacha.
Esse terrorismo faz com que as pessoas busquem mais ajuda de profissionais e de produtos industrializados. Há um mercado aí por trás disso. Já tive pacientes que estavam sem glúten, mas, para ser mais fácil, só compravam produtos empacotados onde estava escrito sem glúten. E eu dizia: "Mas gente, arroz e feijão são sem glúten. Mandioca, pão de queijo...".
Jejum intermitente já se mostrou interessante em adultos em pesquisa controlada, em laboratório, em hospital. Mas em casa, não faça. Você funciona no dia a dia com muitas cobranças. Se você não está alimentando seu corpo, vira uma bomba prestes a explodir. De início se emagrece, mas o problema é manter.
BBC Brasil - E existe algum tipo de dieta que valha a pena fazer?
Deram - As dietas ayurvédicas são muito interessantes, se são bem feitas. Mas é preciso tomar cuidado porque muitos usam esse termo para fazer dietas da moda. 
Também é preciso combater o que chamo de "comer emocional". Quando você está triste, é melhor chorar do que comer uma barra de chocolate. Mas tudo isso pede um investimento de tempo, de energia, de concentração que as pessoas não querem fazer. 
Seus avós sentavam à mesa e comiam mais ou menos em função da fome. Não tinham esse conhecimento de glúten, lactose, blá blá blá que atrapalha a alimentação. Se tinha uma goiabada, pegavam um pedaço. E hoje temos que treinar as pessoas a voltar a funcionar assim. Temos tudo dentro de nós para funcionar corretamente, mas terceirizamos nossa fome, olha que loucura.
É importante dizer às pessoas que emagrecer não é só questão de #foco, #força e #fé (hashtags populares para tratar do tema no Instagram). O interessante seria as pessoas tentarem manter o peso e mudar sua alimentação. É possível treinar mais o comer emocional antes de tentar emagrecer 10 quilos. Ou seja, comer porque está com fome ou vontade de comer. Quando está triste, chora. Quando está ansioso, liga para um amigo, sai com o cachorro.
Matéria original no site da BBC Brasil, disponível aqui.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Estímulo cerebral pode tratar depressão e compulsão por comida



A estimulação cerebral profunda não é um tratamento novo e ainda é muito controverso. Ela surgiu em 1930, quando o neurocirurgião Wilder Penfield desenvolveu a técnica para tratar a epilepsia. Durante o procedimento, era realizado o estímulo de diferentes partes do cérebro com uma sonda elétrica. A ideia era manter os pacientes acordados durante o processo, para que os médicos pudessem entender o efeito do estímulo, identificar o problema e destruir a área problemática.
No mesmo período, o neurologista Antonio Egas Moniz trabalhava na retirada de pequenas partes do lobo frontal do cérebro de seus pacientes, área vital para o planejamento e a personalidade da pessoa. A retirada e observação dessas partes do cérebro foram essenciais para o estudo e a prática da estimulação cerebral, permitindo que neurologistas compreendessem que áreas do cérebro podem ser beneficiadas com os eletrodos. O procedimento foi considerado bem sucedido em vários casos e lhe rendeu um Prêmio Nobel em 1949.
Em 2002, a estimulação cerebral foi aprovada para o tratamento do mal de parkinson e já foi realizada em mais de 40 mil pacientes. A aprovação desse procedimento para doentes com parkinson abriu precedente para a utilização da técnica em pessoas com outros distúrbios, como a depressão severa. Neste caso, a região estimulada é o núcleo accumbens, área de recompensa do cérebro que é responsável por processar o prazer. O accumbens está ligado à depressão porque pessoas depressivas têm um interesse reduzido pelo prazer. 
Thomas Munte, neurologista da Universidade de Lubeck, na Alemanha, tem usado a técnica em pacientes com depressão severa e alguns com obesidade, que não têm resultados com outros tratamentos. Na paciente Anna, a estimulação ajudou a conter a depressão consideravelmente e a fez perder quase 50% a mais de peso por mês (2,8 kg), do que ela havia perdido após a cirurgia bariátrica. O neurologista afirma que o alvo inicial era tratar a depressão e que a perda de peso era o segundo objetivo a ser atingido. 
Munte explica que algumas pessoas são obesas devido à uma alteração no sistema de recompensa do cérebro. Segundo o especialista, existem obesos que apresentam diferentes padrões cerebrais quando estão diante de imagens de comidas gostosas em relação a pessoas magras. A teoria é que o núcleo accumbens leva pessoas viciadas ao seu objeto de desejo, podendo ser comida, álcool ou drogas. 
O método utilizado para impedir uma área do cérebro de realizar sua função ainda é uma teoria não comprovada, porém ganha força graças a um famoso estudo com ratos feito em 1950. "Às vezes, na medicina, você começa a fazer (procedimentos) antes de sequer saber exatamente como funciona", afirma Munte. No caso do mal de Parkinson, a estimulação cerebral profunda provou ter um impacto positivo muito maior na qualidade de vida do que outros tratamentos. Talvez, em breve, seja possível comprovar os impactos positivos no tratamento da depressão e até obesidade.
Atualmente, existem 650 milhões de adultos e 340 milhões de crianças e adolescentes atualmente considerados obesos no mundo. A obesidade contribui para a morte de cerca de 2,8 milhões de pessoas por ano em todo o mundo.
Contudo, Munte ressalta que a estimulação cerebral não deve ser aplicada como tratamento generalizado para a obesidade. Essa técnica deve ser o último recurso a ser utilizado, uma vez que trata-se de um procedimento caro e invasivo. Ela só é indicada em pacientes obesos com tendências aditivas (vício) em relação à comida. No caso de Anna, ela tinha uma dupla indicação para a realização da estimulação cerebral profunda, pois tinha depressão severa não solucionada com uso de antidepressivos e tendências aditivas em relação a comida, diagnosticadas a partir de vários questionários.
Com o uso mais frequente de medicamentos como antipsicóticos e antidepressivos, o uso dessas técnicas invasivas e irreversíveis foi reduzido, no entanto a contribuição trazida com o estímulo dessas áreas cerebrais foi importante para o avanço da estimulação cerebral. Embora não possa ser aplicado na maioria dos pacientes, os resultados positivos da utilização do método demonstram que, nos casos mais severos, esse tipo de tratamento pode ser a única saída para salvar vidas.
Fonte: BBC Future

sábado, 21 de abril de 2018

Saúde lança publicações para prevenção e controle da obesidade



Durante o XXV Congresso Brasileiro de Nutrição (Conbran), que acontece essa semana em Brasília, o Ministério da Saúde (MS) apresenta ações para prevenção e controle da obesidade. Com o tema “Comida: relações de afeto, tradições e direitos”, o evento busca debater temas sobre alimentação saudável e como evitar o excesso de peso, principalmente para o público infantil.
O encontro enfatiza sobre a necessidade e o direito à uma alimentação adequada e saudável para toda população, sobretudo como forma de evitar o aparecimento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Durante o evento, serão promovidas palestras com a participação de profissionais renomados na área que discutirão questões como alimentação na infância em casa e na escola, publicidade de produtos alimentícios infantis, obesidade, refeições adequadas à saúde do coração, entre outras.
Na ocasião, serão divulgadas as ações adotadas pelo governo brasileiro para a prevenção e controle do excesso de peso e obesidade no país. O MS lança ainda um conjunto de publicações do Programa Saúde na Escola, com o intuito de orientar professores a incentivarem a promoção da alimentação saudável no ambiente escolar. Será divulgada também a cartilha “Alimentação Cardioprotetora: Manual para os profissionais de Saúde de Atenção Básica”, que visa a capacitação dos profissionais sobre os cuidados com a alimentação dos portadores de doenças cardíacas.