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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

AVC: Neurologista tira dúvidas sobre a doença que causou a morte de Graça Araújo



Por Rebeka Gonçalves
No último sábado (08/09), morreu, aos 62 anos, a jornalista pernambucana Graça Araújo. A apresentadora sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico na quinta-feira (06/09). A morte ocorreu às 12h55, devido à falência múltipla nos órgãos, de acordo com o Hospital Esperança, unidade de saúde onde estava internada. 
Segundo a Organização Mundial de Saúde, estima-se que, no mundo, uma em cada seis pessoas terão algum tipo de AVC. Já de acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, o AVC é a principal causa de morte e incapacidades. Cerca de 80% dos casos são do tipo isquêmico.
A repercussão do falecimento da apresentadora e o nível de gravidade da doença trouxe à tona a discussão da enfermidade, por isso, o Blog Saúde e Bem Estar conversou com a neurologista do Hospital Pelópidas Silveira, Camila Lyra para tirar todas as dúvidas sobre o AVC e como se prevenir. 
SBE: O que é o AVC? 
Camila Lyra: O acidente vascular encefálico é uma urgência médica e é caracterizado por sintomas neurológicos súbitos secundários a alterações nos vasos do cérebro. Podem ser isquêmicos, análogos ao infarto cardíaco, hemorrágicos ou devido a aneurismas, que causam hemorragias subaracnóideas – quando há o rompimento de aneurismas.
SBE: Quais os sintomas?
Camila Lyra: Os sintomas são de instalação súbita, em poucos minutos, e vão depender da área do cérebro afetada.
Alteração da força de um lado do corpo, podendo comprometer braços e pernas, desvio da boca para um lado, dificuldade de falar, que pode ocorrer em maior ou menor grau, dificuldade de enxergar, desequilíbrio com dificuldade de andar, e até alterações da sensibilidade em um lado do corpo. 
SBE: Como é feito o diagnóstico?
Camila Lyra: O diagnóstico é feito através da anamnese, que é a coleta da história com o paciente ou familiares, exame físico e exame neurológico, um exame de imagem, que pode ser uma tomografia ou uma ressonância do encéfalo, ambas sem contraste. No AVC isquêmico, a tomografia pode ser inicialmente normal, sendo mais sensível para avaliar alterações hemorrágicas. Já a ressonância de encéfalo tem grande sensibilidade para detectar AVC precocemente. 
SBE: Como é realizado o tratamento?
Camila Lyra: O tratamento do AVC depende do tipo e do tempo para o diagnóstico do paciente. O AVC isquêmico, se diagnosticado e avaliado de forma rápida, pode ser tratado com medicação venosa, chamada trombolítico, com intuito de dissolver o trombo que está causando isquemia e reverter ou diminuir os sintomas. Este tratamento tem contraindicações e deve ser orientado por um neurologista apenas quando os sintomas se iniciaram a menos de 4 horas e 30 minutos. 
O AVC hemorrágico é causado principalmente por hipertensão arterial mal controlada. Forma-se um hematoma no encéfalo. Os hematomas pequenos podem ser apenas observados clinicamente e avaliados por tomografias de crânio de controle. Os hematomas extensos podem precisar de cirurgia para diminuir o tamanho e controlar os sintomas.
A hemorragia subaracnóidea, que é causada principalmente por aneurismas, pode ser classificada em 4 tipos, na escala de FISHER, sendo o 3 e 4 as formas de apresentação mais graves. Nestes casos, o aneurisma deve ser tratado ou cirurgicamente ou por arteriografia, um tipo de cateterismo, e alguns casos necessitam também de cirurgia para monitorizar a pressão dentro do encéfalo. 
SBE: Quais os fatores de risco? 
Camila Lyra: Os principais fatores de risco são hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, sedentarismo, obesidade e doenças do coração, no caso de infarto, arritmias cardíacas e insuficiência cardíaca.
Alguns fatores genéticos também estão associados, principalmente quando existe histórico familiar de AVC em idade precoce, abaixo de 60 anos.
Algumas doenças autoimunes também podem ser causa de AVC, porém são mais raras do que os fatores já mencionados. 
SBE: Como é possível se prevenir de ter um AVC? 
Camila Lyra: Para evitar um AVC no futuro, deve haver um controle rigoroso da pressão arterial, diabetes e colesterol. Também é essencial manter um estilo de vida saudável com exercícios regulares. 

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Hipertensão acomete cerca de 36 milhões de pessoas no Brasil


Mais de 60% dos idosos são afetados com o problema
Por Rebeka Gonçalves
Infarto, acidente vascular cerebral (AVC), doenças renais e obstrução das artérias do pescoço são alguns exemplos do que pode acontecer com um paciente hipertenso em situações extremas. Por isso, quando a saúde não vai bem e sintomas como visão turva, tontura ou dores de cabeça surgirem, aferir a pressão do paciente é um dos primeiros procedimentos a ser feito para saber se o que está causando o mal-estar tem relação com hipertensão. 
“Hipertensão arterial (HA) é condição clínica multifatorial caracterizada por elevação sustentada dos níveis pressóricos maior que 140 e/ou 90 mmHg. Há uma associação direta e linear entre envelhecimento e prevalência de HA. Também há maior incidência com o aumento de peso, ingestão de sal, consumo crônico e elevado de bebidas alcoólicas, sedentarismo e questões genéticas”, esclarece a cardiologista, Isabelle Machado. 
No Brasil, a hipertensão atinge 32,5% dos adultos – cerca de 36 milhões - e mais de 60% dos idosos, contribuindo direta ou indiretamente para 50% das mortes por doença cardiovascular. Estudos realizados no país incluindo 13.978 idosos mostraram 68% de prevalência de hipertensão arterial.  
“Um dos grandes problemas da hipertensão arterial é o fato dela ser assintomática até fases muito avançadas da doença. O fato de algumas pessoas terem dor de cabeça ou mal-estar quando apresentam pressões arteriais muito elevadas não significa que tenham HA, elas podem simplesmente ter picos de pressão assintomáticos”, explica a especialista. 
O diagnóstico é realizado através da medição da pressão arterial utilizando a técnica e o equipamento adequados, avaliação do histórico pessoal e familiar, exame físico, investigação clínica e laboratorial. O tratamento é feito através da abordagem terapêutica da pressão arterial com medidas não medicamentosas e uso de remédios para controle da pressão, a fim de reduzi-la e proteger órgãos como o rins, olhos, cérebro e coração. 
A dona de casa, Selma Régis, relata como descobriu que era hipertensa. “Descobri quando fui fazer uma cirurgia e pediu o parecer cardiológico, aí marquei a consulta com a cardiologista para ela confirmar que estava apta para fazer a cirurgia, mas quando cheguei lá, a médica aferiu minha pressão e perguntou se eu era hipertensa, porque a minha pressão estava um pouco alta. Depois de uma semana, voltei ao consultório para aferir a pressão, mas ainda deu alta. E na terceira vez, ainda estava alta. Então, fui fazer o teste, o Holter, para ficar medindo a pressão. E quando voltei para mostrar o resultado a médica, então ela diagnosticou que a minha pressão oscilava muito, e comecei a tomar o remédio, aí ela liberou que eu fizesse a cirurgia. E até hoje, eu tomo esse remédio”, relembra. 
A melhor forma de prevenção, além da utilização de medicação adequada e contínua no caso de hipertensos, é adotar hábitos saudáveis, alimentação rica em frutas, oleaginosas -amendoim, milho, soja –, sais minerais e a prática de exercícios físicos. 
Hábitos saudáveis para hipertensos 
1) Alimentação
Diminua o sal da comida; nunca ultrapasse 6 gramas por dia, ou seja, uma colher de chá para toda a alimentação diária. Use temperos naturais, como limão, cebola, alho e cheiro verde. 
2) Peso
O excesso de peso tem grande relação com o aumento da pressão. Portanto, se você está com o peso acima do normal, ou seja, seu índice de massa corpórea é superior a 25 kg/m². 
Veja como calcular o índice de massa corpórea utilizando a seguinte fórmula: 
Peso/(Altura x Altura) = Índice de Massa Corpórea
3) Sedentarismo 
Passe a fazer regularmente uma caminhada de, no mínimo, trinta minutos todos os dias ou, pelo menos, quatro vezes por semana. 
Os melhores exercícios para hipertensos são: caminhar, nadar, correr e andar de bicicleta. 
4) Bebidas alcoólicas
O consumo excessivo de bebidas alcoólicas eleva a pressão arterial. Por isso, os homens não devem ultrapassar o limite diário de 60 mL de bebidas destiladas (uísque, vodca, aguardente, etc.), ou 240 mL de vinho, ou 720 mL de cerveja. As mulheres e pessoas de baixo peso devem limitar a ingestão de álcool à metade da quantidade permitida aos homens. 
5) Tabagismo
Abandonar o tabagismo deve ser a primeira providência do hipertenso, pois é o mais importante fator de risco, sendo responsável por 1 em cada 6 óbitos. A nicotina aumenta a pressão arterial e acelera a progressão do depósito de gorduras nas paredes das artérias. 
6) Estresse 
As causas do estresse podem variar de acordo com o indivíduo. O melhor a fazer é, se possível, identificar o motivo gerador de tensão e eliminá-lo. Na impossibilidade, deve-se procurar encarar a situação com mais leveza e/ou ajuda profissional, como um psicólogo. 
7) Atividades de lazer
Descubra uma atividade que lhe dê prazer. Ler um livro, pintar um quadro, bordar, participar de atividades sociais ou de grupos de relaxamento são ocupações que geram bem-estar. Invista suas energias na atividade que mais lhe agradar. 

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

7 motivos para você parar com o cigarro agora




1. Da cárie ao câncer 
O tabagismo provoca vários estragos na região da boca. Além de modificar o hálito, a fumaça irrita a gengiva e pode facilitar o surgimento de cáries. Há também uma alteração nas papilas gustativas, o que afeta o paladar do fumante. O cigarro ainda aumenta os riscos de câncer de boca. 
2. Chapa preta 
Várias substâncias tóxicas presentes na fumaça fazem os tecidos dos pulmões perderem elasticidade, o que acarreta uma destruição parcial da estrutura desses órgãos. É isso que as chapas de pulmão dos fumantes – bastante escuras – mostram. Das mortes provocadas por bronquite ou enfisema, 85% estão associadas ao cigarro. O câncer de pulmão é ainda a principal causa de morte por câncer entre fumantes. 
3. Trabalho com a nicotina 
A nicotina aspirada pelo fumante segue para o fígado, onde é metabolizada. Por isso, esse órgão também está sujeito a desenvolver câncer. 
4. Estômago embrulhado 
Já foram encontrados resíduos de um agrotóxico chamado DDT em amostras do alcatrão que compõe o cigarro. O DDT irrita as paredes do estômago e pode levar o fumante a sentir náuseas. Além disso, uma parte das substâncias tóxicas do cigarro é metabolizada no estômago, o que pode gerar gastrite, úlcera e até mesmo câncer. 
5. Risco de derrame
O cérebro também pode ser afetado pelas dificuldades de circulação causadas pelo cigarro. Os vasos comprimidos, a qualidade de sangue prejudicada e o aumento da pressão arterial podem resultar em derrame cerebral. 
6. Circulação comprometida 
A nicotina diminui a espessura dos vasos sanguíneos e o monóxido de carbono reduz a concentração de oxigênio no sangue. Assim, o fumante está mais sujeito a vários problemas relacionados à circulação, como aneurismas – dilatação de vasos sanguíneos que favorece os derrames – tromboses – entupimento de vasos – varizes e até uma doença chamada tromboangeíte obliterante, que afeta as extremidades do corpo, podendo levar à amputação de membros. 
7. Infarto à vista 
Um dos órgãos mais afetados é o coração. A ação da nicotina faz com que o corpo absorva mais colesterol. O cigarro também eleva a pressão arterial e a frequência cardíaca, que sobe até 30% durante as tragadas. Tudo isso é fator de risco para problemas no coração, tornando o fumante mais propenso a ter infartos. 
Fonte: Superinteressante

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Especialista esclarece os riscos do uso dos anabolizantes



Por Rebeka Gonçalves
Mesmo sendo um assunto já muito discutido, o uso de anabolizantes só cresce no Brasil. O levantamento feito pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), instituição ligada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostra que 1,4% dos estudantes do país já colocou a saúde em risco para entrar em forma. 
Os homens são maioria no consumo clandestino, mas o conceito de beleza atual, que exige das mulheres mais massa muscular, também aproxima o sexo feminino do perigo. Para esclarecer todos os perigos do uso dessa droga, o Blog Saúde e Bem Estar conversou com a clínica geral, Jaqueline Souza. 
SBE: Quais os fatores de risco para uma pessoa que faz uso de anabolizantes? 
Jaqueline Souza: Em caso do uso por homens, acontece o processo no qual denominamos de ginecomastia, que é o crescimento de seios irreversíveis, mau odor durante a prática esportiva, o aparecimento exacerbado de espinhas, aumento do nível de estresse e agressividade, além de desencadear câncer hepático. Também pode causar impotência, redução de esperma e calvície. 
Em mulheres, devido ao principal hormônio utilizado ser a testosterona, acarreta engrossamento da voz, surgimento de pelos, diminuição dos seios, além da fertilidade comprometida, o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC). 
Em adolescentes, o aceleramento da função das epífises ósseas, que são separações que acontecem de forma natural entre os ossos da mão e do pé, que se configuram em período de estirão geral do crescimento, mas quando se usa o anabolizante de forma errada, o adolescente acelera esse processo e esse crescimento vai ser diminuído. Então, um jovem que ainda ia crescer em dois ou três anos, não crescerá, porque essas epífises se juntam mais rapidamente. 
SBE: Pode causar dependência? 
Jaqueline Souza: Sim, não só relacionada ao corpo. A pessoa pode ficar mais agressiva, mais irritada, além da dependência mental. Os ganhos de massa muscular, de potência de treino, de vigor físico, todos esses benefícios dificulta a retirada do uso do anabolizante e faz com que a pessoa fique em abstinência, logo essa retirada tem que ser feita de uma maneira cautelosa, com a ajuda de um profissional médico, se possível, já que a carga de hormônio desse indivíduo está muito alta em comparação as pessoas que não utilizam essas substâncias. 
SBE: O anabolizante pode matar?
Jaqueline Souza: Tem que ficar atento, principalmente para os sintomas depressivos, que podem causar suicídio, pois a pessoa tem aquele hábito, estar forte, estar bonito perante a sociedade, e a retirada dessa droga pode gerar uma série de consequências de transtornos mentais. 
SBE: Qual a recomendação para as pessoas que optam pelo uso dessas substâncias para conseguir um bom condicionamento mais rápido? 
Jaqueline Souza: Para as pessoas que já fazem uso de anabolizantes, aconselho procurar uma orientação médica para parar esse uso, e fazer uso consciente de uma terapia hormonal. Atualmente, temos muitos profissionais no mercado que podem assistir de forma correta as pessoas, como os nutrólogos e endócrinos, que vão conduzir o paciente de forma adequada. Logo, sempre procurar profissionais, não procurar o caminho mais rápido. 
SBE: Qual seria o melhor caminho para uma pessoa que busca uma vida mais saudável? 
Jaqueline Souza: Tudo passa pela saúde mental, quando a pessoa está com a saúde mental em dia, tem uma reeducação alimentar, tem acompanhamento de um nutricionista, de um educador físico e um profissional médico, os resultados serão mais demorados, mas conseguirá mantê-los a longo prazo. A pessoa não está mudando o corpo, está mudando o estilo de vida, a forma de pensar sobre o corpo, sobre o gerenciamento do dia-a-dia em prol do corpo. Então, tudo isso requer tempo, ajuste mental mais do que físico. Mas, sempre com a orientação de profissionais, porque mesmo que a pessoa esteja com urgência de mudar, o profissional irá saber o melhor caminho a ser seguido. 
Então, a orientação é não procure o corpo perfeito, e sim uma saúde de qualidade. 

Atendimento endócrino gratuito em Pernambuco

Hospital Regional Fernando Bezerra
Av. Teobaldo Gonçalves Torres, 510, Centro – Ouricuri/PE
Tel: (87) 3874.4857
Marcação de consulta: realizada através das secretarias de saúde dos municípios.


Hospital Getúlio Vargas
Endereço: Av. General San Martin, S/N, Cordeiro – Recife/PE
Tel: (81) 3184.5600
Marcação de consulta: Segunda a sexta, das 7h às 17h, no próprio ambulatório. Marcação apenas presencial.


Hospital Regional do Agreste Dr. Waldemiro Ferreira
Endereço: Br-232, Km 130, S/N, Indianópolis – Caruaru/PE
Tel: (81) 3719.9400
Site: http://www.hra.saude.pe.gov.br/


Atendimento Endócrino, Psicológico e Nutricional 

Hospital Ermírio Coutinho
Endereço: Travessa Bancário Leopoldino Vieira de Melo Filho, S/N, Centro – Nazaré da Mata/PE
Tel: (81) 3633.4650
Marcação de consulta: Presencial


Atendimento Psicológico

Hospital Geral de Areias
Avenida Recife, 810, Estância
Tel: (81) 3182. 3000

CEPPA - Centro Pernambucano de Psicologia Aplicada
Rua Dona Benvinda, 252, Paissandu – Recife/PE
Tel: (81) 3231.0039/3126.0038
Horário de Funcionamento: Segunda a sexta das 8h às 17h / Sábado das 8h às 12h
Site: https://ceppa-pe.com.br/

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Alimentação e hábitos saudáveis são aliados no combate ao colesterol alto


Colesterol alto é uma das principais causas de doenças cardiovasculares como infarto, acidente vascular cerebral e trombose
Com o intuito de orientar a população para os riscos que o colesterol alto pode trazer para a saúde, o Ministério da Saúde comemora no dia 8 de agosto, o Dia Nacional de Combate ao Colesterol. Nesta data são realizadas diversas ações em todo país como forma de conscientização e prevenção de doenças cardiovasculares. O colesterol alto é uma das principais causas de diversas doenças, sendo um importante fator de risco de morte.
O colesterol é uma substância gordurosa já produzida pelo nosso organismo, sendo que uma parcela é obtida através da alimentação. Ele ajuda o corpo a desempenhar diversas funções essenciais, como a produção de determinados hormônios, entre eles testosterona, estrógeno e cortisol. No entanto, é necessário que o seu consumo seja realizado de forma equilibrada para manter as taxas regulares.
“O colesterol, apesar da má fama, é necessário para o funcionamento de vários sistemas do corpo. Ele é utilizado pelo organismo na produção de hormônios, como os hormônios esteroides, na produção da bile que auxilia na digestão, na síntese de algumas vitaminas e também como componentes importantes na composição das células do corpo”, explica a cardiologista do RealCor, Danielle Batista.
Existem dois tipos, o LDL, também conhecido como "mau" colesterol, é responsável pelo transporte de colesterol para as células onde será utilizado. Quando há um excesso de LDL na circulação, há também um aumento do risco de aterosclerose (entupimento das artérias pela gordura). Já o HDL tem a função de retirar o excesso de colesterol da circulação, levando de volta para o fígado. Por isso, ele é considerado benéfico para a saúde.
De acordo com a cardiologista, os riscos relacionados à elevação dos níveis de colesterol podem ser associados com doenças cardiovasculares como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e trombose em membros inferiores. “O aumento do colesterol aumenta o risco de aterosclerose, que é a deposição de placas gordurosas nas paredes dos vasos sanguíneos, dificultando a circulação do sangue naquele local, impedindo a chegada de oxigênio e outros nutrientes”, afirma Danielle Batista.
Alimentação, hábitos saudáveis e fatores genéticos são os principais fatores de risco. Apesar do fator hereditário ter sua relevância, mudanças no estilo de vida têm demonstrado grande eficiência no tratamento das doenças cardiovasculares e de enfermidades associadas ao excesso de gordura. Andressa Lopes, nutricionista do Real Instituto de Cirurgia Oncológica, esclarece quais as recomendações para evitar a dislipidemia (DLP) e o aumento do colesterol total e frações. 
“Do ponto de vista nutricional, seguimos recomendações da diretriz brasileira de dislipidemias e prevenção de aterosclerose -2017: é fundamental manter uma alimentação equilibrada, fracionada, variada e anti-inflamatória, consumir maior quantidade de fibras, vitaminas, minerais e fitoquímicos presentes nas frutas, verduras e legumes variados diariamente, em média 3-5 porções de frutas diferentes ao dia. Vegetais no almoço e jantar, preferir grãos integrais, consumir 1 porção de leguminosa (feijões) ao dia, consumir sementes e oleaginosas diariamente (semente de chia, castanha do Pará, amêndoas, macadâmia, caju, Baru), aveia, germe de trigo e farinhas/cereais integrais, aumentar consumo de alimentos fonte de ômega 3 (sardinha, anchova, semente de linhaça hidratada, chia), preferir azeite de oliva extra virgem ou óleo de girassol ambos com moderação para o preparo dos alimentos”, orienta. 
A nutricionista ressalta ainda que é preciso evitar açúcar branco, doces em geral, pães brancos, tortas e alimentos ultraprocessados (salgadinhos, sucos de caixas e artificiais, biscoitos, bolachas, chocolate ao leite, frituras que são fonte de gordura trans). “A alimentação saudável deverá ser associada com o peso adequado, lembrando que o Índice de Massa Corpórea (IMC) para adulto ideal é entre 18,5-24,9kg/m2”, aconselha Andressa. 
Vale destacar que, além da alimentação, é essencial praticar exercícios físicos regularmente, evitar o uso do cigarro e o consumo de bebida alcoólica em excesso. “O aumento de LDL aumenta o risco para as doenças cardiovasculares, por isso é fundamental manter todas as orientações dietéticas, peso saudável, atividade física com orientação do profissional da área e acompanhamento médico regular”, conclui a nutricionista.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Campanha alerta para a relação entre fumo e doenças cardíacas




Com o tema Tabaco e Doença Cardíaca, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lança campanha para marcar o Dia Mundial Sem Tabaco, comemorado em 31 de maio, e o Dia Nacional de Combate ao Fumo celebrado em 29 de agosto. O tema deste ano tem o intuito de alertar para a ligação entre tabaco e doenças cardiovasculares (DCV), incluindo acidentes vasculares cerebrais (AVC) que são as principais causas de morte do mundo, acometendo 17,7 milhões de pessoas por ano. 
O slogan da campanha desse ano “Com o coração não se brinca. Faça a melhor escolha para a sua vida: não fume!” pretende divulgar a relação direta que existe entre o fumo e as doenças cardíacas, uma vez que o tabagismo é uma das principais causas de infarto, angina e acidente vascular cerebral. 
De acordo com a OMS, 7 milhões de pessoas morrem anualmente pelo tabaco, destas 900 mil são vítimas de fumo passivo. A pessoa que apenas inala a fumaça do tabaco tem o risco aumentado de desenvolver doenças cardíacas em 25 a 30%.
Existe uma relação direta entre o tabagismo e as doenças cardiovasculares, como infarto do miocárdio, doença vascular periférica, doenças da aorta, aneurisma da aorta e acidente vascular cerebral. Além disso, o fumo pode causar dependência física, psicológica e comportamental semelhante ao que ocorre com o uso de outras drogas.
A DCV é causada por um bloqueio que impede o sangue de seguir para o coração ou para o cérebro. O tabagismo é um fator de risco para a ocorrência dessas doenças porque forma placas de gordura nos vasos sanguíneos, aumentando a pressão arterial e a frequência cardíaca. Além disso, ele induz a resistência à insulina e produz inflamação e trombose. 
Segundo a OMS, as doenças cardiovasculares são as principais causas de morte em todo o mundo, levando 17,7 milhões de pessoas a óbito todos os anos. No Brasil, o índice representa quase 30% dos óbitos registrados, sendo mais frequentes em pessoas com idade entre 35 e 64 anos.
João Cavalcanti Wanderley, cardiologista do Instituto do Coração (Incor), ressalta que parar de fumar implica numa redução significativa do risco de ter uma complicação cardíaca. “Já se sabe que a suspensão do uso do fumo reduz consideravelmente o risco de doenças cardiovasculares, por exemplo, reduziria em cerca de 50% o risco de infarto do miocárdio”, enfatizou. O especialista destacou ainda que é fundamental tratar as outras comorbidades (associação de duas ou mais doenças no mesmo paciente) que aumentam o risco de DCV, como controlar o peso, a diabetes e a pressão arterial.
“Outra doença que se relaciona com a parte vascular é a impotência sexual, porque depende muito da irrigação da região do pênis, e quando você tem ateroesclerose, você pode ter impotência sexual que está diretamente ligada ao problema vascular e ao cigarro”, afirmou o cardiologista. 
O Ministério da Saúde divulgou o resultado de uma pesquisa que aponta que a frequência do consumo do tabaco entre os fumantes nas capitais brasileiras reduziu em 36%, no período de 2006 a 2017. Os dados indicam que o número de fumantes diminuiu de 15,7% para 10,1% nesse período. 
A pesquisa registrou ainda que, em 2017, a frequência de fumantes é maior no sexo masculino (13,2%) do que no feminino (7,5%). Se analisado por faixa etária, a frequência de fumantes é menor entre os adultos com 65 anos e mais (7,3%). Já as faixas etárias de 18 a 24 anos (8,5%) e 35 a 44 anos (11,7%) apresentaram um pequeno aumento em relação ao ano anterior, quando foram registrados 7,4% e 10%, respectivamente.
“As campanhas existem, mas precisam ser muito mais enfatizadas e chamar a atenção do público. O cigarro traz um maléficio enorme e um risco muito aumentado de se ter doenças cardiovasculares, sobretudo infarto do miocário, AVC e doença vascular periferica, que muita gente não dá importância, mas que pode levar a amputação de um membro e outras coisas mais”, concluiu João Cavalcanti.