sexta-feira, 27 de abril de 2018

Projeto Língua Solta atende crianças com a popular “língua presa”


Pedro e a mãe, Rose Andrade, na consulta da revisão cirúrgica com a Dra. Ana Cláudia Araújo
Desde 2014, o Teste da Linguinha passou a ser obrigatório nas maternidades brasileiras, com base na lei nº 13.002, sancionada pelo Governo Federal. O teste tem como objetivo examinar as alterações morfofisiológicas e evitar futuros problemas como má-formação, fonação, deglutição e dificuldades de ordem psicossocial para as crianças. Popularmente conhecida como língua presa, trata-se de uma alteração morfofisiológica que atinge cerca de 17% das crianças no país e está associada à genética familiar.

Tendo em vista a necessidade de tratar os pequenos pacientes com essas alterações, os departamentos de odontologia e fonoaudiologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desenvolveram o Projeto Língua Solta. O programa segue o Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua do Bebê e garante o diagnóstico e, se preciso, a realização da intervenção cirúrgica, além de todo acompanhamento posterior com consultas e atendimento fonoaudiológico.

Em 2017, foram realizados cerca de 700 atendimentos entre consultas avaliativas, procedimentos cirúrgicos e revisão pós-cirurgia. Atualmente, atende cerca de 30 pacientes por dia e já assistiu mais de 2.500 crianças. O atendimento é gratuito e realizado na clínica de pesquisa do departamento de Prótese e Cirurgia Buco-Maxilo-Facial da UFPE.

O Língua Solta avalia crianças na faixa etária de 0 a 10 anos de idade. No entanto, Ana Cláudia Araújo, coordenadora do projeto, enfatiza que quanto mais cedo a criança realizar o procedimento, melhor é a recuperação e o resultado. “O ideal é fazer nos primeiros dias de vida do bebê, logo após o diagnóstico através do teste da linguinha, na maternidade. Inclusive porque a língua presa, como é conhecida, atrapalha a amamentação e deglutição do bebê. Isso sem falar nos problemas futuros com relação à fala e até socialização da criança”, reforça a especialista.

Com 19 dias de vida, o pequeno Pedro realizou a intervenção cirúrgica no local. Segundo Rose Andrade, mãe do bebê, o problema foi identificado na própria maternidade através do Teste da Linguinha. “Antes do procedimento ele não conseguia mamar direito e ganhava apenas 20 gramas por dia. Após a cirurgia ele passou a ganhar 60 gramas com a amamentação exclusiva”, afirmou a mãe de Pedro.

“Hoje o grande entrave do funcionamento do projeto é o financiamento, uma vez que a universidade só contribui disponibilizando a estrutura física e de equipamentos. Toda a captação de materiais como luva, gaze, álcool, é obtida através de doação dos pacientes que são atendidos pelo programa e também por meio de cursos de capacitação”, relatou a coordenadora.

A idealização e coordenação do Língua Solta foi uma iniciativa dos professores-doutores Ana Cláudia Araújo Silva e Alfredo Justino Gaspar Junior, ambos docentes da UFPE. A iniciativa conta ainda com a contribuição do professor de fonoaudiologia Hilton Justino, além de uma equipe multiprofissional formada por cirurgiões-dentistas, odontopediatras, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e acadêmicos desses cursos.

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